Vendo o futebol de olhos fechados: uma homenagem a Willy Gonser

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POR MURILO ROCHA, em O Tempo

Por muitos anos, durante a minha infância e toda a adolescência, o domingo à tarde seguia sempre o mesmo ritual no apartamento térreo, de fundo, no número 212 da rua Monte Sião, na Serra, bairro da zona Sul de Belo Horizonte, onde morei com minha família até os 20 anos. Na sala, de frente para um prateado aparelho três em um, da Sony (LP, cassete e rádio), com o dial estacionado na frequência 610 AM, eu e meu irmão, três anos mais velho, ficávamos sentados no sofá da sala “vendo”, de olhos fechados, o Galo jogar.

Todo o jogo, com suas cores, ruídos e tensão, chegava para nós através de uma voz rouca, ecoada por duas imensas e potentes caixas de som. Quando a TV calhava de transmitir a partida (não havia pay-per-view), o jeito era abaixar o volume do televisor e deixar só o rádio falando. A gente confiava era no Willy Gonser. Os olhos, às vezes, nos enganavam. O Willy, nunca.

Éder Lopes, volante do Atlético entre 1987 e 1994, media apenas 1,76 m, era lento, tinha poucos recursos. Visto friamente, um jogador medíocre. Mas, na voz do Willy, o camisa 5 do Galo era imenso, o “Gigante de Formiga”. E ganhamos muitos jogos porque acreditamos nisso. Até o Éder Lopes acreditava. Uma das minhas primeira camisas foi justamente a dele – naquela época, você comprava o número separado e sua mãe o costurava nas costas.

Outro Éder, o Aleixo, ou melhor, o “Bomba de Vespasiano”, como foi batizado pelo Willy, chutava dez vezes mais forte naquelas transmissões de domingo lá em casa. Lembro bem, a cada gol dele ecoado pelas caixas de som, meu pai vinha correndo lá de dentro, invadia a sala – era impossível escutá-lo, mas pelo movimento da boca dava para perceber a sua fúria – e voltava aquela rodela, responsável por aumentar ou diminuir o som, do 10 para o 3. Mas o estrago já estava feito. Os vidros dos vizinhos já haviam estremecido, o João, cruzeirense gente boa do segundo andar já havia telefonado, minha mãe já havia sentenciado: “doentes”. A culpa não era nossa, mãe. Era da perna canhota do Éder e, principalmente, da voz estentórica do Willy.

Não bastava ouvir a transmissão ao vivo. No dia seguinte, na reprise dos gols, gravávamos aquelas narrações históricas em fitas cassetes. (Pagaria caro para reaver aquelas fitas. Leo, elas ainda existem?) Você se lembra daquele gol de empate contra o São Paulo, no Mineirão, pela semifinal do Brasileirão de 91? “Cléberrr, Cléberrr, Cléberrr. Subiu no terceiro andar e testou de forma IN-DE-FEN-SÁ-VEL contra o goleiro Zetti…”

E como esquecer aquele golaço do esforçado lateral-direito Dinho contra o Cruzeiro, em 95.“Dinho, o homem-coração, Dinho, o homem-força, Dinho, todo entrega, todo generosa luta, Dinho, o incompreendido, Dinho, o incompleto, mas um bom jogador.” Aquilo não foi a narração de um gol. Foi uma aula de Atlético.

E o Willy era mesmo um professor. Português perfeito, noção espacial acurada, repertório amplo, dicção precisa, entendia do jogo e da alma dos jogadores; por isso, narrava tão bem. Criado no Sul, descendente de alemães, nasceu gremista, se fez atleticano. O seu gol clássico era muito bonito de ouvir. Ele dizia, inicialmente, apenas “GOL”, de forma curta, como um estampido, depois, deixava propositalmente o barulho da torcida invadir o microfone por alguns segundos junto com aquela saudosa musiquinha “é gol, que felicidade, o meu time é a alegria da cidade”, para, em seguida, finalizar de forma arrebatadora, rasgando de forma poderosa e quase interminável um longo um grito de gol. Tudo isso, sem desafinar uma nota. Ficávamos, atônitos, esperando o gol terminar, mas parecia não terminar nunca. Seu fôlego, mesmo já depois de velho, era de dar inveja a qualquer jovem locutor.

