Frases que provam que Keith Richards é um fenômeno da oratória

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POR TITO LESENDE, no El País

Keith Richards (Dartford – Reino Unido, 1943), guitarrista e alma dos Rolling Stones, aproveita uma parada na atividade da banda britânica para lançar seu primeiro disco solo desde 1992. O álbum, Crosseyed Heart, traz alguns bons argumentos para receber a primavera com ânimo: rock de matriz acústica, essência negra, reggae, letras sugestivas (evocando também seus históricos desencontros com a polícia) e um dueto com Norah Jones.

Como se ouvir o disco de Richards (o que recomendamos a você sem paliativos) não fosse suficiente, sugerimos aqui algumas frases para suportar a volta do calor infernal. Recordamos trinta pérolas históricas saídas da boca do guitarrista. Palavra de Keith. Assinamos embaixo.

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1. “Durante dez anos, fui o primeiro da lista de quem seria o próximo a morrer. Fiquei decepcionado quando caí no ranking. (…) Um médico me disse que me restavam 6 meses de vida, mas fui ao enterro dele. Os obituários me interessam muito ultimamente. Mas não confio nos médicos. Não digo que não haja alguns bons, mas em geral não confio neles.”

2. “O trabalho mais difícil de todos é ser vagabundo. Mas não se pode fazer da preguiça uma profissão; é preciso trabalhar nisso de verdade.”

3. “Para ser sincero, eu nunca tive problema com as drogas; só com a polícia”.

4. “Se você vai dar uma porrada na cara da autoridade, melhor que seja com os dois pés”.

5. “Só há uma doença fatal: a hipocondria. Fora essa, eu tenho todas as outras”.

6. “Plantei um carvalho inglês enorme para espalhar as cinzas do meu pai em volta. Quando estava abrindo a tampa da caixa, uma nuvem de cinzas muito leve foi parar em cima da mesa. Não podia afastá-la sem mais, então recolhi com o dedo e cheirei o resto. Pó é de pai para filho”.

7. “A música é uma necessidade. Depois da comida, do ar, da água e do calor, a música é a próxima necessidade da vida”.

8. “Nunca tive uma overdose no banheiro de outra pessoa. Acho que é o cúmulo da falta de educação”.

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9. “Os amigos de verdade são difíceis de encontrar; mas você não procura, eles te acham. Um cresce dentro do outro. (…) A maior parte dos caras que conheço são uns babacas. Tenho vários bons amigos que também são, mas esse não é o caso. A amizade não tem nada a ver com isso. Dá pra ficar e conversar sem a sensação de distância? A amizade diminui a distância entre as pessoas. Para mim, é uma das coisas mais importantes do mundo”.

10. “Sou sagitário: metade homem, metade cavalo. Tenho licença para cagar na rua.

11. “Uma das melhores coisas da minha infância foi ser escoteiro. (…) Queria saber como me localizar no meio do mato, como cozinhar no chão… Por alguma razão, precisava aprender habilidades de sobrevivência. Como depenar uma ave. Como estripar e limpar vários bichos. E sobretudo era uma oportunidade para sair por aí correndo com uma faca na cinta, mas só depois de ganhar várias insígnias. No fim de não mais do que 3 ou 4 meses me fizeram líder da patrulha. Tinha a camisa cheia de insígnias! (…) Um ano ganhamos a competição de construir pontes: nessa noite tomamos uísque até cair e acabamos brigando na barraca. Foi ali que quebrei meu primeiro osso”.

12. “As grandes regras das brigas de navalha são: a) não tente fazer em casa, b) o importante é jamais utilizar a lâmina. Ela está lá para distrair seu oponente. Enquanto ele olha para o aço reluzente, chute as bolas dele e acabou. Esse é o meu conselho”.

13. “Dei uma navegada na internet e li algumas entrevistas, mas prefiro deixar isso para os meus filhos. Simplesmente, não estou interessado no que pensam outros babacas do outro lado do mundo. Fora isso, não faz bem para o corpo nem para os olhos ficar sentado na frente do computador o dia inteiro.”

