Regime nazista tentou substituir símbolos da tradição do Natal

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Fotos raras do Terceiro Reich mostram como os nazistas enfrentaram o dilema de festejar o glorioso nascimento de uma criança judia – Jesus Cristo. O Natal, evidentemente, era muito popular entre os alemães, na sua maioria cristãos. No entanto, as festividades tradicionais não eram bem vistas pela elite do partido de Hitler, que desenvolveu um plano para redesenhá-las.

Durante anos, os nazistas tentaram desvincular o Natal das religiões cristãs e judaicas. Os esforços não foram plenamente recompensados, mas o carrasco responsável pelo genocídio de 11 milhões de pessoas não ficaria quieto diante de festejos religiosos tão impregnados na alma dos alemães.

Um dos pontos mais destacados da iniciativa foi a criação de cartões postais e decorações natalinas que incluíam a suástica característica do sangrento regime hitlerista. A propaganda nazista chegou ao requinte de procurar convencer as donas de casa a assar cookies no formato da suástica. Para isso, criaram até um molde.

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A árvore de Natal estava muito enraizada na tradição alemã como símbolo dos festejos pelo nascimento de Jesus. Atentos a isso, os nazistas não cogitaram a eliminação da árvore, mas buscaram adaptá-la aos seus interesses no processo de conversão da população aos planos totalitários e genocidas de Hitler.

O propagandista nazista Friedrich Rehm fez até uma reflexão sobre isso em 1937: “Para nós (nazistas), é tão inimaginável que a festa de Natal tenha um conteúdo profundo, relacionado a uma religião que surgiu no Oriente, como um alemão pode ter algo a ver com a manjedoura no portal de Belém”.

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Para compor o “novo Natal” foram retiradas as estrelas, os anjos e as bolas coloridas da ornamentação da árvore. A partir da mudança, os nazistas começaram a produzir ornamentos com cruzes de suástica. No topo da árvore, era colocada a roda do sol (semelhante à suástica) em vez da estrela, além de pequenos bustos de Hitler como decoração, enfatizando no imaginário popular os símbolos do regime que pregava “a solução final” para judeus, principalmente.

Para o pé da árvore, como manter a tradicional imagem, sob o olhar do Führer, da sagrada família judaica diante de uma manjedoura palestina? Outra modificação foi implantada: o berço típico foi substituído por um “jardim de Natal” contendo cervos e cobaias com um São José, o menino Jesus e a Virgem Maria com cabelos loiros, como se fossem bávaros. Desse modo, a família do Messias tornou-se ariana, como pregava a sombria norma direitista do Partido Nazista.

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Entre os presentes autorizados para as crianças, pontificavam bonecas para as futuras mães, que talvez um dia contribuiriam para o esforço de guerra do Reich. Para os meninos, destinados a derramar seu sangue pela Alemanha de Hitler, tanques, canhões, bombardeiros, soldadinhos de chumbo e heróis nacionais.

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Na época em que não havia internet, enviar cartões de Natal era essencial. Nestes eram obrigatórios elementos como sinos, visco e outros combinados com a águia nazista ou a esvástica eterna. Nada de mensagens cristãs e humanizadas, como “paz para homens de boa vontade” ou imagens do nascimento de Jesus, é claro.
Em 1935, os nazistas também inventariam o Julleuchter, um castiçal de barro decorado com runas germânicas e cuja produção foi entregue a prisioneiros dos terríveis campos de concentração de Dachau e Neuengamme por ordem de Heinrich Himmler. Foi o presente elegante durante o Natal de 1935-1945, até que as tropas soviéticas tomassem Berlim por sangue e fogo.

De acordo com o site espanhol Holocausto, o próprio Heinrich Himmler (líder da SS), juntamente com Alfred Rosenberg, supervisionou a reescrita nazista das canções que não se aproximavam da nova religião marrom da Alemanha. Assim, as letras de “Noite feliz” foram renomeadas para “porque o nosso tempo chegou”, eliminando todas as referências cristãs de suas letras e mudando-as por alusões a caminhadas bucólicas na neve e outras atividades de inverno. A cúpula da direita alemã fez o mesmo com as citações à Virgem Maria e aos filhos de Jesus, que em alguns casos foi substituído por “filho do berço dourado”.

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(Com informações do blog Strambotic, de Jaime Noguera, e dados extraídos de Daily MailGrey FalconThe Vintage News e Wikipedia)

É Natal!

