A causa operária

15 de abril de 2017 at 22:09 14 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

Em sua biografia (“Liderança”, editora Intrínseca, 2016), o consagrado técnico e manager Alex Ferguson, 49 títulos no currículo e cérebro por trás do incrível sucesso do Manchester United a partir dos anos 90, fala de um exercício mental infalível para montar seus times: sempre escolhia seis jogadores polivalentes, que cumprissem várias funções em campo. E ele dirigia uma máquina de jogar futebol, que chegou a ter ao mesmo tempo Scholes, Giggs, Rooney, Cristiano Ronaldo e os irmãos Neville.

Mal comparando, a história de Ferguson me fez lembrar, por razões inteiramente opostas, o drama enfrentado por Josué Teixeira no Remo atual. Com vários titulares entregues ao departamento médico, ele se vê sem alternativas para estruturar uma equipe competitiva justo na reta final do Campeonato Paraense e nas quartas de final da Copa Verde.

Já ouvi muita gente descendo a lenha no treinador depois da derrota frente ao Independente na quarta-feira, em Tucuruí. Claro que a crítica é sempre válida, mas determinados aspectos precisam ser considerados.

O elenco do Remo é uma colcha de retalhos. Foi montado pelo critério do bom & barato, embora nem todas as peças sejam qualificadas. Em certos casos, a diretoria optou por trazer jogadores de nível médio apenas para quebrar galho em posições carentes.

Josué teve o mérito de conseguir até aqui extrair leite de pedra, formatando um time competitivo para o Campeonato Paraense. Estruturou o desenho tático com dois volantes essencialmente marcadores no meio (Elizeu e Marquinhos) e dois meias, Eduardo Ramos e Flamel, este quase como um terceiro atacante. Ofensivamente, abriu mão do centroavante de referência para explorar a habilidade de Edgar e a rapidez de Jayme.

O restante da equipe gira em torno desse eixo e todos atuam de forma aguerrida. Muitos jogos da invencibilidade remista foram ganhos na base do suor e da raça. Enquanto o condicionamento físico permitiu, o Remo foi ultrapassando os adversários e desafiando seus próprios limites.

Quando as lesões começaram a desfalcar o time, as limitações ficaram expostas e a causa operária azulina mostrou-se cheia de fragilidades. Cabe notar que Josué era elogiado por todos, mas bastou surgirem os maus resultados para que o técnico passasse a ser açoitado sem clemência.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Padre Antônio Vieira sabia bem o que dizia ao proferir a frase célebre, elegendo o equilíbrio como o preceito mais justo a ser seguido quando se tentar julgar alguém.

Muitos fingem não ver, outros não enxergam mesmo, mas o Remo tem um time não mais do que razoável. Paga hoje o alto preço da intemperança financeira e dos descalabros administrativos dos dez últimos anos.

Perdeu a sede campestre, quase teve o Evandro Almeida vendido em negociata espúria, sofreu assaltos e viu crescerem suas pendências fiscais e trabalhistas. De quebra, há três anos está sem o seu estádio, semidestruído por um de seus vários gestores irresponsáveis.

Contextualizei o cenário para pontuar que o time de Josué é produto da superação. Ganha vida quando está completo e seus operários se entregam à luta sem tréguas. Quando perde peças, fica previsível e comum.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 20h45, na RBATV. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião compõem a bancada. Os convidados da noite serão os zagueiros Henrique (Remo) e Lombardi (PSC).

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Sem medo, Estrela Solitária avança e convence

O Botafogo vai ultrapassando obstáculos e desfazendo preconceitos a cada novo passo na Taça Libertadores. O comportamento tático, quinta-feira, na vitória sobre o Atlético Nacional (o atual campeão) em Medellín, revela maturidade de um grupo comandado com extremo controle por Jair Ventura. A defesa se comportou de maneira inexpugnável e os garotos Emerson Santos e Guilherme fizeram a diferença.

