Para retomar a boa pegada

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POR GERSON NOGUEIRA

A derrota para o Criciúma aguçou no torcedor do Papão a cisma de que o time tem a sina de ressuscitar defunto, considerando que o Tigre era o penúltimo colocado antes do jogo de terça-feira. Por coincidência, o adversário desta noite também patina no Brasileiro e ocupa justamente o 19º lugar. O Goiás tem 5 pontos, ganhou apenas um jogo e perdeu 6. É um dos piores começos de competição do time esmeraldino, que tem um dos elencos mais caros da Série B.

Portanto, pela lógica sempre certeira do torcedor, todo cuidado é pouco para Dado Cavalcanti e seus comandados.

As mudanças previstas (e obrigatórias) após a goleada sofrida frente ao Criciúma não devem envolver somente a simples troca de atletas – como Mike, suspenso, por Moisés. É possível que Dado posicione o time de maneira diferente, levando em conta o baixo rendimento dos laterais Maicon Silva e Carlinhos, mas improvável que altere o sistema 3-5-2.

Como joga com três zagueiros e cinco homens no meio, o PSC precisa ter uma participação intensa de seus alas. Na última partida, ambos fizeram figuração quando precisavam marcar e acabaram envolvidos pelos avanços dos homens de lado do Criciúma. Quando iam à frente, fracassavam nas tentativas de acionar Cassiano e Mike.

A pontuação é altamente favorável ao PSC a essa altura do campeonato, ocupando a quinta colocação e tendo dez pontos à frente do Goiás. Campanhas inteiramente opostas. A questão é o momento vivido pelos bicolores, com acentuada instabilidade no sistema que inicialmente funcionou satisfatoriamente.

Até a utilização de três zagueiros passou a ser questionada, embora o técnico não mostre a intenção de buscar outra configuração. O certo é que as individualidades também têm sido pouco efetivas nos últimos jogos, fazendo lembrar que somente contra Ponte Preta e Juventude a atuação do time foi linear e digna de elogios.

Nos demais jogos, mesmo com vitórias importantes, o time sofreu bastante, levando sufoco e acentuando um perfil defensivista que desagrada a maior parte da torcida. Nas queixas manifestadas pelas arquibancadas contra o trabalho de Dado brotam sempre restrições ao estilo cauteloso em excesso.

Enquanto a equipe obtiver resultados favoráveis, o técnico estará a salvo, pois a Série B é um torneio que premia regularidade, pragmatismo e acumulação de pontos, independentemente da qualidade técnica dos times.

Nos últimos anos, vários dos que findaram o campeonato no G4 praticavam um futebol eficiente, mas indigente e tosco do ponto de vista estético. O próprio Internacional, que subiu para a Série A no ano passado, atuava com pouquíssima inspiração e quase sempre ganhava na base do abafa.

Vai daí que, hoje, contra o Goiás, o Papão precisa reativar o modo competitivo que o levou à vice-liderança do Brasileiro nas primeiras rodadas. Mesmo que a exibição seja sofrível, como contra o Londrina, o foco deve ser a conquista dos três pontos, a fim de evitar se distanciar do pelotão da frente.

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Rei Artur quebra a cabeça para qualificar a meia-cancha

Em busca de uma ligação mais estável entre defesa e ataque, o técnico Artur Oliveira recuou Dedeco para a cabeça-de-área e tirou Dudu, de baixo aproveitamento nos passes. É óbvia a preocupação de Artur em qualificar um setor que o Remo usava como mero compartimento à frente da zaga.

Atento às próprias necessidades da competição, ele resolveu formar uma força-tarefa na meia-cancha, reunindo – além dos volantes Dedeco e Leandro Brasília – os meias Rafael Bastos, Everton e Rodriguinho.

Diante do Salgueiro, o sistema funcionou bem no primeiro tempo, imprensando o adversário em seu próprio campo e criando pelo menos seis grandes oportunidades na área. Na etapa final, porém, o desgaste físico limitou a flutuação dos meias e sobrecarregou a marcação.

Para superar o Náutico, amanhã, Artur sabe que o meio-campo deve funcionar em nível bem superior ao apresentado no último jogo e não pode cair de rendimento nos 45 minutos finais.

A chegada do volante Vacaria, já integrado ao elenco, pode representar uma evolução na marcação, notoriamente errática na distribuição de bola quando esse papel é destinado exclusivamente a Dudu.

Toda a engrenagem começa a funcionar a partir do momento em que a bola passa pelos volantes. Caso o estágio seguinte não seja executado adequadamente, a transição fica bastante prejudicada. Artur identificou isso logo nos primeiros treinos e luta para corrigir a deficiência. O problema, que pode parecer até óbvio, vinha se perpetuando desde o Parazão.

