O passado é uma parada

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Fotos raras do antigo Grande Hotel, imponente monumento da arquitetura do começo do século passado erguido no centro de Belém, defronte da Praça da República e vizinho ao icônico Theatro da Paz. Fazia esplendorosa parelha com o túnel de mangueiras verdejantes da principal rua da cidade.

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Era ponto de encontro da alta sociedade local durante as eras douradas do período da borracha, atraindo artistas e intelectuais para o seu amplo corredor de mesas e cadeiras sobre a calçada da avenida que hoje se chama Presidente Vargas. Era um perfeito símbolo da Belém de estilo europeizado de então, com ruas bem delineadas e bondes elétricos percorrendo os bairros mais urbanizados.

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Demolido nos anos 70, em meio à especulação imobiliária que tomou conta da área mais nobre de Belém à época, deu lugar ao prédio atual, que já foi Hilton Belém e hoje atende pelo nome meio esquisitão de Princesa Louçã, sem ter nem um pingo do charme e da grandiosidade do hotel original.

“Emenda Gilmar Mendes” é pura marola, por enquanto

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A “emenda constitucional” do “cidadão” Gilmar Mendes, noticiada em alguns jornais, é um factóide e uma aberração.

Factóide porque não existe a menor possibilidade de que um “cidadão” – nem mesmo um “supercidadão” como o Ministro, propor emenda à Constituição.

O artigo 60 da Constituição Federal é claríssimo ao afirmar que só o presidente da República, um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal ou a metade das Assembléias Legislativas dos Estados o podem fazer.

Gilmar é muito poderoso, mas não tudo isso.

Juridicamente, é apenas uma “cartinha” ao Senado, com o mesmo valor de uma que eu ou você resolvêssemos escrever.

Politicamente, claro, tem outro peso. É um “balão de ensaio” cavilosamente lançado por Michel Temer para despertar a ambição de mando total dos parlamentares, que se assenhorariam formalmente do Poder Executivo.

Essa, a aberração.

A proposta não tem o mínimo de realismo político, faz tanto sentido quanto a possibilidade de que os eleitores escolhessem, se este fosse o candidato a presidente, um traste como Temer ou o próprio Gilmar como presidente.

Fala em “dissolução da Câmara dos Deputados” pelo Presidente, coisa com a qual duvi-de-o-dó alguma maioria parlamentar venha a concordar, exceto se estabelecida num processo de confronto por uma Constituinte eleita para uma reforma política, distinta do Congresso Nacional.

Trata-se de uma flor – e ainda com odor nauseante – do recesso parlamentar, como dizia, nos anos 80, Thales Ramalho, o avô do “Centrão”.

A “Emenda Gilmar” não existe, mas suas intenções, sim.

Não é difícil imaginar o que daria um monstrengo destes: em 2014, ninguém menos que Eduardo Cunha seria consagrado como Primeiro-Ministro, e fácil.

Corresponde ao desejo da camada fisiológica da política de retirar do povo o poder de escolher os governantes, entregando-o aos “homens çábios“.

O mais trágico nisso é que estamos na dependência de um tipo abjeto  como Gilmar para dizer o óbvio diante de situações de arbítrio, como na proclamação do óbvio de que condução coercitiva só pode ser feita quando o cidadão recusa o comparecimento espontâneo à polícia.

Está claro que não o faz por consciência jurídica, mas porque faz parte do seu enfrentamento aos arroubos de poder policialesco do MP e da ala MM (Medíocres e Maus)  do próprio STF: Fachin, Barroso e  – não sabe sequer bem porque está ali – Rosa Weber.

Pelo poder – que ele deseja tanto quanto o trio mas sempre esteve mais perto dele que qualquer um dos três –  Gilmar Mendes presta-se ao papel de autor da “cartinha de sugestões” ao Senado.

Segue o exemplo de Temer: verba volant, scripta manent.

Fica nela o registro eterno de seu golpismo, como ficou o de seu parceiro, o ex-vice-decorativo. (Do blog Tijolaço)

O suicídio do Reitor: a política de execração pública

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POR CAROL PRONER E JUAREZ TAVARES (*)

