O preço do sucesso

4 de maio de 2017 at 2:31 17 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

Às voltas com três decisões nos próximos 12 dias, o Papão encara o dilema de ter que eleger prioridades, se é que isso é possível para um clube de massa. No futebol, como em qualquer outra competição, é legítimo e natural querer ganhar tudo. O problema é que determinadas circunstâncias podem conspirar contra, fazendo com que não se conquiste nada.

No confronto que abre a final da Copa Verde, hoje à noite, em Cuiabá, o Papão deve apresentar um time quase alternativo, que lembra um pouco o que enfrentou o São Francisco (3 a 0) e o Independente (1 a 0) na etapa classificatória do Parazão. A experiência funcionou bem, tanto é verdade que alguns nomes passaram a efetivos.

Em meio à maratona provocada pela chegada às finais do Estadual e da CV, mais a briga pela classificação na Copa do Brasil, a comissão técnica se vê obrigada a poupar peças de olho nos próximos duelos (Remo no domingo, 7; Santos na quarta-feira, 10, e Luverdense, dia 16).

É o chamado preço do sucesso. Caso tivesse ido mal das pernas, nem tivesse um mínimo de sorte, o Papão estaria livre das decisões e da sobrecarga proveniente de tantos jogos em sequência.

O terrível dilema está nos riscos dessa tomada de decisão. Afinal, cabe poupar titulares num confronto que pode comprometer a luta pelo bicampeonato da CV¿ A título de não precipitar lesões mais sérias, o técnico optou por não levar a Cuiabá o artilheiro Bergson, o zagueiro Gilvan e o volante Wesley, titulares absolutos da equipe.

A sorte está lançada. Na hipótese de resultado insatisfatório, surgirão críticas pela prioridade dada ao Campeonato Estadual. Se, ao contrário, o time tiver bom desempenho frente ao Luverdense, Chamusca será aclamado pela estratégia inteligente. Como se sabe, muitas vezes a diferença entre gênio e bestial é apenas uma questão de circunstância.

Não se pode esquecer que, para chegar à terceira final de Copa Verde, o time não encontrou facilidades, apesar do nível técnico dos adversários nas fases classificatórias. Precisou de nervos de aço contra o modesto Galvez do Acre, passou com certa dificuldade pelo Águia e se classificou superando o Santos do Amapá em dois jogos complicados. Cabe observar que, em nenhum desses cruzamentos, passou confiança absoluta.

Em meio a isso, Chamusca continua a ser questionado por grande parte da torcida, mesmo exibindo números interessantes. Até o jogo contra o Santos na Vila Belmiro, mantinha invencibilidade de 15 partidas. No Parazão, não perde há nove jogos.

Paga o preço da ausência de peças qualificadas nos setores vitais da equipe, a começar pela meia-cancha, onde Diogo Oliveira e Daniel Sobralense não vingaram. Sem um centroavante que convença, o ataque sobrevive da rapidez e do oportunismo de Bergson, o que é muito pouco. Deu para o gasto até aqui, mas é temerário garantir que vai continuar a dar certo.

A sorte está lançada. Na hipótese de resultado insatisfatório, surgirão críticas pela prioridade dada ao Estadual, obviamente em nome da rivalidade histórica. Se, ao contrário, o time se sair bem frente ao Luverdense, Chamusca será aclamado pela estratégia inteligente.

Como se sabe, muitas vezes a diferença entre gênio e burro é apenas uma questão de circunstância ou ponto de vista. A conferir.

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Uma nova oportunidade para Magno

A boa participação no Campeonato Paraense, defendendo o Independente, pode valer a Magno a chance de disputar a Série B. Está na mira do Papão e, segundo informações vindas de Tucuruí, interessa também ao Vila Nova-GO. Pelo desempenho em certames regionais, o atacante tem plenas condições de aparecer bem na competição nacional.

Teve curta passagem pelo Remo, sem merecer oportunidades para se estabilizar. Sofreu com a inconstância e o desconhecimento dos treinadores sobre o seu futebol. Com Léo Goiano, voltou a mostrar o que sabe. E o interesse de outros clubes confirma a boa fase.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 04)

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Capa do Bola – quinta-feira, 04 Record é condenada a indenizar jornalista demitido por justa causa

17 Comentários Add your own

  • 1. Cláudio Columbia  |  4 de maio de 2017 às 8:39

    Pior de tudo é que os técnicos que perderam e saíram logo, são exaltados e quem chegou às 2 finais, como Chamusca, é bombardeado… Vai entender o torcedor

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  • 2. celira  |  4 de maio de 2017 às 10:23

    Amigo Cláudio,

    Pergunta sincera, se fosse Lecheva a chegar em duas finais (de competições de qualidade técnica duvidosa) você manteria ele no comando do PSC para série B como defende Chamusca?

