Caso Fifa: pela primeira vez na vida, Marinhos correm risco real de se dar mal

POR LEANDRO FORTES, no DCM

Não vejo Jornal Nacional, por recomendação médica, mas fui ver o VT da edição recente, sobre o escândalo da Fifa.

É pânico em estado puro.

Sem nenhum outro argumento, o JN anunciou, em quatro oportunidades, num jogral constrangido de seus apresentadores, que uma “investigação interna” nada encontrou que corroborasse a denúncia de pagamento de propina feita, nos Estados Unidos, pelo empresário argentino Alejandro Burzaco.

“Investigação interna” é, obviamente, uma fantasia ridícula pensada às pressas para ser colocada no Jornal Nacional, uma vez que a outra alternativa – não falar sobre o assunto – deixou de ser viável, por causa das redes sociais.

Qualquer mentecapto, mesmo entre os que veem o JN todo dia, percebeu que nunca houve investigação interna nenhuma, mas a construção de uma desculpa esfarrapada para segurar as pontas enquanto a turma decide como sair dessa enrascada com a cabeça em cima do pescoço.

Explica-se: o crime de perjúrio, nos Estados Unidos, é gravíssimo, e o processo de delação, ao contrário do que ocorrer na República de Curitiba, existe para gerar consequências práticas dentro do processo legal. Em suma, o Judiciário americano não usa a delação para fustigar inimigos, mas para produzir provas.

Burzaco não iria acusar a Globo e outra meia dúzia de ultra poderosos grupos internacionais de mídia se não tivesse como provar o que está dizendo.

E como a Globo não tem como amansar juízes dos EUA com diáfanas premiações do tipo faz-a-diferença, é certo que, pela primeira vez na vida, os Marinho correm um risco real de se dar mal.

A conferir.

Globo e Televisa pagaram 15 milhões de dólares por Copas, diz Buzarco

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Em novo depoimento em Nova York nesta quarta-feira 15, o argentino Alejandro Buzarco, testemunha de acusação do julgamento sobre o escândalo de propinas da Fifa, afirmou que a TV Globo pagou parte de uma bolada de 15 milhões de dólares ao dirigente esportivo Julio Grondona (foto) pelos direitos de transmissão das Copas de 2026 e 2030. Então encarregado do comitê financeiro da entidade máxima do futebol, o cartola argentino morreu em 2014.

Na terça-feira 14, Buzarco havia incluído a emissora brasileira em uma relação de seis grupos que teriam pago vantagens irregulares por contratos de transmissão. Além da Globo, ele relatou que a mexicana Televisa cobriu parte do valor de 15 milhões pagos à sua empresa, a Torneos y Competencias, como propina para Grondona.

A quantia foi paga integralmente, segundo Burzaco, e destinada a uma “subconta” no banco privado Julius Baer, da Suíça. Representantes das empresas teriam se encontrado ainda em uma reunião em Zurique, mas a testemunha não detalhou quem seriam eles.

O valor de 15 milhões era controlado pela Torneos y Competencias, empresa criada por Buzarco para realizar os pagamentos irregulares. Segundo ele, os valores pagos oficialmente eram abaixo do padrão do mercado, para que pudessem ser inflados com propinas.

Sobre as acusações, a Globo manteve o mesmo posicionamento de ontem, em que nega qualquer atividade de propina por parte da empresa ou de seus representantes (leia ao fim da matéria).

Buzarco está sendo ouvido como uma das testemunhas de acusação no julgamento de José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol acusado de extorsão, fraude financeira e lavagem de dinheiro. O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, também é investigado pelas autoridades norte-americanas, mas continua em liberdade por não haver a previsão de crime de corrupção privada no Brasil.

Na corte norte-americana, o delator chorou no início de seu segundo dia de depoimento.  Na noite da terça-feira 14, o advogado argentino Jorge Alejandro Delhon, apontado por Buzarco como participante do esquema, foi encontrado morto. Acusado de receber propinas em esquemas com Grondona, ele teria se atirado à frente de um trem na cidade de Lanús.

Leia o posicionamento da TV Globo:

Sobre o depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso FIFA pela justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina.

Esclarece que, após mais de dois anos de investigação, não é parte nos processos que correm na justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos.

O Grupo Globo se surpreende com o relato envolvendo o ex-diretor da Globo Marcelo Campos Pinto. O Grupo Globo deseja esclarecer que Marcelo Campos Pinto, em apuração interna, assegurou que jamais negociou ou pagou propinas a quaisquer pessoas. O Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido.

Para a Globo, isso é uma questão de honra. Os nossos princípios editoriais nem permitiriam que seja diferente. Mas o Grupo Globo considera fundamental garantir aos leitores, aos ouvintes e aos espectadores que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige. (Da CartaCapital)

‘Herói’ perseguido

Lê-se na Folha que as mensagens publicitárias do PMDB, que irão ao ar a partir de hoje, vai apresentar Michel Temer como alguém contra quem “”a perseguição ultrapassou todos os limites”.

