O matador renegado

POR GERSON NOGUEIRA

Uma das listas mais curiosas desta passagem de ano é a que trata dos artilheiros da década. Como não foi muito divulgada, periga até virar lenda urbana, como a história dos milhares de testemunhas do primeiro treino de Garrincha no Botafogo. A questão é que, de repente, todo atacante diz estar nesse ranking. Virou um item curricular de boleiros, tanto que o recém-chegado Isac e até Frontini, de passagem pífia por aqui, aparecem entre os 50 primeiros colocados.

No aspecto regional, a lista faz justiça a um artilheiro renegado entre nós: Rafael Oliveira pontifica com um honroso sexto lugar. Negligenciado por muitos, o jogador ficou marcado como “barqueiro” e ganhou o apelido de Rafapop pela paixão declarada pelas festas de aparelhagem.

Em campo, onde as coisas realmente importam, ele sempre resolveu. Está entre os mais assíduos frequentadores das tábuas de artilharia dos campeonatos. Com justiça, o ranking põe Rafael no pelotão da frente dos maiorais da década, com 109 gols, muitos deles com a camisa alviceleste do Papão, clube que o projetou e onde viveu verdadeira gangorra de amor e ódio com a torcida.

Fred (174 gols), Neto Baiano (124), Leandro Damião (121), Magno Alves (121) e Zé Carlos (110) são os jogadores que se posicionam à frente de Rafael. Ficam abaixo do paraense de Ananindeua no Top 10 alguns centroavantes até mais badalados que ele – Kieza (103), André (101), Hernane Brocador (101) e Léo Gamalho (99).

Nos últimos tempos, após passagens fugazes por Portuguesa e Botafogo, Rafael optou por um estratégico exílio no Nordeste, recomendado por Givanildo Oliveira. Passou a emprestar sua capacidade de fazer seus gols a clubes da Paraíba, Rio Grande do Norte e de Pernambuco, onde se encontra atualmente, defendendo o Náutico.

Diante de nulidades que embolsaram verdadeiras fortunas para enganar nos grandes de Belém, o desempenho de Rafael na década é digno de aplausos. Sua história confirma, em quase tudo, a velha máxima de que santo de casa não faz milagre.

Chegou a ser cogitado para um retorno à Curuzu em meio à crise técnica que o Papão viveu na recente Série B, mas nem chegou a ser iniciada uma negociação, provavelmente porque boa parte da própria torcida não receberia bem a ideia.

Para o bem de ambos, talvez tenha sido melhor assim. Não há registro recente de êxito no retorno de jogador nascido no Pará para atuar pelo antigo clube. O artilheiro terá que seguir sua saga solitária pelos áridos campos nordestinos.

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Paraenses ainda podem salvar participação na Copinha

Os jogos de sábado trouxeram um novo alento à participação paraense na Copa São Paulo de Futebol Junior, com a vitória da Desportiva sobre o Náutico por 1 a 0 e o empate do Papão com o União-MT.

Além de quebrar o jejum, o triunfo da Desportiva abriu boas possibilidades de classificação à fase seguinte. Depende apenas de uma vitória sobre a Linense, na terça-feira.

Para os bicolores, resta o desafio de derrotar o Desportivo Brasil na terça e torcer por uma vitória do Londrina sobre o União.

Sucesso mesmo quem faz é o São Paulo amapaense, que venceu seus dois jogos e já se classificou para a próxima etapa da Copinha.

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Leão e Japiim mostram qualidades no teste final

O amistoso entre Castanhal e Remo, no sábado à tarde, deixou boa impressão sobre os dois times. A vitória azulina, por 2 a 1, vale como fator de motivação a mais para a sua torcida – que já comprou 12 mil ingressos para a estreia de domingo contra o Bragantino, no Mangueirão.

Tanto Lecheva quanto Ney da Matta puderam fazer observações valiosas sobre o nível individual de seus jogadores. Mesmo perdendo o jogo, o Castanhal apresentou força de conjunto e uma ideia de losango no meio-campo que pode funcionar bem, desde que devidamente ensaiada.

