Sport goleia e elimina o Tapajós

Com três gols do meia Fininho, o Sport Belém aplicou uma goleada surpreendente sobre o Tapajós, na tarde deste sábado, no Souza, valendo pelas quartas de final da Segundinha de acesso ao Parazão. O placar final foi de 4 a 2 para o Brasa, que abriu o marcador logo aos 14 minutos, com Fininho. O Tapajós reagiu e empatou aos 20, com Jaime.
No segundo tempo, aos 20′, Fininho desempatou. Aos 29′, Fininho ampliou para 3 a 1. Araújo marcou o quarto gol rubro-negro aos 41′. Aos 43′, Elielton descontou para o time dirigido por Lecheva. O resultado elimina o Tapajós da disputa, depois de ter sido o time de melhor campanha na fase classificatória, com 100% de aproveitamento.

Tempo de escolhas

POR GERSON NOGUEIRA

Diante de tudo que se viu em 2017, fica difícil projetar um cenário para 2018 no Papão com contratações pautadas por indicações de pé-quebrado e erros toscos no planejamento do futebol profissional. Com o orçamento disponível, o clube tem plenas condições de se estruturar para competir de verdade no Brasileiro da Série B.

Não se trata da disputa protocolar, visando o simples cumprimento de tabela, como nesta temporada, mas de participação efetiva. Ao Papão cabe brigar por um lugar no andar de cima, mesmo que o acesso à Série A não seja tratado como obsessão.

Os tropeços deste ano devem ser anotados para que sirvam de balizamento. Cabe à diretoria evitar a repetição dos equívocos cometidos na escolha do elenco para a competição mais importante. Como em 2016, o clube ficou refém de palpites infelizes de técnicos e executivos de futebol.

Pela importância que o Campeonato Brasileiro tem, é inconcebível que a prospecção de reforços seja deixada nas mãos de uma ou duas pessoas. É necessário que haja a participação de profissionais interessados de fato no êxito do projeto. Nesse sentido, a presença de Vandick Lima como diretor faz crer em passos mais ajuizados para 2018.

Um aspecto, comum às campanhas de 2016 e deste ano, deve merecer análise mais aprofundada: a inexplicável insistência com ex-jogadores em atividade. Anselmo, Diogo Oliveira, Alexandro e Souza são exemplos que mostram descompasso com os novos tempos. O futebol profissional é, cada vez mais, dos jovens. Os principais times investem em jogadores egressos das divisões de base. Fazem disso um apostolado.

O América-MG, primeiro clube a garantir o acesso neste ano, é exemplo a ser observado com carinho e atenção. Contrata com a parcimônia monástica e não abre mão de ter na equipe titular pelo menos dois garotos vindos da base. Foi desse modo que revelou o atacante Richarlyson no ano passado e os meias Matheusinho e Christian na atual campanha.

Depois de ter sua permanência na Segunda Divisão assegurada desde sexta-feira, com o empate entre Guarani e Luverdense, o PSC pode agora se debruçar diante do tabuleiro de opções do mercado em busca das peças certas para o novo elenco.

É claro que isso implica em dispor de gente capaz cuidando de tarefa tão delicada e importante. Vandick é hoje a figura mais confiável e competente para coordenar o trabalho de prospecção, independentemente de quem seja o executivo e o técnico. De sua vivência e olhar crítico dependerão, em grande parte, os novos rumos do Papão no futebol.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir das 21h, na RBATV. Na bancada, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião. No programa, tudo sobre a penúltima rodada da Série B e os jogos da Segundinha do Parazão 2018.

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Velhas práticas põem em risco o projeto azulino

Depois de muito errar em 2017, frustrando sua torcida com insucessos em todas as competições que disputou, o Remo importou um executivo de futebol pouco conhecido e um treinador com boas referências. Os primeiros anúncios de contratações reacendem a preocupação com a reprise de vacilos cometidos nesta temporada.

Jogadores acima de 30 anos – Esquerdinha, Travassos, Douglas e Fernandes – foram os primeiros da leva de reforços. Douglas, particularmente, é um caso curioso. Esteve por aqui há três anos como reserva de João Ricardo no Papão. Pouco mostrou na curta passagem pela Curuzu, mas o clube optou por ele em detrimento de André Luiz, goleiro que atuou muito bem no primeiro semestre.

Iniciativas tímidas e pouco convincentes até o momento. E é preciso entender que o Remo terá pela frente em 2018 a mais difícil Série C de todos os tempos, robustecida com as presenças de Náutico, Santa Cruz, ABC, Confiança e Botafogo-PB.