Ironicamente, as grandes conquistas do Galo dentro de campo – a Libertadores de 2013 e a Copa do Brasil de 2014, além das atuações magistrais de Ronaldinho em 2012 – não foram contadas a nós pela voz forte do Willy. Ele já havia se aposentado. Mas, mesmo assim, dentro da cabeça de cada atleticano, em algum momento, a gente parou e imaginou como seria o Willy narrando aqueles momentos. Eu ainda faço isso e o escuto perfeitamente. Sempre fomos mais atleticanos na voz de Willy Gonser, “o mais completo do Brasil”.

Incompatibilidade democrática

POR WILSON GOMES – direto do Facebook

Jair Bolsonaro está revoltado. Acha que as escolas doutrinadoras ideológicas e bolivarianas estão na linha de frente da rejeição ao seu edificante projeto eleitoral. Declarou, com muitos adjetivos, multiplicada indignação e algum desastre gramatical, que “quem está na frente de uma sala de aula e diz que Bolsonaro é nazista; não é apenas mentiroso, mas desonesto, pilantra e vagabundo!”.

É capaz de os pilantras & vagabundos terem tomados providências para assegurar aos seus alunos que Hitler não era socialista. Tem razão o Bolsonazi…, quero dizer, o Bolsonaro. Continuando as coisas nesse passo, é capaz da pilantro-vagabundabem findar por dizer que, na verdade, o nazismo é que era uma espécie de bolsonarismo.

Sinceramente, não sei nem para que ir tão longe. O problema não é Bolsonaro ser nazista ou apenas um cachorro doido. É bastante explicar que o bolsonarismo é incompatível com a democracia, o liberalismo e, a bem pensar, até mesmo com o humanismo cristão. E com inteligência. Se bem que inteligência não anda muito em alta ultimamente.

PS. Voltei de Sampa. Vocês não fazem ideia de como faz bem à alma falar muito mal de Doria e do dorianismo para grandes plateias em São Paulo. Voltei revigorado. Vocês deviam experimentar.

Privatizar Eletrobras leva a aumento de conta e apagões

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POR DILMA ROUSSEFF

A privatização da Eletrobras, um dos mais novos retrocessos anunciados pela agenda golpista, será um crime contra a soberania nacional, contra a segurança energética do país e contra o povo brasileiro, que terá uma conta de luz mais alta. Um delito dos mais graves, que deveria ser tratado como uma traição aos interesses da Nação.

Maior empresa de produção e distribuição de energia elétrica da América Latina, a Eletrobras garante o acesso à energia a um país de dimensões continentais, com uma população de mais de 200 milhões de habitantes e com uma economia diversificada, que está entre as mais complexas do mundo.

A sua privatização, e provável entrega a grupos estrangeiros, acabará com a segurança energética do Brasil. Submeterá o país a aumentos constantes e abusivos de tarifas, à desestruturação do fornecimento de energia, a riscos na distribuição e, inevitavelmente, à ameaça permanente de apagões e blecautes. Devemos todos lembrar do ano de racionamento de energia no governo FHC.

O governo tem dois motivos principais para privatizar uma grande empresa como a Eletrobras: a aplicação da pauta neoliberal, rejeitada por quatro vezes nas urnas, e que é compromisso do golpe implantar; e o desespero para fazer caixa e tentar diminuir o impacto de um dos maiores rombos fiscais da nossa história contemporânea, produzido por um governo que prometia resolver o déficit por meio de um surto de confiança que não veio e um passe de mágica que não produziu. Produziu, sim, a compra de votos por meio da distribuição de benesses e emendas.

O meu governo anunciou déficit de R$ 124 bi para 2016 e de R$ 58 bilhões para 2017, que seriam cobertos com redução de desonerações, a recriação da CPMF e corte de gastos não prioritários. O governo que assumiu por meio de um golpe parlamentar inflou a previsão de déficit para R$ 170 bi, em 2016 e R$ 139 bi, em 2017. Inventou uma folga para mostrar serviço à opinião pública, e nem isto conseguiu fazer. Agora, quer ampliar o rombo para R$ 159 bi. Mas não vai ficar nisso. Aumentará o déficit, no Congresso, para R$ 170 bi, para atender às emendas dos parlamentares de que precisa para aprovar sua pauta regressiva. Para isto, precisa dilapidar o estado e a soberania nacional. E forjar uma suposta necessidade de vender a Eletrobras é parte desta pauta.

Atribuir uma suposta necessidade de privatização da Eletrobras ao meu governo, por ter promovido uma redução das tarifas de energia, é um embuste dos usurpadores, que a a imprensa golpista difunde por pura má-fé. É a retórica mentirosa do golpismo.