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  • 3. Antonio Oliveira  |  4 de maio de 2017 às 10:39

    Amigo Celira, lhe entendo, eis que não se pode esquecer da necessidade suprema de se guardar as proporções.

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  • 4. Antonio Valentim  |  4 de maio de 2017 às 10:53

    Uma coisa é treinar equipes do interior do Estado, outra é dirigir equipes de massa como Remo e Paysandú.

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  • 5. miguelangelo1967  |  4 de maio de 2017 às 11:03

    Cláudio, até hoje procuro entender, apesar de respeitar a sua opinião, afinal de contas você tem anos-luz a mais no mundo da bola, está complacência com treinador de fora. Pode até ser que o Chamusca não tenha montado o elenco, mas como pode um treinador que teve muito mais tempo que outros para preparar a equipe é passado todo este tempo o Paysandu não ter padrão definido de jogo?
    Chegar a duas finais onde os adversários eram e são de qualidade duvidosa era mais que obrigação justamente pelo capital (mal) investido, diga-se se de passagem.
    Quando pegou um time melhor organizado perdeu!

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  • 6. Jorge Paz Amorim  |  4 de maio de 2017 às 11:25

    Acho muito severo afirmar que Diogo Oliveira não vingou. Dizer que ele não reeditou o bom desempenho no ano passado, tudo bem. No entanto, mesmo sendo sacrificado pelo 4-3-3, em que ele é obrigado a fugir de suas características, ainda foi decisivo em jogos como contra o Santos(AP), no jogo de volta, foi bem contra o S. Raimundo e antes estava muto bem contra o Remo, sendo sacrificado em razão daquela estultice do Capanema.
    Lembremos do lance que originou o gol do Bergson contra o Remo, Diogo estava com a bola e o L. Carvalho estava aberto na direita sem marcação, um jogador comum daria o passe lateral e deixava a jogada previsível. Diogo anteviu a chegada de Airton, deu o passe milimetrado na costa do jogador que acompanhava o lateral bicolor, este tocou pro meio resultando no gol.
    Aí está o diferencial: no jogador que consegue superar o previsível e construir aquilo que faz a beleza do futebol.

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  • 7. celira  |  4 de maio de 2017 às 11:45

    Amigo Antônio e Valentim,

    Será mesmo?

    Vejamos…

    Lecheva subiu um PSC desacreditado em 2012 para série B e, no ano seguinte, foi campeão paraense em 2013 com um futebol convincente.

    Mas, por pressão de tudo que é lado, Lecheva caiu ainda na terceira rodada da série B sem ter jogado um único jogo em Belém (jogou em Paragominas um dos jogos).

    O que recordo bem é que na época Lecheva, mesmo chegando a final e sendo campeão paraense, era criticado e visto com os olhos da desconfiança.

    Muitos diziam, “Lecheva não merecia ficar”.

    Todavia, Chamusca, que não ganhou nada e apresenta um futebol pífio, serve?

    Eis a questão amigo!

    Não acredito que técnico de fora é tão melhor do que o que temos aqui, sinceramente.

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  • 8. Jorge Paz Amorim  |  4 de maio de 2017 às 13:02

    Acho descabida e falsa essa polêmica entre regional/importado, sendo que todos fazem parte da mesma companhia, têm o mesmo objetivo e devem dar respostas eficientes igualmente.
    Quando se trata de técnicos, então, a coisa complica. Lecheva, de fato, foi mandado embora intempestivamente quando nenhum dos contratados que haviam chegado tinham estreado. No entanto, Se lhe dessem a oportunidade de escolher entre ele, Lecheva, e o Jair Ventura óbvio que você mandaria às favas seus escrúpulos regionalistas.
    Enfim, como peça mercadológica pra angariar audiência até que esse tipo de polêmica funciona, mas para o trabalho interno do clube trata-se de erva daninha que vai queimando a plantação toda até à total destruição.

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  • 9. celira  |  4 de maio de 2017 às 13:20

    A questão, Jorge, não é a contratação de um técnico de fora ou local.

    Eu sou a favor que Remo e PSC usem técnicos de fora.

    A questão é:

    1) O quanto somos condescendente com um técnico de fora?

    2) Será que denota qualidade (do técnico) chegar a duas finais de competições de qualidade técnica duvidosa e sem apresentar um padrão de jogo?

    3) Qual seria a hora de demiti-lo?

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  • 10. celira  |  4 de maio de 2017 às 13:22

    Outras questões…

    4) por que procuramos ver qualidade em alguém que transborda defeitos?