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Direto do blog

“Marcelo (assim como o Neymar) jogam muito, mas certos aspectos da personalidade de ambos é de se lamentar. Aliás, Gerson, você viu essa notícia que, os dois já citados e o William, serão ‘youtubers’ durante a Copa? Não sei se posso colocar o link aqui, mas saiu na Folha de SP. No caso do Marcelo, inclusive já há 3 profissionais trabalhando para produzir conteúdo para o mais novo youtuber do pedaço.

Não quero correr o risco de pré-julgar alguém que não conheço pessoalmente, mas na minha visão isso mostra certa falta de comprometimento com a seleção, cujo objetivo principal (mais do que a ganhar a copa) é limpar o seu nome, jogado na lama depois daquela chinelada faraônica de 7 a 1.”

Hektor Silva, receoso de que a Seleção sofra com a falta de foco de alguns.

4 comentários em “Para retomar a boa pegada

  1. A troca de Mike por Móises, na escalação para o jogo contra o Goias, não altera em nada a baixa objetividade de ambos a favor da equipe. A rigor, é difícil escolher qual dos dois é o mais “pescada branca” !!! Serão mais 90 minutos de sofrência, de um time burocrático, recheados de turistas tipo Maicon Silva, Danilo Pires Quebrado, Cacéres, e o “novo” velho Carlinhos.

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  2. Mike e Edmar são 2 jogadores dito profissionais de qualidade técnica muito baixa, não eram n pra continuar depois do estadual , com relação a Cáceres, Danilo e Maicom não tem nem discussão , não serve nem para compor elenco. A série B está equilibrada, mas o técnico ainda não me convenceu, o time está muito desarrumado, mesmo com 3 zagueiros. É bom o papa títulos botar as barbas de molho, pois se não com esse elenco é brigar para não cair.

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  3. O Paysandu tinha um problema óbvio no Parazão que era a cobertura dos zagueiros pelos laterais, quando Perema era o zagueiro mais criticado pela própria torcida bicolor. Mas jogando muitos lances praticamente no mano a mano, o risco de levar um gol é muito alto. Dado resolveu isso provisoriamente ao pôr mais 1 zagueiro para cobrir os outros 2 e aliviar os laterais para atacar e aproveitar a fase de Cassiano, com pontas nem tão rápidos e habilidosos assim… É uma estratégia ousada, e curiosamente vitoriosa!, mas contra a qual os adversários já aprenderam a tirar proveito e a variação tática precisa aumentar principalmente para os jogos fora de casa. Talvez um 3-5-2 em vez de um 3-4-3 fora de casa ajude a equilibrar a disputa do meio-campo contra o adversário que tem sempre a obrigação de atacar diante da própria torcida que ao pagar pelo ingresso já pressiona pelo ataque. Esse fator precisa ser mais bem explorado por Dado que, claro, sabe muito melhor do que eu que uma mesma uma escalação pode até jogar de várias maneiras diferentes, mas que vai ter rendimento máximo numa dada forma de jogo que noutra. Parece que a escalação no 3-4-3 já não funciona bem como visitante porque os adversários já observaram como neutralizar o Paysandu nessa condição, então é preciso variar…

    Já pelo Remo, o problema nem era tanto, ao meu ver, o esquema no 4-3-3, mas a compactação do meio-campo, pelos volantes, na hora de jogar sem a bola (ou seja, na hora de ajudar a defesa) e daí a sequência das jogadas após a retomada da bola (a tal ligação com o ataque) ficasse prejudicada. Havia um buraco entre os volantes e os zagueiros, que propiciou um espaço tranquilo para os adversários desenvolverem suas jogadas e neutralizar os contra-ataques desde quando havia dois pontas, principalmente na esquerda, por onde o time deu mais vazão a contra-ataques com Felipe Marques… E, passada a saída de Felipe Marques e o fracasso da manutenção do 4-3-3, chegou a hora de avaliar mudanças, claro! Não vejo tantos problemas assim a serem resolvidos e nem deficiência técnica no elenco, o problema é localizado e bem conhecido e o que o agrava é que está bem num setor de importância vital para defesa e ataque ao mesmo tempo e por isso mesmo deve ser resolvido urgentemente. Artur fez um diagnóstico preciso e já desenvolveu um tratamento para o mal do meio-campo e jogou o problema para o ataque, que desaprendeu a finalizar (será?) e ao preparo físico do time, que joga bem um tempo mas não os dois. Dá tempo para uma arrancada e quem sabe buscar uma vaga no G4, mas depende de como e o quanto o ataque produzirá daqui por diante e da resistência física do time para o 2º tempo.

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