Em comício no Acre, Bolsonaro ameaça fuzilar petistas

Um vídeo (assista abaixo) em que Jair Bolsonaro (PSL) faz ameaças a adversários políticos passou a circular nas redes sociais nesta segunda-feira (3). Nas imagens, o candidato participa de um ato de campanha em cima de um carro de som em Rio Branco, no Acre.

Durante um dos discursos, ele pegou o tripé de uma câmera, levantou, imitou estar atirando e disse: “Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre. Vamos botar esses picaretas para correr do Acre… para a Venezuela comer capim”.

“Bolsonaro ameaçou fuzilar opositores ontem no Acre. Em qualquer democracia este cretino estaria preso por apologia à violência, não concorrendo a presidente da República”, escreveu Boulos no Twitter.

O Art. 286 do Código Penal Brasileiro afirma que “Incitar, publicamente, a prática de crime” resulta em “Detenção de três a seis meses, ou multa”. A assessoria de imprensa de Jair Bolsonaro divulgou uma nota afirmando que “tudo não passou de mais uma brincadeira, como sempre”.

Críticos do candidato destacaram a irresponsabilidade do seu discurso e não aceitaram a justificativa. “Esse é o candidato que usa Deus em seus discursos, defende a família e nos debates prega a união de todos os brasileiros?”, questionou um internauta.

Outros usuários ressaltaram que Jair Bolsonaro possui um fã clube muito extremista e fiel e que, por isso, há risco real de aceitarem como verdade absoluta tudo o que o candidato diz.

Ronaldo Fenômeno paga indenização de R$ 100 mil a fotojornalista gaúcho

naom_5b8c29511a879

O jornalista gaúcho José Aveline recebeu uma indenização de R$ 100 mil de Ronaldo Fenômeno, que fez o pagamento após determinação da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O processo durou 16 anos e finalmente chegou a um desfecho, segundo informou neste domingo (2) o colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”.

É que na Copa do Mundo de 2002, Ronaldo Fenômeno agrediu José Aveline. Na ocasião, o fotojornalista tentou fotografar Ronaldinho Gaúcho enquanto este dançava no colo de acompanhantes numa boate na Coréia do Sul. A informação está relatada no processo.

E onde entra o Fenômeno na história? O ex-camisa 9, destaque daquele Mundial que rendeu o penta para o Brasil, também estava no local e resolveu tirar à força a câmera fotográfica das mãos de Aveline, com ajuda de seguranças.

Neymar se apresenta à Seleção com visual extravagante

naom_5b8d7856f2978

O atacante Neymar se apresentou à seleção brasileira nesta segunda-feira (3), em New Jersey, nos Estados Unidos. O craque do Paris Saint-Germain surgiu com um visual bem extravagante: ele vestia calça e casaco na cor amarela e um tênis multicolorido. Antes de entrar no hotel que hospeda a delegação da Seleção Brasileira, o camisa 10 distribuiu autógrafos aos torcedores que faziam plantão na rua.

Antes de Ney, ainda nesta segunda, se apresentaram ao técnico Tite os jogadores Lucas Paquetá e Hugo, do Flamengo, Everton e Mateus Cardoso (Sub-20 que auxiliará nos treinamentos), do Grêmio. Dos jogadores que atuam no Brasil, apenas o zagueiro Dedé ainda não se apresentou. O jogador, que atuou pelo Cruzeiro no domingo, chegará a Nova Jersey na terça-feira (4).

naom_5b8d78450f7ae

No domingo, chegaram outros dez jogadores: os zagueiros Marquinhos e Thiago Silva, ambos do PSG, o goleiro Alisson, o atacante Roberto Firmino e o lateral-direito/volante Fabinho, do Liverpool. Richarlison, do Everton, o volante Casemiro e o lateral-esquerdo Filipe Luís, do Real Madrid e do Atlético de Madrid, respectivamente, além da dupla da Juventus: Douglas Costa e Alex Sandro.