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  • 11. Cláudio Columbia  |  4 de maio de 2017 às 13:22

    Amigo Celira, Lecheva montou um time pro Paraense e esqueceu da série B, por não saber como fazer(E eu falava isso à época..tá gravado aqui)..Por isso esse mesmo PSC foi sucesso, como vc disse(convincente) no Parazão e foi rebaixado na B, com o Giva fazendo duras críticas aos erros na montagem do elenco, lá no início dos trabalhos… Hoje, PSC chegou às finais, sem convencer, pra chegar voando na B, fisicamente…Futebol mudou, amigo…E muito

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  • 12. Cláudio Columbia  |  4 de maio de 2017 às 13:26

    Amigo Miguel, é o contrário, amigo.. MC foi o que teve menos tempo de todos… e Lida em sua maioria com jogadores de fora, que tem mais dificuldades de adaptação ao nosso Clima, entre outras coisas.. E nem montou o elenco… J.Teixeira, por exemplo. tá desde dezembro e ele montou esse elenco e com tempo

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  • 13. Anselmo  |  4 de maio de 2017 às 14:33

    Celira, concordo com você, e não vejo um técnico daqui comandando a dupla RePa, não por alguma deficiência técnica, e sim pela pressão exagerada que se tem neles, pelos motivos que você já informou.

    A dura eliminação remista em cima do Santos/AP, se fosse o Lecheva, tinha rodado (e rodou, pois foi eliminado pelo humilde Naviraiense na copa do brasil, lembra!?).

    Curtido por 1 pessoa

  • 14. Osvaldo Costa  |  4 de maio de 2017 às 17:09

    Já postei N vezes aqui no blog: sob o comando do Marcelo Chamusca, o Paysandu não tem futuro ! Concordo com o amigo Amorim, sobre a qualidade técnica do Diogo Oliveira, sub utilizado pelo técnico bicolor nesse esquema 4-3-3, sem nenhum companheiro para dividir a armação de jogadas, e municiar o ataque alvi celeste.

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  • 15. Cláudio Columbia  |  4 de maio de 2017 às 17:35

    Quanto ao Magno, no Vila Nova, ele foi oferecido ao Vila, mas o Mazola descartou.. Ele iria como aposta…Mazola disse que aposta ele tem bastante no Vila…Foi logo descartado…Deverá mesmo ser jogador do PSC

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  • 16. Antonio Oliveira  |  4 de maio de 2017 às 18:31

    Amigo Celira, a respeito da parte que me toca, ouso proferir duas ou três palavras.

    Deveras, no meu breve comentário anterior, não discordei com nada do que você falou no seu primeiro comentário. Aliás, se olhar direitinho, muito provavelmente também não tenha discordado dos seus dois comentários posteriores.

    Muito ao contrário, dizendo claramente que ‘lhe entendi’, sustentei que era necessário levar em conta as devidas proporções.

    E por guardar as devidas proporções, quis dizer que ser técnico de um Clube, cuja administração é feita de modo profissional, que tem estrutura para treinamentos técnico-táticos, assistência atlética, médica, psicológica, pessoa especializada na contratação de jogadores, pagamento de salários substanciosos para os jogadores, pontualidade no pagamento dos salários e demais verbas remuneratórias, jogadores profissionais, grande torcida para apoiar etc, tem responsabilidades e por isso de seu time é de se esperar além de resultados, rendimento, desempenho em níveis muito mais elevados do que treinadores que não contam com absolutamente nenhum destes itens estruturais no desenvolvimento de seu trabalho.

    Ah, quanto a procedência do treinador, e dos próprios jogadores, também acho tal elemento por si só não é, nem de longe, indicador de qualidade.

    Todavia, hei de reconhecer que de há muito, o quesito procedência, trata-se de um fator que vem influindo na admissão e longevidade dos trabalhos dos “professores” quando se trata da dupla Re/Pa. Aos locais nada. Aos “estrangeiros” tudo. E tal prática está disseminada em todos os segmentos da comunidade futebolística no Pará (torcida, dirigentes, mídia dita especializada).

    Quanto aos jogadores este fator limitante se manifesta numa intensidade menor. Mas, para se garantir é necessário que jogue mesmo muita bola, caso contrário, qualquer outro perna-de-pau “estrangeiro”, desde que trazido por algum empresário amigo, tem muito mais chances. Aliás, é preciso dizer que a figura do empresário parece ser muito mais determinante da garantia de vaga no time a própria procedência.

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  • 17. Jorge Paz Amorim  |  4 de maio de 2017 às 19:06

    No frigir dos ovos, parece que estamos de acordo em tudo, inclusive em nossas divergências.
    Até o querido amigo Cláudio Columbia, cuja pinimba com atletas oriundos das bases dos clubes da terra parece ser decorrente da formação limitada das respectivas comissões técnicas que formam esses atletas, o que acaba vulnerabilizando seus respectivos desempenhos ao longo da carreira e limitando a capacidade atlética dos valores por aqui revelados. Vide o caso do Leandro Carvalho, que no profissional precisa sr burilado em seu potencial de arremate ao gol, passe e visão de jogo na medida em que faz tudo exatamente como fazia no Sub-20

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