As tarifas de energia deveriam mesmo ter sido reduzidas, como foram durante o meu governo,. Não porque nós entendêssemos que isto era bom para o povo – o que já seria um motivo razoável – mas porque se tratava de uma questão que estava e está prevista em todos os contratos que são firmados para a construção de hidroelétricas. Depois da população pagar por 30 anos o investimento realizado para construir as usinas, por meio de suas contas de luz, é uma questão não apenas de contrato, mas de justiça e de honestidade diminuir as tarifas, cobrando só por sua operação e manutenção. Manter as tarifas no mesmo nível em que estavam seria um roubo. Por isso reduzimos e temos orgulho de tê-lo feito. Com a privatização, será ainda um roubo.

Vou repetir a explicação, porque a Globo faz de tudo para distorcer os fatos e mentir sobre eles. Quando uma hidrelétrica é construída por uma empresa de energia – pública ou privada – quem paga pela sua construção é o consumidor. A amortização do custo da obra leva geralmente 30 anos e, durante este tempo, quem paga a conta deste gasto vultoso é o usuário da energia elétrica, por meio de suas contas de luz.

Quando a hidrelétrica está pronta, o único custo da empresa de energia passa a ser a operação e a manutenção. Daí, é justo que o povo deixe de continuar pagando por uma obra que já foi feita e, depois de 30 anos, devidamente paga. É mais do que justificado, portanto, que as tarifas que custearam a construção sejam reduzidas.

Se as empresas de energia – públicas ou privadas – mantiverem as tarifas no mesmo nível, e eventualmente até impuserem aumentos nas contas de luz, estarão tirando com mão de gato um dinheiro que não é delas. É uma forma de estelionato. Não se deve esperar que empresas unicamente privadas, cujo objetivo é principalmente a lucratividade de sua atuação, entendam que uma equação justa deveria impor modicidade tarifária quando os custos altos da construção de uma usina hidrelétrica já não existem mais.

Apenas o Estado – um estado democrático e socialmente justo – tem condições de entender esta situação e autoridade para agir em defesa dos interesses dos consumidores.

Entregar a Eletrobras e suas usinas já amortizadas para algum grupo privado, talvez estrangeiro, significa fazer o consumidor de energia pagar uma segunda vez pelo que já pagou, além de abrir mão de qualquer conceito estratégico em relação à produção, distribuição e fornecimento de energia com segurança e sem interrupções e apagões.

Privatizar a Eletrobras é um erro estratégico. Erro tão grave quanto está sendo a privatização de segmentos da Petrobras. No passado, essas privatizações já foram tentadas pelos mesmos integrantes do PSDB que hoje dividem o poder com os golpistas. Naquela época, isso só não ocorreu porque os seus trabalhadores e o povo brasileiro não permitiram. Mais uma vez devemos lutar para não permitir.

Assessoria de Neymar mostra surpresa com ação movida pelo Barcelona

A NN Consultoria, que presta assessoria ao jogador Neymar, divulgou nesta terça-feira à tarde uma nota de esclarecimento acerca de ação judicial movida na Espanha pelo Barcelona contra o atleta. Abaixo, na íntegra o comunicado da NN:

“Cumpre-nos informar que o atleta Neymar Júnior e seus advogados já estão cientes do comunicado divulgado hoje – 22/08 – pelo F.C. Barcelona, acerca da ação promovida perante a Justiça Social de Barcelona.

Vale ressaltar que tal notícia foi recebida com surpresa, vez que o Atleta cumpriu integralmente o contrato então vigente, com o depósito integral dos valores livremente pactuados com o F.C. Barcelona visando sua liberação.

Não obstante, quando da regular citação e após a análise integral da demanda promovida pelo Clube, a defesa formal do Atleta será oportunamente apresentada.

Já com relação aos bônus devidos pela assinatura do contrato de 2016, contratualmente ajustados e declaradamente não pagos pelo F.C. Barcelona, cumpre ainda informar que o Atleta já iniciou o procedimento formal de cobrança perante o foro competente”.

 

Bergson reforça ataque do Papão contra o Internacional

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O gaúcho Bergson é a principal arma do Paissandu para o jogo de sexta-feira contra o Internacional, em Porto Alegre. O atacante, artilheiro do time na Série B com 6 gols, já se recuperou de lesão e volta à equipe para tentar surpreender o vice-líder da competição. Bergson começou nas divisões de base do Inter e depois se transferiu para o rival Grêmio, onde permaneceu de 2008 a 2011.