Nesta segunda-feira (3), o técnico Tite comanda o primeiro treinamento em solo americano. A atividade está marcada para às 17h (18h de Brasília), na Red Bull Arena.

Lula segue na liderança, indica Pesquisa BTG Pactual

Dl6m7eiXcAU3fx8

O ex-presidente Lula continua na liderança das intenções de voto nas eleições presidenciais, segundo pesquisa realizada pelo Instituto FSB Pesquisas, contratado pelo Banco BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira (3). No levantamento estimulado, em um cenário com Lula, ele aparece com 37% da preferência dos entrevistados, o que representa um crescimento de 2% em relação à pesquisa anterior.

O ex-presidente aparece bem à frente dos demais candidatos: Jair Bolsonaro (PSL), 22%; Ciro Gomes (PDT), 7%; Geraldo Alckmin (PSDB), 6%; Marina Silva (Rede), 5%; João Amoêdo (Novo), 4%; Álvaro Dias (Podemos), 3%; Guilherme Boulos (PSOL), 1%; Henrique Meirelles (MDB), 1%; Cabo Daciolo (Patriota), 1%. Entrevistados que disseram que não votariam em nenhum, 9%; brancos e nulos, 2%; não sabem, 2%.

No cenário estimulado colm Fernando Haddad, Bolsonaro está em primeiro, com 26%; seguido por: Ciro, 12%; Marina, 11%; Alckmin, 8%; Haddad, 6%; Amoêdo, 4%; Álvaro, 3%; Meirelles, 1%; Boulos, 1%; Cabo Daciolo, 1%; em ninguém, 18%; brancos ou nulos, 4%; não sabe, 5%; não respondeu, 1%.

A capacidade de transferência de votos de Lula está bem avaliada pelos eleitores. Ao todo, 33% do eleitorado afirmam que poderão votar em Haddad como candidato representante de Lula, dois pontos percentuais acima da rodada anterior da pesquisa; 19% dizem votar nele com certeza (18% semana passada) e 14% afirmam poder votar no ex-prefeito (13% na pesquisa anterior).

A pesquisa foi realizada por telefone, foram entrevistados 2 mil eleitores, entre os dias 1 e 2 de setembro. A margem de erro é de 2%, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE: BR-01057/2018.

Mais do que na hora

20180902143446_808

Por José Inácio Werneck

A Seleção Brasileira já está nos Estados Unidos para dois amistosos, primeiro contra o dono da casa, em Nova Jersey, e depois contra El Salvador, na capital americana.

Ao contrário de outras épocas, a Seleção desperta pouca curiosidade.

Afinal, fomos apenas medíocres na Copa na Rússia e as notícias que se tem no resto do mundo quanto ao nosso futebol dizem mais respeito à condenação de cartolas por corrupção do que à  qualidade técnica de nossos times.

Pedro, que seria uma novidade, machucou-se e está dispensado. Richarlison, convocado em seu lugar, é mais um homem para jogar aberto, o que leva a crer que a posição de atacante pelo meio será mesmo de Roberto Firmino.

Andreas Pereira, outra novidade, no momento está afastado no Manchester United e nem no banco ficou nos últimos dois jogos. Fred foi reserva hoje contra o Burnley, sem entrar em campo.

Como sempre, em tais amistosos, teremos muitas substituições.

É hora do Brasil iniciar uma penosa reascensão. E ver se Neymar para de rolar pelos gramados. As notícias que chegam da França são de que ele vem se mostrando mais sério.

Está mais do que na hora.

Dois franceses na disputa pelo troféu de melhor técnico do mundo

000_18T6J9-1024x461

Na manhã desta segunda-feira, a Fifa anunciou os finalistas de sete prêmios individuais referentes à temporada 2017-18. Entre os técnicos da modalidade masculina, os nomes escolhidos foram de Zlatko Dalic, da seleção da Croácia, do francês Didier Deschapms, campeão da Copa do Mundo com a França, e de Zinedine Zidane, pela temporada no comando do Real Madrid.

