Hitler planejou criar colônia na área que Temer abriu à exploração

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POR EDUARDO REINA, no DCM

Há exatos 92 anos, a área que era uma reserva ambiental entre o sul do Amapá e o sudoeste do Pará, com mais de 46 mil quilômetros quadrados, e que acabou de ser destinada pelo governo Michel Temer para a exploração mineral privada, foi cobiçada pela Alemanha nazista.

O plano de Hitler era criar uma colônia que serviria de base para a invasão do Suriname e da Guiana Francesa, além da exploração de ouro e outros minerais.

No local, atualmente, ainda existem reservas indígenas, um parque nacional, uma floresta nacional e uma estadual, além de quatro reservas ecológicas que compõem a área total da Reserva Nacional de Cobre e Seus Associados (Renca).

O projeto nazista está revelado no livro “Das Guayana-Projekt”, o Projeto Guiana, de Jens Glüsing, lançado em 2008. Ele conta que pouco antes da Segunda Guerra Mundial, militares nazistas planejavam estabelecer uma colônia no meio da selva amazônica, a partir de expedições de cientistas alemães, realizadas entre 1935 e 1937.

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A expedição foi criada com a desculpa de que seriam realizados estudos da fauna e flora. A área que seria criada em plena selva abrigaria tropas que a partir dessa região invadiriam as Guianas.

O plano secreto para tanta movimentação era pegar o que estava no subsolo: ouro, diamantes e outros minerais para dar lastro aos cofres do governo alemão. O objetivo do governo Michel Temer é abrir a exploração mineral no local a empresas internacionais.

A versão oficial sobre a expedição nazista na selva amazônica começou em outubro de 1935. Três jovens aviadores desembarcaram em Belém do Pará com uma tralha de mais de 11 toneladas composta de equipamentos e bagagens.

Gerda Kahle, Gerhard Krause e Otto Schuls-Kampfhenkel, o líder da tropa, tinham o beneplácito do então presidente Getúlio Vargas.

Um outro explorador alemão, Joseph Greiner, acabou morrendo na selva e foi sepultado na região do Jari. Sobre a cova ainda está uma enorme cruz em madeira, talhada com seu nome e uma cruz nazista. Uma foto do sepulcro com índios que serviram de guias dos nazistas na região ilustra a capa do livro.

Há relatórios assinados por Schulz-Kampfhenkel que afirmam ao general Heinrich Himmler, todo poderoso comandante do exército nazista, administrador do Reich e um dos maiores responsáveis pelo assassinato de milhões de judeus no holocausto, que a selva desde o Amapá, onde hoje existe o município de Laranjal do Jari, até a Guiana Francesa, era um território privilegiado pela natureza, com baixíssima densidade demográfica, excelente para a exploração como ‘colônia tropical’.

O pesquisador dissera que a área ‘não deveria ficar nas mãos de povos que, comparados à Alemanha ou à Inglaterra, são inferiores, do ponto de vista racial e civilizatório’.

Antes de iniciar a expedição, com anuência do governo brasileiro, Schulz-Kampfhenkel sofreu com a burocracia aduaneira no Rio de Janeiros para conseguir liberar toda a traquitana trazida da Europa.

Mas como já havia recebido credenciamento de vários institutos de pesquisas e museus de história natural da Alemanha, acabou conseguindo rapidamente a adesão do Instituto Emilio Goeldi, de Belém do Pará, e do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. As Forças Armadas brasileiras também apoiaram o projeto alemão na Amazônia.

Uma carta escrita em 3 de abril de 1940 por Henrich Peskoller, oficial da SS, tropa de elite do exército alemão, cujo destinatário era Adolf Hitler, apontava que as reservas de ouro e diamante neste trecho do território brasileiro na Amazônia, segundo o livro de Jens Glüsi, seriam suficientes para sanar a situação financeira da Alemanha em poucos anos.

“Na Guiana Britânica, a extração de ouro e diamante é mantida em baixa para não atrapalhar o mercado sul-africano (que era dominado pelos ingleses). Nas mãos do Führer, cada metro quadrado de solo poderia ser em pouco tempo explorado pela grande Alemanha”, escreveu Peskoller.

A expedição começou em Belém do Pará, percorreu as margens do rio Jari, no Amapá, até chegar à fronteira da Guiana Francesa. O percurso foi feito com ajuda de integrantes das tribos wajäi, mayná e aparaí.