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O blogueiro aproveita o momento para desejar um feliz e festivo Natal a todos os baluartes, amigos e frequentadores ocasionais do blog campeão.

Que as bençãos de Deus Pai nos acompanhem pelo ano todo, garantindo saúde, alegria, paz e sabedoria.

Costuma-se comemorar o Natal pelo viés consumista e gastronômico, mas a festa cristã tem a ver com renascimento e fé.

No Brasil, nunca precisamos tanto renascer e acreditar como nos dias atuais.

Por tudo isso, rezemos para que o Natal seja generoso na iluminação de corações e mentes.

Um forte abraço natalino a todos!

A classe média não compreende o desespero do pobre

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POR MÁRIO LIMA JR., no Jornal GGN

Na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro, crianças pobres que fazem malabarismo e vendem doces nos sinais de trânsito pintaram o rosto e estão usando o gorro do Papai Noel na cabeça. Tudo pra chamar a atenção de quem tem grana. Os motoristas se irritam com a presença delas. Reclamam que prejudicam o trânsito. Fecham os vidros do carro. Dizem que não passam de pivetes. Não compreendem a humilhação que elas sofrem pra ter o que comer.

Há algumas semanas, no mesmo bairro, alguns limpadores de para-brisas, moleques descalços, sem camisa e magros de fome, impediram o roubo de um veículo. Os moradores da Barra comemoraram. “O Brasil está melhorando”, publicaram nas redes sociais. “Ainda existe honestidade”. O amor pelo dinheiro cega as pessoas.

O Brasil estaria melhorando, amigos, se não houvesse adolescentes limpando para-brisas nem crianças vendendo doces nos sinais de trânsito. Meu filho de seis anos percebe, mas as classes mais favorecidas da sociedade brasileira, aquelas que tomam decisões que influenciam a vida de todos, não compreendem o desespero do pobre.

Acreditava que a pobreza que vemos nas ruas fosse resultado de um passado colonial perverso. Não. As escolhas políticas do presente mantêm as desigualdades. Escolhas feitas no dia a dia de cada indivíduo, não só em Brasília. Com tristeza reconheço que muitos brasileiros não se importam com nada além de si mesmos e adoram ser servidos pelo pobre.

Motorista, garçom, porteiro ou faxineiro. Alguém pra ser recebido com desprezo, que abra a porta do carro, estacione, traga a refeição e limpe o banheiro (sem o direito de usá-lo). A classe média ainda impõe que funcionários do departamento de serviços gerais de um prédio utilizem o elevador de serviço. Ela odeia o Bolsa Família, programa assistencial de reconhecimento internacional. E chama de organizações criminosas movimentos de extrema importância para a justiça social do País, como o MST.

A existência de pobres é uma anomalia inaceitável em qualquer país do mundo. De acordo com um estudo do IBGE divulgado dia 15/12, o Brasil tem 52 milhões deles. Quantidade deplorável e vergonhosa, uma multidão de gente sem acesso aos direitos humanos mais básicos. Pessoas que sobrevivem com R$ 387 por mês. Elas pegam do chão e levam para os filhos em casa os restos das feiras livres. Deixam de comprar remédio pra comprar arroz ou feijão. Praticamente não ingerem carne, eventualmente uma salsicha. Suportam goteiras do teto quando chove. A solução proposta pelos hipócritas é fazer crescer o bolo da riqueza para reparti-lo depois. Bolo que vem sendo comido por poucos há séculos em um país violento que pratica uma concentração de renda imoral.

As condições para uma vida igualitária e digna nunca existiram no Brasil. Os barracos de madeira se alastram e se aproximam dos condomínios de luxo. As casas sem reboco dominam os morros. Os viadutos viraram abrigo. A opressão contra o negro permanece.

Não há sinais de revolta social além daquelas registradas na História, embora as provas de segregação tenham aumentado. Na Linha Amarela, via que dá acesso à Barra da Tijuca, painéis laterais estampam meninos e meninas se divertindo jogando bola, morros cariocas coloridos, a própria favela pintada em traços finos pra esconder de quem passa de carro a favela real do outro lado, de traços grossos, incompreendida.

Cai o primeiro chefão

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POR GERSON NOGUEIRA

A condenação seguida de prisão imediata do ex-presidente da CBF José Maria Marin era a chamada pedra cantada, desde que foi desvendada a indústria das propinas, desfalques e fraudes montada dentro da Fifa. Como alto dirigente do futebol no Brasil desde os tempos de João Havelange, Marin, um dos baluartes da antiga Arena durante a ditadura militar, não tinha como sobreviver a uma apuração mais rigorosa.

