A vez dos nativos

17 de setembro de 2017 at 0:06 7 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

Ao ser apresentada, no começo da semana, a nova equipe de assessoramento da presidência do Remo elencou 10 mandamentos de gestão a serem cumpridos a partir de agora. Desconfio dessas formulações, quase sempre mais comprometidas com o marketing do que com a funcionalidade.

De qualquer maneira, o tal receituário já ficaria de bom tamanho – e mais fácil de ser cumprido – se fosse sintetizado em dois pontos: pagamento em dia dos compromissos com atletas e funcionários e política regionalista na formação do elenco para 2018.

Pagar em dia é o chamado básico do básico e nem deveria ser incluído no campo das promessas. No Remo, porém, o simples se torna normalmente complicado, daí a justificativa de oficializar o compromisso.

Mais importante agora é a adoção de uma política austera de contratações. Nos últimos anos, o clube padeceu com seguidos equívocos na aquisição de jogadores. Foram quase 400 atletas trazidos para o Evandro Almeida nos últimos 10 anos.

Pouquíssimos ainda têm seus nomes lembrados pelo torcedor. A maioria não deixou saudades, nem feitos marcantes na história do Leão de Antônio Baena. Alguns só saem do ostracismo quando acionam o clube judicialmente.

Os desastrosos critérios de prospecção de atletas, quase sempre contratados a partir de informações errôneas e – não raro – mal intencionadas, contribuíram enormemente para o crescimento da dívida trabalhista do clube. Pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que o Remo tem sido vítima de uma criminosa prática de transações, que dilapidou suas finanças e contribuiu para o lucro pessoal de muita gente.

Quando se diz que muitos se servem do Remo, ao invés de servi-lo, não há exagero na frase. É fato. Mais grave ainda é a impunidade dos que se locupletaram, contando com a crônica passividade das instâncias fiscalizadoras do clube.

Os erros do passado recente precisam ser extirpados. Práticas lesivas não podem conviver com a nova realidade. Para isso, é imperioso que os dirigentes tenham autonomia para executar o plano de trabalho, livres da centralização e dos métodos ultrapassados.

Lá no começo de sua atividade como dirigente, Manoel Ribeiro não agia sozinho. Tinha ao seu lado baluartes como Ronaldo Passarinho, Dagoberto Sinimbu e José Miranda. Foi Ronaldo, por exemplo, quem contratou Paulo Amaral, aconselhado por ninguém menos que Nilton Santos.

Paraenses constituíam a ampla maioria dos elencos formados no período – casos de Cuca, Elias, China, Aderson, Dico, Edson Cimento, Rosemiro, Marinho, Rui Azevedo, Marajó, Mesquita, Mego, Amaral e Leônidas.

Sob o peso das dívidas acumuladas, o novo Remo terá que seguir a mesma filosofia exitosa há mais de 50 anos, prestigiando os valores do próprio clube e jogadores de baixo custo garimpados no Estado.

De fora, a essa altura, só mesmo o goleiro Vinícius, solitário destaque na Série C. A base do novo time deve ter Gabriel Lima, Jayme, Tsunami, Jefferson, Lucas Vítor, Felipe, Sílvio e Edcléber, acompanhados dos nativos Flamel, Dudu e Martony. É o melhor começo possível.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 21h, na RBATV. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense.

Gols, noticiário e análise da rodada da Série B e da situação dos demais clubes paraenses. Sorteios e participação do telespectador.

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Reforços podem estar ao alcance da mão

A dinâmica do mercado boleiro no Brasil não perdoa hesitações. Quando os dirigentes do Papão desistiram de nomes das séries A e B, passando a olhar para os destaques da Série C, a hora de contratar já havia passado. O atacante Dico, do Botafogo-PB, foi abordado, mas o Náutico chegou na frente. O meia Djavan (CSA) e o atacante Jean Carlo (Salgueiro) se transferiram para o ABC.

Já mencionei aqui os nomes do meia Doda e do centroavante Leandro Kível, ambos do rebaixado ASA. Jogam bem mais do que jogadores que o PSC trouxe para a disputa da Série B. O Salgueiro tem Cássio Ortega, meio-campista de bons recursos, na medida para um setor até hoje não preenchido na Curuzu.

