Decisão em aberto

27 de abril de 2017 at 2:01 12 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

Para um time cheio de volantes o meio-campo, o Papão até que fez um excelente primeiro tempo na Vila Belmiro, criando duas boas chances de gol e jogando sem medo. Como de hábito, porém, o desembaraço ofensivo da metade inicial cedeu lugar ao excesso de cuidados na etapa final. Acuado, o time permitiu ao Santos exercitar a troca de passes e as inversões de jogadas, seus principais trunfos. A pressão aumentou sobre a zaga e levou à justa vitória dos donos da casa por 2 a 0.

De maneira geral, o jogo foi bem mais equilibrado do que expressam os dados estatísticos, segundo os quais a atuação santista pareceu mais brilhante do que realmente foi. O Peixe teve, por exemplo, massacrantes 69% de posse de bola, mas na prática ficou trocando bolas junto à linha lateral e no setor defensivo. A coisa só mudou de figura no segundo tempo com a queda de ritmo e os seguidos erros de passe cometidos pelos bicolores – foram 24 só nesta fase do jogo.

Quando a bola rolou, a postura do time de Marcelo Chamusca chegou a surpreender pela ousadia nas arrancadas pelos lados. Os volantes se adiantavam e criavam condições para que Leandro Carvalho e Bergson recebessem bolas em condições de arremate.

A zaga santista custou a perceber os riscos que corria deixando os atacantes mais ou menos à vontade. Aos 29 minutos, um chutão de Gilvan para o ataque pegou Leandro entre os zagueiros. Ele avançou para finalizar dentro da área, mas o goleiro Vanderlei evitou o gol. Só quase ao final do 1º tempo é que Dorival Jr. reforçou a marcação sobre Leandro e passou a vigiar Wesley e Rodrigo Andrade, que jogavam livres com a bola nos pés.

Lento e pouco ligado no jogo, o Santos parecia confiar que os gols sairiam naturalmente. Vítor Ferraz, que já defendeu o Águia, resolveu mostrar que sabe passar de calcanhar e fazer outras firulas dispensáveis. Enquanto o Peixe fazia gracinhas, os bicolores iam se assanhando e ameaçando, a partir do bom posicionamento da retaguarda. Ricardo Oliveira só teve uma chance de chutar em gol, David cabeceou nas mãos de Emerson e Lucas Lima passou em branco, tendo ainda o desprazer de levar um drible desconcertante de Leandro Carvalho.

Depois do intervalo, ao ver que a coisa estava mais complicada do que o previsto, Dorival pôs o Santos no ataque, adiantando Renato e os laterais e aproximando Lucas Lima do hábil Bruno Henrique pela esquerda. Foi por ali que nasceu o primeiro gol, aos 4 minutos. Bruno Henrique preparou o tiro sob os olhares de Ayrton e Wesley, que continuaram olhando, e disparou na gaveta de Emerson, sem defesa. Golaço para levantar o astral da tropa peixeira e sacudir os bicolores.

Mas, de olho no regulamento, o Papão se encolheu ainda mais, receando sofrer um placar dilatado. O Santos foi então se impondo e o jogo virou um duelo de ataque contra defesa. Chamusca substituiu Rodrigo por Diogo Oliveira, para fazer a bola parar no meio e adicionar qualidade ao contra-ataque, mas o meia-armador entrou mal e nada acrescentou tecnicamente.

Leandro Carvalho saiu para a entrada de Jonathan, que desfrutou de boa oportunidade em cruzamento na área já nos instantes derradeiros. Do outro lado, a insistência santista acabou premiada. O colombiano Copete (que substituiu Mateus Ribeiro) marcou o segundo gol, aos 43’.

O resultado deu tranquilidade ao Peixe, mas não foi um desastre para os bicolores, que têm condições de reverter em Belém. Atuações destacadas de Emerson, Perema, Hayner e Leandro Carvalho.

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O mais novo escândalo da Conmebol

O futebol é, de fato, mãe generosa para muita gente. A Conmebol acaba de descobrir, em investigação interna, um rombo de mais de R$ 440 milhões em suas finanças. É a herança nefasta do reinado de Nicolas Leoz, o cartola paraguaio que seguiu à risca os passos do guru João Havelange, tanto em longevidade quanto em capacidade de trapacear.

Fica a impressão clara de que, a cada nova mexida no lamaçal do futebol sul-americano, o fedor só aumenta. Para ter alcance mais amplo, as investigações deveriam se concentrar nos contratos de licenciamento de produtos, patrocínios e direitos de transmissão.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 27)

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Rock na madrugada – Big Star, September Gurls Santa coerência, Batman!

12 Comentários Add your own

  • 1. Antonio Valentim  |  27 de abril de 2017 às 7:39

    Pois é.

    Tudo depende de quem e de qual é o adversário.
    O fraco Remo perdeu tbém de 2 a 0 para o ‘poderoso’ Independente e já estava eliminado.

    Já o excelente Psc, que perdeu para o Santos, por 2 a 0, tem todas as condições de reverter.