14. “Quando você está crescendo há dois locais institucionais que te afetammais do que qualquer outro: a igreja, que pertence a Deus, e a biblioteca pública, que pertence a você.”

15. “Se você quer ser guitarrista, comece por um violão e aprenda bem até chegar na guitarra. Primeiro é preciso conhecer essa vadia. Ir para a cama com ela. Se não tiver uma garota por perto, durma com ela. Tem a forma perfeita”.

16. “Ficar velho é um assunto fascinante. Quanto mais velho você fica, mais velho quer ficar.”

17. “Aprendi a vomitar do jeito certo. Primeiro, se for possível, encontre um recipiente. Essa é a regra número um. Daí você despeja em cascata, como um bocejo Technicolor. Ao mesmo tempo, pode ser que você esteja dando uma cagada. O que é bem difícil. Se for capaz de fazer os dois ao mesmo tempo, vou te colocar no Cirque du Soleil.”

18. “Quando eu me drogava, tomava a melhor coisa que conseguia. Se fosse ópio, seria um bom ópio tailandês. Se fosse cavalo, seria heroína pura de verdade, nada dessa merda da rua. Sempre escolhi, exceto quando estava desesperado.”

19. “John Lennon parecia estar concorrendo comigo no que se refere a drogas, e nunca entendi essa atitude.”

20. “As grandes músicas são escritas a sós. Elas te arrastam pelo nariz ou pelas orelhas. É importante não interferir demais nisso. Ignore a inteligência, ignore tudo; só siga-a onde ela te levar.”

21. “Eu diria ao gênio da lâmpada que fizesse alguma coisa pelos outros. Ajude os africanos, ajude quem se odeia entre si. Ajude-os a superar seu ódio. Eu não preciso de nada. Tenho o suficiente! Use meu desejo com os outros.”

22. “As pessoas não mudam. Mick Jagger mudou pouco ao longo dos anos. Bem, talvez sua roupa de baixo. Três vezes.”

23. “Para mim, a heroína é a grande questão. É uma droguinha muito impertinente. Pode te pegar pelo rabo antes de você notar. É realmente democrática: sou um puta superstar, mas, quando quero encrenca, estou na roda com todos os demais. Sua vida inteira se transforma em esperar o pico e falar com os caras sobre a qualidade da merda: ‘Não é tão boa quanto a última, né? Então não vou pagar!’. Mas os caras te apontam armas: ‘Me dá tudo!’, e tal. Você vira uma ruína. E é bem desagradável, de certa forma, mas, ao mesmo tempo, não posso dizer que me arrependo.”

24. “Aconteceu na Suíça. Alguém colocou estricnina na minha droga. Eu estava em coma, mas totalmente acordado. Conseguia ouvir todo mundo e diziam: ‘Está morto! Está morto!’. Mas não estava.”

25. “Se as garotas ainda gritam para mim no meio da apresentação? Sim, é verdade. Mas não quando estou no palco, e sim no meio da apresentação.”

26. “Você sabe por que o cachorro lambe o próprio saco? Porque consegue. Os Rolling Stones ainda tocam, na nossa idade, porque conseguimos.”

27. “Na noite em que Patti [Hansen, atual mulher de Keith] me apresentou a sua família, peguei a guitarra e toquei um pouco de Malagueña. Uma de suas irmãs me disse: ‘Acho que você bebeu demais para tocar isso’. Quebrou o clima, falei ‘chega!’ e quebrei a guitarra na mesa. Mas o surpreendente dessa família é que não se ofenderam. Pode ser que tenham ficado um pouco desconcertados, mas todo mundo estava um pouco alto.”

28. “Não acredito que os compositores de rock and roll tenham de se preocupar com a arte. Boa parte é só acaso, improvisação… No que me diz respeito, Art é só o diminutivo de Arthur.”

29. “No banco de trás daquele Bentley, em algum lugar entre Barcelona e Valência, Anita [Pallenberg, então noiva do guitarrista Brian Jones] e eu nos olhamos. A pressão foi tão bizarra que do nada ela começou a me chupar. A pressão acabou e de repente estávamos juntos.”