Mesmo que esses ou outros atletas da Série C não sejam contratados, o Papão aprendeu uma lição importante: evitar o erro de menosprezar uma divisão inferior na hora de garimpar reforços. É possível achar jogadores de bom nível e custo menor na Terceirona. Para isso, porém, é preciso romper com o vício de olhar apenas para o Sul e Sudeste.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 17)

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Verissimo: “O brasileiro está mudando de caráter” A sentença eterna

7 Comentários Add your own

  • 1. Comentarista  |  17 de setembro de 2017 às 7:23

    Esses “n” mandamentos de gestão no futebol paraense lembram a reforma política (e não esses arremedos corporativistas… !) e as medidas anti-corrupção, no Brasil; nunca saem do papel.
    Sua idéía da política regionalista na formação do elenco para 2018, serve também para o Paysandú, e deveria ser abraçada pela FPF já na formatação do próximo Parazão.
    Por que não começarmos a pensar em estabelecer critérios objetivos, como um sistema de cotas na inscrição de jogadores, fixando-se número máximo de inscrições na temporada e um percentual mínimo de atletas regionais, segmentados em: 1) nascidos no Pará; 2) que aqui estejam radicados a mais de X anos (com comprovação, p.ex, de ter votado em Y últimas eleições municipais); ou 3) que tenham sido inscritos em competições da categoria de base ou promovidos pela FPF, nos últimos Z anos ? A cada ano, o percentual mínimo de atletas regionais aumentaria gradativamente.
    Também seria oportuno fixar-se limite para inscrição de atletas acima de 30 anos.

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  • 2. Anselmo Júnior  |  17 de setembro de 2017 às 7:43

    Sou contra em rotular jogador a partir de sua região como critério de para contratações. Vejo muita gente dizer que precisa contratar fulano por que é fora ou contratar ciclano por que é da terra. Na verdade, tem que contratar por que o cara é bom, independente ser daqui ou de fora. Simples assim.

    A verdade, é que o Remo contrata mal, seja aqui ou de fora.

    E para contratar bem, parafraseio o Cláudio Columbia: “Precisa entender o simples, que é o futebol”

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  • 3. Nelson Albuquerque  |  17 de setembro de 2017 às 12:34

    Ao meu ver, uma boa definição do que é a parte administrativa do Clube do Remo, foi dada pelo empresário Raimundo Conde em entrevista concedida ao Zé Maria Trindade: “O Remo é uma ação entre amigos – um substitui o outro”. Simples assim.

    Me chamou a atenção o fato do Magnata renunciar ao cargo de ex-diretor de futebol logo após a desclassificação do Remo, e ainda apontar que o Remo necessita de uma “reorganização administrativa”. Será que ele se dispôs a fazer isso enquanto ocupou tão importante cargo? E se o Remo, por sorte, alcançasse o acesso? Ele teria caído fora? Não quero julgá-lo, mas no papel de advogado do diabo que faço agora, é natural que essas perguntas sejam elaboradas…

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  • 4. Jorge Paz Amorim  |  17 de setembro de 2017 às 12:47

    Penso que o nível da Série C deste ano foi tão baixo que o Hiltinho do Sampaio é um dos grandes destaques. Enquanto ano passado o Remo tinha simplesmente o Marcinho, hoje no São Paulo, e o Edno, hoje no América Mineiro, este ano tínhamos aquele lateral-direito pior que o Leo Rosas, entre outros, isto pra focar o exemplo no Remo.
    Este ano todos os destaques são aqueles sem espaço na Série B, como no caso citado do Sampaio, do Edinho, popular sabonete de motel, do CSA, de alguns reforços do Fortaleza e até o França, que estava encostado no Londrina, embora este não fosse destaque.
    Eu também continuo achando que o atleta não deve ser analisado por sua origem, mas os times, particularmente o Paysandu, tem de ter um mínimo de jogadores de bom nível com contratos longos. Ano passado eram um dez ou doze que estavam no clube em 2015. Este ano o time foi formado no melhor estilo troca de pneus com o carro em movimento. Não dá.

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  • 5. blogdogersonnogueira  |  17 de setembro de 2017 às 14:10

    Boa análise, amigo Amorim. Tem razão, sobretudo, quanto às escolhas e à duração dos contratos.

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  • 6. blogdogersonnogueira  |  17 de setembro de 2017 às 14:12

    Fiz a citação do conceito de simplicidade na coluna remetendo ao velho João Saldanha, também conhecido como João Sem Medo. Ele já dizia isso lá nos idos de 1960, amigo Anselmo.

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  • 7. blogdogersonnogueira  |  17 de setembro de 2017 às 14:14

    Ideia interessante, amigo George. Acrescentaria apenas um espaço de duas contratações “de fora” como limite para cada equipe, a exemplo do que ocorre na Itália.

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