À primeira vista, parece que o suicídio é a expressão de uma condição patológica ou de grave distúrbio mental, próprio de pessoas enfermas e destituídas de racionalidade. Sem querer introduzir aqui a polêmica em torno de suas causas reais ou da noção de racionalidade, que poderiam suscitar longas especulações, o certo é que a eliminação da própria vida é um ato grave e que está a merecer certa consideração, não importam as condições que o desencadearam. Na época da ocupação americana do Vietnam, não foram poucos os protestos da população local contra os invasores, sendo bem marcantes os suicídios de monges budistas, auto-imolados em praça pública. Os corpos carbonizados na combustão da gasolina, despejada sobre a cabeça e depois inflamada com o auxílio de uma pira, expressavam a dureza e quase irreversibilidade de uma situação de desespero e de impotência diante do senhor poderoso do Ocidente. Nos tempos atuais, a violência do sistema econômico-financeiro produziu tentativas de autoimolação na Grécia, suicídios pelos desahucios, na Espanha e a morte do jovem Mohamed Bouazizi, estopim da crise Tunisina e um dos símbolos das chamadas Primaveras Árabes. O relato das vítimas do sistema econômico é semelhante quanto à angustia, o desespero e a impotência. No suicídio, como sacrifício extremo, há sinais intensos de rebeldia e protesto.
Antes mesmo desses acontecimentos que marcaram época, já interessava ao estudo de suas causas. Tendo em conta sua frequência em grupos sociais determinados, chega Durkheim a anunciar, a partir dele, sua teoria de coesão social, como fundamento explicativo dos fenômenos que ocorrem nas chamadas sociedades anômicas. Uma vez que o suicídio não é somente o ato de um indivíduo isolado, mas também um fenômeno social, conclui Durkheim que cada sociedade possui, em determinando momento histórico, uma atitude definida diante dele. Conforme o grau de integração social seria possível explicar por que, em certas condições e em determinados grupos, sua taxa de incidência seria maior ou menor. O que assinala, então, sua principal característica não é a patologia, a qual pode ocorrer, é verdade, mas, sim, a posição social do sujeito e suas relações com o mundo da vida. À medida que sua personalidade e os mecanismos de superação de traumas já não possam mais corresponder às exigências de uma integração ou reintegração social, estarão nele suspensos todos os vínculos vitais. O suicídio, portanto, não é um ato irracional, nem um ato de covardia, senão um ato de valentia, de coragem, de discernimento, de rebeldia, de enfrentamento de uma realidade que já não lhe serve e que deve ser mudada, mas para cuja mudança o sujeito se vê impotente, tal como os monges budistas do Vietnam ou os imolados do sistema econômico.

Se a cada sociedade há uma forma de suicídio que lhe corresponde, na atual sociedade pós-moderna, em que os vínculos sociais se desagregam em favor de sentimentos de ódio e oposição ao próximo, fortalecidos e disseminados de maneira massiva e universal por atos de desprezo e humilhação, estão cada vez mais evidentes os atos de autoextermínio, como demonstração da própria impotência para alterar a realidade inóspita. Justamente, a partir da crítica exposta por esse ato extremo, podemos ver como a sociedade contemporânea se ajusta ao que a mais eminente historiadora alemã, Ute Frevert, assinala, à chamada política da execração.

​Não é nova essa política de execração. Fora das películas, a política de execração nasce justamente das formas de execução penal, ou seja, é um produto do poder punitivo, uma criação do Estado. Como pena infamante, estava presente em todas as legislações desde o século XIII até a implantação dos Estados constitucionais. Não é à toa que a Constituição mexicana de 1917, que é o diploma legislativo por excelência da modernidade e sob cujo modelo se elaboraram os demais diplomas constitucionais, expressamente a proíbe (art. 22). Essa proibição representa os anseios de uma sociedade que valoriza a pessoa, que faz dela o centro da ordem jurídica, o que, na verdade, correspondia ao arcabouço teórico do iluminismo, mas que, na prática, ficara perdida nas urdiduras parlamentares.