Chazinho, Dedeco e o goleiro Roger Kath voltaram a atuar bem, com Flamel funcionando como condutor de jogo na meia-cancha. Caso mantenha a pegada, o Castanhal tem chances de fazer boa campanha.

No Remo, fica evidente a fragilidade ofensiva. Sem um atacante de referência (Marcelo não mostrou a presença de área necessária), o time depende muito dos laterais e das articulações pelo meio. Nesse aspecto, Rodriguinho e Andrei apareceram bem.

Esquerdinha foi destaque na lateral e Martony teve boa atuação, inclusive marcando gol. A defesa, porém, falhou bisonhamente no lance do gol castanhalense, esperando marcação de impedimento e abrindo a guarda para que Dedeco fuzilasse em direção ao gol.

De toda sorte, a movimentação dá aos técnicos a chance de entrar no campeonato com uma escalação definida, visto que precisaram começar praticamente do zero a formação de suas equipes.

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Fim de novela e outra fábula de dinheiro sobre a mesa

A novela finalmente terminou: a transferência de Phillipe Coutinho do Liverpool para o Barcelona, pelo valor anunciado de R$ 622 milhões, custou ao clube catalão a maior soma desembolsada por um jogador em sua história. Ao mesmo tempo, abre novo capítulo na série de transações que fazem do negócio futebolístico algo muito próximo da irrealidade – ou do embuste.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 08)

13 comentários em “O matador renegado

  1. O mundo do futebol há muito tempo deixou de ser o mundo do futebol, se é que algum dia ele o foi. Hoje a lavagem de dinheiro, propinas e jogatinas dão o tom do futebol. É possível analisar uma contratação como a do Neymar ou do Philipe Coutinho de duas maneiras, quem em sã consciência investiria 600 milhões em uma pessoa? Uma lesão pode acabar a carreira de qualquer jogador e todo o investimento é perdido. Porém o dinheiro usado não é de uma pessoa em si (creio eu) mas sim do clube, logo os dirigentes e presidentes não se importam em gastar um dinheiro que não é deles, ainda mais se esses jogadores trousserem títulos ao clube. Por mais que tentemos é cada vez mais difícil entender o mundo da bola, pagar 1 milhão por mês ao Fred é algo que jamais entenderei, imagine um investimento de 1 milhão na base de qualquer clube? Imagine os frutos disso? Os clubes brasileiros, com raros lampejos de sanidade, estão longes de fazer o certo. A base no Brasil além de ser ruim ou inexistente em muitos aspectos tem um propósito, formar e vender jogadores. Porque vender? Não se planeja a base pensando em utilizar aquele jovem talento no clube, usar a longo prazo. Hoje em dia o Brasil continua sendo fornecedor de materia prima barata e inacabada. Vendemos por uma micharia nossos jovens que vão ser “manufaturados” em centros médios (Portugal, holanda…) e serão vendidos aos grandes clubes por no mínimo o triplo do investimento inicial. Política, futebol, música… O Brasil está cada vez mais sem esperança.

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  2. Rafael sempre foi um bom jogador. Arrisco dizer que, com uma melhor formação social e esportiva, poderia brilhar em grandes clubes brasileiros. E não falo isso baseado em elogios pelo seu sucesso (sim, ele é um jogador de sucesso naquilo que propôs para sua vida), mas no fato dele ser um atacante de força, explosão, com um bom jogo aéreo e com chute potente (devemos lembrar que ele começou no meio e migrou para o ataque). Em outras palavras, Rafael tinha todos os atributos para ser melhor do é, mas o seu entorno nunca permitiria isso… Só com muita sorte e com uma boa estrutura familiar.

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  3. Rafapop fez quantos gols na última temporada pelo Botafake? Creio que o momento atual deva ser levado mais em consideração do que seu passado.