Em um dos vídeos, ao qual a Folha teve acesso, não há citação nominal ao ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, mas um narrador afirma que houve uma “trama” para “derrubar” Temer e que ela foi “desmontada”.

E segue, claro, dizendo que tentaram derrubá-lo mas “O Brasil está de pé”.

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Francamente, uma estratégia publicitária destas, apresentando um homem rejeitado por 95% da população como um “tadinho” injustiçado consegue ser pior do que a do PSDB quando se apresentou como um partido no divã, arrependido de seus erros, isso logo após as malas para Aécio.

E o pior, com o “mártir”, de viva voz, procurando apresentar-se como o herói vitorioso de uma guerra, pois a figura aparece, diz a Folha, para pregar:

“A verdade é libertadora e não só nos livra das injustiças como nos dá ainda mais mais força, vontade e coragem para seguir em frente. É isso que vamos fazer com muita convicção, porque agora é avançar”

Faltou só o folclórico deputado Carlos Marun e aquele tatuado de hena do Pará fazendo o “backing vocal” com coreografia: “tudo está no seu lugar, graças a Deus”. Pena que o Benito de Paula desautorizou o uso de sua velha música.

Tudo isso, claro, com  algumas referências que, a esta altura, só vão fazer algum sucesso no facebook do Movimento Brasil Livre, pois Jair Bolsonaro, o neoneoliberal, não vai se associar ao moribundo: “Tiramos o país do vermelho“, diz o vídeo em uma referência à cor do PT”.

E a estratégia vai além da TV, como se viu ontem no discurso do empresário e ex-sócio de Temer que disse que ele “venceu a guerra e aqui está, sobranceiro, ao nosso lado”, sob gritos de “viva a direita” e o “o Brasil está nos trilhos” gritados por uma platéia de vereadores e funcionários de Itu, lugar realmente apropriado para tal pretensão de grandeza.

O “low profile” que o bom senso recomendaria a Temer é deixado de lado pela pretensão que tem em se “cacifar” para um processo eleitoral onde ninguém quer tê-lo por perto – embora muitos queiram o poder da caneta e do dinheiro governista. Como diz um amigo, um idiota só é completamente idiota quando se acha genial. (POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço)

Reportagem sobre gastronomia paraense conquista Prêmio da Abrajet

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Debates, premiação e reflexões marcaram os dois dias do Encontro de Comunicação da Amazônia (Publicom), realizado no Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas. Mais de duas mil pessoas, entre estudantes e profissionais da área da comunicação puderam trocar experiências e ouvir experientes profissionais da área. Neste ano, o Publicom também comemorou os 30 anos da Fundação de Telecomunicações do Pará (Funtelpa), levando Dona Onete e Trio Manari para a fortaleza de São Pedro Nolasco como encerramento da programação.

Na palestra “A inovação radical e a era dos valores”, que encerrou as palestras do Publicom 2017, o pesquisador Gil Giardelli refletiu sobre os tempos de mudança veloz na comunicação, que é chamada de quarta revolução industrial, onde as transformações que ocorreram após a Segunda Guerra Mundial já não cabem. “É uma sociedade rede onde conceitos como Organização Mundial de Saúde, Organização das Nações Unidas e Organização Mundial do Comércio já não fazem mais sentido”.

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Premiação – Neste último dia de Publicom Belém 2017, o público conheceu o resultado da 4ª edição do “Prêmio de Jornalismo em Turismo Comendador Marques dos Reis”, iniciativa da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo do Pará (Abrajet Pará), com o apoio das Secretarias de Turismo e Comunicação, da Abrajet Nacional e do Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor/PA).

Na modalidade Jornalismo On-Line, ficou com o primeiro lugar a reportagem “Aromas, temperos e sabores a serviço do turismo do Pará”, do jornalista Gerson Nogueira, publicada no http://www.blogdogersonnogueira.com e no DOL.

Ao todo foram mais de 400 inscrições em apenas dois meses. “Nós fomos surpreendidos com o grande número de inscrições, o que mostrou que o prêmio tomou uma dimensão muito grande dentro do Estado. O nível dos trabalhos foi alto e contou com participantes de todas as regiões do Estado e de outros estados do Brasil”, comentou Isa Arnour, presidente da Abrajet.

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Para o secretário de Estado de Turismo, Adenauer Góes, o turismo não pode prescindir do marketing. “As pessoas circulam de um lado para outro com base nas informações que recebem da comunicação no sentido de atraí-los para um determinado local”, disse.

O prêmio, comenta Adenauer Góes é um reconhecimento do profissional de imprensa que tem um papel de relevância muito grande dentro da cadeia do turismo. “Bem informar de forma correta e fidedigna este profissional contribui para o desenvolvimento do turismo e da economia”, destacou.

Avaliação positiva – Para o secretário adjunto de Comunicação, Samuel Mota, o Publicom 2017 é uma prova da dimensão que o evento alcançou. Ele destacou que a grande participação de universitários, 85% do público, surpreendeu a organização. “Um ponto forte foi a interregionalidade e o aprendizado proporcionado ao grande público de estudantes. Um sucesso”, ressaltou. (Com informações da Secom)