Os dilemas do novo Remo

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POR GERSON NOGUEIRA

O amigo Edyr Augusto Proença, um dos 27 baluartes assíduos deste espaço, levantou uma questão pertinente a propósito do tropeço remista em Tucuruí no último sábado: já que a defesa é lenta, o meio não cria e o ataque não chuta, por que não colocar em ação os jogadores nativos?

Concordo com ele e vou além. O Remo tem se dado mal há várias temporadas porque aposta em técnicos pouco familiarizados com um campeonato que tem suas particularidades, punindo com rigor quem se arvora a jogar sem certas cautelas, principalmente nos campos do interior.

Um dos pontos fundamentais diz respeito à intensidade do jogo e à velocidade que os times emergentes usam como arma para alcançar um mínimo de equilíbrio com os titãs da capital, normalmente mais generosos em investimentos e contratações.

Quando enfrentam uma equipe ainda desarrumada e órfã de entrosamento, os interioranos costumam levar vantagem. Não por coincidência, isso tem ocorrido seguidamente nas incursões azulinas pelos campos de Marabá, Santarém, Cametá, Paragominas, Parauapebas, Castanhal, Bragança e Cametá.

Desde 2012, o Leão não vence dentro de Tucuruí. A estatística é amplamente favorável ao Independente em jogos disputados no estádio Navegantão. Nada a ver com as condições climáticas ou com a qualidade da grama. É questão de equilíbrio de forças e uso de estratégia adequada.

No sábado, além da dificuldade natural de encaixar um sistema de jogo que vive fase embrionária, o Remo teve contra si um gol aos 2 minutos. Para usar uma imagem compatível com a principal riqueza do município, pode-se afirmar que a equipe de Ney da Matta levou um choque elétrico. O impacto foi tão forte que o time perdeu o rumo e não conseguiu se recobrar ao longo dos 88 minutos seguintes.

A má atuação não pode ser observada apenas pelo prisma atual. Ney da Matta e o atual elenco sofreram as consequências da queda de prestígio (e respeito) do Remo junto às equipes interioranas. No passado, o time chegava e se impunha, mesmo que não estivesse lá muito bem das pernas.

O tempo se encarregou de mudar as coisas. Hoje, com os times mais atentos à competição estadual, sabedores de que têm mais chances de êxito no começo da disputa – quando os grandes da capital ainda estão formatando suas equipes –, a situação é inteiramente inversa ao que se via lá no começo dos anos 2000.

Mais difícil fica a situação quando os times da capital montam seus elencos majoritariamente com jogadores de fora, pouco afeitos ao Parazão. No caso do Remo, que no ano passado iniciou o ano com um time regionalizado (conseguindo se sair relativamente bem), tudo ficou mais difícil com a remontagem completa do elenco, com ênfase em peças de fora.

É esta intrincada equação que Da Matta precisa solucionar, já sem tempo de sobra para isso. Três dias apenas depois da derrota em Tucuruí já há um novo desafio pela frente, hoje, contra o Águia. Parada indigesta.

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Sheik e a mania da benemerência no futebol

A notícia de que o Corinthians está contratando Emerson Sheik é daquelas que confirmam que o futebol de fato está andando para trás no Brasil. Se não for por alguma espécie de gratidão, a iniciativa corintiana revela apenas ausência de opções no mercado e insistência com o lado nostálgico que certos jogadores carregam.

Sheik foi fundamental na conquista da Libertadores, é um jogador carismático e de grande empatia com o torcedor, mas em campo já não é nem pálida sombra do que foi, visto que está beirando os 36 anos e tem dificuldades de jogar 90 minutos. Foi assim na Ponte Preta, no ano passado, durante a Série A.

Ocorre que nos clubes, principalmente os de massa, há sempre um diretor amigo disposto a fazer benemerência e ganhar pontos junto ao torcedor mais desmiolado. O chato é que, como sempre, a conta estoura nos cofres da agremiação e não de seus dirigentes temporários – e perdulários.

