Dívidas antigas atormentam o Papão

Uma antiga pendência trabalhista, dos tempos de Geraldo Rabelo, vieram à tona nesta semana no Paissandu. O caso envolve o ex-jogador Antônio Carlos, que atuou no clube em 1994 e entrou com pedido de indenização dois anos depois. “Antonio Carlos jogou em 94, e a ação é de 96. Ação transitou em julgado há uns 6/7 anos e já está em execução e vamos fazer um acordo com os advogados dele. Já estamos conversando com eles”, explicou o advogado do clube, Alexandre Carvalho.

Outra pendência da mesma época, já controlada, é com o ex-atacante Gilson Granzoto. O clube vem pagando R$ 25 mil reais desde agosto de 2015. “Devíamos a ele 847 mil e fizemos um acordo em 600 mil. Vamos pagar a última parcela do Gilson, agora em julho”. 

Na época em que deixaram o clube, os jogadores saíram com notas promissórias. Como não houve o pagamento, o débito foi aumentando. Em valores atualizados, somente a ação de Antônio Carlos gira em torno de R$ 1 milhão. Além dessas dívidas, o Papão paga também a Jóbson, Arinélson (R$ 60 mil mensais) e mais a cota de R$ 55 mil de acordos firmados com a Justiça do Trabalho. (Com informações de Magno Fernandes)

Zagueiro troca Leão por clube da Costa Rica

O zagueiro Henrique pediu rescisão contrato à diretoria do Remo. Ele falou diretamente com o presidente Manoel Ribeiro. O jogador teria recebido uma proposta do Saprissa, campeão da Costa Rica e que disputa a Liga dos Campeões da Concacaf. Questões de relacionamento com o técnico Oliveira Canindé também teriam influído na decisão do atleta.

Talento desperdiçado

POR GERSON NOGUEIRA

O Papão cansou de Leandro Carvalho. Foram concedidas inúmeras chances, mas não houve jeito de enquadrar o atleta no nível de profissionalismo que o clube tem buscado exercitar nos últimos anos. Esta é  a posição oficial da diretoria, exposta ontem depois de reunião para analisar a situação.

Leandro é jovem – 22 anos de idade e pouco mais de três como profissional –, tem possibilidades de seguir ganhando a vida com o futebol, talvez até engrenando em outro clube. É triste, porém, que esteja em disponibilidade no clube que o revelou e projetou.

As falhas de comportamento se acumularam desde que se profissionalizou. Atrasos e faltas aos treinos. Participação em torneios de peladeiros na periferia da cidade quando estava oficialmente entregue ao departamento médico. Descumprimento de normas internas e até “bolo” na apresentação à Tuna, clube ao qual havia sido cedido por empréstimo no ano passado.

Os seguidos imbróglios e polêmicas envolvendo o atleta vinham sendo assimilados pela diretoria, mas chegaram a um nível de esgotamento que nem o talento e a habilidade em campo conseguiram superar.

Não por acaso, todos os técnicos recentes lavaram as mãos e preferiram não contar com Leandro, que havia aparecido bem na final da Copa Verde 2015 (marcou até gol diante do Brasília) e vinha numa boa sequência desde o final de 2016. Era até o começo da Série B o principal jogador da equipe.

Atacante dotado de bons recursos – chute e dribles, principalmente –, Leandro arrancou elogios públicos de Dorival Jr., então técnico do Santos, após as partidas válidas pelas oitavas de final da Copa do Brasil deste ano.

Nem mesmo a possibilidade de obter projeção na Série B para uma transferência internacional fez o eterno rebelde se comportar. Nos últimos dias, ele tem treinado na Curuzu, mas já não faz parte dos planos para o restante da temporada.

Ao falar em Leandro, logo vem à mente o exemplo de jogadores como Jóbson e Arinelson, igualmente habilidosos, que sacrificaram carreiras promissoras, vitimados pela má formação inicial e ausência de preparo para enfrentar os desafios do futebol profissional.

Em outros tempos, carreiras eram preservadas pela lei do silêncio imposta pelo paternalismo reinante nos clubes. Foi assim que craques como Heleno de Freitas e Mané Garrincha atingiram a glória, no Botafogo e na Seleção. O auge durou pouco para ambos, cujas trajetórias se encerraram de maneira trágica.

Os tempos românticos passaram. Não resta mais lugar para os problemáticos. O rigor da moderna gestão dos clubes barra jogadores indisciplinados, de formação deficiente.

A questão é: a quem responsabilizar pelo desperdício de atletas com potencial tão evidente e expressivos, que deixaram de ser acompanhados de perto quando davam os primeiros passos? E a quem enviar a conta do prejuízo?

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Profissionalismo marca despedida de Montillo

Montillo decidiu arrumar as malas e deixar o Botafogo após seis meses de contrato. Frustrado com a série de contusões sofridas, que não permitiram que se consolidasse como titular e fizesse jus ao investimento do clube, o meia-atacante argentino procurou a diretoria e pediu para ir embora.

Não há como recuperar o que o Botafogo gastou, mas fica a imagem de um profissional sério, que se recusou a assumir o papel de chinelinho, como tantos outros fazem pelo Brasil afora sem nenhum pudor.

Aqui mesmo em Belém, no ano passado, teve jogador que passou mais tempo treinando em separado do que jogando, mas sem abrir mão do cumprimento do contrato.

