Vitória suada e convincente

21 de agosto de 2017 at 10:55 12 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

A reta final do jogo deu a falsa impressão de um duelo complicado, com possibilidades iguais para cada lado. Na verdade, o Remo foi superior o tempo todo, impôs um ritmo seguro no primeiro tempo, fez seu gol e não permitiu chances ao visitante. Sofreu o empate no início da 2ª etapa, mas teve forças para assegurar a vitória a poucos minutos do fim. Um novo tropeço seria fatal para as pretensões na Série C e um castigo imerecido.

No aspecto geral, foi a melhor apresentação remista na Série C. Pela primeira vez, o Remo se mostrou organizado, acertando passes e exibindo um bom repertório de jogadas a partir da presença de Eduardo Ramos e Flamel, desfazendo a velha cisma de que ambos não poderiam ser escalados desde o início de um jogo.

Com o camisa 10 posicionado junto à linha ofensiva como meia-atacante, Flamel cuidou das articulações no meio, desincumbindo-se bem da tarefa. Mas, para que a dupla funcionasse, os volantes tiveram que se desdobrar, o que resultou em boas atuações de João Paulo e Dudu.

O lado mais forte do Remo era sempre o direito, embora o improvisado Ilaílson não apoiasse com a constância necessária. Apesar disso, Pimentinha causava um furor em cima da marcação do Botafogo, levando sérios perigos a cada arrancada. Logo no começo, deu passe precioso para Ramos, que chutou em cima do goleiro.

A jogada do primeiro gol surgiu aos 25 minutos após lançamento de Martony endereçado a Pimentinha na direita. O atacante passou pela marcação e tocou para Ramos na linha da pequena área. O meia chegou de carrinho, mandando para o fundo das redes do Belo.

Depois do intervalo, o Remo voltou agressivo, insinuante e perdeu duas boas oportunidades, com Ramos e Pimentinha. Depois, num descuido de marcação, uma falta cobrada com rapidez apanhou a defesa azulina em linha. A bola chegou a Dico, que finalizou na saída de Vinícius, aos 6’. O gol desnorteou os azulinos, que entraram em desespero com a iminência de mais um mau resultado em casa.

O atordoamento durou uns 15 minutos, mas, ainda assim, a equipe não desistiu de atacar com consciência, aproveitando as tabelinhas entre Flamel, Pimentinha, Edgar e Ramos. Em alguns momentos, o Remo colocava até seis jogadores junto à área adversária.

Aos 34’, Ramos desviou cruzamento perfeito de Edgar, mas a bola passou à direita do gol. Aos 40’, porém, veio o lance que fez o Mangueirão explodir: Flamel lançou na área, na cabeça de Ramos, que tocou de cima para baixo, marcando o gol da vitória. Foi o coroamento da parceria, provando que a qualidade de ambos pode ser utilíssima ao Remo.

Triunfo justo, que teve como fator crucial a intensidade do jogo executado pelos azulinos. No aspecto individual, Ramos, Flamel, Pimentinha, João Paulo e Martony foram os destaques da apresentação. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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Dispersivo, Papão mantém jejum em casa

A cábula permanece. O Papão voltou a ter dificuldades para se impor e acabou empatando com o Paraná Clube, no sábado à noite. Como ocorre há algumas rodadas, o time não encontrou inspiração para triunfar dentro de casa. Apesar do esforço, foram infrutíferas as tentativas de chegar ao gol, quase sempre prejudicadas pela afobação no momento de definir.

No primeiro tempo, o Papão praticamente não incomodou o goleiro adversário. Só ameaçou de verdade em chute de Carandina e no disparo de Rodrigo, que desviou na defesa e quase entrou. No segundo período, com Rodrigo Andrade no meio, a equipe partiu para o abafa, mas sem a criatividade necessária para chegar ao gol.

O melhor momento da equipe veio já no final, entre os 40 e os 48 minutos. Foi quando ocorreu o polêmico lance do pênalti, depois de a bola bater no braço de um zagueiro do Paraná.

A demora nas substituições retardou a evolução do Papão na etapa final. Quando passou a ter Rodrigo Andrade e Diogo Oliveira na armação e nas puxadas de ataque, o time teve presença mais incisiva na frente, embora sem oportunidades claras de gol.

Mais fechado e rápido nas saídas, o Paraná tinha como estratégia esperar uma chance de contra-ataque. Quase conseguiu no começo do 2º tempo, obrigando Emerson a duas grandes defesas. No fim das contas, o empate fez justiça ao futebol apresentado. Ninguém mereceu vencer.

Do jeito como o Papão de Marquinhos joga, sem força pelos lados do campo e com um centroavante improdutivo, a ausência de um atacante como Bergson – que não tem medo de arriscar – acaba pesando muito.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 21)

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O adeus do Rei da Comédia Enquanto isso…

12 Comentários Add your own

  • 1. Jorge Paz Amorim  |  21 de agosto de 2017 às 11:37

    A falta de força não é só pelos lados. Ela ocorre também pelo meio porque o time se recusa a ocupar os espaços do gramado. Tenho a impressão que o Papão é o que mais dá liberdade ao adversário, não por acaso, é o time que havia tomado mais cartões amarelos no primeiro turno. Claro, chegando sempre atrasado.
    Quanto ao Bergson, perfeita colocação: “não tem medo de arriscar”. Mas isso não quer dizer, como pensam alguns, que o Papão depende dele. Algumas das vitórias mais convincentes ocorreram durante sua ausência.
    Continuo achando que o inusitado medo de levar contrataque faz com que a equipe não ataque, já que ir à frente com dois ou três jogadores e em toda bola parada mandar seus zagueiros e um volante pra área não traduz poder de fogo.