Os técnicos Didier Deschamps e Zlatko Dalic foram treinadores das seleções masculinas que disputaram a Copa do Mundo e, não sem coincidência, se enfrentaram na final do Mundial da Rússia. Dalic levou a Croácia à primeira decisão do torneio em toda a história do país, enquanto Deschamps deu o bicampeonato a França, além de ter entrado no seleto grupo de ex-jogadores que também venceram uma Copa como técnico.

Já o terceiro finalista é Zinedine Zidane, que anunciou sua saída do Real Madrid no fim da temporada europeia, quando conquistou pela terceira vez a Liga dos Campeões. Na ocasião, os merengues venceram o Liverpool por 3 a 1, com gols de Benzema e Bale (dois).

Papão deve anunciar Brigatti como novo técnico

622_0ccc36b4-e1f8-47dd-b99d-329a6a6bf8b8

João Brigatti, que vinha trabalhando como técnico interino da Ponte Preta, é o novo técnico do Paissandu. O acerto foi finalizado na manhã desta segunda-feira. Brigatti foi substituído no time campineiro por Marcelo Chamusca, ex-Ceará e PSC. A diretoria do Papão deve anunciar oficialmente a contratação na tarde desta segunda.

Além do técnico, a Comissão de Futebol se movimenta para contratar reforços. Os volantes Marcos Junior e Felipe Guedes, que defenderam o ABC na Série C, são os primeiros. Com a vinda da dupla, o clube deve liberar jogadores que estão no elenco.

Sem Messi, Fifa divulga os 3 finalistas do prêmio de melhor do mundo

000_18T6EY

A Fifa oficializou na manhã desta segunda-feira os três finalistas para conquistarem o prêmio de Melhor jogador da temporada entregue pela entidade. Sem a presença de Lionel Messi, que fazia parte dos finalistas deste 2007, os jogadores escolhidos foram Cristiano Ronaldo, Mohamed Salah e Luka Modric.

O português briga pela sua sexta premiação e tem como trunfo a conquista da Liga dos Campeões pelo Real Madrid como artilheiro da competição. O croata também foi importante no terceiro título europeu consecutivo dos madrilenhos e ainda conta com o fato de ter chego na decisão da Copa do Mundo com o seu país sendo eleito o melhor jogador do torneio. Já Salah corre por fora com uma temporada espetacular pelo Liverpool, onde conquistou o Campeonato Inglês e chegou a decisão da Liga dos Campeões.

O destaque da lista ficou para a ausência de Lionel Messi. O argentino do Barcelona era figura carimbada pelo menos entre os três finalistas do prêmio desde 2007, quando acabou sendo vencido pelo brasileiro Kaká e ficou na segunda colocação.

Finalista da temporada passada, Neymar não chegou a figurar nem entre os 10 finalistas desta temporada. O brasileiro acabou não desempenhando o que era esperado dele na Copa do Mundo pelo Brasil e sofreu uma lesão que acabou prejudicando-o durante a temporada.

O prêmio da Fifa para o melhor jogador do mundo será entregue no próximo dia 24 de setembro, em cerimônia realizada em Londres. Vale lembrar que o prêmio leva em conta o que os atletas desempenharam apenas durante a temporada, entre os dias 7 de junho de 2017 e 15 de julho de 2018, data da final da Copa da Rússia.

Goleiros concorrem

Além dos jogadores de linha, a Fifa também divulgou nesta manhã os três goleiros que concorrem a premiação de melhor da posição nesta temporada. Os finalistas deste ano são o belga Thibaut Courtois, o francês Hugo Lloris e o dinamarquês Kasper Schmeichel. Os três candidatos foram grandes destaques por suas seleções na Copa do Mundo. No ano passado, o grande vencedor deste prêmio foi Gianluigi Buffon.