Aliás, o rigor só foi possível porque o escândalo da Fifa foi encampado pelos organismos norte-americanos de investigação, FBI e Justiça Federal. Só assim Joseph Blatter e seus acólitos perderam blindagem, saindo diretamente das páginas esportivas para as editorias de polícia dos jornais.

Nenhum outro país mostrou-se suficientemente interessado em levar a cabo as investigações sobre os crimes cometidos em nome do futebol. No Brasil, pátria de tanta bandalheira no mundo da bola, várias denúncias foram apresentadas ao Ministério Público Federal e a outras instâncias, sem que qualquer providência prática fosse tomada.

Perdeu-se a conta de CPI’s criadas para levantar denúncias e apontar culpados no âmbito do futebol profissional, mas nada foi adiante. As fortes conexões existentes entre a CBF, o mundo político e setores da mídia jamais permitiriam qualquer avanço moralizador contra o próspero esquema de negociatas bancado pela entidade.

O sentido histórico do julgamento concluído na sexta-feira é que, pela primeira vez, um cartolão brasileiro foi apenado e encarcerado por falcatruas oriundas da longa atividade como dirigente profissional.

A condenação de Marin é emblemática e pode levar ao enquadramento de peixes mais graúdos, como o ex-poderoso chefão Ricardo Teixeira, refugiado no interior do Rio desde que a casa caiu para Blatter & cia.

Teixeira está a salvo porque não há acordo de extradição que permita à Justiça norte-americana julgá-lo, como fez com Marin, apesar das robustas denúncias apresentadas contra ele e outras figuras, incluindo Marco Polo Del Nero e um time de empresários e grupos de comunicação nas Américas, entre os quais a Rede Globo em posição destacada.

Del Nero também está livre das garras de Tio Sam pelas mesmas razões que contemplam Teixeira. O consolo é que a cruzada anticorrupção no futebol impede que a dupla ponha os pés fora do Brasil, sob pena de ser engaiolada na primeira escala da viagem.

Desgraçadamente, no âmbito interno, a situação permanece mais ou menos como sempre foi. Mesmo fustigada por acusações de toda espécie, a CBF desfruta das liberdades permitidas pela condição de entidade privada. Foge assim ao radar estabelecido pela Justiça brasileira quanto a atos de corrupção, como se a responsabilidade sobre uma atividade tão popular e importante para o país pudesse ficar acima da lei.

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Bola na Torre

Em ritmo natalino, o programa terá o comando de Giuseppe Tommaso, com as participações de Cláudio Guimarães e deste escriba de Baião. Começa às 21h, na RBATV.

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Leão não desiste de Isaac para vestir a camisa 9

A diretoria autônoma de Futebol do Remo continua tentando acertar com o centroavante Isaac, ex-Sampaio Corrêa. O negócio esteve perto de ser fechado nos últimos dias, mas o jogador manteve uma pedida considerada ainda alta pelos azulinos.

Com proposta para disputar o Campeonato Paulista, o atacante pode ser seduzido pelo calendário que o Remo tem a cumprir em 2018, disputando quatro competições – Parazão, Copa Verde, Copa do Brasil e Série C.

Segundo fonte ligada à diretoria, a diferença entre as propostas do Remo e do clube de São Paulo não passa de R$ 4 mil, aumentando as possibilidades de que Isaac venha a ser o camisa 9 solicitado por Ney da Matta.

Outro aspecto que pode influir na decisão do atleta é a presença no Evandro Almeida de quatro velhos conhecidos de Sampaio – Esquerdinha, Jefferson Recife, Felipe Marques e Mimica (que jogou pelo Confiança em 2017).

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Um recado natalino

Como o domingo é todo do Menino Deus, compartilho aqui versinho roubado de “Grande Sertão: Veredas” (de João Guimarães Rosa), para dar um tom mais adequado à coluna:

“O mais importante e bonito, do mundo, é isto:

que as pessoas não estão sempre iguais,

ainda não foram terminadas –

mas que elas vão sempre mudando.

Afinam ou desafinam. Verdade maior. (…)

Viver é muito perigoso; e não é não.

Nem sei explicar estas coisas.

Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor”.

Um Natal de paz a todos os baluartes da coluna.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 24)