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As vantagens de armar um time a partir de uma espinha pronta

O Papão foi a Castanhal, não se deixou intimidar pela pressão dos donos da casa no começo da partida e usou de frieza objetiva para alcançar a vitória. A postura firme de focar na meta principal, sem se deixar perturbar pelas dificuldades de momento, é uma característica de times vencedores e que não fraquejam diante de qualquer obstáculo.

Não estou com isso dizendo que o atual time de Marquinhos Santos já está pronto e consolidado. Longe disso. Observa-se, porém, que é uma equipe mais talhada para as intempéries. Não refuga diante do primeiro problema enfrentado. Isso é, sem dúvida, um bom sinal.

Quem acompanhou a partida de domingo notou que o Castanhal usou o mesmo expediente do Independente no dia anterior contra o Remo. Velocidade, marcação adiantada e saída forte pelos lados do campo. A ideia era aproveitar a previsível perturbação inicial do visitante para sufocar e abrir vantagem.

Apesar do esforço castanhalense, exposto nas sucessivas investidas de Junior Rato, Souza e Dedeco, principalmente, o Papão se manteve razoavelmente tranquilo, embora titubeando na cobertura defensiva que deveria ser executada pelos volantes.

Poucas vezes o time se arriscou a subir ao ataque com mais de cinco jogadores. Só buscou essa pressão mais encorpada quando a situação permitia, sem representar riscos maiores. Ainda assim, a condição ideal só apareceu no finalzinho do primeiro tempo e foi aproveitada de maneira implacável.

O que viria depois confirmou a evolução anímica da equipe, centrada o suficiente para perceber as falhas do adversário e investir sobre elas. Fez mais três gols aproveitando as chances surgidas. Foi um procedimento cirúrgico, sem desperdícios.

Para tanto, contribuiu enormemente a espinha remanescente da Série B 2017. Marcão, Perema, Diego Ivo, Carandina, Renato Augusto e Fábio Matos. A partir deles, mesmo com curto período de treinos, Marquinhos está construindo a nova equipe e os resultados já começam a aparecer.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 23)

8 comentários em “Os dilemas do novo Remo

  1. Com ligeira edição, transcrevo aqui parte do que comentei noutra postagem do Blog.

    Deveras, respeitosamente, acho que talvez a investida no ‘desfazimento’ não seja o melhor caminho. Senão, vejamos.

    (…)

    “Tomara que agora o treinador se encontre.

    “Ele tem o Vinícius, goleiro de bom desempenho; o Levy que sabemos pode render o necessário, pelo menos; o Adenilson, que bem condicionado sabe o que fazer; o Jaime, o Elielton, e o Felipe Marques, três atacantes de bons recursos técnicos, e mais o Isac que parece pode ser muito útil.

    “Quer dizer, tem um ponto de partida, de onde pode resgatar, dentre os demais jogadores do próprio elenco, aqueles que realmente têm potencial para conseguir equilibrar o time que se ressente gravemente na zaga, na lateral esquerda e na meia cancha, especialmente no mister da contenção e transição da defesa para a armação. Será que o Martoni desaprendeu? Não creio! Deve estar precisando de mais rigor na cobrança pelo condicionamento. E o Esquerdinha, veio precedido de uma boa carta. O que está havendo com ele? É preciso que o técnico descubra. Creio que investindo na célere recuperação de mais estes dois as coisas vão se aproximar do ajuste mínimo.

    “Quanto aos demais, se outros não há e nem pode haver o jeito é imbuir-lhes do ímpeto capaz de levá-los a elevar o rendimento.

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  2. Pequena correção amigo Gerson, Emerson “Sheik” tem 39 anos, e não 36, o que deixa ainda mais lamentável a realidade atual do futebol brasileiro.

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  3. Nem tanto ao céu e nem ao inferno, o time do remo não tem nada de excepcional e tão pouco é um time mais fraco o que montou no ano passado. O que acontece é que o treinador ainda não conseguiu definir um esquema tático, e que já deveria ter acontecido. Quanto ao Paysandu é inegável que tem um time mais qualificado do que o do ano passado, principalmente no setor de meio campo e ataque, é esperar para ver quem tem mais coração no RE/PA do próximo domingo.