Nos seus primórdios, as penas infamantes eram geralmente impostas aos autores de furto e de delitos sexuais. Mais tarde se estenderam a inúmeros outros delitos, como aos atos de violação sexual ou de defloramento, ao homossexualismo, às blasfêmias, às falsificações, ao falso testemunho e a toda a sorte de heresia. De conformidade com a legislação então vigente, o condenado deveria ser submetido à execração pública por duas horas, aos domingos e feriados, mediante a inflição de insultos, sofrimentos físicos e, inclusive, lançamentos de dejetos ou excrementos. Alguns condenados estavam também sujeitos a apedrejamentos, que lhes causavam dores e até lesões graves. A execração servia tanto à vingança pessoal ou à exteriorização dos sentimentos de torpeza, como também à imposição de uma condição de medo e terror. Com esse último propósito, a própria execução da pena de morte se fazia publicamente e era sempre precedida de atos de humilhação, na Alemanha até o Código Penal prussiano de 1851, na Inglaterra até 1868 e na França até 1939. As penas infamantes eram comuns no mundo jurídico medieval, mas sua disseminação começa aos poucos a retroceder, com a multiplicação de movimentos de repulsa e também por força de alterações ocorridas no âmbito do próprio direito penal e dos direitos humanos. O governo da saxônia, por exemplo, pressionado por revoltas contra essa forma de punição, recomenda aos tribunais, em 1727, que não mais a apliquem. Sua decisiva eliminação só se dá, porém, com o fortalecimento da prisão, que inaugura, no dizer de Foucault, uma nova tecnologia de poder e de disciplina. No seio dessa alteração de perspectiva e no sentido da tônica dos movimentos de reforma penal humanitária, em 1815, o deputado britânico Michael Taylor apresenta um projeto de lei para eliminar, definitivamente, do Reino Unido, todas as formas desonrosas de execução de penalidades e, com efeito, todas as penas infamantes. Apesar da disseminação dos movimentos de reforma penal, em muitos outros países ainda perduraram penas infamantes e desonrosas. Assim, o Código Penal napoleônico de 1810, sob o argumento de seus efeitos dissuasórios, as manteve, como penas acessórias das penas de prisão perpétua ou de longa duração, previsão essa mais tarde revogada para facilitar a reintegração social do condenado.
​A Idade Média é sempre invocada como a época das trevas, dos infortúnios, dos sofrimentos, dos abusos e das desumanidades. Mas a questão fundamental que se coloca na pós-modernidade é justamente a de verificar até que ponto as penas infamantes medievais ou, como chama Frevert, a política de execração se recupera e se dissemina. A execração pública medieval, apesar de todos seus malefícios e atentados à dignidade da pessoa humana, tinha uma limitação: só era executada por no máximo duas horas, aos domingos e feriados; em determinadas épocas, já no final de seu desenvolvimento, durante duas horas a cada mês. Uma vez que se admita sua reconstituição na atual quadra histórica, principalmente diante do chamado direito penal do espetáculo, será que essa execração está ainda sujeita a limites? Aqui, não interessa propriamente a execução das penas de prisão, que como todo o mundo sabe, por ser fato público e notório, encerra toda a torpeza, humilhação e sofrimento. O que nos interessa mesmo, até em face do ato de suicídio que temos como parâmetro, é outra forma de humilhação: é a própria política de execração.
Quando foram substituídas as penas infamantes pelas penas privativas de liberdade, tinha-se em vista sua natureza, tomada no sentido de retributivo, e também sua finalidade, essa última bem esboçada no Programa de Marburg: a ressocialização dos capazes de ressocialização, a intimidação dos não carentes de ressocialização e a inocuização dos incapazes de ressocialização. Com essas finalidades, o positivismo sociológico alemão compreendia a pena como um instrumento do Estado destinado a disciplinar os cidadãos conforme sua capacidade de adaptação social. Com isso, obteve uma ocultação do sofrimento causado pela execução e, ao mesmo tempo, maior eficácia na contenção dos indesejados. A execração nessa forma de disciplina se resumia, assim, ao uso dos aparelhos internos de repressão. Para o público, em geral, bastava a publicidade da condenação. Procedia-se, como elucida Foucault, ao desaparecimento do corpo. O projeto todo se destinava mesmo à destruição do condenado como agente social ou à intimidação dos não condenados.
Na pós-modernidade, no entanto, a política de execração deixa os muros da prisão e, sem limites, alcança formas eficientes de eliminação do inimigo a ser combatido, entrando em cena a midiatização do comportamento desviante acompanhado de narrativas de pós-verdade que tornam o ato da privação da liberdade apenas o complemento de um martírio psicológico.
Os tempos sombrios vividos no Brasil convidam a uma reflexão sobre o agravamento da tensão social e o correspondente aumento dos mecanismos de controle de poder e comportamento, censura, atos de exceção e abuso de autoridade. O inimigo a ser combatido, o antissistema, não está bem definido, assim como também não está identificado com clareza quem é o perpetrador, sequer o próprio sistema é conhecido, sendo essa uma característica estratégica da pós-modernidade, ou modernidade líquida, como prefere ZYGMUNT BAUMAN.
O traço mais evidente do aumento da exceção no Brasil tem sido identificado pelo uso do sistema de justiça criminal para combater um pretenso mal maior da sociedade, a corrupção sistêmica, difusa, corrupção líquida, que passou a ser justificativa para a inobservância do estado de inocência em nome do bem maior, a sociedade. Admite-se abertamente a hipótese da condenação sem provas, admite-se o uso de métodos ilegais para a obtenção de provas e o vazamento seletivo de informações processuais à imprensa com o fim de informar a opinião pública, manobrando a verdade pós factual e atingindo a execração pública do inimigo, mesmo sem qualquer acusação formal. Eis a fórmula da execração pós-moderna.
Com o enfraquecimento dos poderes legislativo e executivo e a crise política, o poder judiciário acolhe boa parte das expectativas populares de rearranjo institucional, o que reforça o fenômeno da judicialização da política e o estímulo ao ativismo de juízes e procuradores que parecem cumprir uma missão civilizatória. A fórmula da exceção se locupleta pela legitimidade do poder punitivo apoiado na ideia segundo a qual vivemos tempos igualmente excepcionais que precisam ser enfrentados com o apoio da população, com o respaldo midiático amparado no princípio da publicidade dos atos processuais, fazendo crescer o clamor popular e a possibilidade aniquilação moral.
O arbítrio que decorre do sistema de justiça criminal tem função didática e já é sentido em todas as partes, espraiando-se nas relações verticais com a certeza da impunidade. O problema não é o general, mas o guarda da esquina, lembrando a frase de Pedro Aleixo nos tempos de Costa e Silva. O arbítrio está no delegado de plantão, no chefe de departamento na Universidade, no síndico do prédio, no juiz corregedor, nas relações de subalternidade que se inspiram na exceção judicial. O suicídio do Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier Olivo, serve de alerta para a gravidade do fenômeno e foi denunciado por ele próprio como ato extremo diante da humilhação e do abuso de autoridade.
Sem deixar de reconhecer que a seletividade penal é traço definidor do sistema de justiça brasileiro, atuando no compasso discriminatório social e racial desde as origens, um tipo novo de seletividade tem sido recorrente nesses processos de combate à corrupção, a seletividade política que, a pretexto de combater os desmandos, escolhe investigar e perseguir apenas alguns. Mas o Reitor não corresponde ao alvo-tipo político, tal qual ocorre na Operação Lava-jato. O que assemelha a Lava-Jato à Operação Ouvidos Moucos é a forma de atuação do aparelho repressivo penal e a exposição midiática coordenada que, em nome da transparência, respaldou uma série de violações de direitos e garantias individuais que levaram um homem público a uma situação limite.
Em escritos anteriores e no bilhete de despedida, Cancellier relatou a humilhação e o vexame a que ele e outros colegas da instituição estavam sendo submetidos, tendo sido presos, desnudados, revistados e encarcerados sem qualquer denuncia prévia, tiveram suas vidas devassadas e, acusados de formarem uma quadrilha criminosa, foram impedidos de entrar na Universidade. As medidas de força adotadas, da condução coercitiva aos mandados de busca e apreensão acompanhados pela mídia, produziram um linchamento moral indefensável, o sentimento de banimento, infâmia perante a comunidade universitária.
Na sociologia do conhecimento, a contenção do desvio social e o correspondente processo de aniquilamento simbólico ou real do inimigo (usando as categorias de P. BERGER e T. LUCKMANN) se dá pelos mais variados e difusos mecanismos de controle social, da violência propriamente dita à execração simbólica. O reitor foi desprezado, achincalhado, mesmo sem denúncia formal, sem processo e sem possibilidade de defesa. Com a espetacularização do processo midiático-penal, de partida ele já estava desafamado, humilhado e condenado. A exposição do acusado à infâmia com o fim de rebaixá-lo, atingir sua reputação, probidade até desacreditá-lo por completo e produziu o desejo do auto-desaparecimento do corpo, fim de todos os tormentos.
E se a cada sociedade existe uma forma de suicídio que lhe corresponde, os tempos sombrios vividos no Brasil convidam a uma reflexão sobre o agravamento da tensão social e o correspondente aumento dos mecanismos de controle e do avivamento dos atos de exceção pelo sistema midiático de justiça, capazes de produzir a indefensável execração. O caso do Reitor é gravíssimo, exige investigação e atribuição de responsabilidades que leve em conta o que expressamente está denunciado pela vítima, capaz de discernir perfeitamente a respeito da escolha extrema, deixa registrado o sentimento de impotência e de repúdio a uma realidade que se naturaliza com consequências monstruosas.

