Canindé substitui Josué no Remo

O técnico Oliveira Canindé, 51 anos, só aguarda a ordem de passagem para viajar para Belém e se apresentar ao Remo. A negociação foi concluída nesta segunda-feira. Canindé substitui a Josué Teixeira, que teve sua demissão confirmada pela manhã, após uma rápida reunião com o presidente do clube, Manoel Ribeiro. Canindé já dirigiu vários times nordestinos e tem como principais feitos a conquista da Copa do Nordeste com o Campinense (PB) e o acesso do CSA à Série C do Campeonato Brasileiro.

TV alemã acusa futebol brasileiro de usar rede clandestina de doping

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POR ENRIQUE MULLER, no El País

A equipe de jornalistas do canal de televisão WDR de Colônia (Alemanha) especializada em doping no esporte revelou, na tarde deste sábado, uma nova e desconhecida faceta na longa e bem-sucedida história do futebol profissional do Brasil – o único país que ganhou cinco campeonatos mundiais, o último deles em 2002. Segundo o grupo liderado pelo famoso jornalista Hajo Seppelt, o lateral Roberto Carlos, um dos jogadores da Seleção Brasileira que venceu a Copa de 2002, disputada no Japão e na Coreia do Sul, teria recebido, durante anos, substâncias proibidas para fortalecer suas pernas.

Em reportagem emitida pela rede de TV ARD, sob o título “Dossiê Secreto Doping: O Jogo Sujo do Brasil“, os repórteres afirmam que Roberto Carlos, então considerado o melhor lateral esquerdo do mundo e que disputou 11 temporadas no Real Madri, foi paciente de Júlio César Alves, um conhecido médico especializado em fornecer substâncias proibidas a atletas brasileiros.

O nome do famoso jogador, que era membro da Seleção vencedora do mundial de 2002, aparece num relatório de 200 páginas elaborado pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) e que foi entregue ao Ministério Público de São Paulo em 2015. Segundo o informe, Roberto Carlos foi paciente de Alves durante anos para reforçar a musculatura da coxa.

Numa filmagem realizada com câmera escondida pelos jornalistas, Alves confessa, sem pudor, que tratou de Roberto Carlos desde que o jogador tinha 15 anos. O médico também admite que continua praticando doping em esportistas de alto nível, incluindo um grande número de jogadores de futebol profissional. Para demonstrar a cumplicidade do médico no mundo do doping, a redação enviou “iscas” para comprar drogas proibidas pela Agência Mundial Antidoping.

Os jornalistas quiseram conhecer a reação de Roberto Carlos ante as suspeitas que o envolvem com a dopagem, mas o agente do jogador negou-se a responder às perguntas – mesma reação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que não quis responder se os jogadores da Seleção eram pacientes do médico. A negativa da CBF aumentou as suspeitas sobre a possibilidade de que outros atletas da Seleção Brasileira que venceu o Mundial de 2002, além dos atuais membros da equipe, possam ter recebido anabolizantes para melhorar seu rendimento em campo.

A reportagem informa que vários jogadores famosos, como Romário, Michel Bastos e Wellington Nem foram suspensos por resultados positivos no controle antidoping. Também sugere que houve irregularidades e omissões no combate contra as substâncias proibidas durante a realização da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, mostrando o Brasil como um país onde existe total impunidade nessa área – uma realidade amparada inclusive pelas autoridades oficiais.

Seppelt, talvez o jornalista mais bem informado sobre doping na Europa, já havia alcançado sucesso internacional ao revelar, em dezembro de 2014, que o esporte russo só ganhava medalhas graças a um programa apoiado e financiado pelas autoridades, que submetia os atletas a um rigoroso programa de dopagem. A matéria acabou com a carreira de vários funcionários, treinadores e esportistas.

Não é a primeira vez que um meio de comunicação revela os segredos de um escândalo que já sacudiu inclusive o esporte alemão. Em agosto de 2013, o jornal Süddeutsche Zeitung publicou um resumo de um devastador relatório escrito por especialistas da Universidade Humboldt de Berlim. O documento revelava que as autoridades promoveram, financiaram e ocultaram o doping em massa entre seus esportistas, incluindo jogadores de futebol profissional, uma medida ilegal destinada a ganhar medalhas nos Jogos Olímpicos e Copas do Mundo.

O relatório destacava, por exemplo, o papel do Instituto Federal de Ciências Esportivas (BISp), que funciona no âmbito do Ministério do Interior da Alemanha, e a obsessão de alguns médicos e treinadores sobre os milagres da droga Actovegin, elaborado a partir do sangue de bovinos. Os médicos que trabalharam sob as ordens do BISp também realizaram “ensaios” com adolescentes de 14 a 16 anos para determinar se as substâncias anabolizantes podiam influir em seu desenvolvimento.

O informe também citava uma carta de um funcionário da FIFA, datada de 1966 e dirigida ao presidente da Federação de Futebol Alemã (DFB) da época, informando que, na amostra de três jogadores da equipe germânica que participou do Mundial da Inglaterra naquele ano, haviam sido encontrados “resíduos do estimulante efedrina”. Poucos dias depois da difusão do relatório, o famoso Franz Beckenbauer admitiu, ante as câmeras do canal de TV alemão ZDF, que os jogadores haviam tomado “injeções de vitamina”, mas negou que os atletas da seleção tivessem recebido coquetéis com efedrina.