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  4. Concordo contigo Sergio. Aliais que já comentei aqui no blog diversas vezes sobre essa ‘insanidade” de muitos clubes na contratação e rescisão de contratos de jogadores de futebol. Mas parece que isso não tem mais jeito. É daí para pior. Cheguei até a comentar que por isso o futebol ficou muito mais feio, menos competitivo, jogado e mais sem graça diferente de outros bons tempos, porque hoje com essa fábulas nos contratos os atletas beneficiários se tornam mais atletas de mídia que de futebol. Se limitam a fazer umas jogadas mais difícil ou perigosa ala, Pelé, Garrincha, Maradona e outros craques do Passado, para justamente não se contundirem seriamente e deixar na mão o clube que paga seus salários bilionários. No caso do artilheiro Rafa Pop tem uma explicação contundente. Infelizmente é assim que funciona

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  5. No caso do artilheiro Rafael Oliveira, tenho uma explicação contundente: É o tipo do artilheiro que faz muitos gols, mas na hora decisiva, crucial ou para ser mais claro nas decisões ele fracassa, sempre deixa a desejar por todos os clubes que passou inclusive no Paysandu, é por último no 13 e no Bota da Paraíba. Aí a torcida não perdoa. Ou seja, o cara começa fazendo muitos gols, que até levam o clube à decisões, mas nesta hora sempre passou discreto e essa lembrança é que fica marcada negativamente pelos torcedores onde passa, principalmente se o clube perde título e classificações. No futebol é bem diferente de outras atividades porque ao contrário do Antigo ditado, a última impressão é que fica. Eu por exemplo e muitos torcedores bicolores temos como grande lembrança até hoje do Dadinho que tinha jogado sido várias vezes pelo Remo entes de vir para o Papão, mas lá no Remo a torcida remista já tem poucas boas lembranças dele apesar de ter sido artilheiro remista muitas vezes. Isso ocorre porque no Paysandu onde ele começou muito mal, jogou uns 3 jogos e fez um só gol, mas foi o gol dos mais importantes da história bicolor porque foi o que deu o primeiro título nacional ao Paysandu em 91. Já no Remo atuou muitas temporadas sendo sempre artilheiro, mas fracassava em decisões, passava discreto como na decisão do nacional 84 em Belém que o Remo perdeu e os estaduais 87 e 88. R Oliveira é igualzinho com exceção de Santarém onde foi artilheiro completo e lá deu titulo nacional ao Mundico fazendo gol na decisão. Verifiquem se em Santarem eles não tem R Oliveira como um dos maior ídolos da história mocoranga??

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  6. Outro exemplo de artilheiro nato renegado ou esquecido pela torcida foi o recente Lima que tinha até ganho apelido de Limatador, mas hoje a Fiel Bicolor nem lembra mais dele apesar de ter marcado muitos gols pelo com a camisa bicolor. Mas isso é porque a Fiel não esquece a decisão da Copa Verde 2014 que daria outra vaga em competição internacional ao Paysandu, onde Lima depois de fazer gols em quase todos os jogos, nas decisão em Brasilia foi figura pagada onde teve a infelicidade de perder até o penalty que daria o título ao Paysandu. Então tenho uma dica para os ditos artilheiros que estão indo embora e os que estão chegando no Papão: Em qualquer clube do mundo que estiverem e quiserem ser lembrados como ídolos ou grandes contratações podem fazer muitos gols ou até perder, ou não fazer em jogos normais que a torcida não pega no pé e não marca negativamente. Mas não percam ou não deixem de fazer em decisões porque aí fatal. a torcida não perdoa, mesmo se o cara for o artilheiro máximo da competição. podem crer.

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  7. Não há como comparar essas situações completamente diferentes. Veja-se onde Hernane Brocador e Kieza jogaram e onde Rafapop fez esses cento e tantos gols. Por sinal, jogando contra o Remo no Mangueirão, na Série C do ano passado, Rafael mostrou o quanto é um jogador além de limitado já em trajetória descendente.

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  8. Analise estatística sempre depende do analista… qualidade/quantidade… quem deu o apelido(justo) foram os mesmos que elogiam.

