Leão festeja reorganização e centenário do Evandro Almeida

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O estádio Evandro Almeida, o Baenão, completa hoje 100 anos de existência e a data será festivamente lembrada por torcedores azulinos reunidos em torno do grupo que trabalha pela reconstrução da tradicional praça de esportes, sem ligação com a diretoria da agremiação. O aniversário coincide com o transcurso dos 106 anos de reorganização do Clube do Remo.

No Baenão, ainda em obras, haverá nesta terça-feira uma programação que visa atrair famílias azulinas para reverenciar um dos grandes patrimônios do clube, que quase foi destruído pelo ex-presidente Amaro Klautau, que pretendia trocar o estádio por uma área no Lixão do Aurá com a promessa ainda de quitação das dívidas do clube.

A proposta nunca foi confirmada oficialmente, mas Klautau ainda teve tempo de destruir a picaretadas o velho escudo remista incrustado no pórtico do Baenão, de frente para a Almirante Barroso. O objetivo era descaracterizar o estádio como patrimônio histórico e, com isso, facilitar a transação imobiliária.

Há quatro anos, o Baenão voltou a ser ameaçado de extinção com um projeto que se mostrou equivocado durante a gestão Zeca Pirão. Na ocasião, foram derrubadas as cadeiras, alambrados e alas destinadas a camarotes, até hoje não recuperados.

O Baenão foi fundado em 1917 e construído inicialmente com arquibancadas de madeira, tendo capacidade para 2,5 mil torcedores. Foi palco de algumas das grandes conquistas azulinas, tendo recebido clubes de primeira linha do futebol mundial, como o Santos de Pelé, o Botafogo de Nilton Santos e o Benfica de Eusébio.

Foi lá que o clube conquistou também títulos importantes, como o estadual de 1968, vencido de forma invicta por um time que alinhava histórica linha ofensiva, com Birungueta, Celso, Rubilota, Amoroso e Zequinha (foto acima).

Conscientes da importância de manter de pé o velho estádio, um grupo de torcedores fundou o movimento “O Retorno do Rei ao Baenão” para levantar recursos e doações visando a reconstrução do patrimônio azulino. Muita ajuda tem vindo das comunidades azulinas no interior paraense. As obras foram divididas em dez etapas, sendo que o primeiro passo já foi cumprido, com a recuperação das arquibancadas principais, tanto do lado da 25 de Setembro quanto da Almirante Barroso.

Essas realizações serão apresentadas ao público nesta terça-feira durante a programação festiva prevista para o estádio, a partir das 8h33 da manhã. Ao longo do dia, ídolos da história remista serão reverenciados – Agnaldo, Mesquita, Ageu, Edson Cimento e outros. A agenda prevê sessão de fotos com os ex-atletas, partidas de futebol e shows musicais.

Papão quer superar Paraná para consolidar boa fase

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A convincente vitória de sábado sobre o Oeste, por 3 a 1, além de devolver a confiança ao time do Papão para o segundo turno da Série B, trouxe um problema agradável ao técnico Marquinhos Santos. Os reservas Lucas Taylor e Fernando Lombardi tiveram atuação destacada na partida, plantando dúvidas na cabeça do treinador quanto à escalação para o jogo de sábado contra o Paraná Clube, no Mangueirão.

Os titulares Perema e Ayrton, já em franca recuperação de problemas físicos, devem estar à disposição de Marquinhos para a partida. O elenco se reapresentou nesta segunda-feira à tarde, na Curuzu. Segundo o treinador, vencer o Paraná significará a consolidação da boa fase da equipe e a volta por cima nos jogos como mandante.

O Paraná é o 6º colocado, com 30 pontos. Tem um dos melhores ataques da competição, com 27 gols marcados. É a segunda artilharia, ao lado da do América-MG e logo abaixo de Internacional e Londrina. (Foto: Fernando Torres/Ascom-PSC)

Transações misteriosas

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POR GERSON NOGUEIRA

Quando o Barcelona anuncia pomposamente a contratação do volante Paulinho, que estava jogando no futebol chinês, é legítimo concluir que há algo de errado com uma das mais consagradas e repetidas máximas do nobre esporte bretão: aquela que prega não haver mais bobo no futebol. Antes de conclusões precipitadas, é preciso observar que o clube dispõe de dinheiro de sobra para torrar em contratações, a partir da multa paga pelo PSG (mais de R$ 800 milhões) pela liberação de Neymar.