30. “As pessoas me perguntam, têm uma inquietação constante, como faço, por que faço. Mas eu digo, e você, que vai para o escritório todo dia? Comparado a isso, meu trabalho é simples.” 

Entidade afirma que governo não tem legitimidade para reformar Previdência

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A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) decidiu intensificar a pressão sobre os parlamentares federais para impedir a aprovação da reforma previdenciária – Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287/2016 –, em tramitação na Câmara dos Deputados.

Além de visitar os parlamentares e entregar um documento reunindo vários argumentos técnicos contra as mudanças, a entidade lançou uma campanha para estimular os 2,5 mil professores da Universidade de Brasília (UnB) a mandar mensagens aos congressistas pedindo a rejeição das propostas apresentadas pelo presidente Michel Temer. Dois escritórios de advocacia estão à disposição dos professores para esclarecer dúvidas sobre a reforma (ver contatos no final deste texto).

Não bastassem as restrições de ordem técnica, o presidente da ADUnB, professor Virgílio Arraes, ressalta que o atual governo, reprovado pela maioria da população, não tem legitimidade para promover mudanças tão profundas no sistema previdenciário. “A reforma da Previdência é um elemento tão importante da cidadania que tem que ser colocada na eleição presidencial e não agora por um governo que tem 5% de popularidade”, argumenta. Soma-se à impopularidade do governo o desgaste do Parlamento, com diversos senadores e deputados envolvidos em escândalos de corrupção.

A campanha eleitoral de 2018, argumenta Virgílio Arraes, será o momento certo para o debate sobre os rumos da Previdência. Alterações nessa área, destaca ele, devem ser fruto de um pacto da sociedade e não do desejo de tecnocratas do atual governo. As medidas poderiam ser encaminhadas a partir de 2019 pelo futuro presidente que for legitimado nas urnas.

Enquanto isso, a administração federal dispõe de diversas medidas para administrar as contas no curto prazo. “Em vez de centrar-se na revisão das isenções tributárias, no combate à sonegação fiscal, em especial a de grande porte, e na execução de medidas de recuperação sólida da economia, o governo federal prefere o caminho de menor esforço e de maior desigualdade, ao punir, entre outros, professoras e professores com maior tributação”, afirma documento da ADUnB. A preocupação do governo deveria ser além do combate à inflação a geração consistente de empregos, o que aumentaria a arrecadação.

As entidades contrárias à reforma pedem a rejeição da PEC 287/2016, que endurece as regras para aposentadoria e pensão, e também da Medida Provisória 805, de 2017, que aumenta de 11% para 14% a contribuição previdenciária dos servidores públicos que ganham acima do valor do teto dos benefícios pagos pela Previdência, hoje fixado em R$ 5.531, e adia para 2019 os reajustes salariais negociados pelas categorias profissionais.

O desestímulo ao professorado com a aprovação de tais medidas se refletiria negativamente no setor responsável pela maior parte da ciência e tecnologia do país e pela formação da mão de obra mais qualificada da nação.

A inconstitucionalidade das novas regras para os servidores

“A Medida Provisória 805 é inconstitucional”, afirma Leandro Madureira, advogado da ADUnB. Segundo ele, a MP fere a Constituição ao estabelecer a alíquota progressiva, ao modificar regulamento de dispositivo constitucional e pela falta de relevância e urgência. Ao suspender os reajustes salariais negociados pelas categorias profissionais com o governo, fere o princípio do direito adquirido.

A última versão da PEC 287 foi apresentada no último dia 22, sob a forma de emenda aglutinativa, mantendo os princípios básicos dos textos anteriores, que dificultam o acesso e reduzem os valores dos benefícios. O governo, porém, diz que a proposta apenas combate privilégios.

“Trata-se de propaganda enganosa, pois o texto não tem a intenção de combater privilégios. O governo quer ludibriar a população “, contesta Leandro Madureira.