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Sobre a crença em futebol bem jogado

A coluna de sexta-feira abordou a objetividade cega dos esquemas de jogo que enfeiam e tornam chato o futebol praticado no Brasil. Como é natural, houve quem não entendesse as ponderações do escriba, confundindo a análise com mera pinimba de caráter clubístico. Longe disso.

A intenção foi botar o dedo no suspiro das tolas empolgações com uma Série A povoada de times limitados, essencialmente marcadores e divorciados de qualquer ideia de futebol mais solto e ofensivo.

Nem precisa ser muito observador para perceber a draga vivida pelos times nacionais. Há pelo menos cinco anos os campeonatos nacionais são vencidos pelo menos pior. A qualidade se tornou mera utopia.

Enfim, há quem goste dessas coisas, como existem adoradores de música ruim. Como fã de futebol, gosto de grandes jogos e times que me surpreendam. Musicalmente falando, não abro mão dos craques.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 19)

Direto do Twitter

Fifa: escândalo junta Globo, Teixeira, Marin e Del Nero no mesmo balaio

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POR GIL ALESSI, no El País

Uma delação premiada no caso que investiga a Fifa na Justiça norte-americana respingou na rede Globo, um dos maiores grupos de comunicação da América Latina. O empresário argentino Alejandro Burzaco, ex-diretor da empresa de eventos esportivos Torneos y Competencias, afirmou na terça feira em depoimento à Justiça dos Estados Unidos que a emissora pagou propinas para conseguir direitos de transmissão de campeonatos de futebol. As autoridades americanas investigam um esquema de corrupção envolvendo a Fifa  e outras federações de futebol, apelidado de Fifa Gate.

O dinheiro pago pela Globo teria sido destinado a altos executivos da CBF(Confederação Brasileira de Futebol) e da Confederação Sul-Americana de Futebol, a Conmebol, responsável por campeonatos como a Copa Libertadores da América e a Copa América. A informação foi divulgada em primeira mão pelo site Buzz Feed News. O delator não mencionou quais os valores pagos pela empresa.

Ao ser indagado pelo promotor quais grupos de mídia teriam participado do esquema, o empresário argentino citou “Fox Sports dos Estados Unidos, Televisa do México, Media Pro da Espanha, TV Globo do Brasil, Full Play da Argentina e Traffic do Brasil”. Segundo Burzaco, Marcelo Campos Pinto, então diretor do departamento esportivo da Globo, teria negociado com os cartolas o pagamento da propina. A reportagem não conseguiu entrar em contato com ele, que deixou a emissora em 2015.

Mas a emissora não foi a única atingida pelo depoimento de Burzaco. Além da Globo, que nega qualquer irregularidade, o delator também implicou dois ex-presidentes da CBF (José Maria Marin e Ricardo Teixeira), e o atual mandatário, Marco Polo Del Nero. O primeiro já responde a processo nos EUA por sua participação no esquema de corrupção envolvendo empresas de marketing e a CBF. Ele está em prisão domiciliar no país. De acordo com o delator, os três teria recebido pagamentos de um período que vai de 2006 a 2015. Os valores recebidos por cada um deles chegavam até a um 1 milhão de dólares (aproximadamente 3,3 milhões de reais) por campeonato cujos direitos de transmissão negociavam.

Cardoso: “Socialismo melhorou os países para onde os brasileiros fogem”

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O ator Pedro Cardoso, um dos maiores críticos da TV Globo, emissora onde trabalhou por anos, criticou em entrevista concedida ao jornal O Globo a hipocrisia de certa parte da classe média e das elites brasileiras que “fugiram” do Brasil pelo fato de o país, supostamente, ter ficado “insuportável”.

Cardoso estava vivendo há dois anos em Portugal, país presidido atualmente por um governo de centro-esquerda, e voltou ao Brasil para lançar seu primeiro romance, “O Livro dos Títulos”. Para ele, aqueles que “fugiram” do Brasil encontraram em seus países de refúgio um estado comprometido com escola pública, saúde pública, transporte público – políticas típicas de países inclinados a um pensamento mais socialista.

