Arbitragem na berlinda

27 de março de 2017 at 23:14 10 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

Clássico que se preza começa antes de a bola rolar e só termina dias depois, quando cessa o bate-boca nas ruas, na firma e nos botecos da vida. E há casos de jogos que continuam a ser disputados por tempo indeterminado, pelo menos na imaginação delirante do torcedor.

O último Re-Pa está no rol daqueles que ficam semanas a fio na pauta de discussões – não por lances de classe ou gols bonitos. Mais do que as excelentes atuações de Eduardo Ramos e Léo Rosa no Remo e o eficiente bloqueio defensivo armado pelo Papão, o debate se concentra no desempenho de Dewson Freitas, o nosso árbitro Fifa.

Pênaltis reclamados pelos azulinos, expulsão questionada pelos bicolores e minutos de acréscimos reivindicados por todos. São queixumes em série, revelando a insatisfação generalizada com a arbitragem.

Dewson é um apitador de alto nível, com várias participações em jogos nacionais e internacionais. Não teve uma grande atuação, mas surpreende que seja crucificado por uma decisão correta: a expulsão do volante Capanema, após duas entradas faltosas e passíveis de advertência.

Como prata da casa, Dewson talvez não consiga angariar aqui o mesmo apoio e respeito que recebe lá fora. No Pará, aliás, prevalece insistente prática de não valorização do talento local – e não só no futebol.

A cena patética de um cidadão estranho ao jogo invadindo o campo para peitar e ameaçar o árbitro no intervalo do clássico é reveladora desse sentimento. Parecia um remake dos anos 60 e 70, quando cartolas destemperados deitavam e rolavam nos estádios paraenses.

Em outras capitais, Dewson nunca foi alvo de tais abusos. Por outro lado, confirmando a vira-latice atávica, não ocorre invasão de campo em Belém quando o árbitro é de fora do Estado. Até os cartolas mais nervosinhos contêm seus impulsos diante dos visitantes.

Em 2015, criticado pela atuação num Re-Pa, Dewson teve seu nome vetado pelo Papão. A diretoria chegou a anunciar que ele passaria a ter suas arbitragens filmadas e monitoradas de perto.

No ano passado, após apitar jogos do Campeonato Estadual e da Copa Verde, caiu novamente nas graças dos dirigentes. A coisa estava tão pacífica que sua escolha para o clássico do último domingo foi elogiada pelos dois clubes.

Falhas pontuais não podem ser usadas para execrar um árbitro competente e sério como Dewson, que atravessa a melhor fase da carreira, sendo escalado até para jogos das Eliminatórias. Os velhos rivais deveriam ser os maiores interessados no fortalecimento da arbitragem regional.

Junto com Dewson surgiram apitadores de qualidade, como Joelson Nazareno Cardoso, Gustavo Ramos Melo e Andrey da Silva e Silva, sinal da evolução da arbitragem paraense nos últimos. Agora, se os próprios clubes achincalham as arbitragens, o que esperar da torcida¿ Movida pela paixão cega, a massa não mede palavras e condena sem julgar.

Dewson é sempre uma garantia de integridade na arbitragem. Por isso, ao invés de hostilizar e fazer campanha contra, o mais sensato é dar a ele as condições necessárias para que exerça bem o seu trabalho.

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Tite lança olhar generoso aos atletas domésticos

Diego Souza, que despontou no Fluminense e rodou por vários clubes, dentro e fora do país, tem finalmente seu futebol reconhecido na Seleção. O meia-atacante do Sport-PE, que alia força e habilidade nas arrancadas, chega ao topo já acima dos 30 anos, mas ainda em condições de brilhar. Pode ser titular hoje contra o Paraguai, na Arena Corinthians (SP).

Autor de gols bonitos e exercendo forte liderança no time pernambucano há duas temporadas, Diego há muito tempo merecia vez no escrete. Como tantos outros jogadores, ele sempre era preterido, pois os técnicos optavam pelos chamados “estrangeiros”, alguns de futebol bastante incipiente.

Tite, entre outros méritos, destaca-se na Seleção por fazer justiça a atletas que jogam no Brasil e nem por isso são inferiores aos de fora.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 28) 

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Re-Pa – principais lances Rock na madrugada – Cage The Elephant, Come A Little Closer

10 Comentários Add your own

  • 1. Antonio Oliveira  |  28 de março de 2017 às 0:11

    Bom, de minha parte, até hoje não encontrei motivos sequer para cogitar desonestidade na conduta do Dewson.