Mas à época, o projeto nazista acabou abortado pelo general Heinrich Himmler, que preferiu explorar e dominar outros cantos do mundo. Depois de ser alvo de Hitler, a região do rio Jari e todo o território até a Guiana Francesa se transformou em local de extração de ouro por garimpeiros e empresas clandestinas.

A intensa exploração mineral levou à criação de área de proteção ambiental na década de 1980, com a criação da Renca para regular a exploração de cobre na região pelo Estado. Agora, a proteção foi derrubada por Michel Temer. Em menos de uma semana, depois de passar vergonha com o lançamento de um projeto privatizando das riquezas brasileiras e de grande ameaça ao meio ambiente, o presidente revogou o decreto inicial e lançou uma nova proposta, maquiada e marqueteira.

Mas que ainda coloca em risco toda a região, que corre enorme perigo de destruição ambiental. Segundo o MPF, que pediu a revogação, a ideia é “ecocida”.

CBF anuncia edital para venda de direitos de mídia dos jogos da Seleção

A Confederação Brasileira de Futebol realiza nesta sexta-feira (1), às 15h, coletiva de imprensa para anunciar os detalhes do edital de comercialização dos direitos de mídia dos jogos da Seleção Brasileira para o período de novembro de 2017 até a Copa do Mundo da Fifa no Qatar, em 2022. O diretor de Competições da CBF, Manoel Flores, e o CEO da Synergy Football AG, agência de marketing esportivo contratada para assessorar a entidade, Patrick Murphy, apresentarão as informações.

Leão tenta garantir Pimentinha para jogo de sábado

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Depois do empate fora de casa diante do Moto, o Remo retomou os treinamentos em busca de entrosamento para encarar o Sampaio Corrêa no próximo sábado, às 16h15, no estádio Jornalista Edgar Proença. O treino de ontem foram no Centro da Juventude (Ceju). O técnico Léo Goiano se preocupou em treinar finalizações, cobranças de falta e manobras de ataque contra defesa, avaliando que o tricolor maranhense virá retrancado para o confronto em Belém.

O atacante Pimentinha, o meia Flamel e o volante França não participaram da movimentação. O trio foi poupado por recomendação do departamento médico. Pimentinha é o que mais preocupa, com lesão na perna. França e Flamel devem retornar aos treinamentos nesta quinta-feira. Ainda em recuperação de virose, Eduardo Ramos (foto) não treinou, mas esteve no Ceju e está confirmado para sábado.

Expulso de campo contra o Botafogo (PB), o lateral-esquerdo Jaquinha será julgado pelo STJD nesta quinta-feira. Ele foi arrolado no artigo 250 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e pode ficar de fora da partida contra o Sampaio, pegando de uma a três partidas de suspensão.

No mesmo julgamento, os meias Magno e Fernandinho e o preparador de goleiros Silvano de Moraes Silva, ambos do Botafogo (PB), também serão julgados pelos incidentes ocorridos após o confronto no Mangueirão.

Os 40 anos de um discaço do “padrinho do punk”

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“Lust for Life”, um clássico de Iggy Pop, completa hoje 40 anos de seu lançamento. Foi gravado em Berlim, com produção esmerada de David Bowie. Veio na rabeira de “The Idiot”, o primeiro grande sucesso da carreira solo de Iggy. A RCA apostou alto, pois, até então, o cantor não havia encontrado espaço após o fim do Stooges. Contou com a imensa ajuda do amigo David Bowie, que já havia cuidado de “The Idiot”. Foi Bowie que conseguiu um contrato, produziu, compôs e tocou vários instrumentos no disco (guitarra, sax, teclados e até xilofone), além de “emprestar” seu guitarrista Carlos Alomar.

“Lust for Life” acabou prejudicado por uma coincidência infeliz: foi lançado pela RCA na mesma semana da morte de Elvis Presley (a gravadora botou suas fábricas e seu departamento promocional para investir no relançamento da obra do Rei do Rock, maior nome do seu catálogo, e deixou Iggy de lado).

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Redescoberto pela mídia, Iggy passou a dar entrevistas e fez aparições seguidas na TV para divulgar o disco. Na TV holandesa, Iggy, aparentando estar bêbado, fala com propriedade sobre as origens do punk. Diz que o termo surgiu em “jornais e revistas de terceira categoria”, e que representa “um cara que quer fazer uma coisa bem forte, mas não tem habilidades específicas para isso, daí coisas engraçadas acontecem”. (Com informações de Pop Fantasma)

 

No campo das escolhas

POR GERSON NOGUEIRA

Atleta local carrega o velho estigma de falta de estofo para encarar competições nacionais. Para triunfar nos grandes da capital, precisa ter muita força de vontade, equilíbrio para suportar as cobranças que partem de todos os lados e contar ainda com o bom humor do treinador de plantão.