Na última reforma previdenciária, feita em 2013, foi instituído o teto único de benefício para todos, o que acabou com a possibilidade de novas aposentadorias diferenciadas para servidores públicos. Desde então o teto de aposentadoria é o mesmo nas áreas pública e privada. “O governo tenta passar a impressão de que há privilégios, mas esconde o fato de que o regime dos servidores públicos tem regras mais rigorosas do que as do INSS. A propaganda é uma farsa!”, critica.

Papão anuncia seis contratações

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O Paissandu anunciou na tarde desta segunda-feira a contratação de seis jogadores para compor o elenco da próxima temporada. O presidente Tony Couceiro e o executivo de Futebol André Mazzuco fizeram o anúncio em entrevista, na Curuzu. A lista de reforços tem um goleiro, dois laterais direitos, dois zagueiros e um atacante.

O goleiro é Renan Rocha, de 30 anos, formado nas divisões de base do Atlético-PR, com ampla rodagem no futebol paulista e que estava no Bragantino-SP. O contrato dele vai até o dia 5 de dezembro de 2018.

Um dos laterais é Maicon Silva, de 29 anos, ex-Criciúma, anunciado como “jogador de muita força física, de poder ofensivo e que atua de forma aguda”. Firmou contrato até 5 de dezembro de 2018.

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O outro lateral direito é Matheus, de 20 anos, que se destacou na Segundinha do Parazão deste ano pela Desportiva. “É um atleta de forte marcação e que também chega bem à linha de fundo. Como faz parte de um projeto do clube que todo ano aposta em jogadores reginais, o contrato dele vai até o dia 30 de abril de 2018”, explicou Mazzuco.

Outra aposta é o zagueiro Derlan, de 21 anos, das divisões de base do Fluminense-RJ. É canhoto, técnico, de boa estatura e que foi capitão do time carioca nas competições juniores. Tem passagem pela base da Seleção Brasileira. Seu contrato vai até 30 de abril de 2018.

O segundo zagueiro contratado é Fernando Timbó, de 27 anos, que também atua na lateral esquerda. “É um jogador técnico, de força, que passou os últimos dois anos na liga americana. Foi um dos grandes destaques da base do Coritiba-PR”, segundo o executivo. Estava no Orlando City-EUA e vem com uma rodagem boa de competição. Seu contrato vai até o dia 30 de abril de 2018.

O atacante contratado é Peu, de 24 anos, jogador finalizador, de muita movimentação, que atua pelos dois lados da área. Foi artilheiro em um projeto do Fluminense-RJ na Eslováquia. O Papão tentou seu empréstimo durante a Série B deste ano, mas ele não foi liberado pelo Flu. O contrato dele vai até o dia 5 de dezembro de 2018.

Segundo o presidente Tony Couceiro, o clube negocia com outros atletas que a qualquer momento podem ser anunciados pela diretoria. (Com informações da Ascom-PSC) 

Caixa Econômica estuda cortar patrocínios da Série B em 2018

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A Caixa Econômica Federal estuda cortar ou reduzir os patrocínios de clubes da Série B do Campeonato Brasileiro em 2018, um deles seria o Coiritiba. A instituição financeira estaria fazendo contenção de gastos e a tendência é que isso afete os investimentos com futebol. As informações são do UOL Esporte.

Hoje são 12 clubes que pertencem à segunda divisão e tem contrato com a Caixa: Atlético-GO, Avaí, Brasil de Pelotas, Coritiba, CRB, Criciúma, Figueirense, Goiás, Londrina, Paysandu, Ponte Preta e Vila Nova.

O recém-promovido Fortaleza é outro que negocia com a Caixa para obter patrocínio para 2018. A reportagem entrou em contato com alguns destes clubes e, nos bastidores, foi confirmado o rumor de que há a possibilidade de corte.

A reportagem entrou em contato com alguns destes clubes e, nos bastidores, foi confirmado o rumor de que há a possibilidade de corte. A maioria deles, porém, afirma que a renovação está sendo discutida e que as negociações vêm acontecendo, enquanto outros dizem desconhecer a informação.