Jann Wenner e a Rolling Stone: como um editor inventou o rock

Jagger-Bono-180829aa-1024x585 (1)

Por André Forastieri, em seu blog (andreforastieri.com.br) 

Quando a Rolling Stone estava começando, perguntaram para seu criador, Jann Wenner, 20 anos: mas você quer fazer jornalismo, uma revista de crítica musical, ou um trambique para tirar dinheiro dos adolescentes?

Todas as alternativas, é a resposta de Joe Hagan, autor de “Sticky Fingers – The Life And Times of Jann Wenner and Rolling Stone Magazine.” É a biografia autorizada de Wenner, que a desautorizou. É detonado por Hagan já a partir do título, “Sticky Fingers”, Dedos Lambuzados. É referência ao álbum clássico dos Rolling Stones, mas também gíria para mão leve (e para sexo manual a dois; dedos melecados de fluidos vaginais).

Wenner escolheu pessoalmente Hagan, jornalista “sério”, investigativo. Deu acesso a cinco décadas de arquivos, diários, cadernos, acesso total, e horas e horas de entrevistas.

Hagan negociou liberdade quase absoluta. Fez dezenas de entrevistas. Trabalharam juntos no projeto por quase quatro anos.

O resultado é irresistível para leitores de uma certa geração – a minha. Fui editor de revista de rock (Bizz, 1990-93) e encabecei uma tentativa de trazer a Rolling Stone para o Brasil no ano 2001, na editora que eu era sócio, a Conrad.

Lembro de entrar na redação, na Sexta Avenida, Nova York, e pensar: é tudo que uma revista de rock não devia ser. Um claustro sepulcral, sombrio, polar. Jornalistas isolados em baias altas, concentrados como monges.

Éramos André Barcinski, que seria o editor da revista; o amigo e colega de Conrad, Odair Braz Jr.; e eu. Três ainda jovens jornalistas. No longo corredor que leva à sala de reunião, ampliações de capas da revista dos últimos meses. Velhas lendas anti-establishment, Dylan, U2. Jovens fenômenos com pouca roupa: Britney, N´Sync.

Pergunto para a jovem executiva com quem estamos negociando: os leitores fiéis da revista (homem, branco, 40 anos pra mais, abonado) não ficam furiosos com galãzinhos teen desnudos na capa da Rolling Stone?

Ela explica: os coroas já são assinantes, 90% da circulação normal. Os ídolos das garotinhas vendem um monte nas bancas. Essa venda extra joga a circulação média anual para cima, o que faz subir o preço das páginas de publicidade.

Wenner sabia desde jovem que “enfrentar o sistema” era só mais uma estratégia de marketing das bandas e gravadoras, e sua, para faturar. “Nós não queríamos ser hippies”, diz a Hagan. “Eu sempre fui burguês. A Rolling Stone é burguesa. Seus leitores são burgueses. Toda essa besteira de contracultura é merda.”

A infância e adolescência de Jann são cenários de David Lynch, bizarria e crueldade sob a normalidade suburbana. Sua obsessão é ser aceito pelas pessoas “certas”. O jornalismo é seu caminho natural para a ascenção social na São Francisco de 1967. A cidade dos beatniks e da revolta estudantil é o centro mundial da revolução cultural, da psicodelia, contracultura, contestação.

O jornalista Chet Flippo o compara a um tubarão: “a única coisa que ele tinha dentro de si era apetite”. Jann sacrifica muito em busca de status – até sua natureza homossexual. Para ser aceito como editor, e depois empreendedor e magnata, é necessário manter as aparências. Sexo com homem, só escondido.

Passa por cima de tudo e alucina geral. Ao saber da morte de Janis Joplin por overdose, em 1970, ordenou para a secretária: “cancele a assinatura dela.” Chapado de cocaína, se empanturra de comida congelada, sem lembrar de descongelar antes, e quase morre.

