Brasil, no vai da valsa vienense

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Por Alberto Helena Jr.

As voltas que o mundo dá: o Brasil fará neste domingo, em Viena, o último amistoso antes da Copa, contra a Áustria, na suposição de que seja o adversário de estilo mais próximo ao da Suíça, nosso primeiro confronto no Mundial da Rússia.

E até que se assemelham mesmo, com pequenos detalhes que as distinguem.

O curioso nessa história é que, nos grandes momentos dessas seleções, lá pelos anos 30, Áustria e Suíça eram dois polos que não se encontravam em qualquer ponto do tempo e do espaço.

A Áustria era chamada na Europa de Wunderteam, o time maravilhoso que praticava um futebol altamente técnico, envolvente, ofensivo, sempre sob o comando de Sindelar, aquele craque excepcional, que, depois da anexação de seu país pela Alemanha de Hitler, negou-se a jogar com a camisa dos invasores, como ordenara o Fuherer.

Acabou sendo encontrado morto, ao lado da namorada, num hotel de Viena e até hoje não há quem tire da cabeça dos historiadores a suspeita de que o duplo suicídio, como foi rotulado então pelas autoridades, não passou de cruéis homicídios praticados pela Gestapo como vingança pela recusa do jogador de vestir o uniforme alemão.

E a Suíça, por meio do técnico Karl Rappan, já nessa época, difundia para o mundo o célebre Ferrolho Suíço, feroz retranca que inspirou, nas décadas seguintes, os nossos queridos Caetano De Domenico e Milton Buzeto. E que atualmente permeia nossos campos com a maior desfaçatez.

Hoje em dia, os polos se aproximaram, e nem a Áustria é aquela maravilha ofensiva, nem a Suíça aquela cinzenta retranca do passado. Ambas buscam um certo equilíbrio entre defesa e ataque, tendo como centro técnico de seus dois times: pela Suíça, Shaquiri, um atacante canhoto, habilidoso, cheio de dribles, e, pela Áustria, o negro Alaba – que provocaria arrepios em Hitler -, igualmente canhoto, lateral-esquerdo no Bayern, e meia-esquerda na seleção de seu país, de drible fácil e disparo potente, sobretudo em bolas paradas.

Quanto ao Brasil, a boa nova é a de que Renato Augusto está recuperado da lesão no joelho e pode até ficar no banco (melhor seria ficar ali, por precaução, embora se entrasse, digamos, nos dez, quinze minutos finais, serviria para ir ganhando ritmo de jogo). E, por quê? Simplesmente porque se trata do único meia-armador de fato e de feto, por estilo e vocação, que temos entre os 23 da Copa.

Como Fred se machucou e Neymar deve começar o amistoso contra a Áustria, Tite tem duas opções para o lugar de Renato Augusto: ou insiste com Fernandinho, um volante a mais, ou vai mesmo de Coutinho por ali, ainda que eu preferisse, nesse caso extremo, deixar o cargo a Neymar, que tem mais jeito pra isso.

A propósito de Fernandinho, tenho ouvido por aí que ele está sendo escalado para ser o escudeiro de Marcelo, o lateral-esquerdo com compulsão para o ataque. E me pergunto: por que cargas d’água Marcelo joga do mesmo jeitinho no Real e lá ele dispensa um auxiliar específico e na Seleção precisa desse adjunto?

Lá, quem faz a cobertura de Marcelo é Casemiro, o mesmo parceiro dele na Seleção, quando não, o zagueiro Sérgio Ramos.  E olhe que o Real joga com apenas Casemiro como autêntico volante, pois Modric e Kroos são muito mais meias de ligação, e o Brasil já tem, além de Casemiro, outro volante, Paulinho.

Mas, enfim, que fazer, se na cabeça da moçada – técnicos e analistas -, a questão é só de dor, como diria o Poetinha.

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