A tirania do tempo

14 de novembro de 2017 at 0:07 3 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

O capitão Gianluigi Buffon não podia ter sido mais brilhante na definição da dor pela eliminação italiana na repescagem europeia para a Copa de 2018. O veterano goleiro disse, entre soluços e lágrimas, ainda no gramado do San Siro, que “o tempo passa, é tirano… e é justo que seja assim”. Resumiu, em essência, o que significa o futebol como paixão, forma popular de arte e singular manifestação social. Não por acaso, é a mais importante dentre as chamadas coisas desimportantes.

Buffon, com a sabedoria de quem joga futebol há mais de duas décadas, entende como poucos o que significa ser barrado no baile maior. É algo como ser rejeitado pela garota mais bonita das festinhas de colégio. Ele sabe também que perdas desse porte não têm remédio e duram para sempre. Nós sabemos bem disso, pois aqueles 7 a 1 de Belo Horizonte ainda estão bem vivos na memória.

Para o melhor goleiro de sua geração, ficar fora do Mundial da Rússia representa um baque ainda mais significativo porque seria o fecho de uma carreira brilhante. Caprichosamente, os deuses da bola que um de seus mais vitoriosos filhos sofresse a dor e a humilhação de ficar longe da Copa após uma já constrangedora etapa de repescagem.

Na verdade, a tetracampeã mundial (1934, 1938, 1982, 2006) Azzurra começou a se distanciar do torneio quando tropeçou seguidamente nas eliminatórias, sem encantar a torcida e deixando sempre muitas inquietações pelo mau rendimento do time. Buffon seguia como solitária unanimidade e talvez fosse um dos poucos a não merecer a desdita confirmada ontem, em San Siro, diante do frio e esquemático escrete sueco.

Depois que a Itália perdeu a primeira partida, em Solna, por 1 a 0, ficou a quase certeza de que uma reviravolta seria improvável. Tenso e instável, o time italiano foi para o jogo ontem com um imenso peso nas costas, o de tentar impedir a repetição do vexame da eliminação ocorrido há 59 anos. (Para os que adoram coincidências numéricas, foi na ausência da Itália em 1958 que o Brasil conquistou sua primeira e única Copa dentro do continente europeu).

Ontem, apesar da febril insistência, principalmente nos 45 minutos finais, a esquadra azul não conseguiu furar a muralha sueca. Não faltaram lances polêmicos, como um penal claro não marcado para a Suécia no começo da partida. A emoção final, porém, ficou por conta do drama nas arquibancadas e em campo.

Para os italianos, como Buffon, uma tristeza sem cura. Para os fãs do futebol, uma baixa terrível. Depois da não classificação da Holanda, a Copa russa perde outra legenda insubstituível. São nesses momentos que o regulamento modernoso da Fifa mostra seus terríveis furos. É inadmissível que um país tetracampeão fique fora da festa maior.

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Direto do blog

“Em entrevista, o executivo de futebol Zé Renato informou que o planejamento aponta para um elenco de 28 atletas. Informou que o clube já conta com 12 atletas, sendo cinco que ficaram da temporada passada e mais 7 que subiram do sub-20.

Ele e o Paulinho Araújo, diretor de base, estão observando jogadores da segundinha do Parazão e pretendem contratar aqueles que se destacarem. A ideia é trazer poucos jogadores de fora do Estado.

Parece que esse é o caminho, pelo menos para o Parazão. Acho que essas ideias já têm influência do técnico Ney da Matta, que sabe trabalhar com jogadores da base, e tenho certeza de que aqueles que aproveitarem a oportunidade terão chances de jogar o Brasileiro”.

Janderson Ferreira, um torcedor azulino que ainda tem fé.

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Desafio para o Papão – e para Marquinhos

Enfrentar um Ceará empolgado com a perspectiva do acesso, dependendo da vitória para se garantir na Série A 2018, não é tarefa fácil para ninguém. Muito menos para o hesitante Papão de Marquinhos Santos, que belisca pontos preciosos fora de casa, mas não se apruma dentro de seus domínios.

O esquema que vinha funcionando bem, com dois meias e dois atacantes, mostrou-se trôpego no confronto de sábado diante do Brasil. Pior que isso: o time inteiro não evidenciou firmeza de convicções quanto às suas forças.

Por sorte, o rebaixamento é improvável, ainda que seja matematicamente possível. Ocorre que, ao assustar e frustrar a torcida na Curuzu, a equipe deixou vulnerável a figura do técnico Marquinhos Santos, que já era dado como quase certo para a próxima temporada.

O tropeço diante dos gaúchos complicou os planos de permanência do treinador e deixou para a partida de hoje, na Arena Castelão, uma espécie de sentença definitiva. Caso haja nova derrota, o Papão pouco sofrerá em termos de classificação, mas o técnico ficará em situação quase insustentável.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 14)

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3 Comentários Add your own

  • 1. Jorge Paz Amorim  |  14 de novembro de 2017 às 8:25

    A tragédia de ontem, que vitimou principalmente o notável Gianluigi, é legado fatal da era Berlusconi, esta legado nefasto da Operação Mãos Limpas, que destruiu a política italiana a pretexto do combate à corrupção.
    Como no símile degradado cá em Pindorama, o combate a corrupção teve como desfecho a unção de um dos mais notáveis mafiosos que a Itália conhecia e que deixou uma maldita herança de desemprego, desinfustrialização, miséria e mais ladroagem.
    Ora, essa situação de terra arrasada está nitidamente refletida no futebol, conforme atesta a atual situação dos clubes na Bota, especialmente o Milan, que foi dirigido pelo gangster Berlusconi, que quase o destroçou, só escapando da bancarrota total porque hoje pertence a um grupo de investidores chineses, tal e qual o outro outrora gigante milanista Internazionale.
    Quanto a nós, brasileiros, parece que o nosso castigo foi o vexame histórico diante dos alemães. em 2014. Todavia, diante da destruição da nossa indústria naval, da construção civil, da revogação da Lei Áurea, diante principalmente da ladroagem desenfreada, hoje hegemônica e fruto desse bizarro combate a corrupção à brasileira, comandado por um juiz acusado de estelionato, temo que o pior ainda esteja por vir com o retrocesso econômico do país que atinge mortalmente o futebol e nos proporciona um quadro preocupante, em que grande parte dos clubes não paga em dias os salários de seus atletas.
    Tomara que 2018 venha pra nos salvar, caso contrário, corremos grande risco de ser a Itália amanhã(em 2022).

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  • 2. celira  |  14 de novembro de 2017 às 9:56

    Amigos,

    A verdade é que o futebol italiano já vinha perdendo espaço no cenário futebolístico mundial. Isto pode ser percebido pelo seus clubes que disputam as grandes competições europeias, mas não são tomados como favoritos na competição (vide a liga do ano passado). Tal fato reverbera na seleção, que ganhou 2006 como num canto de um cisne.

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  • 3. blogdogersonnogueira  |  14 de novembro de 2017 às 23:11

    Bem observado, amigo Amorim.

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