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  • 2. Antonio Valentim  |  21 de agosto de 2017 às 15:14

    Agora é vencer o Moto.

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  • 3. Luis Felipe  |  21 de agosto de 2017 às 17:43

    Menção honrosa ao atacante Luiz Eduardo. Quase não recebe bolas para fazer gols, mas é guerreiro (diferente do Nino) e volta pra marcar. Joga para a equipe. Acho até que se doa demais a equipe e acaba se prejudicando individualmente, pois não tem pernas pra ir e voltar toda hora, ficando fora da área em alguns momentos.
    Na imagem acima ele tá tentando roubar a bola junto com o volante João Paulo.

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  • 4. Robson de Oliveira  |  21 de agosto de 2017 às 18:38

    Concordo com as escolhas dos destaques azulinos, fiquei muito feliz em ver finalmente um jogo solido do João Paulo. Pouco falhou e correu o campo inteiro, mostrou bom preparo físico. A grata surpresa foi o Martony, fez um grande jogo ainda mais se tratando que era a sua estreia com a camisa azulina.

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  • 5. camiloferreira  |  21 de agosto de 2017 às 20:07

    Gostei da estreia do Martony, formou uma boa dupla de zaga com o leandro silva, também foo bom ver o Remo com uma postura pfensiva, mostrou inclusive ao próprio LG que ele deve jogar assim cada partida.

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  • 6. lucilofilho  |  21 de agosto de 2017 às 20:42

    Eu entendo a frustração do torcedor do paysandu até agora na série B. Após uma vitória convicente, o torcedor fica na expectativa, agora vai, e nada acontece, não foi desta vez.

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  • 7. lucilofilho  |  21 de agosto de 2017 às 20:45

    No Remo é aguardar o próximo jogo contra o Moto Clube e constatarmos a consolidação dessa evolução mostrada no jogo de ontem.

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  • 8. lopesjunior  |  21 de agosto de 2017 às 22:07

    Léo Goiano é um ótimo treinador. Espero que tenha deixado seus dias de Parreira para trás e pense mais em ataque e em gols.

    Sem dúvida que João Paulo mostrou consistência, para mim pela primeira vez desde que chegou… Sempre o critiquei pelas más jornadas, mas devo parabeniza-lo pelo jogo de ontem.

    Martony, além de dar consistência e mais segurança à zaga com Leandro Silva, sai jogando com muito mais tranquilidade que Bruno Costa, que é lento e dá muito chutão, ainda que vá bem no mano a mano e na força física. Demorou para estrear.

    Vê-se de longe que Jackinha tem personalidade, pena que as coisas não estejam dando certo para ele. Gostaria que Léo Rosas tivesse a mesma atitude e desse a volta por cima. Bola, ele tem. Como Ilaílson e Jackinha estão suspensos, penso que Léo Rosas deve retornar ao time, para ter o apoio de França e Pimentinha pela direita. Assim, deve fazer um bom jogo e espantar a “uruca”… Gerson é naturalmente o lateral esquerdo… Improvisações, deixaria pro segundo tempo…

    Luis Eduardo é o centro-avante quase sem gols que a torcida, mesmo assim, apoia. Joga pro time, marca “pressão” no ataque, luta do início ao fim do jogo. Não tem marcado devido às finalizações precipitadas dos meias ou falta de capricho na assistência. Falta detalhe pra ele começar a fazer gols.

    Penso que contra o Moto, a cabeça-de-área deve ser João Paulo e França, com a manutenção de Flamel e Eduardo Ramos na criação e aproximação, com Pimentinha e Luis Eduardo infernizando nos contra ataques.

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  • 9. lucilofilho  |  21 de agosto de 2017 às 23:09

    João Paulo levou o terceiro cartão e está fora do jogo, amigo Lopes.

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  • 10. Antonio Valentim  |  22 de agosto de 2017 às 7:22

    Vê-se que quando o time joga com qualidade e no ataque, os gols acontecem. Percebi isso nesse jogo em que tanto Pimentinha quanto Flamel serviram de forma consciente Eduardo Ramos nos gols do Remo.

    Ao contrário disso, os chutões de qualquer jeito, meio que se livrando da bola, não surtiam efeito positivo.

    Tomara que o treinador arme o time de forma inteligente e não abdicando do ataque, apesar dessas ausências, das quais a mais lamentada por mim é a do João Paulo.

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  • 11. lopesjunior  |  22 de agosto de 2017 às 8:35

    Lucilo, então são Jackinha, João Paulo, Ilaílson e Dudu suspensos? Acho que Dudu está suspenso também…

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  • 12. lopesjunior  |  22 de agosto de 2017 às 8:48

    Chequei as informações e Dudu não tá suspenso não!… sendo assim, a cabeça de área será naturalmente Dudu e França. Espero que Gerson assuma a canhota porque Tsunami já entra com cartão amarelo…

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