O impossível não existe

DadU9Z_W4AEiDyt

POR GERSON NOGUEIRA

Um gigante se estatelou ontem na cidade dos Césares. Com um estilo operário, sem maiores encantos, a Roma derrubou a poderosa esquadra do Barcelona, metendo 3 a 0, classificando-se às semifinais da Liga dos Campeões e dizendo ao mundo que os sonhos são possíveis e que o conceito de zebra pode ser uma abstração.

Que lição tirar desse acachapante resultado¿ A óbvia mensagem é a de que não há favoritismo absoluto em futebol, nem mesmo quando de um lado do campo está um dos times mais qualificados do planeta, liderado por um super craque.

Messi, aliás, zanzou pelo campo, fez algumas tentativas individuais, mas foi vítima daquela máxima que acompanha o futebol desde que inventaram a bola: há dias de plantar e dias de colher. Ontem, definitivamente, para o Barça, o dia não era de colheita.

A Roma, infinitamente mais limitada, marcou com extrema vigilância os principais jogadores do Barcelona. Messi, Suarez e Iniesta foram acompanhados de perto, o tempo todo, sem trégua. Esse respeito pela superioridade inimiga é um dos encantos do futebol.

Foi justamente por saber respeitar que a Roma alcançou o galardão tão ambicionado e, aparentemente, tão improvável. As imagens da torcida romanista em êxtase revelam que até os mais apaixonados fãs não botavam fé na classificação.

E é importante andar com fé, sempre, pois o poeta já disse que a fé não costuma falhar. O resultado de ontem não muda a realidade. O Barça segue muitos furos acima da Roma em todos os quesitos, mas a façanha glorifica a equipe italiana e dá ao futebol a dimensão operística do grande drama e da consagração dos que lutam.

Por isso, o esporte é o que é: amado sem fronteiras ou barreiras de idioma. Um gigante que se alimenta das mais primitivas emoções. Ainda bem que existe o futebol, onde o impossível não existe.

——————————————————————————————–

Superar o Manaus é novo desafio do Papão

Foram apenas quatro dias para ruminar e assimilar a perda do título estadual para o maior rival em jogo realizado domingo. Sob todos os pontos de vista, é pouco tempo para digerir uma frustração. Mas, ao contrário da decisão do campeonato, o Papão entra em campo em Manaus hoje à noite com a vantagem do empate.

A dúvida que paira na cabeça do torcedor é se o time conseguiu superar o fantasma do Parazão – e as quatro derrotas para o maior rival – a tempo de se recompor e enfrentar um adversário que se mostrou perigoso no jogo de ida, na Curuzu.

Walter, Maicon e Cáceres são as ausências, mas o time terá praticamente a mesma formação do clássico, implicando em mudanças pontuais, como a possível entrada de Moisés, que ficou no banco na partida de domingo.

Independentemente da escalação, o maior desafio do PSC hoje será controlar a própria ansiedade e saber lidar com a obrigação de se classificar à final da Copa Verde. Sim, após insucessos no Parazão e na Copa do Brasil, resta somente a CV para salvar o semestre, com sua premiação tentadora e a vaga na Copa Brasil do ano que vem.

O Manaus é experiente, sabe explorar os erros do oponente e tem o fator campo em seu favor. Todo cuidado é pouco.

——————————————————————————————-

Justiça e deslizes nas listas dos melhores do Parazão

A lista dos melhores do Parazão do Troféu Camisa 13, anunciada ontem pela manhã, aponta o predomínio natural do time campeão, com direito também a algumas injustiças, normais numa premiação ditada pelos torcedores.

Com seis jogadores, o Remo dominou a seleção do ano, contra quatro alvicelestes e um atleta do Castanhal. Vinícius; Maicon Silva, Mimica, Diego Ivo e Esquerdinha; Dedeco, Dudu e Walter; Felipe Marques, Isac e Cassiano. Vinícius leva também o troféu de craque do campeonato.

Por um triz, aliás, Vinícius não ficou sem a estatueta mais honrosa. Ele ultrapassou Diego Ivo somente na última semana. O desfecho fez justiça à excelente performance do arqueiro remista. O público, porém, agraciou nomes que tiveram desempenho inferior ao de vários outros atletas. É o caso de Walter, Maicon e até mesmo Isac.

Allan (do Bragantino), Levy (Remo), Jefferson Monte Alegre (SR), Pecel (Bragantino) e Elielton (Remo) mereciam estar entre os escolhidos. Elielton levou o prêmio de revelação, mesmo já tendo despontado bem no campeonato de 2017. Givanildo Oliveira ganha como melhor técnico.

Mas, para provar que o torcedor não pode ser criticado pelas escolhas, o Troféu Meio-de-Campo da TV Cultura, em votação de jornalistas e comunicadores, foi mais meritório, mas teve também alguns senões. A seleção ficou assim: Vinícius; Levy, Mimica, Diego Ivo e Esquerdinha; Dedeco, Dudu, Allan e Pedro Carmona; Felipe Marques e Cassiano.

Allan foi lembrado, mas a presença de Carmona é uma liberdade poética, pois não conseguiu completar nem cinco jogos na competição. Vinícius foi o craque e Givanildo levou a melhor entre os técnicos, com todos os méritos, e William (PSC) foi apontado como a revelação.

——————————————————————————————–

Liverpool vai bem, Fernandinho nem tanto

Na classificação do Liverpool sobre o Manchester City, ontem, Salah e Roberto Firmino tiveram grande desempenho. Gabriel fez gol e lutou bastante, mas Fernandinho voltou a ser o Fernandinho dos 7 a 1. Marcou errado e cometeu pênalti ridículo se atirando sobre o endiabrado Mané. O árbitro deixou seguir e o egípcio Salah fez bonito gol.

Fernandinho é elogiado por muitos pela temporada no City, mas de vez em quando o fantasma de BH ressurge e é aí que mora o perigo.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 11)

Um comentário em “O impossível não existe

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s