Para quem deu um salto direto da Série B para o torneio mais importante do continente, o Fogão está enchendo todas as medidas. Já bateu quatro campeões continentais – Colo Colo, Olímpia, Estudiantes e Atlético Nacional. Ainda não é para soltar foguetes, mas já merece aplausos.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 16) 

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14 Comentários Add your own

  • 1. camiloferreira  |  15 de abril de 2017 às 23:25

    Análise perfeita sobre o Remo.

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  • 2. Antonio Oliveira  |  16 de abril de 2017 às 9:25

    A análise que venho fazendo sobre o Clube do Remo, desde o início da temporada, é absolutamente compatível com esta feita na Coluna, seja sobre o elenco, seja sobre o desempenho, seja sobre o técnico, seja sobre a histórica e precária situação econômico-financeiro-administrativa do Clube e do reflexo negativo que tal situação tem nos elementos anteriormente citados.

    Nesta temporada eu jamais reclamei seja o técnico, seja o time. Até mesmo a diretoria não mereceu os reclamos que normalmente eu lhe dedico. Achei que nas circunstâbcias espinafrações em nada ajudariam.

    Para ser justo, devo dizer que só duas situações até aqui foram objeto de críticas minhas.

    A primeira diz respeito ao técnico quando ele teve a triste ideia de mandar o time deuxar o campo em Castanhal. Sandice que em boa hora foi abortada peli dirugente que chefiava a delegação no evento.

    A segunda aquando da admissão do Eduardo Ramos no elenco. Aqui, é dizer, que por coincidência ou não, que foi a partir da chegada deste jogador que o time começou a apresentar os problemas de apatia que hoje apresenta (com ou sem ele em campo), muito parecidos com aqueles apresentados nos últimos meses da temporada passada.

    Bom, mas a verdade é que os dados ainda estão rolando e ainda há uma partida a ser jogada na competição. Logo, se é verdade que as perdas podem aumentar, também é verdade que não é impossível reverter o quadro. Eu torço por isso. Eu quero crer nisso. Avante Leão!

    Curtido por 1 pessoa

  • 3. camiloferreira  |  16 de abril de 2017 às 9:56

    Bem observado Antonio, três jogos depois de sua chegada tenho percebido o time com a mesma desmotivação do time do ano passado, como os volantes e os meias andando no meio de campo, então fica aquela pergunta, adianta ter um jogador que desequilibra uma partida se com a sua chegada houve uma quebra no grupo?! Será que os salários estão em dia?

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  • 4. Eric  |  16 de abril de 2017 às 13:41

    Pra mim é conversa fiada o ER quer foi decisivo contra o Pinheirense quando o Remo só ganhava de 1 a 0 ele marcou o segundo gol e contra o Paysandu quando o time perdia até aos 44 min do segundo tempo e garantiu o empate eles tem quer jogar bola é chegar na final do Campeonato Paraense de 2017

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  • 5. Antonio Oliveira  |  16 de abril de 2017 às 14:13

    Pois é, Camilo, ninguém discute a habilidade do ER. Mas, também ninguém pode discutir que havia muito mais entrega, disposição, aguerrimento, vibração e garra antes da admissão do ER no time. E, na situação do time Remo, na situação do Clube e do Remo, na situação econômica e financeira do time do Remo, destaque exclusivamente individual, seja dentro das quatro linhas, seja no contracheque, seja no dia do pagamento, nunca deu bom resultado.
    Outro aspecto do qual não oode haver negativa é que a apatia do final da temporada passada é a mesma das últimas partidas.

    Bom, mas, tomara que eu esteja enganado. E daqui há algum tempo a verdade, seja ela qual for, virá à tona.

    Aliás, quisera eu que a prova de que minha cogitação não tem nada a ver fosse logo produzida no próximo jogo da semi final. Já pensou se o Eduardo estiver em condições e começar a jogar mais com o Edgar? Tenho certeza que três gols não seria impossível de marcar.