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  9. A título de esclarecimento, Pedro Paulo. Se foi uma tentativa de botar carapuça em alguém, não cabe neste escriba baionense. Pelo simples fato de que não tenho o hábito de apelidar, denegrir ou menosprezar as pessoas.

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  10. Pode ser. Ocorre que, comparativamente com os jogadores de ataque que passaram pelo Paissandu, ele merece todos os elogios, sim, amigo Amorim.

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  11. Gleydson, o levantamento que ocasionou o meu comentário refere-se aos 10 últimos anos, o que inclui suas últimas atuações.

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  12. Sábado estive em Castanhal. Como tenho procurado fazer nestes últimos anos, fui conferir o Remo na pré-temporada.

    Fui com uma parte do meu pessoal: filha, esposa, cunhados e sobrinhos. Foi minha reestreia com cerveja no estádio. Muito boa. Neste e noutros aspectos fora de campo, tudo correu muito bem. Apesar de longe de casa e com muita gente no simpático estádio, tudo correu muito bem, com ótima recepção dos castanhalenses, segurança na chegada e na saída.

    Como único episódio de hostilidade, houve uma estrondosa e merecida vaia ao presidente do Remo. Fato que não depôs contra o caráter agradável da tarde. Antes, foi a melhor parte do evento.

    Quanto ao jogo em si, não fiquei muito bem impressionado com o time e com o elenco. No início do ano passado a impressão foi semelhante, com a ressalva de que à época, o investimento e a badalação foram muito menores.

    Pois bem, o que vi ontem foi uma defesa insegura, com boa estatura, mas pesada. Laterais sem muita inspiração e pouca habilidade, especialmente o Esquerdinha. Meias de contenção sem muita mobilidade, limitados no trato da bola e muito facilmente envolvidos pelos meias e laterais do Castanhal. Já na armação a mesma timidez criativa e quase nenhuma presença ofensiva. O ataque também foi uma peça pouquíssimo efetiva. O campo de jogo pesado, principalmente no primeiro tempo, pode ter contribuído, mas isso só explica parte das dificuldades. O restante, que é a maior parte, me pareceu claro, se dever à limitações individuais mesmo, as quais, espero que desapareçam com o maior entrosamento, melhor condicionamento físico e desenvolvimento de maior destreza no trato da bola.

    Mas, nem tudo foi dificuldade e limitação no jogo treino. Os dois goleiros estiveram bem. E o azulino de número 11 (não recordo o nome) também se movimentou muito, combateu, procurou o jogo, mostrando que tem potencial também. Houve um outro jogador que me pareceu que tem muito mais a render. Entrou no decorrer da partida, acho que é Andrei o nome dele. Ah, ainda que tenha apresentado nítida dificuldade, o Levy, se comparado ao Esquerdinha, merece ser destacado.

    Em termos coletivos, houve uma jogada no segundo tempo, em que depois de uma boa e extensa troca de passes, o Remo quase marca. No segundo gol, o volante também fez uma bonita jogada aplicando uma caneta no marcador, lance que deu origem aquele que culminou no gol.

    Enfim, sob o meu ponto de vista, de bom, individual e coletivamente, foi só isso.

    Mas, agora, é esperar o início do campeonato no domingo. Quem sabe tudo melhore com o passar dos jogos. É esperar e torcer.

    Ah, o que vi em Castanhal não me anima a ir ao Mangueirão, enfrentar todos os problemas que lhe são próprios em jogos de grande público (Já foram vendidos mais de 12 mil ingressos). Já comprei o ingresso no preço promocional, mas vou repassá-lo ao meu sobrinho.

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  13. Se os jogadores na Europa fossem mais unidos, iriam repartir esse montante entre si. É o que fazem os atletas das principais ligas esportivas dos EUA. Por lá se unem para ter cada vez mais um pedaço maior do bolo, tanto que muitas vezes já paralisaram campeonatos. Não me lembro de ver jogadores fazerem greve no velho continente.

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