Paramos de fabricar artilheiros

POR HUMBERTO PERON

O futebol brasileiro sempre produziu grandes goleadores. Desde os mais técnicos e habilidosos, até os artilheiros que “só” tinham a qualidades de empurrar a bola para a rede, pois sabiam se colocar muito bem na área do adversário e finalizar para o fundo das redes. Só que nos últimos anos paramos de produzir artilheiros.

Não temos nomes como: Friedenreich, Leônidas de Silva, Ademir Menezes, Baltazar, Mazolla, Vavá, Coutinho, Dario, Toninho Guerreiro, Silva, Tupãnzinho, Quarentinha, Alcindo, César, Flávio, Serginho, Reinaldo, Careca, Nunes, Roberto Dinamite, Túlio, Romário, Careca, Evair, Bebeto, Ronaldo, Adriano… ficaria até o início de 2018 citando nomes.

freddA prova disso está nos centroavantes que os clubes estão contratando – ou tentam renovar o contrato neste período de férias. São disputados, comentados e contratados nomes de veteranos como Fred, Ricardo Oliveira, Henrique Dourado, Roger, Luís Fabiano e Jô e até outros nomes de atletas medianos, que estão muito tempo na estrada fazendo alguns aqui, outros ali, como os casos de Rafael Moura, Wellington Paulista e André Lima. Sem dizer os estrangeiros como Pratto, Borja e Guerrero, entre outros.

Até na seleção brasileira existe carência na posição. Há Gabriel Jesus, titular do time de Tite, e para a vaga de reserva há poucas opções, como Firmino (Liverpool) – até Diego Souza foi testado na função. E são poucos os grandes artilheiros que atuam em grandes times da Europa, tirando os já citados Gabriel Jesus e Firmino.

Tenho algumas teses para o fato da falta de grandes artilheiros. Uma delas é que ficamos por um bom tempo exigindo inúmeras funções de um centroavante, que foi esquecida a principal delas: marcar gols.

Atualmente existem inúmeros casos de atacantes que não sabem finalizar ou dar uma cabeçada. Há também avantes que não sabem como enfrentar um arqueiro ou, que na hora da finalização, não observam o posicionamento do goleiro. É raro encontrar um artilheiro que tenha malícia para dar um toquinho e deslocar o arqueiro, a maioria fecha os olhos e dá uma pancada na bola e perdem gols feitos. Neste caso, há também a falta de treinos específicos.

Hoje, o atacante precisa participar do jogo, não pode só ficar parado esperando a bola chegar, mas, como o antigo camisa 9 é obrigado a marcar a saída de bola do adversário, sair da área para abrir os espaços para o companheiro e fazer o pivô em uma tabela, em muitas oportunidades ele não está na área quando um companheiro faz um cruzamento ou o arqueiro adversário larga uma bola. Também, por muito tempo, só foram feitas apostas em jogadores que atuam pelos lados do campo e que mais preparam jogadas do que finalizam.

Não são raras as situações em que são escalados atacantes que claramente não sabem finalizar, mas são esforçados e dão carrinhos nos beques dos adversários e são importantes na defesa quando cortam os cruzamentos realizados pelo time adversário.

Outra tese que tenho é que alguns técnicos, quando contam com algum meia habilidoso, tentam transformar esse jogador em atacante, o que é um tremendo erro. Muitos desses atletas não conseguem se adaptar. Uma coisa é jogar de frente para o adversário e ter espaço para iniciar uma jogada ou sequência de dribles, outra bem diferente e receber a bola e precisar fazer o giro. Aí, temos um problema pior, pois se perde um armador de talento e não se ganha um artilheiro.

Fazer gols no futebol é fundamental. É preciso que o futebol brasileiro volte a formar artilheiros em quantidade como sempre fez, pois não é sempre que um time vai ganhar uma partida com um gol que se inicia em um lance de bola parada.

Mais pitacos: @humbertoperon

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