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  4. Dessa boa base que restou do fraco plantel bicolor de 2017 para 2018, a qual eu fui um dos que mais visualizou e comentou essa boa base, ainda faltaram F Gabriel que foi embora mais cedo, G Santos e O artilheiro da serie B que também se escafederam e o Rodrigo Andrade prata da casa que ja desembestou fazendo tudo pra sair e está indo para o Vitória da Baia vendido por míseros 600 mil pelo futebol que ele joga, jovialidade, experiencia e grande promessa que é. Se todos ficam o Paysandu teria um timaço pronto para subir para a elite. Mas não tinha jeito, o cara estava fazendo de tudo de ruim para sair do Papão que jhe fez muitos benefícios inclusive lhe dando uma casa. Ingratidão pura, a exemplo de L Carvalho. Mas espero que seja feliz pra lá. E é sobre isso que vim aqui comentar: Não é de hoje que jogadores promessas locais revelados no Papão tem aprontado contra o clube. É so lembrar do Moises há uns 8 anos que fez tudo para sair e foi de graça para o Santos, depois nunca mais foi o mesmo. Fabricio também fez a mesma coisa. As promessas não vingaram e hoje atuam em timinhos do Pará. Exceção foi somente o Pikachu, craque de boa cabeça e extrema resposabilidade, que saiu merecidamente para o Vasco após honrar e respeitar o Papão que lhe projetou. Quero dizer que essas atitudes de R Andrade, Carvalho e outros estão todas registradas porque mais cedo que se pensa vai aparecer pessoas da nossa mídia local criticando seriemente a diretoria bicolor dizendo que ela não dá chance aos pratas da casa e so pensa em atletas forasteiros. Ai a gente vai relembrar as atitudes desses pratas casa hoje. Mas espero que R Andrade desponte porque futebol e garra sei que ele tem para jogar em qualquer time do Brasil, desde que a cabeça pensante comece a pensar direito. porque caso contrário vai rasgar dinheiro e se tornar mais um Moises ou Fabricio da vida do futebol.

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  5. Mas seja qual for o motivos da rebeldia de atletas pratas da casa contra o Paysandu, pricipalmente os revelados no clube, quero dizer que insisto na mesma tecla sobre o que está ocorrendo no Paysandu, hoje um clube que está se tornando cada vez mais grande no cenário nacional, gigante na região, cada vez mais estruturados que faz tudo para honrar salários em dia, mas não consegue mais segurar seus atletas, Está perdendo de goleada para aliciadores, como esse advogado de uma empresa aliciadora que por muito pouco não levam o R Andadre de graça sem desembolsar um centavo. Felizmente a justiça trabalhista dessa vez agiu certo e indeferiu a o precesso da empresa , mesmo porque o Papão tem agido certo. Mas sabe lá se na mão de outros magistrado teria sorte igual?? Então a diretoria precisa criar anti mecanismos contra aliciadores de seus atletas, principalmente agora que dizem que vão criar o CT para o profissional e trabalho de base, aí muitas jovens promessas no futebol bicolor poderão surgir, e as aves de rapina do futebol devem estar de prontidão so esperando para dar o bote ou lorde no clube formador dos atletas.

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  6. Acho que não é por aí, não. A história de se utilizar uma base cabana faz sentido se tivermos em partes. Este time do Remo é oriundo de uma série C, então estamos tomando por base lá, não cá. Ano passado tivemos um time cabano, que no início se valeu do que hoje se vale os times do interior: preparação anterior e familiaridade com o terreno. Porém, nosso objetivo não é ganhar estadual, então temos que esperar esse time entrosar, para servir de base para uma série C. Estadual é pontos corridos, então vamos lutar para chegar lá na frente bem, em primeiro. Mas não dá pra se desesperar nesse momento, até porque estamos na terceira rodada, senão vamos ficar imediatistas demais, como sempre acontece, daí virão reforços pra inflar e acabar na justiça do trabalho posteriormente.

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