Propinas serviram para enriquecimento pessoal de Serra

2 de abril de 2017 at 11:38 3 comentários

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POR LUIS NASSIF, no Jornal GGN

A informação da coluna Radar da Veja, de que a Odebrecht teria feito pagamentos milionários ao senador José Serra na conta de “uma parente” e através do lobista José Amaro Pinto, é a pá de cal na carreira do senador. Desvenda-se o maior segredo de Polichinelo da história da república: o processo de enriquecimento de Serra na política.

A parente de Serra obviamente é a filha Verônica. Completando a delação do executivo da Odebrecht, há a famosa tarja preta que a Polícia Federal colocou na agenda telefônica de Marcelo Odebrecht, antes de vazar a agenda para a mídia. Amadores, chamaram imediatamente a atenção de todos e não se deram conta de que um bom editor de imagens eliminaria as tarjas revelando os nomes. O compromisso tarjado era de Marcelo Odebrecht, com uma reunião com José Serra justamente no escritório de Verônica.

Com a possibilidade aberta, agora, de quebrar o sigilo das contas de Verônica Serra, especialmente dos seus fundos de investimentos, será bastante simples desvendar todo o sistema de lavagem de dinheiro de Serra, que o transformou em um dos políticos mais ricos do país.

Os dois caminhos de Serra para a lavagem de dinheiro foram o mercado de tecnologia e o de obras de arte – ambos propícios à lavagem devido às precificações bastante voláteis e subjetivas.

Pessoas que visitaram Serra em sua casa, aliás, se espantaram com a quantidade de obras de arte espalhadas pelas paredes. Na denúncia que a PGR encaminhará ao STF (Supremo Tribunal Federal), se saberá qual o estágio atual de Rodrigo Janot em relação à blindagem de Serra. Se não incluir abertura de contas de Verônica e arresto de obras de arte, não será uma investigação séria.

Aqui está um roteiro simples e algumas pistas  para destrinchar os métodos de lavagem de dinheiro de Serra:

  1. O caso Santander-Banespa

Desde os idos de 2.000, Serra já se valia das incursões de Verônica no mercado de tecnologia para lavar dinheiro. Quem a conheceu na época sabia ser uma moça limitada, sem noção clara sobre empresas startups. Mesmo assim, conseguia feitos extraordinários.

O primeiro deles foi sua aproximação com argentinos da Patagon – um sistema de banking eletrônico. Verônica conseguiu vender para o Santander por US$ 700 milhões, uma soma impossível. O próprio presidente do banco participou das negociações.

Anos depois, procurei mapear os interesses do Santander na época. O maior deles era relacionado com a compra do Banespa. Para conseguir viabilizá-lo economicamente necessitava que fossem mantidas no banco as contas dos funcionários públicos e do Estado. A lei impedia.

De alguma forma, o Santander obteve a autorização. Embora o tempo transcorrido seja grande, provavelmente o rastro do dinheiro mostraria os beneficiários desse jogo e a maneira como conseguiu atropelar as leis e preservar as contas públicas, mesmo após a privatização do banco.

Pouco tempo depois, o Santander pagou US$ 5 milhões para os argentinos receberem o software de volta. Hoje em dia, ele repousa em um computador desligado, em um banco médio paulista.

  1. O caso Experian-Virid

O grupo britânico Experian adquiriu a Serasa e avançou como um leão faminto sobre o mercado de avaliação de devedores e de bancos de dados. Nessa ocasião houve a entrega para Experian do banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral pela presidente Carmen Lùcia. A operação voltou atrás depois do protesto de Marco Aurélio de Mello. Carmen Lúcia provavelmente não sabia dos valores envolvidos no mercado de banco de dados. Mas seria interessante saber dela quem a convenceu a oferecer o banco de dados do TSE.

A operação mais suspeita da Experian foi com os Cadins (Cadastro dos Devedores) estaduais. No final do seu governo, Serra entregou à Experian o Cadin do estado. Além do mais valioso, abriu as portas da Experian para os demais Cadins estaduais.

Pouco tempo depois, Verônica adquiriu participação em uma empresa de e-mail marketing, a Virid – que, na opinião de analistas de mercado não deveria valer mais de R$ 30 milhões. Em seguida revendeu-a para a Experiência por R$ 104 milhões. Na época, consultei o setor de relações com o mercado da Experian, em Londres, e me informaram que o valor da operação era sigiloso.

  1. Os negócios com Daniel Dantas

No livro “A Privataria Tucana”, o repórter Amaury Junior esmiuça os jogos de offshores de Verônica.