Na partida contra o Paraná Clube, o time sofreu com a falta de pontaria dos atacantes e uma certa parcimônia para arriscar chutes de média e longa distância. Bergson tem se notabilizado justamente por chutar de fora da área, tendo marcado vários gols dessa forma.

Mesmo sem estar 100% fisicamente, o jogador deverá entrar jogando em função da importância da partida. No primeiro turno, o Papão venceu por 1 a 0 no Mangueirão, gol de Fernando Gabriel, que já deixou o clube.

A baixa bicolor para sexta-feira é o zagueiro Gualberto, que deixou o jogo contra o Paraná devido a uma lesão no olho direito. Em seu lugar, entrará Diego Ivo para formar dupla com Fernando Lombardi.

O Paissandu ocupa a 14ª posição, com 27 pontos.

(Foto: FERNANDO TORRES/Ascom-PSC)

Goiano tem baixas e dúvidas para o jogo de sábado contra o Moto

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Com a suspensão dos volantes Ilaílson e João Paulo e do lateral Jaquinha, o técnico Léo Goiano deve escalar para sábado, contra o Moto Clube, um time novamente cheio de improvisações. Jayme deve ocupar a lateral direita e Gerson pode voltar à ala esquerda. Dudu e França devem ser os volantes e, no setor de criação do meio-campo, deve ser mantida a dupla Flamel e Eduardo Ramos.

Os elogios à grande atuação dos meias contra o Botafogo-PB continuam a repercutir entre a torcida e encontram eco nas palavras do próprio Léo Goiano, que não confirma, mas deve prestigiar o bom momento dos jogadores mais habilidosos do time.

Com 21 pontos, o Remo precisa atingir pelo menos 27 para passar à próxima fase. Terá dois jogos fora – Moto e Salgueiro, na última rodada – e um em casa, contra o Sampaio Corrêa. (Foto: MÁRIO QUADROS)

Lembranças de um comediante da fuzarca

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POR GERSON NOGUEIRA
Reconheço que lá no comecinho não curtia muito o humor amalucado de Jerry Lewis, em função do tom de voz do dublador das “sessões da tarde”. Achava chato. Com o tempo, porém, fui virando fã das caretas e peripécias físicas do grande ator. Sim, porque nessa história de comédia muitos custam a atinar que há sempre um grande intérprete por trás.
Acho que vi todos os seus filmes, sendo que “O Professor Aloprado”, “Bancando a Ama-Seca” e o “O Rei do Laço” uma porrilhão de vezes. A presença de Dean Martin, ali como escada de luxo, era um ponto forte do trabalho de Lewis e a prova inescapável de sua genialidade ao fazer de um ator mediano como Martin um coadjuvante espetacular.
Li certa vez que Lewis era um dos caras mais inteligentes do cinema americano, dono de QI altíssimo. Por isso, era tão exigente e meticuloso na construção de personagens, caprichando no tempo exato de cada gesto ou enquadramento.
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Em 1982, Martin Scorsese fez com ele e De Niro um filmaço, “O Rei da Comédia”, no qual Lewis aparece num papel dramático, longe das gags que o celebrizaram. Ainda assim, impecável.
Com sua morte, somos obrigados a olhar em voltar e perceber que os grandes cômicos sumiram do mapa. Verdade que aparece, de vez em quando, aqui e ali, um engraçadinho qualquer, mas longe de representar uma legenda no mundo do humor.
Um troço engraçado no universo da comédia é que expressamos preferências sem muita lógica, até porque os estilos se diferenciam muito de ator para ator.
Adorava O Gordo & O Magro, mas odiava Os 3 Patetas. Acho Jacques Tati genial, Peter Seelers também. Apreciava Danny Kaye, Gene Kelly, Richard Pryor e Gene Wilder.
No Brasil, sempre preferi Zé Trindade a Oscarito, Costinha a Ankito, Grande Otelo a Mazarópi.
Senti as perdas de Belushi e John Candy.
Ainda gosto de Steve Martin, mas não aguento ver Jim Carey, por coincidência o mais óbvio imitador de Lewis.
Last but not least, escrevi estas linhas meio tortas apenas pra dizer que a partida de Lewis nos deixa (a quase todos) órfãos do bom humor, da comédia como expressão de arte. Há algo meio fora de ordem conspirando pra deixar o mundo cada vez mais carrancudo, intolerante, direitoso e fascista.
(Ironia das ironias, o cidadão Lewis cultivava ideias ultraconservadoras, como a hostilidade a imigrantes. Vá entender…)