A partir de 2017, a Caixa Econômica Federal passou a pagar um prêmio extra a alguns clubes por títulos conquistados. O Coritiba, por exemplo, teve um patrocínio fixo de R$ 6 milhões, e poderia receber mais R$ 1,5 milhão de bônus pela conquista dos títulos da Série A (R$ 1 milhão) e Copa do Brasil (R$ 500 mil).

Quanto os clubes que hoje estão na B receberam em 2017, sem bônus:

Coritiba – R$ 6 milhões

Avaí – R$ 4 milhões

Ponte Preta – R$ 4 milhões

Atlético-GO – R$ 4 milhões

Goiás – R$ 2,8 milhões

Figueirense – R$ 2,4 milhões

Paissandu – R$ 2 milhões

Vila Nova – R$ 2 milhões

Brasil de Pelotas – R$ 1,5 milhão

CRB – R$ 1,5 milhão

Criciúma – R$ 1,5 milhão

Londrina – R$ 1,5 milhão

O Natal vítima da ideologia

Por Bernardo Jardim Ribeiro

POR JACQUES TÁVORA ALFONSIN, no Sul21

Como toda a armadilha, as da ideologia também disfarçam o grampo de captura das suas presas. Para o significado do natal não atrapalhar outros interesses, ela achou um meio de pressionar desejos sobre coisas, presentes, bolas coloridas, brilhos de papel, árvores artificiais cheias de enfeites, toda uma aparência alheia e distante do Menino Jesus, a Pessoa que deu nome ao próprio natal.

Substituí-lO pelo papai Noel, decorar casas e show rooms, enviar apps e cartões de boas festas, comprar nozes, avelãs e vinhos caros para uma ceia de meia-noite, virou obrigação.

A pobreza, a falta de teto e a negação de hospedagem aos Pais da Criança, levando a Sua Mãe quase parindo para um abrigo improvisado, como acontece ainda hoje com muita mãe favelada, isso tem sido habilmente posto de lado da imaginação coletiva. Assim, o verdadeiro sentido desse Nascimento não seja atualizado e consiga perturbar toda uma cultura ideológica criada por um sistema de propaganda e divulgação com poder suficiente para neutralizar a lembrança de quanto se encontra em causa nesse acontecimento histórico.

O pensamento, o sentimento e a ação da Criança, quando chegou a sua fase adulta, curando doentes, condenando poderes privados e públicos corruptos, convivendo com gente de má fama, conforme os valores predominantes na hipocrisia das classes econômica e politicamente dominantes, colocando-se gratuitamente a serviço de gente pobre e miserável, desmitificando falsas posturas religiosas, semeou na história posterior um outro modelo de poder, de vida, de costumes, muito diferentes e infinitamente superiores aos, então, em voga.

Quem despreza, oprime, reprime, escraviza, odeia e mata gente como aquela que vivia em companhia dEsse Menino, achou uma saída: assassinou-o, sem possibilidade de defesa, numa cruz. Como ainda agora acontece, quando se recorda a sucessão macabra de mártires que seguiram o Seu Exemplo, militantes da causa de libertação dos povos, como Dom Oscar Romero, das/os pobres da terra e dos direitos humanos, como Dorothy Stang, Margarida Alves, Paulo Fonteles, Eugenio Lyra, Rubens Paiva, Ico Lisboa, ateus, atéias, gente presa, torturada, jogada de avião ao alto mar, corpos desaparecidos, as Comissões de anistia e de verdade tentando levar a seus familiares alguma pista de onde possam ser encontrados.

Qual a relação desses testemunhos históricos com o natal? Entre milhares de outras, elas são pessoas que, como o Menino Jesus, independentemente de suas crenças, desejos, sonhos, também não nasceram em vão. São vidas de doação e desapego a serviço de irmãs e irmãos necessitadas/os, generosas e com coragem perseverante até a disposição de morrerem em defesa delas e deles.