Antes de pedir a suspensão unilateral do contrato, Montillo chegou a propor a devolução do salário, o que a lei não permite.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 29)  

Emerson prevê o fim da fase ruim

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Aós três temporadas como titular do Paissandu, o goleiro Emerson já viveu e testemunhou bons e maus momentos no clube. Conquistou um bicampeonato paraense e um título da Copa Verde, além de um sétimo lugar na Série B (em 2015). Ao mesmo tempo, sofreu com os problemas da equipe na Série B do ano passado e desta temporada.

Diante do incômodo jejum de vitórias, o camisa 1 reconhece que o time precisa melhorar, mas crê que a fase negativa está perto do fim. “Ninguém assimila derrota, mas temos sempre que tirar proveito daquilo que tem atrapalhado. Temos que tirar de lição para que não venha mais acontecer, mas a equipe é bem ciente do que tem apresentado, do que pode fazer, então o mais importante é isso”, comentou.

Sob o comando do novo técnico, Marquinhos Santos, o goleiro vê com otimismo o atual momento. “Começou um novo ciclo. As coisas velhas já se passaram. Pelo nosso primeiro trabalho, confesso para você que essa torcida vai ter muita alegria, sem sombra de dúvidas do que estou falando. Sem hipocrisia nenhuma”, disse, após o treino de quarta-feira.

Emerson elogiou os primeiros treinos comandados por Marquinhos. “A equipe já assimilou o trabalho. Todos gostaram muito do que foi apresentado. Isso é fundamental para que você possa ter noção daquilo que é pedido. Agora é só uma questão de colocarmos em prática tudo aquilo que o professor tem pedido, e estamos fazendo aquilo que ele está pedindo. Eu tenho certeza que nós vamos dar uma virada nessa situação”. (Com informações de Jorge Luís Totti; foto de Fernando Torres/Ascom-PSC)

Um desastre chamado 5ª temporada de “House of Cards”

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POR LUIDE – Amigos do Fórum

House Of Cards surgiu em 2013 como uma oportunidade do espectador médio tentar entender um pouco sobre o complexo jogo político americano. Longe de ser um retrato fiel da realidade (pois é uma série e precisa da liberdade da ficção), a série ainda assim mantinha os pés nos chão e brincava com ótimas possibilidades. E se um congressista ressentido resolvesse sabotar o mandato de um presidente? Não demoraria muito tempo para que isso de fato ocorresse no Brasil, mas mesmo antes disso, House Of Cards já despontava como o principal drama da Netflix.

Mesmo mesclando altos e baixos House Of Cards matinha um nível de qualidade graças a Kevin Spacey e Robin Wright e um sempre afiado elenco de coadjuvantes. A série logo percebeu que mais importante que coerência era catapultar sua dupla de protagonista a um posto quase divino de inteligência e perspicácia, sendo assim, ao longo de cinco temporadas, Frank e Claire foram se transformando em uma versão quase cartunesca daqueles dois personagens que fomos apresentados no primeiro ano.

Se a morte de Zoe Barnes foi o limite cruzado para mostrar até onde Underwood era capaz de chegar, o quinto ano banaliza a crueldade do personagem e House Of Cards está mais para um terror dentro da Casa Branca que um drama. Já Claire que sempre manteve um ar frio e calculista, foi progredindo até se tornar uma personagem previsível. A quebra da quarta parede deixou de ser um recurso que pegava o espectador de surpresa, e passou a ser show-off de Frank -ou talvez de Kevin Spacey que luta para sair da série com pelo menos um Emmy Awards. É como se o próprio personagem tivesse a oportunidade de escrever suas falas.

E se House Of Cards depende exclusivamente do sucesso de seus personagens para se manter (e quando isso não acontece a série desanda), a trama desse quinto ano passou longe de suprir qualquer erro na trajetória de Frank e Claire. Como de costume, foi dividida em dois atos, e impressiona a forma como o sucesso do casal Underwood foi tão previsível. A tensão não durava 20 minutos, o senso de urgência que a série criava, era destruído por alguma solução mirabolante de Doug, LeAnn ou o do próprio casal.

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Como que em um passe de mágica, Conway se transformou em uma figura controversa e totalmente afetado, o que logo no início da temporada indicava a vitória de Frank. Ainda assim é um bom entretenimento, e mesmo sabendo do fim, é possível aproveitar o caminho. Já que no que diz respeito a segunda metade da temporada, House Of Cards desanda de vez, com uma mistura de temas e uma montagem horrorosa que não te leva a lugar algum. A transição entre as cenas confunde e não ajuda o espectador a traçar uma linha de eventos ou se focar em algum acontecimento. Tudo é jogado.

Quando não cai na repetição de temas, House Of Cards volta seus holofotes a Frank e Claire, centrando todo seu esforço em dar a eles a chance de fazer mais uma cena que encha os olhos do público. Em uma clara intenção de nos chocar mostrando até onde eles são capaz. Como se isso já não estivesse claro desde o primeiro ano… mas ainda existe tempo para um novo monólogo de Frank sobre o que é política, poder e blá blá blá.

A saída do showrunner pesou. É como se House Of Cards fosse assumida por fãs, e esses fãs colocassem na tela o que eles mais gostam de ver na série, sem pensar muito no resultado. É uma pena.