    Mas eu compreendo: diferente do Remo, o Psc não está com a corda no pescoço e se perder não terá sido um resultado desastroso. A vida segue.

    Espero, na qualidade de azulino, que o Remo, mais uma vez, consiga reverter todos os prognósticos, e surpreenda o seu organizado rival.

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  • 2. Antonio Valentim  |  27 de abril de 2017 às 7:47

    Também acho, caro Cláudio (comentários de ontem), que o jovem, o que fez o primeiro gol do Santos, deve treinar aquele tipo de arremate. Foi muito feliz no lance, mas não apenas por acaso.

    Diz-se no futebol e na vida que a boa sorte tem aqueles que fazem por onde. Creio que seja o caso, não só daquele jovem atleta santista, como de outros.

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  • 3. Jaime (Atlanta, EUA)  |  27 de abril de 2017 às 8:03

    O destaque foi a camisa azul marinho do rival. Kkkkkkk isso que é vontade de mudar de cor.

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  • 4. miguelangelo1967  |  27 de abril de 2017 às 8:36

    Sendo objetivo nas análises.
    Diogo Oliveira já deu, não há mais razões para insistir com o improdutivo “armador”, com sua entrada o Paysandu ficou com menos um em campo.
    Jhonatan e Cearense completamente fora de ritmo de jogo.
    Alfredo figura decorativa em campo.
    E os destaques Bicolores concordo com a coluna.

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  • 5. miguelangelo1967  |  27 de abril de 2017 às 8:41

    Jaime com relação ao uniforme”Black” o efeito das câmeras levam a esta ilusão de ótica. Infeliz escolha de design Bicolor.
    Também não me agrada ver o meu time com uniformes que não lembram em nada as cores do Campeão de Títulos dá Amazônia.
    Quanto a querer parecer com o rival, só se foi efeito de muita cachaça, amigo. Kkkmmm

    Curtido por 1 pessoa

  • 6. Antonio Valentim  |  27 de abril de 2017 às 9:10

    Camisa preta do rival talvez seja explicada pela sua origem do extinto “Time Negra”, pré-1914.
    Fica mais feio o uniforme com aquele escudão.

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  • 7. Comentarista  |  27 de abril de 2017 às 9:21

    Entrar mal e nada acrescentar tecnicamente, ou pelo na vontade, ao time, tem sido a tônica recorrente de Diogo Oliveira, Alfredo, Daniel Sobralense, Williams Simões, infelizes contratações deste início de temporada. Bergson tem média acima destes 4 mas eventualmente também se esconde em campo. O outro Leandro, o Cearense, nem deveria ter tido o contrato renovado. Espera-se que estes tomem um chá de simancol, e se despeçam do Paysandú com os títulos de Campeão Paraense e da Copa Verde/2017.

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  • 8. celira  |  27 de abril de 2017 às 10:26

    Comentarista, Cearense foi o artilheiro do PSC na temporada passada. Acho que só isso já justifica sua manutenção.

    Sobre os jogadores citados pelo Miguel, concordo com quase todos eles. Mas ainda boto fé que Diogo Oliveira irá se adptar, pois mostrou boa desenvoltura no Brasil nos anos que jogou lá (era ídolo).

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  • 9. Acácio F B Elleres - Campeão dos Campeões  |  27 de abril de 2017 às 10:56

    O time padece de bons valore. Não temos um lateral-direito. Temos um zagueiro que cai por aquele lado. Não temos atacantes. Temos jogadores quando muito, voluntariosos. Entretanto, o que mais preocupa é a falta de um criador no meio de campo. A coisa está tão braba que quando vejo o Recife passar uma bola comum me alegro. Acredito, porém, que com a chegada dos reforços a equipe vai melhorar bastante.

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  • 10. blogdogersonnogueira  |  27 de abril de 2017 às 12:19

    O problema com o Diogo Oliveira é que no Brasil-RS ele atuava como meia-atacante, sempre próximo da área. Aqui no Papão tem sido utilizado como organizador e aí já não tem condicionamento para exercer a função com a rapidez exigida.

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  • 11. Raime  |  27 de abril de 2017 às 13:22

    Concordo com você Celira! Mesmo porque o treineiro pode ter uma contribuição na casa dos 50% no modo de atuar do Diogo Oliveira como bem ressaltou o Gerson, que no Brasil de Pelotas ele atuava praticamente como um atacante sem precisar organizar o jogo. Daria uma segunda chance sem dúvida, já para o Airton não o fazia, nos últimos 3 anos vem em decadência, e agora com o peso da idade não consegue nem fazer o básico na sua especialidade que era a bola parada, imagina na marcação…….

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  • 12. Edson do Leão - meu time nunca fugiu de campo  |  27 de abril de 2017 às 18:37

    Segundo os “comentaristas” mucura jogou bem, só perdeu de dois kkkkkkkkkkkkkkk é muita comédia kkkkkkkkkkkkk mucura só ganha quando contrata o juiz kkkkkkkkk Nicácio mandou lembranças pra torcida de mercadoria kkkkkkkkkkkk

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