Há dois episódios pouco analisados e escandalosos. Um deles, o site de comércio exterior que Verônica montou com a irmã de Dantas e que conseguiu o acesso a informações sigilosas do Banco Central e do Banco do Brasil. Se não fosse denunciado, valeria dezenas de milhões de dólares.

Na campanha de 2002, Serra esquentou a casa onde morava, perto da Praça Pan-americana, com recursos supostamente enviados por Verônica dos Estados Unidos. Foi um esquentamento feito às pressas, depois que o PT levantou suspeitas sobre a casa.

Aliás, a história da casa é relevante. Serra a adquiriu quando Secretário do Planejamento de Montoro e quando corriam rumores da montagem de uma indústria de precatórios no Estado: mediante propinas, conseguia-se furar a fila de anos. Serra sempre dizia que alugara a casa – enorme – porque conseguira um aluguel especial com o proprietário.

  1. Os fundos de investimento

O fundo de investimento de Verônica Serra possui 10% do Mercado Libre, portal cotado até pouco tempo na Nasdaq em US$ 2 bilhões. Quebrando o sigilo de Verônica, será fácil rastrear a maneira como em tão pouco tempo ela acumulou um capital de US$ 200 milhões em apenas um investimento.

  1. O fator José Amaro Pinto

O lobista José Amaro Pinto sempre teve ligações estreitas com o lado FHC do PSDB. Foi colega de Sérgio Motta e FHC na Sociologia e Política. É um senhor já de idade, culto, cortês e que, até esta última informação, era conhecido como lobista dos grupos franceses junto ao Brasil. Dentre seus clientes estava a Dassault, que fabrica os Mirage, a Tales, de radares, e a notória Asltom.

Com a informação de que foi o intermediário entre a Odebrecht e Serra, surge a verdadeira face de Ramos: em vez de lobista da França no Brasil, era lobista do PSDB junto a interesses franceses.

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Pasquim da direita já trata Aécio como lixo descartável É hoje!

3 Comentários Add your own

  • 1. Antonio Oliveira  |  2 de abril de 2017 às 12:11

    Bom lembrar que antes mesmo da Veja noticiar alguma coisa Serra já acusara o golpe da lavajato alegando enfermidade para deixar o governo.

    Agora, é ver como tudo se desenrola… Por exemplo, será que Serra vai alegar perseguição contra ele próprio e sua família? Será que ele tem amigos em nome de quem coloca as suas propriedades?

    E o Janot e o Moro será que vão conduzir tudo ao menos com a mesma celeridade que estão fazendo no caso de cunha e lulla?

    Ou tudo isso se encaminha para desaguar num imenso acordão que alguns sinais já de há muito começam a apontar?

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  • 2. Jaime (Atlanta, EUA)  |  2 de abril de 2017 às 13:03

    É, a bolinha de papel depois de muito tempo, tá fazendo estrago agora. Hehehe

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  • 3. Antonio Oliveira  |  2 de abril de 2017 às 13:26

    Manifesto divulgado pela irmã de aécio, adota a mesma linha dos petistas: inverdades, ódio, perseguição etc. Abaixo a íntegra:

    “Olá, meu nome é Andrea e sou irmã do Aécio Neves. A revista Veja publicou hoje uma reportagem dizendo que um delator da Odebrecht teria dito que depositou milhões numa conta minha em Nova York. É mentira. Ontem à noite, o advogado deste delator desmentiu a revista, dizendo que seu cliente jamais tocou no meu nome ou na existência dessa falsa conta lá fora.

    Para mim, como disse meu irmão, pouco interessa agora quem mentiu, quem é o mentiroso, se o delator, ou se a fonte da revista. O que interessa é a mentira. Eu não sei o que está acontecendo para tanto ódio e tanta irresponsabilidade, atacar de forma tão covarde a vida das pessoas. Eu gostaria de olhar no seu olho, embora eu não te conheça, para te garantir que isso é mentira e que nós vamos provar.

    Eu gostaria de olhar no olho de cada pessoa que eu conheço, de cada amigo, de cada pessoa que acompanha nosso trabalho, para dizer que é mentira e nós vamos provar. Infelizmente, eu não tenho como fazer isso.

    Então, eu gostaria de olhar nos olhos de duas pessoas, duas pessoas que me conhecem tão bem e a quem eu não precisaria dizer nada. Gostaria de olhar nos olhos da minha mãe e da minha filha e dizer: é mentira. Dizer a elas que fiquem tranquilas, não sofram por nós porque nós vamos provar que é mentira . E aí vai ser a vez dos mentirosos explicarem porque de tanto ódio, de tanta mentira e de tanta irresponsabilidade”.

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