“Um dos assuntos do livro é esse, sair em busca de um país mais organizado. Isso tem sido muito dito pela alta classe média, por quem tem condição econômica de fazer isso. Vão embora porque o Brasil ‘ficou insuportável’. Isso me incomoda muito, porque o que tornou esses outros países melhores para se viver foram certas contribuições de um pensamento socialista, que essas pessoas que querem ir embora negam ao seu país: o compromisso do estado com a escola, a saúde e o transporte público, uma polícia que não seja inimiga da população. São conquistas. Lá, ninguém acha que não deve haver escola pública de qualidade. Enquanto no Brasil ainda tem muita gente que acredita num capitalismo absoluto, sem contrapeso; e são justamente essas pessoas que querem ir embora”, disparou o ator.

Para o lançamento de seu novo livro, Pedro Cardoso resolveu deixar de lado as tradicionais noites de autógrafo e saiu às ruas do Rio de Janeiro e São Paulo para apresentar a obra a livreiros e população no geral. (Da Revista Fórum)

O futebol brasileiro no banco dos réus

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POR JAMIL CHADE, no El País

O cronista Nelson Rodrigues, há mais de 50 anos, já constatou: “o pior cego é o que só vê a bola”. Numa corte de Nova Iorque, nesta semana, é um senhor frágil, de cabelo e tez branca que se depara diante da juíza federal Pamela Chen. O julgamento contra José Maria Marin, entretanto, não é apenas contra um dirigente que comandou a CBF. Trata-se, na realidade, de um processo sobre o próprio futebol nacional, sobre seus cúmplices e suas entranhas do poder. Um processo contra aqueles que promoveram uma cegueira quase generalizada.

Para se defender das acusações de corrupção, os advogados de Marin usaram um fato que qualquer um envolvido na CBF sempre via: ele jamais a governou sozinho. Seu braço direito, vice-presidente e homem que o acompanhava a todas as reuniões era Marco Polo Del Nero, o atual comandante do futebol brasileiro desde 2015. Para a defesa de Marin, quem “tomava as decisões” era o seu vice.

Ainda que seja uma estratégia dos advogados para reduzir a responsabilidade de seu cliente, a realidade é que a tática surpreendeu a muitos dentro da CBF e Del Nero foi jogado para o centro do debate.

Nos dias que se seguiram, coube ao argentino Alejandro Burzaco, ex-executivo que comprava direitos de TV de torneios sul-americanos, admitir que a corrupção era a regra do jogo. Na qualidade de testemunha, seu relato confirmou os pagamentos a Marin. Mas também indicou que o próprio Del Nero o procurou em 2014 para negociar um aumento da propina. O entendimento com o futuro chefe do futebol brasileiro ainda vinha com um pedido: adiar o pagamento do suborno para 2015, quando Marin não seria mais presidente da CBF. Assim, Del Nero não teria mais de dividir a propina com seu “amigo”.

As audiências ainda jogaram ao centro da arena Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF entre 1989 e 2012. Ele teria recebido, desde 2006, US$ 600 mil por ano em propinas para ceder contratos de transmissão da Copa Libertadores e da Copa Sulamericana.

Não escaparam nem mesmo grandes grupos de imprensa do Brasil e América Latina, citados pela única testemunha ouvida até agora como parte de um esquema de corrupção. No caso da TV Globo, ela foi mencionada como tendo destinado supostas propinas para ficar com o direito de transmissão das Copas de 2026 e 2030, algo que a empresa nega de forma veemente.

O processo também atinge em cheio as pretensões do Catar de sobreviver como sede da Copa até 2022. O ex-dirigente argentino, Julio Grondona, morto em 2014, foi apontado nesta semana como receptor de US$ 1 milhão em troca de seu voto aos árabes para que pudessem sediar o Mundial. Ele era o presidente do Comitê de Finanças da Fifa e, em outras palavras, era o dono da chave do cofre da entidade.

Ao relatar o caso, Burzaco revelou como Grondona o contou bastidores do dia da votação. Nas primeiras rodadas, o então presidente da ConmebolNicolas Leoz, teria votado pelo Japão e Coreia do Sul. Num dos intervalos, Grondona e Teixeira chegaram até o paraguaio e o “chacoalharam”. “O que você está fazendo?”. Quando o processo eleitoral foi retomado, Leoz mudou de comportamento e votou pelo Catar.

O tsunami das declarações chegou ainda até a Argentina. Na noite de terça-feira, Jorge Alejandro Delhon, um dos executivos denunciados, teria se matado. As audiências ainda tiveram cenas de dramalhões latino-americanos, com Burzaco chorando diante do que poderia ser um ato de intimidação de um dos acusados, o ex-presidente da Federação Peruana de Futebol, Manuel Burga. O peruano o teria feito um sinal de cortar o pescoço, em plena audiência.

