Cai o primeiro chefão

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POR GERSON NOGUEIRA

A condenação seguida de prisão imediata do ex-presidente da CBF José Maria Marin era a chamada pedra cantada, desde que foi desvendada a indústria das propinas, desfalques e fraudes montada dentro da Fifa. Como alto dirigente do futebol no Brasil desde os tempos de João Havelange, Marin, um dos baluartes da antiga Arena durante a ditadura militar, não tinha como sobreviver a uma apuração mais rigorosa.

Aliás, o rigor só foi possível porque o escândalo da Fifa foi encampado pelos organismos norte-americanos de investigação, FBI e Justiça Federal. Só assim Joseph Blatter e seus acólitos perderam blindagem, saindo diretamente das páginas esportivas para as editorias de polícia dos jornais.

Nenhum outro país mostrou-se suficientemente interessado em levar a cabo as investigações sobre os crimes cometidos em nome do futebol. No Brasil, pátria de tanta bandalheira no mundo da bola, várias denúncias foram apresentadas ao Ministério Público Federal e a outras instâncias, sem que qualquer providência prática fosse tomada.

Perdeu-se a conta de CPI’s criadas para levantar denúncias e apontar culpados no âmbito do futebol profissional, mas nada foi adiante. As fortes conexões existentes entre a CBF, o mundo político e setores da mídia jamais permitiriam qualquer avanço moralizador contra o próspero esquema de negociatas bancado pela entidade.

O sentido histórico do julgamento concluído na sexta-feira é que, pela primeira vez, um cartolão brasileiro foi apenado e encarcerado por falcatruas oriundas da longa atividade como dirigente profissional.

A condenação de Marin é emblemática e pode levar ao enquadramento de peixes mais graúdos, como o ex-poderoso chefão Ricardo Teixeira, refugiado no interior do Rio desde que a casa caiu para Blatter & cia.

Teixeira está a salvo porque não há acordo de extradição que permita à Justiça norte-americana julgá-lo, como fez com Marin, apesar das robustas denúncias apresentadas contra ele e outras figuras, incluindo Marco Polo Del Nero e um time de empresários e grupos de comunicação nas Américas, entre os quais a Rede Globo em posição destacada.

Del Nero também está livre das garras de Tio Sam pelas mesmas razões que contemplam Teixeira. O consolo é que a cruzada anticorrupção no futebol impede que a dupla ponha os pés fora do Brasil, sob pena de ser engaiolada na primeira escala da viagem.

Desgraçadamente, no âmbito interno, a situação permanece mais ou menos como sempre foi. Mesmo fustigada por acusações de toda espécie, a CBF desfruta das liberdades permitidas pela condição de entidade privada. Foge assim ao radar estabelecido pela Justiça brasileira quanto a atos de corrupção, como se a responsabilidade sobre uma atividade tão popular e importante para o país pudesse ficar acima da lei.

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Bola na Torre

Em ritmo natalino, o programa terá o comando de Giuseppe Tommaso, com as participações de Cláudio Guimarães e deste escriba de Baião. Começa às 21h, na RBATV.

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Leão não desiste de Isaac para vestir a camisa 9

A diretoria autônoma de Futebol do Remo continua tentando acertar com o centroavante Isaac, ex-Sampaio Corrêa. O negócio esteve perto de ser fechado nos últimos dias, mas o jogador manteve uma pedida considerada ainda alta pelos azulinos.

Com proposta para disputar o Campeonato Paulista, o atacante pode ser seduzido pelo calendário que o Remo tem a cumprir em 2018, disputando quatro competições – Parazão, Copa Verde, Copa do Brasil e Série C.

Segundo fonte ligada à diretoria, a diferença entre as propostas do Remo e do clube de São Paulo não passa de R$ 4 mil, aumentando as possibilidades de que Isaac venha a ser o camisa 9 solicitado por Ney da Matta.

Outro aspecto que pode influir na decisão do atleta é a presença no Evandro Almeida de quatro velhos conhecidos de Sampaio – Esquerdinha, Jefferson Recife, Felipe Marques e Mimica (que jogou pelo Confiança em 2017).

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Um recado natalino

Como o domingo é todo do Menino Deus, compartilho aqui versinho roubado de “Grande Sertão: Veredas” (de João Guimarães Rosa), para dar um tom mais adequado à coluna:

“O mais importante e bonito, do mundo, é isto:

que as pessoas não estão sempre iguais,

ainda não foram terminadas –

mas que elas vão sempre mudando.

Afinam ou desafinam. Verdade maior. (…)

Viver é muito perigoso; e não é não.

Nem sei explicar estas coisas.

Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor”.

Um Natal de paz a todos os baluartes da coluna.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 24)

8 comentários em “Cai o primeiro chefão

  1. Feliz natal, camarada. Excelente lembrança do mestre Guimarães Rosa, aliás, adaptado de forma honesta para a tevê e ora em reprise no Canal Viva. Vale a pena deleitar-se com essas falas geniais.

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  2. Feliz Natal! a todos os amigos do blog campeão, Gerson, que o Menino Jesus na sua simplicidade, humildade, possa nos dar esse amor e essa paz, que pelo menos nos dias de hoje, ainda existe, dia da família, dos amigos se confraternizarem, de pedir perdão ao seu irmão, dia de ligar para alguém distante, de partilhar sua mesa com seu vizinho, com os mais necessitados, com os que não tem o que comemorar, dia da esperança nesse menino de 2017 anos, que ainda consegue unir os povos, as pessoas em torno dele. Só para refletir, “Qual o presente que você deu, está dando ou vai dar para esse menino Jesus?.” Afinal de contas ele é o aniversariante do dia.

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