O passado é uma parada

Recordar é viver. Em comemoração ao centenário do Barcelona, a Seleção Brasileira foi convidada a disputar um amistoso, em 1999, no estádio Camp Nou. O jogo foi histórico também pelas presenças ilustres em campo: Romário, Rivaldo e Ronaldo Fenômeno formando então o infernal ataque canarinho – todos ídolos como jogadores do Barcelona. Do lado catalão, Pep Guardiola, Luis Enrique, Figo, Frank de Boer, Kluivert e Xavi no banco de reservas. Se a linha de frente brasileira era genial, não se pode dizer o mesmo do goleiro. Rogério Ceni, pela primeira vez vestindo a amarelinha, se comportou como mão-de-lajota e falhou nos dois gols do Barça. No comando do escrete, Vanderlei Luxemburgo, soltando um sonoro palavrão pela falha de Ceni no primeiro gol.

Papão busca voltar à liderança e Goiás quer fugir da zona

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Depois de sofrer sua primeira derrota na Série B, frente ao ABC (2 a 1) na terça-feira, o Paissandu volta a campo hoje à noite (21h30) de olho na reabilitação, em partida válida pela sexta rodada da competição. O adversário é o Goiás, que não faz boa campanha e já trocou de técnico. Mesmo com a derrota, o Papão ocupa a vice-liderança, com dez pontos, a um ponto apenas do líder Juventude.

O Goiás vivia um momento ruim sob o comando do técnico Sérgio Soares, que foi substituído por Sílvio Criciúma. O novo comandante assumiu na rodada passada e levou o time à primeira vitória – 2 a 1 sobre o Santa Cruz. Mesmo assim, o Goiás continua na zona de rebaixamento, com 5 pontos, na 17ª colocação.

O técnico Marcelo Chamusca deve manter a escalação do Papão, com Wellinton Jr. e Marcão no ataque. Leandro Carvalho continua como arma para o segundo tempo. Marcão e Rodrigo Andrade, com dores musculares, não participaram do último treino para a partida contra o Goiás.

Em Belém desde ontem, o Goiás busca se recuperar na competição. O técnico Sílvio Criciúma relacionou 20 atletas esmeraldinos para o embate desta noite. A novidade é o meia Jean Carlos, que cumpriu suspensão automática na última rodada.

A tendência é que o treinador repita a escalação, já que espera dar sequência e confiança para os atletas que foram a campo na primeira vitória do time na competição. “Ganhamos uma posição e tiramos um ponto do quarto colocado. Esse foi o objetivo colocado. Se ganharmos uma posição por rodada, em 14 partidas estaremos brigando pelo G-4”, acredita o treinador, que substituiu Sérgio Soares no comando do clube goiano.

ESCALAÇÕES:

PAISSANDU – Emerson; Ayrton, Perema, Gilvan e Peri; Rodrigo Andrade, Wesley, Augusto Recife e Fernando Gabriel; Welinton Junior e Marcão. Técnico: Marcelo Chamusca
GOIÁS – Marcelo Rangel; Tony, Everton Sena, Alex Alves e Carlinhos; Pedro Bambu, Victor Bolt, Léo Sena e Tiago Luís; Carlos Eduardo e Aylon. Técnico: Sílvio Criciúma
Árbitro: Daniel Nobre Bins (RS). 

Foco no andar de cima

POR GERSON NOGUEIRA

Mais do que pretender ser o líder permanente da competição, o foco do Papão nesta primeira parte da Série B deve ser manter lugar na zona de acesso ou perto dela. Até aqui, a meta tem sido cumprida com louvor. Invicto nas quatro rodadas iniciais, o time sofreu seu primeiro tropeço na terça-feira (6) e caiu para o 2º lugar, mas sem perder a tranquilidade.

Há no grupo comandado pelo técnico Marcelo Chamusca a consciência de que o começo da Série B é muito sujeito a oscilações, fato motivado pelos desajustes comuns a todas as equipes. Ao contrário da maioria dos participantes, o Papão achou um mínimo de entrosamento e daí se beneficiou para chegar ao topo da tabela.

Estima-se que um time só atinja o ápice lá pela metade do campeonato, ocasião em que também começam a se evidenciar os verdadeiros candidatos ao acesso e ao rebaixamento, com a cristalização das virtudes e vícios de cada competidor.

Por ora, o Papão vem se comportando dentro dos limites impostos pelas circunstâncias e pelas opções disponíveis no elenco. A boa campanha conseguiu até ocultar carências sérias, como a falta de maior criatividade no meio-de-campo e a inconstância de seus atacantes.

Dos seis gols marcados pelo time, apenas dois levaram a assinatura de atacantes típicos – Bergson e Leandro Carvalho. É um número raquítico, que revela a dificuldade de Chamusca para definir a linha ofensiva.

Até aqui, a preferência recaiu sobre Marcão e Wellinton Jr., ambos zerados na artilharia. Marcão se destaca mais como o pivô que dá suporte às manobras ofensivas, como na partida contra o América-MG. Mas, longe de ser a causa do problema, o baixo desempenho dos atacantes está diretamente vinculado à produção do setor de armação.

Fernando Gabriel, o organizador, muitas vezes se ocupa da marcação, preso a um setor que o distancia dos atacantes. Por isso mesmo, as jogadas de aproximação têm sido puxadas por Rodrigo Andrade e Wesley, destaques como volantes e definidores – marcaram dois gols no campeonato.

Chamusca espera pela evolução de Leandro Carvalho, que só tem sido aproveitado no 2º tempo dos jogos, e mesmo assim tem se sobressaído pelas arrancadas, dribles e chutes de curta e média distância. Com Leandro e Bergson em forma, o ataque vai obrigatoriamente sofrer mudanças. Em situação normal, ambos serão titulares.

Hoje à noite, contra o Goiás, a movimentação dos volantes terá outra vez papel determinante para o êxito do Papão, como diante do Inter. O visitante (17º colocado) costuma usar três atacantes (Tiago Luís, Aylon e Carlos Eduardo), joga e deixa jogar. Isso significa que concede espaços, o que é muito interessante para os bicolores.

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Nem tanto ao mar, nem tanto à terra

Depois de longa negociação, o Remo finalmente apresentou Pimentinha como reforço para a campanha na Série B. Pelo empenho no fechamento da transação, fica patente a importância que o clube dá à aquisição do atacante maranhense, que chega com status de candidato a ídolo.

É preciso, porém, observar que o Pimentinha de hoje fica muito aquém do Pimentinha de cinco anos atrás, que barbarizava defesas destacando-se pelas arrancadas pelos lados do campo.

Problemas de ordem física, combinados com seguidas lesões, frustraram uma transferência do jogador para o Botafogo e fizeram seu rendimento cair vertiginosamente nas últimas temporadas.

A habilidade continua, mas o perfil de Pimentinha exige condições físicas plenas para jogadas em velocidade. Por outro lado, a motivação demonstrada pelo jogador indica que ele sabe que o Remo pode representar a última grande chance na carreira.

Outro fator importante é a presença de Edgar, velho parceiro da melhor fase do Sampaio – e do próprio Pimentinha.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 09)