Força no contra-ataque

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POR GERSON NOGUEIRA

O apagão no final não empanou o brilho e a importância da vitória do Papão sobre o Castanhal, ontem à tarde, no estádio Maximino Porpino. Com objetividade, força nos contra-ataques e boas finalizações, o time superou a melhor atuação do adversário no 1º tempo e alcançou sua primeira goleada no Campeonato Paraense 2018.

Cirúrgico, o time aproveitou todas as chances criadas e decidiu o jogo em lances rápidos, construídos com habilidade e frieza. Até por volta dos 40 minutos o jogo pendia mais para os donos da casa, que tinham se aproximado perigosamente da área bicolor, com avanços do lateral Souza e boa atuação de Dadá e Dedeco no meio-campo. Júnior Rato abusou do direito de perder gols. Foram pelo menos três chances diante do goleiro Marcão. Ramon e Val Barreto também desperdiçaram lances agudos.

Foi justamente logo após um gol perdido por Ramon, aos 41 minutos, que o Papão achou o caminho para abrir o placar. Depois de recuperar a bola em sua defesa, o Castanhal saiu jogando errado e permitiu que Lindenbergh cruzasse da esquerda para a finalização certeira de Nando Carandina.

Na etapa final, o Papão veio mais fechado e armado para explorar o contra-ataque aproveitando os previsíveis espaços. O Castanhal trocou Val Barreto por Railson, mas seguiu improdutivo na definição de jogadas.

Aos 12 minutos, surgiu o gol que tirou o Castanhal do eixo. Contragolpe mortal puxado por Moisés pela direita levou ao segundo gol, marcado por Cassiano após receber passe perfeito de Fábio. Marquinhos reforçou então a meia-cancha trocando Cáceres por Danilo Pires e Cassiano por Magno.

O terceiro gol surgiu em consequência da desarrumação do Castanhal, que se lançava à frente e expunha claros na defesa, muito bem aproveitados por Fábio Matos e Moisés, principalmente. Em novo contragolpe, aos 31’, Maicon Silva cruzou para o cabeceio fulminante de Magno, de peixinho.

A porteira abriu de vez aos 34’ com novo contra-ataque. Moisés caiu pela direita e bateu cruzado para Pedro Carmona, que havia acabado de entrar no lugar de Fábio. Parecia que o Papão ia deslanchar ainda mais, beneficiando-se do caos que reinava do lado castanhalense.

Foi então que o time da casa resolveu finalmente acordar, marcando no espaço de cinco minutos os gols que não conseguiu fazer no começo da partida. Aos 38’, em falha do goleiro Marcão, Dedeco diminuiu. O mesmo Dedeco fez o segundo, aos 43’, mandando na gaveta. Um golaço.

Foi um jogo que mostrou evolução do Papão quanto ao entrosamento e variação de jogadas. Correu riscos e podia ter se complicado no primeiro tempo, mas soube sair da pressão usando a arma do contra-ataque. Já o Castanhal foi vítima de seus próprios erros. Deixou de fazer gols que poderiam ter mudado a cara do jogo.

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Galo confiante supera Leão atrapalhado

O Independente confirmou a condição de mandante e se impôs ao Remo, sábado à tarde, no Navegantão, vencendo por 2 a 0 com tranquilidade, sem passar grandes sustos. O Remo não teve capacidade de reação, nem mesmo para pressionar o adversário na base da valentia, aceitando até passivamente o domínio do time de Tucuruí.

Um gol de Fabrício logo aos 2 minutos, em falha do zagueiro Martony, abriu caminho para a vitória do Galo Elétrico. Em desvantagem, o Remo não conseguia se aprumar em campo, errando passes fáceis e quase não arriscando no ataque. O time sofreu com a distância entre os setores, a má atuação dos volantes e zagueiros e a ausência de vida ofensiva.

A apresentação do Remo foi tão ruim que, em vários momentos, fez lembrar a desarrumação vista no time montado por Josué Teixeira para a Série C 2017. O ponto mais crítico foi a desconexão entre defesa e meio, com os zagueiros muito expostos. Ficou claro que a troca do trio de meio-campistas foi determinante para o mau rendimento geral.

Ney da Matta, em entrevista a Paulo Caxiado na Rádio Clube, reconheceu que as mudanças não surtiram o efeito desejado, mas atribuiu a derrota à falha que gerou o gol de abertura. Surpreendentemente, o técnico considerou satisfatória a atuação dos volantes Dudu e Felipe Recife, de desempenho errático ao longo dos dois tempos.

Já o Independente fez um jogo tranquilo e taticamente perfeito. Além do equilíbrio no meio-campo, com Fabrício e Chicão ditando o ritmo, a defesa foi sempre firme, tendo à frente o experiente Ezequias, premiado com o belíssimo segundo gol, aos 14 minutos, escorando cruzamento de Fabrício com uma cabeçada que saiu forte como um chute.

Mesmo recheado de veteranos, o Galo se posicionou com quatro peças no meio, explorando o conhecido vazio nas laterais do Remo infiltrando por ali os rápidos Chaveirinho e Rai. Acima de tudo, o time de Junior Amorim teve maturidade para administrar o jogo sem incorrer no vacilo de recuar excessivamente depois que construiu o placar.

No geral, um triunfo merecido do time que mostrou mais entrosamento e organização, sabendo explorar suas virtudes. O Remo não se encontrou em campo, praticamente não chutou a gol e se mostrou incapaz até de tentar até as jogadas de abafa no segundo tempo.

Mesmo levando em conta que a temporada está apenas começando, Ney da Matta terá muito trabalho para dar um perfil competitivo ao Remo. Com o elenco que têm à disposição, insistir no sistema 4-3-3 é uma opção temerária.

O jogo em Tucuruí deve servir como alerta. A zaga é lenta, os laterais não apoiam, não há um organizador no meio e o ataque chuta pouco (e mal). No sábado, foram apenas dois chutes, sem maior perigo e já nos instantes finais da partida.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 22)

15 comentários em “Força no contra-ataque

  1. Uma curiosidade, o último tricampeonato no paraense se deu em 2002 com o PSC. Por sinal, é o próprio PSC que pode quebrar essa escrita caso ganhe este ano… É, amigos, lá se vão 15 anos do último tricampeão… Será que o PSC vence esse ano ou será que teremos que esperar mais tempo?

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  2. Uma excelenre síntese do jogo de ontem: ‘o jogo mostrou evolução do listrado quanto à entrosamento e evolução de jogadas, onde o Castanhal foi vítima de seus próprios erros’.

    Foi uma vitória destacada pelo fato de que o adversário estava completo, sem problemas físicos de caráter extraordinário, com possibilidade de usar as opções do banco de reservas, e, principalmente, teve uma atuação inegavelmente exigente de que o oponente mostrasse valor para obter o triunfo.

    Dos que estrearam todos me pareceram de bom nível, no mínimo. Destaque para o gol de cavadinha do Cassiano, conseguido após o rebote do goleiro (num chute do próprio Cassiano) que não teve cobertura.

    Quanto ao Mais Querido, outra síntese feliz: “Ficou claro que a troca do trio de meio-campistas foi determinante para o mau rendimento geral.
    (…)
    “A zaga é lenta, os laterais não apoiam, não há um organizador no meio e o ataque chuta pouco (e mal)”.

    Só destaco que, sem abastecimento de qualidade, os dois bons atacantes de lado de campo (Elielton e Felipe) não vão poder fazer muita coisa.

    Para mim a derrota e o rendimento abaixo da crítica se deve, principalmente, ao treinador que fez opções que se revelaram contraproducentes.

    Enfim, a seguir nesta toada, o listrado vai despontar como “favoritaço” para o clássico. Eis que evolui, enquanto o Mais Querido involui.

    A conferir.

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  3. BISONHO
    Somar as idades de Chicão, Alexandre Pinho e Fabricio dá mais de cem anos…Vergonha esses treinadores primeiro tem que apanhar do independente, paragominas e cametás da vida pra conhecer o futebol de cá…ÉGUA LEÃO MAIS UM ANO DE PEIA NÃO É POSSÍVEL!!!!!

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  4. Com o elenco que foi formado o papão tem grandes chances de conquistar o tri campeonato, é fato que muita agua ainda vai rolar debaixo da ponte, mas não vejo nenhum time em condições de vencer o bicolor.

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  5. Os chamados times pequenos não temem mais os grandes.Atacam,marcam em cima,não apenas se defendem como acontecia antigamente.Para mim,não é nem uma surpresa quando os times grandes sofrem uma derrota.Nas primeiras rodadas dos campeonatos estaduais tivemos alguns exemplos:O Vasco perdeu,o Fluminense perdeu,o Botafogo empatou,o São Paulo empatou,o Bahia perdeu,o Vitória empatou,o Ceará perdeu e o Remo perdeu.
    No futebol não existe a palavra favorito,é um jogo,por isso,nem sempre o clube considerado grande ganha.

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  6. E não é que já estão colocando praticamente o rival com o título de campeão! Tá do jeito que eu gosto, esperemos o final de tudo!

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  7. Gleydson, não vem com essa conversa furada, é claro que tu querias que o teu time estivesse jogando um bom futebol e fosse para o re x PA com o moral elevado. Se tivesse vencido o Independente, o discurso azulino seria bem diferente.

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  8. Minha impressão é que o time que entra em crise ou desacreditado no RePa acaba ganhando o jogo. Quase sempre pela valentia e para tentar provar que pode disputar de igual para igual com o rival. Porém, com esse futebol praticado pelo leão, não vejo a mínima possibilidade de ao menos disputar um RePa. Do jeito que tá, é bem provável que haja um atropelo no domingo. Infelizmente.

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  9. A Torcida bicolor, bem diferente da torcida remista, não costuma se empolgar com pouca coisa e sabe que este elenco ainda tem de melhorar muito se quiser conquistar o tri campeonato, agora é fato incontestável que as contratações bicolores foram bem mais criteriosas e de qualidade, a tendencia é que vença o rexpa, mas claro que o remo pode vencer na superação como já vimos em outras ocasioes, mas repito que pelo que foi mostrado pelas duas equipes nestas primeiras rodadas o papão é sim favorito!

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  10. Osvaldo, não entendestes a minha colocação, claro que eu queria que o Remo tivesse vencido mas eu já vi torcedor listrado se achando favorito e dizendo que o time é um “papãocelona”. Gosto quando vocês agem assim, geralmente caem do cavalo.

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  11. O começo da partida e quase todo o primeiro tempo o Castanhal tomou conta do meio campo Bicolor dificultando as articulações do time de Belém.
    Mas falhou nas finalizações e isso o futebol não perdoa.
    O Paysandu chegou aos seus gols em golpes rápidos e objetivos, coisa que há muito eu não via.
    Foi cirúrgico e competente nas finalizações.
    Merecida e incontestável a vitória sobre um Castanhal que foi nocauteado dentro dos próprios domínios.

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  12. Alguns comentaristas do blogue já começam as apostas na possibilidade do Paysandu vencer o primeiro clássico.
    Calma, clássico entre os dois titãs da capital paraense é e sempre será uma caixa de surpresas.
    Como Bicolor é óbvio que quero os três pontos!

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  13. Sobre os contratados pelo Paysandu.
    Estou satisfeito em ver que a qualidade técnica destes é bem superior às barcas por aqui aportados em anos anteriores.
    Um elenco competitivo e que deverá dar bons frutos para a alegria da torcida Alviceleste.

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  14. Mas, a natureza de comentários como o meu é esta mesmo, Miguel: aposta, palpite… É possível, e, por mim, firmemente desejado, que a aposta não se confirme, que o palpite não se concretize e o Mais Querido vença. Mas, é de se reconhecer que os elementos até aqui disponíveis não indicam que assim será.

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