
Malcolm Young, um dos fundadores da banda australiana AC/DC juntamente com o irmão Angus, morreu aos 64 anos depois de sofrer de demência por vários anos, informou a banda em sua página no Facebook neste sábado, 18. Malcolm Young era compositor, vocalista de apoio e guitarrista do AC/DC, banda de hard rock e heavy metal com milhões de fãs pelo mundo e uma grande quantidade de hits planetários – “Highway to Hell”, “Hells Bells”, “Back in Black” e “You Shook Me All Night Long”.
“Malcolm, juntamente com Angus, foi o fundador e criador do AC/DC. Com enorme dedicação e compromisso, ele foi a força motriz da banda”, postou o grupo no Facebook, sem informar onde ele morreu. Ao longo da trajetória da banda, Malcolm funcionou como o ponto de equilíbrio, posicionando-se sempre no fundo do palco e ditando o ritmo para que Angus brilhasse como solista.
Nas últimas excursões do AC/DC, a partir de 2015, devido ao agravamento da doença, Malcolm foi substituído por um sobrinho. A princípio, sua morte não muda a agenda de shows prevista para 2018.
O AC/DC já vendeu mais de 200 milhões de discos no mundo, mantém álbuns (como “Highway to hell”) em listas de mais vendidos e faz shows esgotados em estádios. Apesar de ser uma das bandas mais importantes da história do rock, há controvérsias sobre o talento e a relevância dos irmãos Angus e Malcolm Young e suas várias formações.
Segundo Mick Wall, jornalista que escreveu a mais celebrada biografia da banda, “eles continuam tocando para 70 mil pessoas, mas isso acontece porque a banda se tornou uma marca tão forte quanto um McDonald’s ou um filme da Disney. Mesmo que não seja exatamente bom, as pessoas consomem por causa da tradição. Os últimos álbuns foram medíocres. Eles tocam o mesmo setlist toda noite, Brian (Johnson, o vocalista atual) não consegue se lembrar das letras, ele usa um teleprompter. Não é porque uma banda tem muitos fãs que significa que ela é realmente boa”.
Brian Johnson tenta sair da banda há dez anos, mas Malcolm sempre conseguiu segurá-lo com uma proposta irrecusável. A não ser por Angus, todos os outros músicos que passaram pelo AC/DC já foram substituídos. Malcolm, que era uma espécie de líder informal, se afastou da banda por um ano no fim dos anos 1980 por problemas com alcoolismo. Segundo Wall, “Stevie Wright fez a turnê no lugar dele e ninguém percebeu”.
Na biografia, Wall traça o perfil dos integrantes e apura episódios obscuros da banda, como a morte do vocalista Bon Scott – segundo a ocupar a função de cantor e voz do álbum icônico “Highway to hell” (1979) – no dia 19 de fevereiro de 1980, aos 33 anos. A banda divulgou que ele morreu após uma bebedeira, mas o motivo foi consumo de heroína.
Malcolm deixa a esposa, O’Linda, os filhos Cara e Ross, além de três netos. Segundo o relato oficial da banda, Malcolm morreu “com a família ao lado de sua cama”. George Young, outro irmão de Malcolm e Angus, morreu em 23 de outubro, aos 70 anos. George atuou como produtor do AC/DC e guitarrista da banda Easybeats, precursora do rock australiano. (Com informações de Reuters/O Globo)