(*) O artigo “O suicídio do Reitor: a política de execração pública”, de Carol Proner e Juarez Tavares, faz parte do livro/documentário “Em Nome da Inocência: Justiça”, organizado pelo ex-deputado Jailson Lima, em conjunto com o desembargador e professor Lédio Rosa de Andrade e Sérgio Grazano

Ziggy em ritmo natalino, do rock ao pré-carnaval

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A semana começa na quarta-feira com Happy Hour + Meachuta pra iniciar a semana com muita onda. O happy vai trazer o Pocket Show da dupla Bonus Track, que irá tocar as nuances do rock country americano, hard rock setentista, chegando até o “maldito” indie rock dos anos 2000. Em seguida, a partir das 21h, a Meachuta começa e traz para o club da casa muito pop, funk, twerk, EDM, bass e outros ritmos requebrantes pra todo mundo dançar muito.

No dia seguinte, a quinta-feira promove mais uma edição do Banquinho & Distorção, competição nada séria de música, que chega pra premiar a pior e a melhor apresentação da noite com 1 BALDE DE CERVEJA cada. A casa disponibiliza um banquinho, um violão e dois mics pra galera dar o seu show. Pode tocar o que quiser, o que vale é qual a apresentação vai agradar mais os jurados, que votam pra escolher duas posições desejadíssimas nessa disputa: o pior de todos e aquele que fez a galera vibrar.

Os vencedores entram numa disputa que vai rolar o mês todo e, no final, todos os ganhadores da noite se reúnem pra escolher o grande campeão do Banquinho & Distorção. As apresentações vão rolar durante o happy hour, de 18h às 21h, e será seguida por uma festa a partir de 21h com discotecagem dos DJ’s MauvVianna e Damasound, que vão tocar o melhor do indie rock.

Enquanto isso, na sexta, a programação começa com o projeto Antes de Tudo, que desta vez traz a apresentação do artista Renan Chady cantando os maiores sucessos do Folk & Blues internacional. Em seguida, a noite é de Roquerági com Molho Negro (foto abaixo) + DJ’s. Eles vão tocar o repertório do último disco, intitulado “Não é nada disso que você pensou”, além de alguns hinos mais antigos. E pra completar a noite, a festa vai contar com as discotecagens endiabradas dos DJ’s Mandy e Leo Menescal, que vão mandar muito rock pra galera se divertir.

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Além disso tudo, o Filhos de Glande resolveu começar a sua temporada carnavalesca já em 2017. O bloco vai fazer uma grande festa aqui no Ziggy, neste sábado, para lançar o tema de 2018. Depois de Gilberto Gil, quem será o próximo homenageado pelo bloco? Essa pergunta será respondida da melhor forma: numa festa carnavalesca que vai reunir três grandes artistas que não vão deixar ninguém parado: Nanna Reis (foto acima) com participações especiais de Keila Treme e o ícone da alegria Eloi Iglesias. Já é um grande esquenta para tudo o que o Filhos de Glande vai aprontar em 2018.

E como tradição das noites belenenses há 15 anos, a Jingle Hell, festa natalina do Se Rasgum, vai aportar no Ziggy Hostel Club pela primeira vez. Assim que as primeiras badaladas da meia-noite de natal soarem começa o aterrorizante natal da Jingle Hell, pra todo mundo celebrar a vida numa baladinha rock estilo porão com sets de 80’s, 90’s, indie rocks, britpop, surf music, garage punk, northern soul, ska, r&b e o que mais der na telha.