Ainda assim, com tamanha fortuna em mãos, além da dinheirama que o Barcelona já tem normalmente, soa esquisito que o primeiro reforço anunciado pós-Neymar seja justamente um volante de limitações óbvias, que não deu certo no futebol inglês, bem menos técnico que o espanhol, e que até hoje só jogou direitinho sob a batuta de Tite. Paulinho custou R$ 151 milhões ao Barcelona – o 4º reforço mais caro da história do Barça, atrás apenas de Neymar, Luizito Suárez e Zlatan Ibrahimovic.

É claro que a boa fase na Seleção Brasileira foi fator decisivo para que Paulinho chegasse ao Camp Nou. Os mais empedernidos defensores do ex-corintiano irão argumentar que o Barcelona já tomou outras decisões surpreendentes, como a de apostar no limitado Belletti há alguns anos, por exemplo – até com bons resultados no fim das contas.

O clube azul-grená também cometeu a contratação de Gabriel Milito, um beque argentino pouco mais do que esforçado, e tem hoje no elenco outro defensor hermano, Javier Mascherano, cujas façanhas em campo são sempre associadas à capacidade de nocautear adversários.

Nesse aspecto, a aquisição de Paulinho não chega a ser um despautério. De todo modo, para quem viu o volante atuando na Seleção de 2014, perdido no meio-campo desatinado que Felipão armou com Fernandinho a lhe fazer companhia, ficam muitas dúvidas no ar quanto aos critérios de contratação seguidos por um dos gigantes do futebol no mundo.

Sigo, porém, com a convicção de que os rumos dos negócios são ditados principalmente pela capacidade de convencimento dos grandes empresários. Em última análise, o que realmente conta é a velha lábia na hora de propagandear determinado atleta.

Não esquecer nisso tudo a relevância que a camisa canarinho ainda tem, apesar dos pesares, na hora de valorar um jogador de futebol. Ao mesmo tempo, quando vejo um Paulinho sendo contratado a peso de ouro, não consigo deixar de imaginar o que pensam disso craques indiscutíveis como Jairzinho, Rivelino, Zico e outros, cujas fantásticas carreiras não tiveram o mesmo feliz destino financeiro.

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Direto do blog

“O PSC é uma baita contradição neste brasileiro, de tal modo que poderíamos dizer que não é este Paissandu que conhecemos ao longo dos seus mais de 100 anos. Por que falo isto? Por que nós estávamos habituados a ver nossos times como caseiros e covardes (ao jogar fora).

O Paissandu, ao contrário de outros anos, tem se mostrado valente fora e fraco em casa neste Brasileiro. Paissandu 26 pontos – 7 vitórias, com 3 vitórias em Belém e 4 vitórias fora.

Penso que esta é provavelmente a primeira vez que um time do futebol paraense tem mais vitórias fora de Belém do que jogando em seus domínios… Vai entender, né?”.

Carlos Lira, tentando racionalizar as incongruências da campanha alviceleste.

“É límpido e claro que o elenco do Remo não está mais engajado em disputar esse resto de Série C. O amadorismo administrativo e a constante insegurança financeira que habitam os arraiais azulinos refletem diretamente na concentração e no ânimo dos atletas. Prova disso a displicência com que atuou sábado, em Maceió. O que me preocupa é que será assim, daqui em diante, na competição, acarretando sérios riscos de permanência na terceira divisão, o que para mim já estaria de bom tamanho. Nessa altura, se fosse possível e se as pendengas trabalhistas permitissem, preferiria que fosse a campo, a partir de agora, um elenco completamente regional, complementado com jogadores da base, para pelo menos vermos alguma motivação e entrega dentro das quatro linhas. Tristes tempos, Leão…”.

Anselmo Gomes, leonino descrente quanto ao futuro do Remo na Série C

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Festa de aniversário e congraçamento no Baenão

Torcedores que trabalham pela reconstrução do Baenão realizam hoje, no 106º aniversário de reorganização do Remo, programação musical e esportiva no Evandro Almeida. Homenagens a antigos ídolos e futebol para as diversas faixas etárias, a partir das 9h.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 15)