Horas depois, a testemunha não conseguiria segurar as lágrimas quando lembrou que fora avisada de que a polícia argentina o mataria se retornasse ao país.

Entre supostas ameaças, choros, mortes, relatos extraordinários e contas milionárias, não deixa de chamar a atenção o fato de que o processo está apenas em sua segunda semana. Por mais um mês, como num cenário de um jogo de Copa descrito pelo cronista, o mundo da cartolagem e seus cúmplices viverão “uma suspensão temporária da vida e da morte”.

Todos os citados, por enquanto, negam qualquer tipo de responsabilidade. Mas o que o processo começa a revelar é que, de fato, uma paixão nacional foi tomada por um grupo com um único objetivo: o enriquecimento próprio. De forma infesta, sequestraram uma das poucas coisas que é legítimo em um torcedor: sua emoção. A cada partida assistida em campo ou na televisão, em cada camisa comprada, em cada item adquirido, o torcedor aparentemente não financiou o futebol nacional. Mas seus donos, em contas secretas em Andorra, Suíça e paraísos fiscais.

Desde criança, foi vendida a história a todos nós de que aquele time de amarelo nos representa. Quando ganha, é o presidente da República quem os recebe, como heróis nacionais numa conquista “do país”. Quando é humilhado em campo, é uma nação que flerta com a depressão.

Em Nova Iorque, enquanto a cegueira começa a se dissipar, estamos vendo que esse futebol “nacional” tem dono. E não é o torcedor.

Jamil Chade é jornalista, autor do livro “Política, Propina e Futebol” (Cia das Letras, 2015).

Com Sarney no comando, Flávio Dino é primeiro alvo do novo chefe da PF

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DO BLOG DO ROVAI 

O novo diretor da Polícia Federal chama-se Fernando Segóvia, ex-superintendente da PF no Maranhão durante o governo Roseana Sarney. Diferentes fontes garantem que seu nome foi sacramentado no cargo após um jantar entre o presidente Michel Temer e o ex-presidente José Sarney, aquele cujo domínio da política maranhense durou 50 anos.

Se alguém tinha dúvida de que a nomeação de Segóvia não tinha sido política e que as relações dele com Sarney e o PMDB não iriam politizar as ações do órgão, pode ir tirando o cavalinho da chuva.

Ontem a PF realizou no Maranhão a “Operação Pegadores”, um desdobramento da “Operação Sermão ao Peixes”, que apura fraudes no sistema estadual de saúde iniciadas em 2012, quando o secretário de Saúde, do governo Roseana Sarney, era Ricardo Murad (PRP), cunhado dela.

Só que nesta nova etapa, Murad que era citado pela PF como líder da organização criminosa que teria desviado cerca de R$ 1,2 bilhão da saúde estadual, ficou de fora das investigações. Mais do que isso, a operação policial foi toda costurada com os grupos de comunicação locais ligados à Sarney para transformar Dino num ladrão de dinheiro da saúde. E para atacar secretários importantes do seu governo, como Márcio Jerry, também do PCdoB.

Entre outras acusações, a delegada responsável da operação diz ter achado mais de 400 funcionários fantasmas na saúde, mas não apresentou a respectiva relação de nomes. O governador Flávio Dino já requereu formalmente os nomes da suposta lista. “Estamos esperando a lista dos alegados 400 fantasmas, para verificar se isso procede, quem foi o responsável, em qual época e por qual motivo”, escreveu Dino em suas redes sociais.

A operação da PF ainda acusa o governo atual de contratar para prestar serviços à saúde uma antiga sorveteria, que teria emitido notas fiscais frias, que permitiram o desvio de R$ 1.254.409,37 (hum milhão, duzentos e cinquenta e quatro mil, quatrocentos e nove reais e trinta e sete centavos).

Até o momento, porém, não teria sido apresentado pela PF nenhum contrato assinado por qualquer autoridade do governo Dino com a tal sorveteria que teria virado empresa médica. Ou seja, está claro que Flávio Dino vai comer o pão que o diabo amassou daqui até o final do seu mandato. E que terá que buscar fora do estado apoio para poder continuar governando.

Outro político que ousou enfrentar Sarney, o já falecido Jackson Lago (PDT), ganhou a eleição de Roseana mais foi cassado durante o governo para que ela pudesse assumir. Quem achava que o velho Ribamar Ferreira de Araújo Costa era carta fora do baralho, enganou-se. Ele está de novo no comando. E da PF. O que não é pouca coisa para quem é especialista em fazer política da forma mais heterodoxa possível. (Foto: Agência Senado/Fotos Públicas)