Tem sido assim desde que o nobre esporte bretão virou atividade profissional, lucrativa (para alguns) e remunerada. Antes, na era paleolítica do nosso futebol, os boleiros nativos obviamente dominavam a cena, pois os clubes não tinham recursos para importar reforços.

A partir dos anos 60, principalmente, o Pará passou a ser rota obrigatória de jogadores em fase descendente, quase sempre refugos dos grandes clubes do Sul e Sudeste. Aqui e ali, aportavam em Belém alguns atletas ainda em boa fase ou jovens em busca de oportunidade.

Apesar disso, os clubes sempre dependeram de valores locais, revelados em suas bases ou recrutados nos campinhos do subúrbio. Esse panorama vigorou até meados dos anos 70. A partir da criação do Campeonato Brasileiro, o perfil dos elencos começou a mudar – para pior.

Os clubes passaram a priorizar a contratação de atletas de outras praças, nem sempre superiores aos daqui, mas cuja experiência em outras agremiações passou a ser vista como diferencial para a disputa das competições nacionais.

Aberrações começaram a ser praticadas a rodo, com a importação de jogadores que não deram certo lá fora, mas contratados por indicação dos técnicos e executivos, além da lábia de bons empresários, capaz de engabelar dirigentes pouco familiarizados com as manhas do negócio.

O tema comporta muitas análises e clama por estudos mais aprofundados, mas o fato inegável é que os jogadores regionais perderam espaço à medida que os importados invadiram massivamente o mercado local, ganhando a concorrência mesmo quando tecnicamente inferiores aos daqui.

No Remo atual, em pleno esforço de guerra para se classificar à segunda fase da Série C, o elenco tem até boa presença de atletas locais e oriundos da base azulina. Não há, porém, relação direta com o time que costuma jogar. Pesa aí a quantidade de importações feitas por Josué Teixeira lá no início da competição.

Por essas e outras, Jayme, um atacante rápido e habilidoso, quase não teve vez entre os titulares – embora também tenha sofrido com lesões no período. Outra joia da casa, Gabriel Lima, autor de quatro gols, afastado por contusão, nem chegou a ser escalado por Léo Goiano.

Aliás, ainda sob o comando de Josué e depois com Canindé, Gabriel fez gols decisivos, mas era sempre preterido. Viu do banco os contestados Mikael e Rony, de desempenhos sofríveis, tomarem o seu lugar.

Pois Jayme, autor do golaço contra o Moto que manteve o Remo com boas perspectivas de classificação, corre também risco de ficar em segundo plano. Há o discurso recorrente entre os técnicos de que um time tem mais do que 11 titulares. História quase sempre para boi dormir. É o chamado “migué” para disfarçar preferências inconfessáveis ou difíceis de explicar.

Pelo que fez nos 20 minutos finais em São Luís, a lógica aconselha que Jayme entre de vez no time, seja no centro do ataque ou como ala direito. Com ele, a equipe fica mais leve e ágil.

Goiano tem a chance de ir contra a rotineira (e preguiçosa) teoria de não mexer em times já desenhados, tratando de arranjar um lugar para o herói do Castelão.

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Quando o futebol investe na esperança

A notícia espantosa viralizou nas redes sociais: Shane, de 9 anos, filho caçula de Patrick Kluivert, é protagonista de uma das mais surpreendentes transferências da temporada, talvez até mais que a de Neymar para o PSG. Shane fez a rota inversa: trocou o clube francês pelo Barcelona, onde seu pai foi ídolo nos anos 90.

Além do interesse dos catalães pelo futebol do infante, a gigante mundial de materiais esportivos Nike já o tem sob contrato milionário. São dados que normalmente envolvem atletas prontos e que se destacam nos principais centros futebolísticos do planeta.

Um vídeo no YouTube mostra o garoto com habilidades no domínio, aplicando alguns dribles e disparando chutes certeiros. Quase uma reprodução em miniatura do que era Kluivert como atacante. Ocorre que o futebol é um esporte ingrato com promessas. Nem tudo que reluz na infância vira ouro na juventude.

Incorporado às divisões de base do Barça, de onde saíram Messi, Iniesta e Guardiola, Shane deve rapidamente desenvolver seus dotes naturais para o jogo, mas é bom ir com calma. O mundo está repleto de exemplos de projetos frustrados. Shane pode desmentir esse histórico, mas, por ora, não passa de tenra esperança.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 30)