Exatamente o contrário da ideologia hoje dominante no natal, muito mais preocupada com o incremento de uma civilização cultural e ideologicamente obcecada pelo ter, o acumular, o egoísmo, a aparência vaidosa do dinheiro, em prejuízo do ser, da consciência da necessidade alheia, inspiradora do Menino. Mais do que ninguém, Ele conhece a diferença entre o dar e o doar-se.

Marx dizia, contra a pseudo ciência e alienação da sua época que era necessário transformar a crítica do “céu” em crítica da terra, a crítica da religião em crítica do direito e a crítica da teologia em crítica da política. Se vivesse agora, diante do que estão planejando e fazendo o Papa Francisco e a chamada teologia da libertação, ele não repetiria essa crítica. O presépio está voltando a ser o que é, um abrigo precário e pobre. Está iluminado por outras luzes estrelares, reais e não fictícias, invertendo a inversão da ideologia, parecendo um sinal paradoxal desse fato, o desespero com que essa tenta se defender.

O natal desse ano pode recuperar o seu significado real, o Menino já se levantou e está reproduzindo sua mensagem na voz e na ação de pessoas suas seguidoras, algumas que nem O conhecem direito. Cumpre inverter a inversão ideológica falsificadora desse acontecimento, negando as negações que ela impõe ao modo de uma dialética de pensamento, sentimento e ação ancoradas no significado concreto do nascimento do Menino Jesus. Ateus e crentes talvez possam concordar num ponto chave dessa significação: nascido na mais absoluta carência, sem ter conseguido um lugar onde sequer conseguisse “reclinar a cabeça”, a Criança revolucionou as gentes e o mundo. Muito sintomaticamente, se alguma vez usou uma arma para isso, foi um simples relho para expulsar quem fazia da Sua Casa um balcão de negócios…

Na internet circula um texto de Carlos Drumond de Andrade muito oportuno sobre isso. Tomando o natal como tema, ele ironiza o amor pelo dinheiro e a alienação dos poderes instituídos. Ofereço a você, leitor e leitora, que me honraram em 2017, com leitura e crítica sobre o que escrevo. Pelos dois últimos parágrafos da mensagem desse grande poeta, faço minhas as suas palavras, desejando um muito feliz natal e um 2018 bem melhor para vocês. Até breve. Espero estar de volta por aqui no dia 22 de janeiro:

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz. O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível. A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã. O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive. E será Natal para sempre.

Campeão óbvio, vice altivo

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POR GERSON NOGUEIRA

A grande atuação dos zagueiros do Grêmio foi o que de melhor se viu na equipe brasileira que jogou a final do Mundial de Clubes, sábado, em Abu Dhabi, contra o Real Madri. O temido massacre da esquadra espanhola não ocorreu por obra e graça da dupla formada por Kannemann e Geromel.

Cristiano Ronaldo e seus companheiros chegaram com a volúpia de sempre, como se esperava, e chutaram bastante (20 vezes), mas o gol do título veio no segundo tempo em cobrança de falta, com facilitação dos homens da barreira. Aí, CR7 foi preciso e mortal, como sempre.

O hexacampeonato mundial do Real, recorde absoluto na competição, sairia de uma maneira ou de outra, tal a supremacia técnica do time dirigido por Zinedine Zidane. Por vários motivos, além da mera tradição.

Em primeiro lugar, a bola circula melhor e com mais acerto entre os jogadores merengues, em consequência de treinamento e aplicação. Há o fator confiança, vantagem natural e óbvia para quem joga num time medalhado, campeão e copeiro como o Real.

Acima de tudo, o favoritismo pode ser explicado pela presença de Cristiano Ronaldo, um craque que vive esplendoroso momento, letal mesmo quando em noite pouco inspirada. Ele explicaria depois que tinha problemas musculares, daí a pouca participação nas ações de ataque – finalizou apenas quatro vezes, abaixo de sua média normal.

Acompanhei o jogo sem a preocupação patrioteira e estridente que dominou as narrações nos canais que transmitiam a final. Deu para observar que os beques gaúchos foram decisivos na batalha para que CR7 não brilhasse tanto, reduzindo com isso os danos que poderia causar ao Grêmio.