Os especialistas da Universidade Humboldt também revelaram que a seleção alemã que venceu o Mundial de 1954, na Suíça, haviam revivido o chamado “chocolate dos pilotos de guerra” – um composto que continha anabolizantes e cujo efeito tinha sido demonstrado durante a Segunda Guerra Mundial, quando se comprovou que o uso de metanfetaminas aumentava a coragem e o rendimento dos pilotos de guerra da Luftwaffe de Hitler.

“Prática própria de ditaduras”: quando do grampo de Dilma e Lula, Cármen Lúcia silenciou

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POR KIKO NOGUEIRA, no DCM

Há algumas maneiras de interpretar a conversa entre Cármen Lúcia e Michel Temer em torno da denúncia da Veja de que ele teria acionado a Abin para investigar Edson Fachin.

Temer telefonou para ela na sexta, assim que soube da matéria, e negou tudo. O general Etchegoyen fez a mesma coisa.

Ainda assim, ela soltou a seguinte nota:

“É inadmissível a prática de gravíssimo crime contra o Supremo Tribunal Federal, contra a Democracia e contra as liberdades, se confirmada informação de devassa ilegal da vida de um de seus integrantes.

Própria de ditaduras, como é esta prática, contrária à vida livre de toda pessoa, mais gravosa é ela se voltada contra a responsável atuação de um juiz, sendo absolutamente inaceitável numa República Democrática, pelo que tem de ser civicamente repelida, penalmente apurada e os responsáveis exemplarmente processados e condenados na forma da legislação vigente.

O Supremo Tribunal Federal repudia, com veemência, espreita espúria, inconstitucional e imoral contra qualquer cidadão e, mais ainda, contra um de seus integrantes, mais ainda se voltada para constranger a Justiça.

Se comprovada a sua ocorrência, em qualquer tempo, as consequências jurídicas, políticas e institucionais terão a intensidade do gravame cometido, como determinado pelo direito.

A Constituição do Brasil será cumprida e prevalecerá para que todos os direitos e liberdades sejam assegurados, o cidadão respeitado e a Justiça efetivada.

O Supremo Tribunal Federal tem o inasfastável compromisso de guardar a Constituição Democrática do Brasil e honra esse dever, que será por ele garantido, como de sua responsabilidade e compromisso, porque é sua atribuição, o Brasil precisa e o cidadão merece.

E, principalmente, porque não há outra forma de se preservar e assegurar a Democracia”.

Uma hipótese é a de que ela não acreditou no sujeito e mandou bala mesmo assim. Outra é que ela não tinha mesmo muito o que fazer nessas circunstâncias. Afinal, um ministro de sua corte estaria sendo perseguido e ela não poderia silenciar. Há um certo teatro aí que o protocolo não explica.

As palavras são duras. “Própria de ditaduras, como é esta prática, contrária à vida livre de toda pessoa, mais gravosa é ela se voltada contra a responsável atuação de um juiz, sendo absolutamente inaceitável numa República Democrática, pelo que tem de ser civicamente repelida, penalmente apurada e os responsáveis exemplarmente processados e condenados na forma da legislação vigente”, diz ela.

Ela quis humilhar o malandro? Ou combinou?

O que ela falou? Hipótese: “Desculpa, Michel, mas sabe como é, os caras da imprensa estão no meu pé. Mas fica sussa. A gente já passou por poucas e boas, parça”. Cármen não deu um pio quando Moro vazou os grampos de Lula e Dilma. E MT só chegou onde chegou com a mão do Supremo.

Não há razão para crer que ela esteja surpresa com Michel Temer — a não ser que estejamos falando de uma completa nefelibata, o que não é o caso. Vamos lembrar o testemunho do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão sobre o afastamento de Cunha.

Teori Zavascki, conta Aragão, “insistiu com os colegas semanas a fio na necessidade de se afastar Eduardo Cunha. Só logrou, porém, sucesso depois de consumado o afastamento processual de Dilma Rousseff no procedimento de impeachment que corria no congresso”. Segue: “Sentiu-se mal por isso, mas não era dono das circunstâncias políticas que dominavam aquele momento”.

O vexame no TSE foi a pá de cal na credibilidade do Judiciário. O golpe nos atirou num pântano institucional de que não sairemos tão cedo. Aberta a porta de um impeachment baseado numa fraude, toda farsa vira possível. Até mesmo uma missiva cheia de repulsa divulgada por uma juíza da mais alta corte brasileira contra um cidadão que ela sempre soube repugnante.

Esse grampo jamais vai vazar.

Canindé na mira dos azulinos

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Oliveira (Canindé) dos Santos Lopes, 51 anos, é o nome mais cotado para substituir Josué Teixeira no comando do Remo. Dirigentes do clube admitem que procuraram Canindé e que ele é o primeiro da lista pela experiência na disputa da Série C, comandando equipes nordestinas. Desconhecido no futebol paraense, o treinador, natural de Canindé (CE), já trabalhou no América de Natal, Sampaio Corrêa, Guarani de Sobral, Moto Clube, Santa Cruz e por último dirigiu o CSA-AL, onde foi vice-campeão estadual.