Em 1975, encana de se candidatar à presidência dos EUA, e por pouco não se lança. “Jann decidiu que é mais descolado andar com políticos do que com roqueiros”, disse Hunter Thompson, seu amigo e colaborador da revista, ao Washington Post. “Claro que ele quer ser presidente. É o máximo de poder!”

Wenner tinha dedos leves desde o comecinho. Copia o design e abordagem da revista em que colaborava, a Ramparts. Chupa de um amigo hippie o conceito de tratar o rock como arte adulta e sua lista de potenciais assinantes. Trai de cara seu ídolo máximo, John Lennon, que salvou a revista logo no começo, lançando em formato de livro uma longa entrevista com ele, sem sua autorização.

Rouba o Rock’n’Roll Hall of Fame de seus fundadores, na cara dura, e se jacta: “fodemos eles”. Passa a perna em sócios, inclusive Mick Jagger, com quem lançou a edição britânica da revista (pragmáticos, a dupla mantém uma amizade interesseira há décadas).

Dá cambau até na mulher, Jane. “Jann era a pessoa mais ambiciosa que eu já conheci”, diz ela hoje. Lânguida princesinha judia de Nova York, era o contraponto perfeito ao instinto predatório de Jann. Seus pais financiaram o começo da revista.

As histórias dos colaboradores da Rolling Stone são quase tão saborosas quanto as sobre Jagger, Lennon e cia. Como o próprio Hunter S. Thompson, consumindo montanhas de drogas, sempre afiado e treteiro, parindo reportagens alucinadas. E Lester Bangs, Tom Wolfe, Ben Fong-Torres, Greil Marcus, Joe Eszterhas, Jon Landau.

A equipe enfiava o pé na jaca, com estímulo e colaboração do chefe. O escritório tinha uma salinha dedicada ao consumo de drogas. Wenner pagava bônus para os melhores funcionários em papelotes de cocaína. Assediava sexualmente funcionários, gays e heteros, homens e mulheres.

A fotógrafa Annie Leibovitz foi descoberta por Jann aos 21 anos. Ela soube como ninguém capturar o sex-appeal do rock. “Quando eu digo que quero fotografar alguém, quero dizer que quero conhecer essa pessoa – transar com ela.” E de fato pegou grande parte dos fotografados. Teve uma longa e complicada relação romântica com Mick Jagger. E também com Wenner e Jane.

Annie registrou todos os principais nomes da época: Warren Beatty e Ken Kesey, Truman Capote e Jane Fonda, Salvador Dali e Alice Cooper. Foi pirando até virar junkie de anedota. Mais de uma vez foi largada pelo seu traficante, desacordada na porta de um hospital. Coroa, entrou na linha – e se casou com a escritora Susan Sontag.

A Rolling Stone, Annie à frente, aproximava o leitor dos bastidores dos famosos, nas fotos íntimas, nas fofocas: “Rumores de romance: Faye Dunaway e / ou Peter Wolf e/ou Jack Nicholson e/ou Roman Polanski.” Quando a revista mudou de San Francisco para Nova York, mais ainda. É o mundo do Studio 54, da celebridade pela celebridade, da decadência glamurosa, dos polaróides de Andy Warhol.

O apartamento de Jann e Jane era uma festa permanente, drogas a rodo, porta jamais trancada. Por ela passavam roqueiros de todos os naipes e gente como os atores Michael Douglas e Richard Gere, o bailarino Mikhail Baryshnikov e o comediante John Belushi, que é a cara da Rolling Stone na virada para os 80. Morre em 82 de uma overdose de cocaína e heroína após uma noitada com Robert de Niro e Robin Williams.

Wenner queria sempre mais. Queria Hollywood e tentou inutilmente ser produtor de TV e cinema. Queria ser respeitado no jet set e comprou seu próprio jatinho. Queria ser recebido pelo dinheiro velho, e cortejado pelo dinheiro novo.

Aos 53 anos, queria se assumir homossexual. Depois de anos de casos às escondidas, Jann anunciou ser gay em 1995, apaixonado por um jovem modelo e designer, Matt Nye. O casal adotou três filhos e está junto desde então.

