Vale a pena ver (e curtir) – “Californication”

16 de abril de 2017 at 11:44 1 comentário

POR GERSON NOGUEIRA

O Netflix disponibiliza desde dezembro as sete temporadas de Californication, série criada por Tom Kapinos e estrelada por David Duchovny com tal competência que a gente às vezes fica desconfiando que ele é mesmo Hank Moody, escritor pé-na-jaca, com um quê de Bukowsky e Kerouac. Sexo (muito sexo), drogas (em doses homéricas) e rock’n’roll (da melhor safra) marcam Californication. As reviravoltas que a história oferece são interessantes, embora as duas temporadas finais revelem um certo cansaço criativo.

O perfil aventureiro e a vida politicamente incorreta de Moody, o personagem central, é o gancho da série, que foi produzida pelo canal Showtime e permaneceu no ar por sete temporadas (entre 2007 e 2014). Irresponsável, egocêntrico, desordeiro e mulherengo ao extremo, Moody parece se esmerar em tomar as decisões erradas, transformando em caos tudo que toca ou vive à sua volta, incluindo a relação conturbada com Karen (Natascha McElhone).

Definida como comédia pelos rígidos padrões de classificação norte-americanos, Californication é também drama e até road-movie em alguns momentos. O tom estradeiro é dado pelo incessante ir e vir do personagem de Duchovny, um eterno insatisfeito, a zanzar sem rumo certo pelos caminhos tortuosos entre a fama e a sarjeta.

Tudo começa com a fase de estiagem intelectual de Moody, cujo bloqueio criativo não permite que consiga escrever uma mísera linha. Ele crê piamente que todos os seus problemas têm a ver com a distância em relação à ex-esposa Karen, seu grande amor, situação que gera atritos também com a filha adolescente Rebecca (Madeleine Martin, foto ao lado).

Curiosamente, alguns dos pontos mais frágeis da história se localizam na ligação piegas demais entre Moody e Karen. Apesar de excelente atriz, McElhone quase sempre destoa da linha bandalha e turbulenta do escritor. Ela é o contraponto às maluquices de Moody, mas fica a impressão de que o papel de musa inspiradora exigia alguém mais conectado, até fisicamente, com Duchovny.

Photo: Jordin Althaus/Showtime

Contribuem muito para a sustança da série personagens fortes, como a jovem problemática Mia Lewis (Madeline Zima), o melhor amigo Charlie (Evan Handler) e a depiladora maluquete Marcy (Pamela Adlon), além de participações especiais de Rob Lowe, Addison Timlin, Brandon T. Jackson, Oliver Cooper e Marilyn Manson, como ele mesmo.

Diversão é a palavra de ordem na vida de Moody, que tem visual e postura de roqueiro, misturando-se festivamente a alguns deles em muitos episódios. Clichês gostosos do rock também estão lá, como a cena em que a viúva de um guitarrista aspira suas cinzas (Keith Richards andou dizendo que tinha feito o mesmo com as cinzas do pai) e a referência direta ao processo autodestrutivo de astros como Kurt Cobain e Jim Morrison.

Confesso que gostei mais das quatro primeiras temporadas, com roteiros bem amarrados e coerentes, discutindo com escracho e mão firme alguns temas fortes, como tráfico de drogas, relação pai & filha, pedofilia e religião. Californication foi exibida no Brasil, na TV aberta (dublada), pelo SBT. A série ganhou 2 Emmys e o desempenho de excessos rendeu a Duchovny (ex-ator de Arquivo-X) um Golden Globe em 2008.

Os primeiros episódios são dirigidos por Stephen Hopkins (House of Lies). O ritmo frenético de alguns episódios contrasta com o tom mais sóbrio e conservador dos que fecham a série, sem que isso constitua uma violência em relação à ideia original. No geral, a série saúda um estilo de vida descompromissado, turbinado por um naipe de beldades de tirar o fôlego. Boa diversão.

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1 Comentário Add your own

  • 1. nicolau rickmann  |  16 de abril de 2017 às 12:37

    Para Reflexão com a Imprensa Parauara: Segundo o Vice do Clube do Remo, R. Ribeiro, o “projeto de revitalização” do Baenão custa 2milhoes… eles estão “brigando” para conseguir esse patrocínio….Poxa, entendo isso como demérito para o clube e as empresas locais.. veja,o Remo é o 10º do Brasil em media de publico…portanto visibilidade. 2 milhões dividido por 10 empresas daria 200mil para cada, se for em 10 meses, 20mil por mes….. e não temos 10 empresas no Pará?

    Curtir

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