Aquela famosa turma de DJs que é tradição: Aloízio e Natália (Razzmatazz – SP), Thiago Trindade, Benjamin Ferreira, Lux e o repertório da banda Presidente Elvis, mais uma vez mandando as queridinhas e clássicas de bandas como Oasis, Weezer, Pixies, Nirvana, Radiohead e muito mais.

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SERVIÇO

(QUA) Happy Hour + Quarta de Bolso (18h às 21h) – Happy Hour: 18h às 21h

Pocket Show: Bonus Track

(QUA) Meachuta (21h) – DJ’s: Phillsucks, MauVianna, Pedro Kobold + convidados

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(QUI) Happy Hour + Banquinho & Distorção 

Indiezera (a partir de 22h)

DJ’s: MauVianna e Damasound

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(SEX) Happy Hour + Roquerági com Molho Negro

Happy Hour: 18h às 21h – Pocket Show: Renan Chady

Show: Molho Negro

Dj’s: Leo Menescal e Mandy

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(SÁB) Filhos de Glande

Shows: Eloi Iglesias, Keila Gentil e Nanna Reis

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(DOM) Jingle Hell (23h59)

Show: Presidente Elvis

DJ’s: Aloizio & Natália, Lux, Benjamin Ferreira e Tiago Trindade

(by Imprensa Se Rasgum)

Era coroada com Mundial de 2005 antecipou “apagão” tricolor

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O tricampeonato mundial do São Paulo aniversariou pela 12ª vez nesta segunda-feira. A vitória por 1 a 0 sobre o inglês Liverpool, no dia 18 de dezembro de 2005, coroou uma era hegemônica do Tricolor, que em seguida conquistaria o Campeonato Brasileiro três vezes seguidas (de 2006 a 2008).

O que se passou com o clube do Morumbi após esse período, no entanto, nada remete às suas glórias do passado. Em nove anos, a agremiação foi seriamente ameaçada de rebaixamento em três edições do torneio nacional e comemorou apenas o título da Copa Sul-Americana de 2012, um oásis em meio ao caos que se instaurava aos poucos no clube. A Gazeta Esportiva listou cinco motivos para a derrocada tricolor.

“Soberba”

Marco Aurélio Cunha, conselheiro e ex-diretor-executivo de futebol, costuma culpar a “soberba” do clube para justificar os fracassos tricolores nos últimos anos, quando assistiu a conquistas de seus maiores rivais.

Desatualização

Internamente, apesar dos quatro títulos angariados (três Brasileiros e uma Sul-Americana), o clube admite que deixou de se atualizar durante a gestão de Juvenal Juvêncio, que foi presidente de 2006 a 2014. Motivo pelo qual teria sido ultrapassado por Corinthians e Palmeiras em termos de modernidade e corrido risco pela primeira vez de cair para a segunda divisão nacional, em 2013.

Corrupção

Após a saída do mítico cartola, contudo, as coisas pioraram pelos lados do Morumbi. Eleito em abril de 2014, Carlos Miguel Aidar foi o líder de uma administração marcada por escândalos. Tanto que durou pouco tempo no poder, renunciando em outubro de 2015 sob denúncias de corrupção.

Crise política

Sucessor de Aidar, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, tampouco desfruta de paz em seu mandato. Sem ter a oposição sob controle, ainda não conseguiu recolocar o clube nos trilhos. Embora tenha trazido de volta ídolos históricos, como Diego Lugano e Rogério Ceni, o mandatário viu o time acumular fracassos em pouco mais de dois anos de presidência, com eliminações precoces em torneios como Campeonato Paulista e Copa do Brasil.

Desmanches

Para piorar, passou sufoco ao brigar desesperadamente contra o rebaixamento no Brasileirão de 2016 e 2017, temporadas em que a diretoria vendeu alguns dos principais jogadores do elenco no meio das competições.

Futuro

Com Dorival Júnior no comando técnico, Raí à frente do departamento de futebol e um novo estatuto em vigor, o São Paulo espera recuperar o protagonismo perdido na última década. A equipe iniciará a pré-temporada em 3 de janeiro, no CCT da Barra Funda, e estreia no Paulista no dia 17, diante do São Bento, em Sorocaba. (Da Gazeta Esportiva) 

Leão apresenta Andrei, reforço para o meio-campo

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Foi apresentado, nesta terça-feira à tarde, o mais novo reforço do Remo. É o meio-campista Andrei, de 21 anos, que pertence ao Cruzeiro e defendeu o Tupi de Juiz de Fora (MG) nesta temporada. Ao lado do executivo de Futebol Zé Renato, Andrei disse conhecer a força da torcida remista.

“A torcida do Remo é maravilhosa e tem muita tradição no futebol brasileiro. Vamos procurar brigar pelo grande objetivo de subir para a Série B”, afirmou. O jogador se define como um armador clássico, mas com características bem ofensivas.

“Gosto muito de trabalhar a bola, mas também lançar aos homens de frente, além de marcar gols, como fiz no Tupi (MG). Vou brigar também para que possa marcar aqui no Remo”, concluiu.

Santos faz oferta para tirar Jair Ventura do Botafogo

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Jair Ventura está próximo de ser o novo técnico do Santos. Na tarde desta terça-feira, o Peixe avançou nas negociações e acertou as bases salariais com o técnico. Agora, resta apenas o alvinegro fechar o pagamento da multa de R$ 800 mil com o Botafogo.