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  • 6. miguelangelo1967  |  16 de abril de 2017 às 18:01

    Vocês azulinos estão se preocupando à toa o Independente não vai aguentar o jogo da volta e o “Marechal” já não bradou aos quatro cantos que vocês serão campeões?, por que o medo?
    O Paysandú está com um time muito limitado, ruim pacas e pior não tem treinador, pelo menos, no banco vocês tem comando nós não!

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  • 7. Anselmo  |  16 de abril de 2017 às 18:41

    Olha, sobre a presenção do ER no elenco, acredito ser uma infeliz coincidência. Pois outros pontos que precisa levar em consideração é a quantidade de atletas no DM. Basicamente dependemos de Fininho na meia cancha, o que poder esperar mais?

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  • 8. Antonio Oliveira  |  16 de abril de 2017 às 19:34

    Não sei não, Miguel…
    O Independente é um bom time e tem dois gols de vantagem.

    Demais disso a cartolagem azulina não tem o peso que tinha o homem do Sapato Branco, que não prometia, mas garantia os títulos, conforme delatado por ele mesmo sem a necessidade de qualquer prêmio.

    Quanto ao rival, não é tão ruim assim e está com os salários em dia (tá mesmo, né?), o que já é um fator de grande importância.

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  • 9. Antonio Oliveira  |  16 de abril de 2017 às 19:43

    Anselmo, espero que você tenha razão.

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  • 10. miguelangelo1967  |  16 de abril de 2017 às 19:58

    Antônio na década de 70 não foi segredo para ninguém que muita coisa aconteceu nos bastidores, só que ninguém de lá foi acéfalo para assumir.
    Mas o que importa é o presente o que foi escrito já foi virado e arquivado, concordas?

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  • 11. Antonio Oliveira  |  16 de abril de 2017 às 20:11

    Claro que concordo, Miguel! Por isso você não me vê afirmando coisas do gênero. Eu no máximo respondo quando alguém fala a respeito.

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  • 12. Víctor Palheta (@victorpalheta)  |  16 de abril de 2017 às 20:51

    Amigos azulinos estão botando nas costas do ER, mas se esquecendo do que aconteceu no Re-Pa. O problema com o Edgar nas vésperas do clássico abalou o psicológico do grupo unido que ficou ao lado do treinador. Ele cedeu às pressões externas para deixar o Edgar no grupo, inclusive com a “saída” do Sérgio Dias. Desde então nunca mais o Edgar foi o mesmo e o grupo parece disperso e desinteressado. o ER tinha a desconfiança do grupo pois o salário dele é maior do que os demais e ninguém queria um estrela, mas todo o grupo está, além da parte física, com essa falta de interesse no resultado.

    Eu sinceramente achei que a saída do Sérgio Dias foi muito mais fácil do que seria em se tratando desse grupo aí, tem muito mais coisa por de trás, em se tratando dos bastidores azulinos.

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  • 13. Antonio Oliveira  |  16 de abril de 2017 às 21:52

    Vitor eu também acho que o Edgar caiu de produção, mas lembre que os dois últimos gols que o Remo marcou foi decorrência do trabakho fele. Outra coisa que é preciso lembrar é que o ataque precisa ser abastecido para funcionar. E, principalmente, o time precisa estar todo ele transpurando ao máximo, vibrando a mil, disputando as jogadas com muita garra. E, mais do que a produção criativa, realmente o que tem faltado mesmo é a pegada, é a entrega, quesito que até bem pouco tempo era muito bem preenchido pelo grupo, cujo preparo não parece estar assim tão precário. Ao que me parece, do que se ressentem mesmo os jogadores é de uma surpreendente apatia, a qual, talvez, só mesmo os bastidores possam explicar.

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  • 14. Frederico Teron  |  17 de abril de 2017 às 9:32

    O presente é uma parada. Independente 1X0.

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