Sem direito a novos erros

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POR GERSON NOGUEIRA

O que era dado como quase certo, foi confirmado pela CBF. Tite permanece como técnico da Seleção Brasileira por mais quatro anos. Com ele, fica toda a comissão técnica – e também os muitos problemas decorrentes disso. A maneira por vezes atrapalhada com que o técnico tratou um torneio tão curto quanto complicado como a Copa do Mundo tem muito a ver com a influência de seus auxiliares diretos.

Há relatos de que a comissão votou e acabou decidindo, por estreita margem, pela permanência do volante Fred, que chegou à Rússia lesionado e só marcou presença durante o Mundial por ter viajado até a Inglaterra para firmar contrato com o Manchester United.

Soa espantoso que o técnico tenha posto em votação um assunto tão importante quanto o corte de um jogador cotado como alternativa para o meio-campo da Seleção. Renato Augusto teria sido objeto da mesma consulta democrática, com idêntico veredito final.

A votação aberta é justificável na vida de partidos políticos, associações e sindicatos. No âmbito da Seleção Brasileira, as decisões cabem ao comandante, por mais que este ouça eventualmente o parecer de um ou outro auxiliar. O ônus da escolha definitiva não pode ser compartilhado.

As Copas são balizadoras da competência dos técnicos não apenas nas questões de campo, mas na administração da campanha como um todo, o que inclui questões disciplinares, gerenciais e comportamentais.

Os episódios recentemente divulgados envolvendo o pai de Neymar na concentração brasileira, incluindo festinha após o jogo de estreia, prejudicaram a imagem de Tite como gestor do escrete. Edu Gaspar é o coordenador, mas os efeitos – bons ou ruins – de determinadas atitudes respingam inevitavelmente no treinador.

A CBF foi coerente ao dar a Tite mais quatro anos de trabalho, valorizando seus acertos e apostando que ele saberá tirar lições dos erros cometidos em 2018, mas é preciso que haja um acompanhamento dos atos da comissão técnica. A autonomia plena levou a erros em várias decisões internas e nas opções tentadas durante a competição.

Preocupa, por exemplo, que o espírito de “família corintiana” tenha sido preservado para 2022 quando os fatos mostram que Tite vacilou ao procurar dar à Seleção as feições táticas de seu antigo clube.

A caminhada até o Qatar será longa e bem mais conturbada do que foi o período pré-Copa 2018. As coisas mudaram e Tite estará mais vulnerável a críticas, sem contar com a unanimidade da época das Eliminatórias. Para começo de conversa, terá que mostrar serviço na Copa América em 2019, pois, como anfitrião, o Brasil já entra com obrigação de vencer.

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Um bate-papo sobre a Copa e suas consequências

A convite do amigo Guilherme Augusto, estarei domingo (29) no programa Mais, batendo um papo sobre Copa do Mundo, Neymar, raivinhas da Fifa e futebol brasileiro de maneira geral.

Na RBATV, às 8h.

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Dúvidas no Papão para encarar o Figueira

Não se tem ideia de como o Papão será escalado para enfrentar o Figueirense, hoje, às 21h30, na Curuzu. Pelas características do adversário, que tem jogo aéreo forte e gosta de explorar contra-ataques, é provável que Guilherme Alves faça opção por um time mais conservador, voltado para a marcação, abrindo mão de um dos meias – Carmona, provavelmente – e tendo mais gente para cuidar da marcação. Se essa hipótese for considerada, Alan Calbergue e William têm chances de entrar, pois marcam bem e sabem interagir com o ataque.

A tomar por base o jogo de terça-feira contra o Guarani, quando o meio-campo foi engolido pela movimentação rápida do adversário, Guilherme deverá adotar cautelas para proteger a zaga, a fim de evitar que o Figueira ocupe espaços na intermediária bicolor.

A linha de ataque, porém, continua como principal motivo de preocupações, pois Moisés e Claudinho não funcionaram a contento nas últimas partidas. O time se valeu da presença avançada de Thomaz contra o Barueri e do oportunismo de Mike, que entrou no intervalo da partida diante do Guarani com postura de centroavante e resolveu a escassez de gols do time. Tem possibilidades de sair jogando.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 27)

2 comentários em “Sem direito a novos erros

  1. Muita coisa ruim demais nos bastidores da seleção agora descobertas que estavam ocultas ou ofuscadas pela bagagem que esse treinador adquiriu nas eliminatórias. Essa descoberta de festa na concentração patrocinada pelo marrento e inútil Neymar e sei ignorante pai foi de lascar. E na minha opinião o maior mérito do Brasil ter ido à Russia foi do treinador campeão olímpico que deixou uma base montada e a poeira da discórdia mais baixa na seleção após o efeito 7×1. Mas nem essa justiça o cara Tite fez de conseguir um lugar o treinador campeão olímpico no grupo da Russia. E pelo jeito nem vai conseguir porque parece que será o mais do mesmo na seleção até 2022 quando veremos certamente revés , isto se a gente chegar no Katar. O revés pode ocorrer já nas eliminatórias, infelizmente. Não estou torcendo contra a seleção porque acho que Tite já deu o que tinha de dar. Mas é pela serenidade de pressentir que vai demorar ainda um pouco para o futebol voltar ao normal no mundo, talvez deveremos padecer mais umas 2 copas e quem sabe a partir 2030 poderemos voltar a ser grandes no futebol mundial. Antes disso sinceramente não acredito.

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  2. É inegável que Tite repetiu o provincianismo de Telê e quebrou a cara. Só acho injusto responsabilizar quem não jogou pela derrota, quando era visível que Neymar, Renato Augusto e Fagner não reuniam condições de jogar um jogo inteiro, principalmente o primeiro.
    Quanto ao Papão, acho que Calbergue e Wilian seriam boas opções diante do desgaste de Carmona e a inoperância do Moisés, assim como acho que o Claudinho, a meu ver um dos destaques do time contra o Guarani, poderia jogar mais avançado com o aproveitamento de Magno. Ressalto que não assisti os treinamentos, nem sei se o Magno já está apto, trata-se apenas de palpite de quem assiste a todos os jogos e vê com alegria a evoluçaõ do time bicolor desde a chegada do Guilherme

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