POR GERSON NOGUEIRA

Diante de tudo que se viu em 2017, fica difícil projetar um cenário para 2018 no Papão com contratações pautadas por indicações de pé-quebrado e erros toscos no planejamento do futebol profissional. Com o orçamento disponível, o clube tem plenas condições de se estruturar para competir de verdade no Brasileiro da Série B.

Não se trata da disputa protocolar, visando o simples cumprimento de tabela, como nesta temporada, mas de participação efetiva. Ao Papão cabe brigar por um lugar no andar de cima, mesmo que o acesso à Série A não seja tratado como obsessão.

Os tropeços deste ano devem ser anotados para que sirvam de balizamento. Cabe à diretoria evitar a repetição dos equívocos cometidos na escolha do elenco para a competição mais importante. Como em 2016, o clube ficou refém de palpites infelizes de técnicos e executivos de futebol.

Pela importância que o Campeonato Brasileiro tem, é inconcebível que a prospecção de reforços seja deixada nas mãos de uma ou duas pessoas. É necessário que haja a participação de profissionais interessados de fato no êxito do projeto. Nesse sentido, a presença de Vandick Lima como diretor faz crer em passos mais ajuizados para 2018.

Um aspecto, comum às campanhas de 2016 e deste ano, deve merecer análise mais aprofundada: a inexplicável insistência com ex-jogadores em atividade. Anselmo, Diogo Oliveira, Alexandro e Souza são exemplos que mostram descompasso com os novos tempos. O futebol profissional é, cada vez mais, dos jovens. Os principais times investem em jogadores egressos das divisões de base. Fazem disso um apostolado.

O América-MG, primeiro clube a garantir o acesso neste ano, é exemplo a ser observado com carinho e atenção. Contrata com a parcimônia monástica e não abre mão de ter na equipe titular pelo menos dois garotos vindos da base. Foi desse modo que revelou o atacante Richarlyson no ano passado e os meias Matheusinho e Christian na atual campanha.

Depois de ter sua permanência na Segunda Divisão assegurada desde sexta-feira, com o empate entre Guarani e Luverdense, o PSC pode agora se debruçar diante do tabuleiro de opções do mercado em busca das peças certas para o novo elenco.

É claro que isso implica em dispor de gente capaz cuidando de tarefa tão delicada e importante. Vandick é hoje a figura mais confiável e competente para coordenar o trabalho de prospecção, independentemente de quem seja o executivo e o técnico. De sua vivência e olhar crítico dependerão, em grande parte, os novos rumos do Papão no futebol.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir das 21h, na RBATV. Na bancada, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião. No programa, tudo sobre a penúltima rodada da Série B e os jogos da Segundinha do Parazão 2018.

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Velhas práticas põem em risco o projeto azulino

Depois de muito errar em 2017, frustrando sua torcida com insucessos em todas as competições que disputou, o Remo importou um executivo de futebol pouco conhecido e um treinador com boas referências. Os primeiros anúncios de contratações reacendem a preocupação com a reprise de vacilos cometidos nesta temporada.

Jogadores acima de 30 anos – Esquerdinha, Travassos, Douglas e Fernandes – foram os primeiros da leva de reforços. Douglas, particularmente, é um caso curioso. Esteve por aqui há três anos como reserva de João Ricardo no Papão. Pouco mostrou na curta passagem pela Curuzu, mas o clube optou por ele em detrimento de André Luiz, goleiro que atuou muito bem no primeiro semestre.

Iniciativas tímidas e pouco convincentes até o momento. E é preciso entender que o Remo terá pela frente em 2018 a mais difícil Série C de todos os tempos, robustecida com as presenças de Náutico, Santa Cruz, ABC, Confiança e Botafogo-PB.

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Sobre a crença em futebol bem jogado

A coluna de sexta-feira abordou a objetividade cega dos esquemas de jogo que enfeiam e tornam chato o futebol praticado no Brasil. Como é natural, houve quem não entendesse as ponderações do escriba, confundindo a análise com mera pinimba de caráter clubístico. Longe disso.

A intenção foi botar o dedo no suspiro das tolas empolgações com uma Série A povoada de times limitados, essencialmente marcadores e divorciados de qualquer ideia de futebol mais solto e ofensivo.

Nem precisa ser muito observador para perceber a draga vivida pelos times nacionais. Há pelo menos cinco anos os campeonatos nacionais são vencidos pelo menos pior. A qualidade se tornou mera utopia.

Enfim, há quem goste dessas coisas, como existem adoradores de música ruim. Como fã de futebol, gosto de grandes jogos e times que me surpreendam. Musicalmente falando, não abro mão dos craques.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 19)

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