A equipe carioca, por sua vez, afirma que ainda não recebeu qualquer contato do Santos. Jair tem contrato com o Glorioso até dezembro de 2018. A intenção dos santistas é acertar os valores com o Fogão nos próximos dias e anunciar o treinador até o fim desta semana.

Apesar da vontade de permanecer com Jair, o Botafogo não fará força para mantê-lo caso o Santos pague o valor da multa rescisória. Fora da Libertadores e com pouco dinheiro em caixa, o time do Rio não pretende fazer grandes investimentos em 2018.

Inicialmente, a diretoria do Peixe só pretendia ir atrás do técnico após divulgar o novo diretor executivo de futebol. Porém, algumas cláusulas atrasaram o anúncio de Gustavo Vieira. Mesmo assim, o profissional está apalavrado desde a última semana e já vem negociando com Jair Ventura. (Da Gazeta Esportiva)

Hotelaria amplia o olhar para a conexão com a natureza

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Sete grandes hotéis, distribuídos pelas mais variadas regiões e selecionados pela equipe do Design Hotels™. Um enclave isolado, envolto pela floresta, localiza-se em Portobelo Bay do Panamá. Trata-se do impressionante El Otro Lado (acima).

Em direção ao norte, Papaya Playa Projeto combina a localização privilegiada, em trecho idílico da costa caribenha, com a sofisticada mistura de urbanidade com ambiente rústico. Ficar na Riviera Maya, com terraço vista para o mar, é um dos atrativos do Hotel La Semilla, pontilhado de encantos para os hóspedes que buscam a conexão com o ambiente natural.

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Rodeado por florestas tropicais e situado em uma das mais belas baías da Nicarágua, quente, a atmosfera íntima do Meson Nadi (acima) assegura aos seus clientes a sensação de uma casa de amigos, embora com requinte e luxo.

No exuberante norte de Portugal, o Pedras Salgadas Spa & Park Nature (abaixo) oferece experiência inovadoras. A arquitetura é um dos encantos do lugar, que pode ser descrito como um parque que põe as pessoas em comunhão com a natureza.

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Em meio a paisagem verdejante do Parque Nacional de Kenting, no extremo sul de Taiwan, Gloria Manor oferece um retiro eco-consciente em uma antiga casa presidencial de hóspedes. No interior do Japão, com a requintada culinária do campo à mesa e spa termal, o Satoyama Jujo (abaixo) fornece uma experiência única e semi-selvagem.

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Abril demite mais de 100 e propõe parcelar as indenizações

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DO COMUNIQUE-SE

O Grupo Abril demitiu mais de 100 funcionários na quarta-feira, 13. O corte é realizado um mês após o publicitário Walter Longo deixar a presidência da empresa, ocupada agora por Arnaldo Figueiredo Tibyriçá. O novo CEO informou, em nota, que os desligamentos são os primeiros passos para reorganização do grupo.

Em apuração, a reportagem do Portal Comunique-se constatou que os números de demitidos giram em torno de 130 a 170 funcionários. Dos dispensados, 14 são jornalistas, segundo divulga o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP). A empresa não confirma ao certo a quantidade de baixas, nem quais áreas foram afetadas com os cortes. Em nota, o presidente da Abril menciona o “desligamento de alguns colaboradores”.

Ainda de acordo com o sindicato, o Grupo Abril pretende parcelar as verbas rescisórias que devem ser pagas aos demitidos. Após o desligamento do funcionário, a empresa tem até 10 dias para pagar as verbas rescisórias que incluem:

  • Saldo de salário do mês trabalhado;
  • Aviso prévio, trabalhado ou indenizado mais o proporcional por tempo de serviço;
  • 13º salário proporcional;
  • Férias vencidas se houver, e proporcionais acrescidas de 1/3 constitucional.

Caso o pagamento não seja feito, a partir do 11ª dia, a multa é de um salário, conforme previsto no artigo 477 da CLT. Segundo o presidente do SJSP, Paulo Zocchi, o Grupo Abril propôs parcelar as verbas rescisórias em 10 vezes mensais, sem correções.

Negociação

Em assembleia com representantes do sindicato e da empresa, foi feita contraproposta. O intuito era o de reduzir as parcelas de pagamento das verbas. Além disso, o encontro previa a discussão para acrescentar correção de valores por mês e fazer título executivo.

“A empresa não quis negociar, assim não foi feito acordo com nosso sindicato. Estamos orientando os demitidos que não assinem nenhum tipo de documento em concordância com parcelamento em 10 vezes de verbas rescisórias. Mas que nos procurem, para que seja aberta ação judicial, exigindo o pagamento das verbas”, declarou Zocchi.

O presidente do sindicato informou, ainda, que a entidade condena as demissões. O parcelamento das verbas rescisórias também provocam indignação por parte da entidade. Além disso, ele vê “o ato de fazer o trabalhador demitido continuar financiando a empresa”. “As demissões atacam a capacidade da empresa de fazer jornalismo, e uma empresa que perde a capacidade de fazer jornalismo está cavando sua própria sepultura”.

Posicionamento da Abril

Em contato com a reportagem do Portal Comunique-se, o Grupo Abril não deu muitas informações. A empresa não falou sobre o número exato de demitidos, suas áreas atingidas e o parcelamento das verbas rescisórias. Foi declarado, porém, que nenhum título da empresa será descontinuado, além da revista Estilo. A publicação – conforme anunciado em novembro deste ano – deixará de circular em janeiro de 2018.