Precisos nas antecipações e perfeitos nos lances aéreos, Geromel e Kannemann jogaram em alto nível contra um Real que teve Modric, Varane, Casemiro e Marcelo em jornadas impecáveis. Justifica-se plenamente a idolatria que os gremistas devotam a Geromel, tornando ainda mais incompreensível sua ausência na Seleção que vai à Copa.

Os minutos iniciais foram parelhos, mas o Real aos poucos assumiu o controle e acelerou o ritmo, tornando quase impossível ao Grêmio suportar o cerco. Só mesmo a soberba performance defensiva – que inclui o goleiro Marcelo Grohe – impediu a queda ainda no 1º tempo.

Para cozinhar o galo sem se arriscar no ataque, a ponto de manter recuado até seu principal jogador (Luan), Renato Gaúcho se inspirava claramente nos êxitos de São Paulo (sobre o Liverpool, em 2005), Internacional (contra o Barcelona, em 2006) e Corinthians (sobre o Chelsea, em 2012), confrontos nos quais o sofrimento extremo foi recompensado com vitórias pela contagem mínima, em lances fortuitos de contra-ataque.

No fim das contas, o resultado foi justo, a partida não teve domínio avassalador do Real e o Grêmio se saiu dignamente, levando-se em conta o brutal desnível entre as equipes. De um lado, o campeão sul-americano, com dois ou três jogadores de alto nível e muita transpiração. De outro, um supertime, favorito em todas as disputas e integrado por jogadores caríssimos, craques e titulares nas seleções de seus países.

Acima de tudo, ao Grêmio resta o merecido orgulho de ter sido altivo no duelo com um dos gigantes do planeta.

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Leão treina em busca da sonhada afinação

O Remo, que inovou na apresentação do elenco profissional com festa para os torcedores no ginásio Serra Freire, sexta-feira à noite, apressa os preparativos para o Campeonato Paraense. O elenco está quase completo, restando apenas a chegada de um meia-atacante (pode ser o mineiro Andrei) e um centroavante.

Ontem pela manhã, no Ceju, o treino entre profissionais e jogadores do sub-20 colocou em ação pela primeira vez o que pode vir a ser o time da estreia no Parazão, embora sem que as peças estejam claramente definidas. Com as ausências de Levy e Esquerdinha, ambos em recuperação, o time teve Jayme improvisado na lateral direita e o novato Marcelo no ataque.

Oriundo das categorias de base do Remo, Marcelo está de volta ao clube para testes. Com a falta de um camisa 9, pode vir a ser aproveitado. Deixou boa impressão, fazendo assistências e marcando um gol. Felipe Marques e Adenilson também tiveram presença marcante no treinamento.

O time que abriu o coletivo teve Vinícius; Jayme, Alex, Bruno Maia e Fernandes; Geandro, Leandro Brasília, Rodriguinho e Felipe Marques; Elielton e Marcelo. Na segunda parte, Ney da Matta lançou Douglas Dias e uma nova defesa, com Diego, Mimica, Martony e Jefferson.

Apesar da movimentação de quase todos os jogadores no treinamento, será nos amistosos com o Castanhal, a partir do próximo fim de semana, que o técnico vai formatar o time titular.

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Com Del Nero quase fora, a bola está com Nunes

Com Marco Polo Del Nero apeado do cargo temporariamente por decisão do comitê de Ética da Fifa, o coronel Antonio Carlos Nunes volta a comandar a CBF pelo critério da idade. É também um dos dirigentes mais ligados a Del Nero, daí sua escolha para a função. A essa altura, porém, a proximidade excessiva pode provocar danos irreparáveis.

O processo contra José Maria Marin nos Estados Unidos gerou documentação comprometedora contra Del Nero, que é investigado há dois anos pela Fifa. Nas internas, corre a informação de que ele não reassumirá mais a presidência da CBF, abrindo caminho para que Nunes fique no trono até as próximas eleições na entidade.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 18)