    Também acho que ele está no mesmo nível dos melhores árbitros brasileiros. Aliás, inclusive nos equívocos e polêmicas.

    Tais considerações positivas, entretanto, não são capazes de neutralizar as críticas que, segundo meu entendimento, o árbitro merece. Tampouco são capazes de apagar do mundo fático as polêmicas que a arbitragem dele gera e os equívocos que ele comete.

    Valendo dizer que tanto as polêmicas quanto os equívocos não são fruto do passionalismo do torcedor ou do amadorismo dos dirigentes.

    Não, tudo é fato, é concreto, é palpável.
    Por exemplo: no início do jogo, o Tsunami fez no próprio Capanema uma falta, igualzinha (em violência) àquela que este fez no Eduardo Ramos. Nem advertência levou. Depois, fez mais três, numa delas, num único carrinho atingiu fois adversários. Nem advertência levou. Foi levar o amarelo (depois da justa expulsão do Capanema), numa jogada em que sequer fez falta no Leandro Carvalho. Este que olhando ora bola, caminhou pra trás e atropelou o Tsunami. Outro exempko foi os “descontos”. 3 minutos em que de paradas relevantes consumiram por baixo de 8 a 10 minutos, é algo para lá de equivocado. Demais disso, deixa o jogo carregar e depois naturalmente perde o controle.

    Enfim, sob o meu sentir, quando apita Re-Pa, o Dewson merece as críticas sérias e fundamentadas que recebe de toda a comunidade futebolística. Aliás, aqui é bom dizer que a própria crônica especializada também faz críticas sérias e fundamentadas sobre as arbitragens do Dewson em Re-Pa.

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  • 2. miguelangelo1967  |  28 de março de 2017 às 1:06

    Gosto do trabalho do Dewson mas concordo que em matéria de clássico paraense ele tem sido infeliz e complicado suas atuações.
    Não precisa repetir os pontos já debatidos aqui, e o que senti foi que ele rezou para o jogo acabar.
    É um bom árbitro mas não entendo o que ocorre quando apita um RexPa.
    Discordo de quem o acusa de ser leviano, mas não dá para fazer a Egípcia nos critérios usados de dois pesos e duas medidas. Lances iguais são sansionados de acordo com a camisa, e isto é fato.
    Mas acredito que ele deva reavaliar a sua atuação pois é um bom profissional.
    Também acho que ele não deva rumar para outra federação assim como sugeriu um cronista da imprensa paraense.

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  • 3. Mauricio Carneiro  |  28 de março de 2017 às 7:57

    Dewson perdeu o controle após a expulsão do RC. Na minha opinião era o caso de chamar o atleta de lado e olho no olho dizer com firmeza, em tom de ameaça mesmo, “você tá pedindo pra sair, acabou!”. Muitos árbitros fazem isso e funciona sim. A primeira consequência seria sua substituição. A falta foi no meio campo, muito menos assintosa que outras tantas. Falta de jogo a meu ver. É básico, elementar, que em clássicos, decisão etc, o vermelho deve ser muito bem usado sob pena de se perder o controle do jogo. O Dewson tem um quê de arrogância e prepotência que não o deixa comversar com os atletas e utilizar da advertência verbal como forma de conduzir seu trabalho. Empina o nariz, manda sair de perto como se estivesse espantando mosca e nem olha na cara de ninguém.
    Por outro lado, o seu RC, jogador rodado, poderia ter acompanhado sem fazer a falta, pois não havia perigo iminente de gol e a zaga tava montada e lá adiante possivelmente retomar a bola ou ajudar no desarme do ataque. Também vacilou.

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  • 4. Breno  |  28 de março de 2017 às 7:58

    Enfim dois comentários lúcidos e que representam o que aconteceu no domingo. Ninguém discute a qualidade do árbitro, porém ele perdeu o controle da partida e acabou com o jogo que se desenvolvia de maneira interessante.