Essa história de muito sexo, drogas demais e tudo por dinheiro talvez se beneficiasse de um narrador de ambições mais desmedidas. Convidativo imaginar esse livro reescrito por um grande jornalista da geração de Wenner, como Tom Wolfe, que há pouco nos deixou. Mas os personagens do livro já são maiores que a vida, à sua maneira comezinha. Ícones do New Journalism competiriam com seus entrevistados pelo holofote.

A Rolling Stone começou a perder a importância quando o Rock deixa de ser o principal disseminador do Novo, perdendo esse papel para algo muito maior e melhor: a internet. Wenner perdeu o barco digital, como toda a velha mídia. Hoje a RS é uma sombra do que era. Lá e aqui.

E não, não fui eu que publiquei… nossa negociação de 2001 empacou por razões várias; principalmente ganância. Foi outra editora, anos depois. Publicou ótimos artigos, sob direção de jornalistas como Ricardo Cruz e Pablo Miyazawa; nunca teve o ataque político da americana. Ainda bem que nosso projeto furou, vejo em retrospecto. Não tínhamos uma estrutura de venda de publicidade para isso; a música foi ficando desimportante; a própria Conrad racharia em 2005, cada sócio para um lado; não sou Jann Wenner.

Mas o impacto social da revista foi gigantesco. Não dá para não se emocionar com o depoimento de Bruce Springsteen ao livro. Isolado na sua cidadezinha do interior, encontrando seu rumo ao ver o primeiro exemplar da Rolling Stone na drugstore da esquina: “A revista era a única prova de que alguém, lá fora, pensava no Rock da mesma maneira que a gente”.

Hoje Wenner é um senhor de 71 anos, mesma idade de Donald Trump, e eles têm muito em comum, observa Joe Hagan: “o egoísmo cru, a carência emocional, a devoção total à celebridade e ao poder… Wenner foi um pioneiro da Era do Narcisismo. Ele adora a fama, e viu a ascensão de Trump como tudo na vida: mais uma oportunidade.”

Enquanto a Rolling Stone criticava Trump, outra revista sua, a US Weekly, publicava lindas fotos dele com Melania e sua “linda família”. Wenner disse: “Você tem que respeitar Trump, ele trabalha duro.” Estas edições venderam muito; pouco tempo depois, Wenner vendeu a US Weekly para um milionário apoiador de Trump, David Becker.

E se completa assim a trajetória do Rock: era potente agente de mudança, caldo alucinante e contraditório, mistura explosiva. Hoje sobrou só o oportunismo. O rockstar máximo da nossa época é Trump, que se elegeu gritando com seu sistema, em turnê permanente dando show para a tietagem, mentindo nas redes sociais, tudo pela fama e fortuna. E assim chegou onde Wenner, o maior editor da história do rock, somente sonhou: é o homem mais poderoso do mundo.

(Versão de um artigo que escrevi em junho de 2018 para a Revista Cultura, da Livraria Cultura, a pedido do editor Ivan Marsiglia. Ivan me levou a colaborar para o Aliás, no Estadão, anos atrás, e fez uma bela revista. A Cultura cancelou na terceira edição, uma pena. Com a crise no mercado de livros e revistas, somada à crise geral do Brasil, o bom conteúdo editorial vai sumindo do mapa. Bem, costumo dizer que demorei 20 anos para aprender a fazer revista, e quando estava quase aprendendo, acabou… mas deixa a nostalgia para lá, que é um mundo melhor e mais livre, hoje.)

Lia Amancio

Autoajuda para céticos | Desenvolvimento pessoal | Cultura pop | Bambolê | Bem estar | Autoestima | Garota nerd| Representante Eudora

Blog do Gerson Nogueira

futebol - jornalismo - rock - política - cinema - livros - ideias

Tamára Lunardo

Author & Editor

%d blogueiros gostam disto: