Alforria no futebol

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POR GERSON NOGUEIRA

A CBF, com significativo atraso, decide tornar obrigatória a apresentação da carteira de trabalho assinada para efeito de registro de jogadores no sistema BID (Boletim Informativo Diário). Na prática, a norma deveria vigorar há décadas, ajudando a tornar mais digno o exercício da profissão de futebolista no país, como convém a países realmente democráticos. De todo modo, vale o dito popular: antes tarde do que nunca.

As medidas recentes, que concedem salvaguardas a técnicos e atletas, já mereceram bastante festejos, mas só passaram a constar da pauta de preocupações da entidade a partir da mobilização dos próprios profissionais. No Brasil, dentro ou fora do futebol, nada se conquista sem esforço ou luta.

Os jogadores tomaram a iniciativa de reivindicar mais rigor quanto ao respeito a salários e direitos, com a consequente punição (incluindo perdas de ponto e rebaixamento) a clubes caloteiros.

Para expor o problema à sociedade, protestos pacíficos foram realizados antes e durante os jogos do Brasileiro. De início, como seria previsível, a CBF conservadora de sempre mostrou cara feia, tentou intimidar os líderes do movimento, mas teve que ceder à realidade dos fatos.

Graças a isso, hoje nenhum clube arrisca mais atrasar salários por mais de dois meses. O castigo é sério, incluindo até a perda de direitos sobre o jogador, que fica livre e desimpedido para buscar outro emprego.

A exigência da CT, anunciada na sexta-feira, vai desencadear uma verdadeira revolução nas relações trabalhistas entre atletas e clubes, notadamente aqueles das séries C e D. Significará, ainda, o fim (ou a redução) dos contratos verbais lesivos ao lado mais fraco da corda.

Com a obrigatoriedade de apresentar a carteira de trabalho para inscrição de jogadores, após período de carência, o governo garante também o recolhimento de benefícios previdenciários. Os clubes que não agiam dentro da lei terão que se ajustar rapidamente.

Ao mesmo tempo, os jogadores poderão escapar do costumeiro prejuízo – que atrapalha a vida de outros trabalhadores também – quanto à contagem de tempo para aposentadoria. Por tudo isso, a medida deve ser aplaudida pelos que lutam por respeito às leis e condições dignas de trabalho, com ou sem bola.

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Teste de fogo para o renovado Papão em Castanhal

Com a provável entrada de Pedro Carmona, de cara ou durante o jogo, o Papão deve ter mudanças pontuais para enfrentar o Castanhal de Lecheva. O grau de dificuldade será evidentemente maior do que o da estreia, contra o Parauapebas, na Curuzu.

A curiosidade fica por conta da manutenção do sistema de três homens de frente e da composição do meio-campo, onde Cáceres e Danilo Pires tiveram boa participação nos 20 minutos finais na quarta-feira, mas dificilmente terão condições de jogar os dois tempos.

A lateral esquerda é outro mistério nos planos de Marquinhos. Pelo que mostrou na estreia, Timbó dificilmente será mantido como titular. Na direita, porém, Maicon terminou bem o jogo e tem presença certa.

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Torcida da capital do futebol continua a encantar

“E Belém do Pará? A cidade mais apaixonada por futebol no país ficou fora das 12 sedes da Copa de 2014, mas continua lotando estádio. No último domingo, o Remo levou 30.860 pagantes ao estádio Olímpico Mangueirão na goleada por 3 a 0 sobre o Bragantino, na abertura do Campeonato Paraense. E lá não tinha nenhum Fred ou Lucas Lima para atrair o povo”. Este é o trecho da matéria escrita por Marcos Paulo Lima, na edição on-line do “Correio Braziliense” (DF), tecendo loas à força da torcida de Belém.

De quebra, a reportagem de Marcos Paulo ainda faz menção ao maior dos absurdos já perpetrados contra Belém, a capital do futebol: a exclusão da Copa do Mundo 2014, por ação direta (e confessada) do ex-presidente da Fifa João Havelange, o mesmo que anos depois seria varrido da entidade na esteira de um dos maiores escândalos de corrupção da era moderna.

Além dos milhões de dólares que embolsou na Fifa, conforme investigação do FBI, o velho capo – que foi homenageado por políticos sem miolo com o título de Cidadão Paraense, sem nunca vir pegar a comenda vira-lata – surrupiou também o legítimo direito de Belém ser palco dos jogos da Copa.

Por interesses obscuros, preferiu premiar a vizinha Manaus, cujo amor pela bola é reconhecidamente inferior à paixão pelo boi-bumbá, legando à capital baré um estádio belíssimo e caro, hoje relegado à condição de elefante branco e dispendioso. Afirmou isso com a pesporrência de sempre, assumindo a responsabilidade pelo ato de lesa-futebol.

Como nada é para sempre, não há razão para chorar sobre o leite derramado. Havelange e seu bando passaram e o torcedor paraense prova que não precisa de estímulos externos para ir a campo aplaudir seus times.

Em tempo, o público do Remo no Mangueirão foi o terceiro maior da rodada de abertura dos estaduais, perdendo apenas para o de Cruzeiro x Tupi (33.187) e de Palmeiras x Santo André (31.678).

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Bola na Torre

A apresentação é de Guilherme Guerreiro, a partir das 21h, na RBATV. Em pauta, a segunda rodada do Campeonato Paraense. Sorteios e participação dos internautas ao longo do programa. Na bancada, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 21)

2 comentários em “Alforria no futebol

  1. Apenas permita-me corrigir um detalhe:

    O público de Remo x Bragantino foi o 2º maior dentre as primeiras rodadas dos estaduais a fora, ficando atrás apenas do cruzeiro. Em números:

    1. Cruzeiro x Tupi (33.187)
    2. Remo x Bragantino (32.670)
    3. Palmeiras x Santo André (31.678)

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  2. Não, amigo. Público pagante é o que conta neste caso, na comparação com os demais jogos. Público pagante do jogo Remo x Bragantino foi de 30.860.

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