Quem precisa de beijo à força?

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Por Xico Sá, no El País

Reparo a reação a um certo carnaval do “politicamente correto”. Reformar letra de marchinha, meu caro Zezé, tudo bem, pode ser um exagero. Patrulhar fantasia de índio, idem, teríamos que proibir também a ala das baianas  faz sentido a comparação roubada de um post de um amigo nas redes sociais ou nem tanto? Vamos com calma. Sim, há um certo exagero em corrigir a zoeira, em tolher os garotos e as garotas da fuzarca, velho Ivan Lessa. Há um certo exagero em vegetarianizar a festa da carne.

Óbvio que o incorrigível amigo carioca Paulo Roberto Pires pode continuar a se vestir, religiosamente, de árabe. O fundamentalismo pentecostal do alcaide do Rio não cortará o seu barato. Até aí, ok, beleza, podemos até requentar as polêmicas de varejo, mas nem por isso deixaremos de dividir o mesmo cheirinho da loló e o insuperável latão de cerveja quente.

Agora não me venha, camarada, com esse queixume, esse mimimi a respeito do beijo à força, alegando que é coisa de carnaval etc. Pera lá, jovem canalha. Se o sujeito carece de um beijo à força, seja nas ladeiras de Olinda ou nos becos da Vila Madalena, temos um problemão pela frente. Só a técnica do joelhaço do Analista de Bagé resolve. Se em plena folia, com todas as condições históricas dadas para o flerte e enlace, o cara ainda precisa forçar a barra, ave, não tem mesmo competência para se estabelecer na praça com dignidade.

Quem precisa de beijo à força? Julgo indefensável. E não é pelos sintomas dos novos tempos. Isso nunca foi um gesto legal perante a lei do desejo. Poxa, mesmo em Sodoma e Gomorra, é bonito que haja, além da concordância, o princípio da conquista. Mesmo a conquista de um beijo ou de um sarro carnavalesco com alguém que você jamais encontrará de novo -se bem que hoje em dia o mapeamento, apesar da desmemória de Momo, é sempre possível nas redes.

Tentei evitar, até este parágrafo, o “não é não” e outras advertências que já deveriam ter sido incorporadas no dicionário acaciano do machismo. Não é não, puerra, grave essa voz bêbada na fita cassete do inconsciente.

E como vi rapazes, geralmente bolsominions, incomodados com o alerta policial para a proibição do beijo à força, como se manifestou explicitamente a polícia de Pernambuco. Que graça, jovens, tem essa parada? Nem deveria ser caso de polícia, também não falemos de bom senso (não combina com Carnaval tal sentimento), beijo à força não passa de uma selvageria de machinhos incompetentes tentando se amostrar para outros homens mais incompetentes e ridículos ainda.

Um comentário em “Quem precisa de beijo à força?

  1. Os caras se dizem machões mas não sabem conquistar uma gata… Também não nasci sabendo como se faz isso, mas pude aprender que essa arte é muito prazerosa e, no carnaval, é possível aprender sobre ela e praticá-la bastante. Eu mesmo, nos carnavais passados (porque hoje sou casado) aproveitei o carnaval para praticar a paciência (levei muitos foras!), para desenvolver alguma tática de abordagem e ganhar experiência. Pobre homem imaturo, inseguro. Levou algum tempo, talvez o mesmo tempo que leva pra todo mundo, ou mais, ou menos, sei lá, mas acho que fui bem sucedido porque pude aprender um pouco sobre os critérios delas, sobre olhares, mensagens cifradas e etc., para evitar foras desnecessários (risos) e a agir quando notava algum sinal de interesse dela porque mulheres costumam ser sutis mas deixam bem claro quando é a sua chance. É preciso aprender a reconhecer essas sutilezas para curtir numa boa e com consentimento quando a oportunidade chega. E, desse jeito, ambos sempre têm a ganhar. Aproveite o carnaval com responsabilidade e, mano, trate bem a mina que escolher você. Um abraço.

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