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  • 5. Antonio Valentim  |  28 de março de 2017 às 7:58

    Não questiono a honestidade do árbitro. Questiono sim o fato de ser um árbitro local que vai mediar o clássico Remo e Paysandú, daí, segundo bem escreveu Gerson, não ter o respeito que deveria ter. As duas centenárias camisas pesam muito, muito mais para o mediador paraense, que sabe o peso que as duas tem.
    Os fatos falam por si:

    1) direção do Paysandú mudando de banco. Qual a razão? Banco mais confortável, visão privilegiada? Nada disso: simplesmente influenciar na arbitragem do auxiliar:

    2) diretor do Paysandú peitar o árbitro (poderia ser do Remo). com os de fora não ocorre esse problema. Pergunto se o Dewson relatou isso na súmula;

    3) antijogo e paralisações não compensadas com tempo de acréscimo, que deveria ser de 7 a 10 minutos, quando poderia haver gol ou qualquer outro lance polêmico e então complicar a vida do árbitro local. Se fosse um de outra federação (do mesmo gabarito Fifa), não veria problema algum em dar mais tempo de complemento à contenda.

    Precisa dizer mais?

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  • 6. direitoeducacaoecafe  |  28 de março de 2017 às 23:01

    Gérson,

    Capanema foi corretamente expulso.

    Mas Tsunami poderia ter saído mais cedo se o mesmo rigor fosse aplicado ao atleta azulino e você silenciou quanto a isso.

    Delson aceitou pressão e, sobretudo, foi admoestado pelo Eduardo Ramos.

    Triste que o melhor árbitro paraense de todos os tempos não tenha equilíbrio para dirigir um RE x PA.

    A sensação é que ele está fazendo um favor ou tornou-se grande demais para o Clássico papa-chibé.

    Sua qualidade é inquestionável, porém, sempre fica a sensação de que haverá a adoção de critérios diferentes para situações semelhantes.

    Quanto a parte técnica do Papão, sem comentários.

    Do lado azulino, o Josué Teixeira mostrou-se firme em suas convicções e merece registro a boa performance do time até aqui.

    No clássico de domingo, para o bem do Paysandu, o Edgar não jogou e o Flamel não foi tão bem

    Só esperando as contratações dos “reforços”
    Para a Série B…

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  • 7. Peixoto  |  29 de março de 2017 às 16:36

    Dewson é um árbitro muito bom. Infelizmente se perdeu. Além de não ter dado amarelo pro Tsunami no lance em que este deu uma senhora pisada no pé do Capanema, fato registrado pelos narrador e comentarista da cultura, o q poderia ocasionar sua expulsão com o segundo cartão amarelo ao segurar o Diogo Oliveira, ainda por cima Tsunami cometeu outras faltas. Por sua vez, o Eduardo Ramos reclamou acintosamente do Dewson chegando a jogar a bola com força no chão e se fosse outro árbitro como Sandro Meira Ritchie teria sido expulso.
    Com relação aos pênaltis mencionados não houve com certeza um deles, pois imagem é clara em mostrar q Val Barreto fez falta fazendo carga na Costa do zagueiro do Papão, antes de receber o reclamado contato do zagueiro do Paysandu, no q Dewson acertou. Entretanto este não deu os acréscimos devidos ao jogo.
    Quanto ao clássico me mandaram por zap a capa do jornal de segunda com o título “Eduardeus”. Um verdadeiro exagero. Sem querer tirar o mérito da atuação do hoje camisa 8 do remo, se ele fosse um verdadeiro ” Deus do Futebol” teria feito vários gols contra um time q jogou com apenas dez homens desde os vinte minutos do primeiro tempo. Isso é fato. Como disse o Gerson esse é um clássico q será lembrado semanas a fio na pauta de discussões.

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  • 8. Edson do Leão - meu time nunca fugiu de campo  |  29 de março de 2017 às 18:38

    E o choro continua buááá fizeram cera pra empatar kkkkkkkkkk é um time comédia mesmo kkkkkkkk é ainda vem dizer q não foi penalti kkkkkkkkk tá precisando trocar o óculos kkkkkkkkk é a idade

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  • 9. Peixoto  |  29 de março de 2017 às 20:18

    Edson! É você q tem que trocar os óculos. A imagem é clara: Val Barreto faz carga na Costa do zagueiro do Papão antes de ser tocado. Portanto como Val Barreto fez falta antes do contato não houve pênalty. Presta atenção nessa sequência lógica. Por outro lado não sou fanático e se você leu meu comentário viu q eu afirmei q o Dewson não deu os descontos devidos ao tempo de jogo o q poderia ter dado tempo do teu time virar o jogo contra um time q jogou com apenas dez jogadores desde os VINTE MINUTOS DO PRIMEIRO TEMPO.

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  • 10. Luiz Fernando - Bicolor  |  30 de março de 2017 às 18:17

    Caro Peixoto ! Não perca o seu tempo com essa mala..

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