Velho filme sem final feliz

9 de agosto de 2017 at 0:40 6 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

Justo no dia do aniversário de um momento glorioso da história do Remo, o clube viu-se novamente por acontecimentos desfavoráveis e que retratam a grave crise administrativo-financeira que atravessa. Os jogadores se recusaram a treinar, insatisfeitos com o atraso de salários. A situação pode colocar em perigo o futuro do time na Série C.

Na quarta colocação do grupo A e dentro da zona de classificação à próxima fase, o Leão tem 18 pontos e mantém vantagem de apenas um ponto sobre o quinto colocado (Salgueiro, 17). O cenário se complica mais em função dos dramas internos que podem afetar o desempenho em campo.

O filme é velho, mas insiste em se repetir. Como sina, o Remo reproduz desacertos administrativos, atrasando salários de atletas, comissão técnica e funcionários e submetendo-se a eventos constrangedores, como a paralisação decidida pelos jogadores, ontem à tarde, no Baenão.

Quem acompanha o Remo já sabe o que sempre ocorre no 2º semestre. A crônica falta de recursos para manter um time com folha salarial acima das possibilidades explode sempre no meio da competição mais importante, problema que já arruinou campanhas anteriores.

No ano passado, por exemplo, fustigado por problemas da mesma natureza, o time chegou à reta decisiva da Série C com chances de obter o acesso, mas sucumbiu à falta de pagamento aos atletas e ao consequente desânimo em campo.

Por coincidência, os mesmos dirigentes que criticavam gestões passadas por erros desse porte incorrem em pecados semelhantes. A ciranda é a mesma de sempre: salários atrasam porque as rendas sofrem bloqueio de 40% para pagamento de dívidas trabalhistas e não há outro meio de levantar recursos.

O time, que começou cambaleante na Série C, experimenta raro momento de estabilidade desde a chegada do novo treinador, Léo Goiano. Mesmo sem encantar a torcida, permanece invicto há quatro rodadas.

Na seara interna, a recente campanha eleitoral – vencida por Manoel Ribeiro – teve como fator decisivo junto aos sócios a promessa de que “um milionário” iria apoiar a gestão. Até o momento, o mecenas não deu as caras e a pindaíba começa a cobrar um preço alto demais, provando que o Remo não pode mais viver de salvadores da pátria. Para sobreviver no futebol atual é preciso se organizar e trabalhar sério.

Em tempo: a data festejada ontem foi a do aniversário do amistoso entre Remo e Benfica, disputado há 49 anos num Evandro Almeida entupido de gente. Torres, um dos principais jogadores da Europa à época, marcou para os encarnados. Amoroso, ídolo do Leão, empatou a partida.

O amigo Edyr Augusto, que foi ao jogo, conta que o Remo deu a saída e a bola caiu com o ponta Zé Ilídio. Ele avançou e cruzou com perigo, alvoroçando a torcida e inquietando Oto Glória, técnico do Benfica, que mandou reforçar a marcação. Zé Ilídio não pegou mais na bola. Antes do jogo, como rezava a tradição, o craque Eusébio vestiu a camisa azulina.

Hoje, meio século depois, o Remo contabiliza os custos de seus próprios erros e teimosias. Caso pudesse se olhar no espelho, o Leão iria ver as marcas do tempo e lamentar não ter mais nem um estádio para chamar de seu – visto que o Baenão foi destruído por um ex-presidente.

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Direto do blog

“Faltam 19 rodadas que é igual a 57 pontos. O Rei da Amazônia tem apenas 23 pontos. Só pode chegar a 80 pontos. Para o acesso, precisa de 62 pontos, mais 39 pontos no caso. Precisaria vencer 13 das 19 partidas. Para se manter precisa de 46 pontos, precisando vencer 7 ou 8 partidas. Resumindo: na mesma proporção está tão difícil subir como cair. A não ser que o Paysandu se torne um super time ou se torne pior do que foi. Na minha modesta opinião, o PSC talvez termine no meio da tabela. Aos secadores, um aviso: o Pay de vocês não vai cair”.

Edson do Amaral, baluarte do blog, fiel bicolor e matemático nas horas vagas.

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Jogo festivo revela abismo de qualidade

O desnível do futebol brasileiro em relação aos grandes da Europa, mais do que evidente nos últimos anos, foi mais uma vez explicitado no jogo-treino do Barcelona contra a Chapecoense, no Camp Nou. Mesmo descontado o fato de que era um encontro festivo, sem maiores preocupações com o placar, ficou patente a fragilidade do time brasileiro diante das manobras em velocidade dos craques adversários.

