Na bacia das almas

26 de junho de 2017 at 1:04 5 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

O técnico bem que tentou, mas a escalação ofensiva do Remo contra o Moto Clube, no sábado à noite, revelou-se pouco funcional e deixou o time muito vulnerável. Resulta disso tudo uma atuação instável, com muitos momentos de apagão, dois gols bobos sofridos em menos de 15 minutos e uma vitória arrancada a fórceps nos instantes finais.

Apesar do excelente resultado, a atuação de sábado trouxe preocupações quanto ao futuro próximo. Brigar pelo acesso, com o rendimento atual, é quase um sonho de uma noite de verão. Acima de tudo, o Remo deve se concentrar em atingir os 22 pontos necessários para escapar do rebaixamento.
Em situação normal, a tarefa não seria tão difícil de cumprir. Acontece que o Remo está longe de ter um time que reaja com normalidade às agruras da competição. Contra o modesto Moto, que vem mal das pernas, a equipe penou para vencer.

Os inúmeros perrengues vistos no jogo deixam claro que qualquer adversário criará problemas para os azulinos, dentro ou fora de Belém. Oliveira Canindé acatou sugestões e mandou a campo uma formação essencialmente ofensiva, com quatro jogadores que não marcam – Eduardo Ramos, Flamel, Pimentinha e Edgar.

A ideia era boa, mas se revelou complicada porque não havia suporte de marcação. Com tantas peças que não bloqueiam os avanços adversários, o time perde a capacidade de se defender, situação muitíssimo agravada pela inoperância dos laterais e dos volantes (João Paulo), além da lentidão dos zagueiros de área.

O Remo começou em ritmo empolgante. Fez o gol, aos 7 minutos, com Edgar, após grande jogada de Pimentinha. O Moto não incomodava, mas um descuido pôs tudo a perder. Mal posicionado, Bruno Costa errou ao cortar cruzamento de Rafamar e mandou a bola contra as próprias redes, aos 28′.

O empate desarvorou o time remista. As jogadas já não fluíam como antes e o Moto, mais organizado, foi ficando perigoso. Apenas 13 minutos depois, em rápida incursão pelo meio da zaga, Valber cruzou rasteiro e achou Vitinho livre para desempatar.

No último lance do 1º tempo, Flamel descolou um golaço. Ele pegou um rebote na entrada da área e acertou no ângulo esquerdo da trave do moto.

Depois do intervalo, o Moto seguiu melhor distribuído em campo e criando dificuldades. Depois de muito esforço, a vitória veio pelos pés de Gabriel Lima, já nos acréscimos.

A comemoração raivosa deixou claro o quanto ele deve se irritar por ser reserva de tantos bondes importados.

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Papão, de técnico novo, busca sair do buraco

Marquinhos dos Santos foi confirmado, na manhã de sábado, como novo treinador do Papão. Fim de uma novela que incluiu visita rápida a Belém e um pedido de tempo para analisar a proposta feita pelo clube.

O fato é que Marquinhos, nome pouco badalado por aqui, foi lembrado por força da amizade com o executivo André Mazzuco, seu colega de tempos de Coritiba. E é esse vínculo que pode vir a atrapalhar a caminhada do novo técnico.

Explico: qualquer insucesso será imediatamente debitado na conta de Mazzuco, o que é péssimo para o executivo e ruim também para a diretoria, que avalizou o negócio.

Marquinhos já entra pressionado a acertar a mão logo de cara, contra o Luverdense, que tirou do Papão o bi da Copa Verde. O certo é que o time precisa reencontrar urgentemente o molde utilizado nas quatro primeiras rodadas, quando chegou a liderar a competição.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 26)

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Rock na madrugada – Rory Gallagher, For The Last Time Capa do Bola – segunda, 26

5 Comentários Add your own

  • 1. lopesjunior  |  26 de junho de 2017 às 1:55

    Não penso que Flamel e Eduardo Ramos jogando juntos seja um problema assim tão difícil de resolver. Acho que a dupla pode funcionar, mas é necessário que os cabeças de área (principalmente João Paulo, concordo) e os laterais não percam tempo em passes pra trás e pros lados na defesa. Não vejo como normal Flamel ou Eduardo Ramos ter de vir até a intermediária para começar uma jogada de ataque. Eles devem se posicionar após o círculo central, com os cabeças de área e laterais vindo da defesa para dar apoio. Mas aí, o time só ataca se um ou outro (ER ou Flamel) voltar pra receber a bola na defesa! Até onde eu saiba, cabeças de área tem que soltar a bola mais à frente, com os laterais apoiando mais à frente também. O Moto Club levou gol de início porque não tinha informações sobre o Remo e começou dando espaços, que Pimentinha e Edgar souberam aproveitar. Com 15 a 20 minutos de jogo, Leston entendeu o que estava acontecendo e moldou o Moto Club de modo a anular a criação de Flamel. Eduardo Ramos foi anulado pelo técnico mesmo, taticamente, de saída… Aí restou observar que a defesa joga pressionada o tempo todo porque o time não avança pro ataque por que fica tocando a bola sem objetividade! É preciso mais um cabeça-de-área que afunile as jogadas pro ataque, e, quem sabe?, este pode ser o Labarthe. Ilaílson fora de forma ainda é melhor que todos os cabeças-de-área trazidos desde o começo do ano, sem dúvida. Em casa, o Remo tem que jogar em cima do adversário, com centro-avante na área (mas não o Nino!). Fora de casa até pode ficar sem centro-avante, apostando em Edgar e Pimentinha, mas no Mangueirão? Não! É preciso buscar um centro-avante urgente. Monga está disponível no mercado? Jogando fora de Belém, o Remo até pode pensar em João Paulo fazendo dupla com Ilaílson, com ER e/ou Flamel fora do time, e até jogando com 3 volantes, mas em Belém tem que partir pra cima do adversário, com um centro-avante (que não seja o Nino!).

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  • 2. blogdogersonnogueira  |  26 de junho de 2017 às 8:33

    Amigo Lopes, concordo com quase tudo e o texto da coluna refere-se aos problemas do Remo para conter a vulnerabilidade deixada por 4 homens que não marcam. Só não dê sugestão para aproveitar o tal Labarthe, pois aí o Remo estará sempre com menos um. Rs..

    Curtido por 1 pessoa

  • 3. lopesjunior  |  26 de junho de 2017 às 8:39

    rs…

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  • 4. celira  |  26 de junho de 2017 às 9:11

    Sobre o Paissandu…

    Parece-me que Sérgio Serra delega poderes demais, o que faz com que ele, que foi eleito, decida de menos.

    Isto é preocupante, pois Mazuco não ama o Paissandu para decidir o futuro do clube. Ele é profissional, trabalha com dignidade e respeito ao clube, mas se não der certo vai respirar outros ares.

    Diferentemente de Serra (e as Novos Rumos) que terá que dar explicações e conta do pepino se o clube cair para série C.

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  • 5. Mauricio Carneiro  |  26 de junho de 2017 às 9:23

    Pensei exatamente isso Celira. O cara vem de fora e foi claramente o responsável maior por uma decisão de muita importância num momento crítico. Não me adimiro se tiver rolado um atrito entre Mazzuco e integrantes da diretoria nesses dias de negociação com o técnico. Tenho impressão de que pessoas dentro do Papão devem ter engolido à contra gosto essa contratação, o que é prenúncio de problemas nos bastidores, já não bastasse a pobre expectativa dentro do campo.

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