Por meio de nota, o presidente da empresa, Arnaldo Figueiredo Tibyriçá, comentou as movimentações internas no quadro de colaboradores. “Ontem demos os primeiros passos de uma reorganização da Abril, que, infelizmente, envolveu o desligamento de alguns colaboradores. No entanto, esse movimento viabilizou um redesenho de estrutura e processos. Nosso objetivo com isso é lidar com um legado estrutural dos tempos em que tínhamos um portfólio de negócios mais diversificado e, ao mesmo tempo, ajustar a estrutura para alavancar nossos negócios atuais. É um movimento voltado para a eficiência e rentabilidade por meio da redução e simplificação da nossa estrutura”, disse o executivo.

Recuperação judicial

Na declaração enviada por meio da assessoria, Tibyriçá nega que o Grupo Abril esteja caminhando para um pedido de recuperação judicial. A declaração segue o caminho contrário do que veículos como o Brasil 247 noticiaram na quinta-feira, 14.

“Quanto aos boatos de que estaríamos num processo de recuperação judicial, garanto que isso não faz parte da minha missão porque a superação de nossos desafios não requer medidas desse tipo. E, profissionalmente, apesar da minha formação jurídica, eu não tenho nenhum interesse em participar de um cenário desses. Aceitei o desafio de ser presidente da Abril para gerar valor e lidar com desafios de negócios. Alimentar boatos equivocados como esse indica apenas um desconhecimento sobre nossos negócios”, declarou.

Leão treina forte e Da Matta quer adversários mais encorpados

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Já com a presença do meia Andrei (21 anos), contratado junto ao Cruzeiro e que será oficialmente apresentado nesta terça-feira, o técnico Ney da Matta intensifica os treinamentos dentro da agenda elaborada pela comissão técnica para as duas últimas semanas do ano. Depois de avaliar como positivo o coletivo contra o time sub-20, o técnico deve comandar novo treino no campo do Ceju, na tarde desta terça-feira, enquanto o Baenão ainda espera pela colocação do novo gramado. Segundo ele, a equipe precisa enfrentar adversários mais encorpados, antes da estreia no Campeonato Paraense – no dia 14 de janeiro contra o Bragantino, no Mangueirão.

No treino de ontem, Da Matta contou com as participações de Levy pela direita e do atacante Gabriel Lima. Esquerdinha segue em recuperação. Segundo a programação divulgada pela assessoria de imprensa, o elenco do Remo vai treinar até quinta-freira (21). Depois, os jogadores terão folga de cinco dias. A volta aos treinos será na quarta-feira (27). A folga havia sido planejada pela comissão para que os atletas passem o Natal com suas famílias. Na semana do Ano Novo, a folga será somente no domingo (31) e no feriado de segunda, 01/01.

Joaquim Barbosa e Moro, as faces diferentes do punitivismo

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POR LUIS NASSIF, no Jornal GGN

Se os excelsos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) quiserem conhecer a natureza real das delações premiadas, devem convidar delatores para uma audiência privada, sigilosa, para que relatem o ambiente da prisão de Curitiba e o papel dos procuradores – não apenas os de lá, mas aqueles ligados à Procuradoria Geral da República.

O medo os mantêm calados, Mas, daqui a alguns anos, depois de cumpridas as penas, essas histórias virão à tona e mancharão definitivamente a imagem da Justiça nesse período.

Não se sabe se o fato de ter sido exposto na delação da JBS, mas o nome de Marcelo Miller sempre é citado como o batedor, o sujeito incumbido de espalhar o terror nos prisioneiros para induzi-los a delatar.

E não havia preferências. De criminosos óbvios a executivos sem nenhuma noção das ilegalidades cometidas, todos  recebiam o tratamento da tortura psicológica até abrir o bico para dizer o que os procuradores queriam que dissessem. Havia as conversas preliminares, nas quais os procuradores infundiam terror, os anos de condenação a que estariam sujeitos.

Se o prisioneiro tivesse noção de direito e alegasse que sua atuação nada tinha de criminosa, era contestado. O procurador alegava mudança na jurisprudência, dizia que a Justiça sempre ficaria do lado da Lava Jato e apontava o vingador Sérgio Moro segurando a corda da giulhotina.

As condições eram as mesmas. Especialmente no caso da delação maciça da Odebrecht, a condição para uma delação favorável seria admitir que cometeu crime e, de alguma forma, envolver Lula. Os peixes mais graúdos tinham outros caminhos, através dos advogados que integravam a milionária cadeia produtiva da indústria da delação.

Nenhum governante minimamente informado trata de dinheiro. Fernando Henrique Cardoso sabia dos financiamentos de campanha, assim como Lula, Fernando Collor e outros presidentes. Não há um caso sequer de presidente negociando propinas ou financiamentos. O caso mais explícito conhecido até agora é o do inacreditável Michel Temer indicando o seu caixa para Joesley Batista. Assim, os candidatos a delatores tinham que se virar ou fazendo afirmações inverossímeis, ou afirmações óbvias não acompanhadas de provas.

A pressão maior era sobre familiares. Se o prisioneiro tivesse uma empresa limitada e colocasse um filho como sócio – por exigência da legislação -, ainda que com participação irrisória, o procurador chantagearia, ameaçaria envolver o filho. Várias delações foram obtidas dessa maneira.

Os exemplos desses tempos de terror não se esgotam na Lava Jato. Ainda há muito a se escrever sobre o período em que o espírito de Torquemada assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal, na figura de Joaquim Barbosa, na AP 470, do “mensalão”.

O sadismo de Joaquim Barbosa beirava o desequilíbrio. Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato exercem suas arbitrariedades friamente, têm método, sabem quando usar a mídia, sabem quando atender os advogados mais próximos, usam o terror para fins políticos explícitos, sempre de um olho na repercussão midiática.

Já Joaquim Barbosa não atuava por motivação política nem para atender à demanda de escândalos da mídia. Era pelo prazer, pelo orgasmo de infligir sofrimento, em uma revanche diuturna contra a vida. É o exemplo maior do espaço que a guerra midiática abriu para as figuras mais desequilibradas, da malandragem explícita do MBL, às personalidades mais sádicas do Judiciário.

O juiz que entendia de medicina

O episódio mais emblemático envolveu a figura unanimemente reconhecida como a mais inocente, de José Genoíno. Na condição de presidente do PT, Genoíno assinou contratos de empréstimo do partido com o Banco Rural. Até ministros que votaram por sua condenação reconheceram que a assinatura foi de boa fé.

Condenado, remetido à papuda, Genoíno ficou sob a guarda do juiz Ademar Silva de Vasconcelos, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal. Barbosa o considerou condescendente demais e pressionou o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Dácio Vieira, para transferir o processo para o juiz substituto Bruno André Silva Ribeiro.

A atuação conjunta de Barbosa e Ribeiro é a repetição de movimentos psicológicos similares em torcidas de futebol ou no efeito-manada que une linchadores, a estranha solidariedade que junta personalidades desequilibradas em um ritual sádico.

Certa manhã, na Papuda, o médico José Ricardo Teixeira examinou Genoíno e notou alteração no seu eletrocardiograma. Genoíno havia sido transportado do Hospital Sirio Libanês para a Papuda, logo após uma cirurgia de alto risco.

Telefonou para a gerente da administração penitenciária, Larissa Feitosa, responsável pela Papuda, que imediatamente informou o Secretário de Saúde do Distrito Federal da necessidade de transferir Genoíno para um hospital, já que o presídio não tinha condições de atender a emergências cardíacas.

Estava a caminho da Papuda, quando o juiz Bruno lhe telefonou:

– Que história é essa de encaminhar o Genoíno. Ele é o MEU preso!

– Doutor, estou indo para lá para ver a situação dele.

E Bruno:

– Pois eu também.

Chegando à Papuda, o juiz Bruno entrou na cela de Genoíno. No corredor, ficaram Larissa, o médico, o vice-diretor, os seguranças.

Bruno saiu da cela com o diagnóstico pronto:

– Basta uma dieta.

E apregoou seus conhecimentos de medicina: tinha sido técnico em enfermagem.

Saiu de lá, e o médico José Ricardo insistiu com Larissa

– Minha conduta é encaminhar.

Foi-lhe recomendado para ficar de olho em Genoíno e reavaliar.

No dia seguinte, quando Larissa chegou na Papuda, o médico tinha feito outro eletro eletrônico, e o quadro tinha piorado. Havia agora três alterações.

Larissa não vacilou. Ligou para o Secretário de Saúde informando que iria encaminhar Genoíno para uma clínica especializada. Imediatamente o secretário ligou para diretora do Incor. Larissa ligou em seguida, informando sobre o quadro de Genoíno. A médica não vacilou:

– Não pense duas vezes, traga o paciente.

Quando chegou o coordenador do sistema penitenciário, para coordenar a reunião que deveria decidir sobre a transferência, nada havia a decidir.

– A decisão não é de vocês, é decisão médica – informou Larissa.

Entrou na cela para comunicar a decisão a Genoíno.

– Pode ser que o senhor chegue lá e não tenha nada ou que esteja infartando. Estamos tratando o senhor do mesmo modo que trataríamos qualquer cidadão.

Genoíno concordou com a transferência.

Foi colocado em uma viatura descaracterizada. Larissa ia no banco da frente, ajudando a driblar os cones da penitenciária.

No caminho, ligou o técnico em enfermagem Bruno.

– Que história é essa?

– Doutor Bruno, deu três alterações.

O juiz Bruno  rumou, então, para a Papuda e informou que ele havia dado autorização para retirar Genoíno. Assim que terminou o atendimento, Joaquim Barbosa ordenou sua volta à prisão.

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Daqueles tempos cabeludos, restam demonstrações inesquecíveis de coragem e algumas exceções de bom jornalismo. Como a do advogado Luiz Fernando Pacheco, que ousou enfrentar Barbosa no próprio STF, em um episódio que descompensou de tal modo a personalidade complexa de Barbosa, que apressou sua aposentadoria; do jornalista Felipe Recondo, que ousou fazer jornalismo em plena tempestade midiática. E Larissa Feitosa, exemplo maior.

Cada qual, em determinado momento, cumpriu com suas obrigações em relação à profissão que abraçaram.

A repetição indefinida de casos similares no Judiciário mostra muito mais que coincidência. É resultado direto de uma epidemia social cujo vírus foi o ódio alimentado diuturnamente por uma campanha midiática irresponsável.

Que texto. Cabra bom, tidizê…