É bom não esquecer que a Chape disputou a Libertadores deste ano e integra a Primeira Divisão nacional. Em alguns momentos da partida, os jogadores do Barça davam-se ao luxo de repetir aquelas brincadeiras que o Santos de Pelé e Coutinho adorava aprontar mundo afora, deixando os pobres adversários na roda de bobo. Sinal dos tempos.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 09) 

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Rock na madrugada – Sheryl Crow, My Favorite Mistake A tuitada do dia

6 Comentários Add your own

  • 1. lopesjunior  |  9 de agosto de 2017 às 7:28

    Falando em amadorismo, caro Gerson, o regulamento da série C deste ano veio bem a calhar porque o limite de contratações expõe a incompetência porque escancara as deficiências administrativas, obrigando irremediável e inapelavelmente ao planejamento e ao abandono definitivo do amadorismo. A nossa diretoria azulina sempre fez contratações sem muito critério, porque poderia corrigir uma rota desastrosa pelo poder econômico, ao longo da competição. Não que o Remo seja patrocinado por um sheik árabe, mas às vezes pode mais que os adversários, porque tem uma torcida apaixonada, como com relação ao enjoado Salgueiro-PE, cuja folha salarial é bem mais modesta mas com um time mais motivado e arrumado em campo. Vê-se claramente que para além das lambanças de gestões anteriores, a diretoria atual deu a própria contribuição à continuidade da tradição desastrada e para a triste sina azulina que, quase sempre por incompetência própria fica no quase, fica procurando explicações para oportunidades perdidas, fica desperdiçando seguidas oportunidades de acesso, como nesta série C de nível mediano em que um time entrosado poderia manter-se no G4 sem muito esforço ou brilhantismo. Daí é fácil compreender que uma gestão minimamente competente teria montado um time competitivo desde o Parazão que fosse ao menos capaz de vencer os jogos em casa.

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  • 2. Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.  |  9 de agosto de 2017 às 11:23

    Se esse jogo começasse 9×0 pra Chape
    O Barcelona tiraria essa vantagem

    Agora o que tem de iludido dizendo que o Corinthians tem nível desses grandes clubes é impressionante

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  • 3. Alessandro  |  9 de agosto de 2017 às 12:46

    A torcida temos é que protesta contra os jogadores quer eles quer jogam vencendo os jogos a torcida vai mais não ganhando ficar difícil sei que a diretoria tem culpa mais jogadores também não são nenhum anjinhos ser pelo menos trazer um empate contra o Csa já está bom

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  • 4. Copulatum et Malum Remuneratum  |  9 de agosto de 2017 às 14:14

    Em resposta oa comentário do amigo Édson do Amaral, eu até concordo que o Corinthians talvez não estivesse no mesmo nível de Barcelona, Real Madrid, Manchester (City e United), PSG, Bayern, enfim, os grandes clubes europeus.
    Eu contnuo acreditando que aqui no Brasil, talvez o único clube com poderio pra fazer frente a esses times, ainda é o Clube do Remo! Com Léo Rosas e Jaquinha em tarde inspirada, ninguém supera o Leão…

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  • 5. camiloferreira  |  9 de agosto de 2017 às 17:58

    Gerson, aquela velha tecla que bato há anos mais uma vez não foi seguida, elenco regional com pontuais reforços, piso e teto salariais bem definidos, sistema de aproveitamento de jogadores formados nas categorias de base. Eu te juro, só queria que um presidente lesse ou ouvisse o meu simples e óbvio planejamento para uma temporada azulina. Sabe o líder CSA?! Pois é, montou um time modesto, uma folha razoável, deu subsídios e é líder com folga, enquanto isso as administrações azulinas atingem níveis inacreditáveis de desgosto.

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  • 6. Nelio(O Paysandu jamais caiu para a vergonhosa quarta divisão)  |  9 de agosto de 2017 às 18:40

    Deus que queira que a matemática do Amigo Edson Amaral funcione porque só permanecer ne série B já é muita vantagem. O
    meu medo não é a matemática ou os números, mas sim plantel bicolor que realmente é muito travoso, ruim. É aquele tipo de plantel que o time titular não transmite nenhuma confiança e o vc analisa o plantel e verifica que não tem mais nenhum atleta que possa entrar ou estrear em que vc passa dizer: ” esse quando entrar no time poderá ajudar muito ou fazer a diferença. “. Quanto ao calvário azulino tem um trecho na coluna que diz que um ex presidente derrubou grande parte do estádio e deixou o clube em maus lençóis. Diante de uma calamidade azulina tipo essa, ainda tem remocreia que que fica fazendo piadinha com a queda do muro da Curuzu derrubado propositalmente pela gangue remoçada. Quanto à Chapecoense, Barça etc. Por um momento ou muitos momentos achei que o jogo seria festivo e solidário e de compadres no sentido do clube catalão conceder mais uma taça internacional ao time catarinense em virtude da tragédia que sofreu. Porém me equivoquei e o Barça fez igual como a Alemanha fez com o Brasil e simplesmente humilhou o clube brasileiro, foi deprimente . Acho que o time catarinense fez mal indo para esse jogo sem ter nenhuma condição d fazer frente ao Barça. Porém pode demorar mas vai chegar um dia que esse poderoso time mundial em algum momento deva enfrentar o Paysandu. Aí eles vão sentir o peso da tradição e saga bicolor em só querer bater times poderosos do futebol mundial onde os números não mentem jamais( 3×0 no Penharol do Uruguai, 2×0 no Flamengo de Edmundo, Romário e Savio na auge da carreira pela ´serie A, 6×2 no Cerro Portenho dentro de Defensores Del Tchaco pela Libertadores, 1 x0 no Boca Junior em plena mitológica Labombonera pela Libertadores.) Barça pode esperar, a tua hora vai chegar.

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