POR DIOGO COSTA, via GGN
Será interessante verificar até quando algumas pessoas vão continuar com essa falácia de acusar Dilma Rousseff e seu governo pelo desastre trazido pelos golpistas.
Muita gente que hoje fala contra o golpe defendeu com unhas e dentes, de forma emocionada (até ao ponto de ir ou quase ir às lágrimas) e infanto-juvenil aquela rematada idiotice com nítido viés golpista que foi o junho de 2013.
É preciso lembrar até o fim dos tempos que no início de junho de 2013 o Brasil estava em regime de pleno emprego, a inflação estava dentro das metas, o investimento público e privado era crescente, havia geração de empregos e distribuição de renda e o país era um vasto canteiro de obras de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Para quem não sabe ou não lembra, o país cresceu 3% em 2013 (teria crescido uns 5% não fosse o desastre de junho do mesmo ano).
A popularidade da legítima presidenta Dilma, no início de junho de 2013, era estrondosa (maior que a de Lula ao sair do governo em 2010). O PT disparava na preferência do eleitorado brasileiro, atingindo índices de aprovação que jamais chegaram a ser constatados desde 1980 (e conseguiu essa proeza mesmo com o massacre da farsa do julgamento da AP 470 entre agosto e dezembro de 2012).
Seria preciso ser um gênio da ciência política para saber, desde o início, que o junho de 2013 não tinha absolutamente nada a ver com a esquerda ou com teses progressistas? Havia algo mais nítido e cristalino? Como alguns inocentes úteis se deixaram levar pelo ‘Putsch’ de junho de 2013, sendo que a economia do país ia de vento em popa e que a mandatária primeira tinha uma aprovação popular estratosférica?
Se o país estivesse em recessão, como esteve em 2015 e como está em 2016, se justificaria um movimento no estilo do junho de 2013. Mas o caso é que o país atravessava um momento econômico diametralmente diverso!
É evidente até não poder mais que o junho de 2013 marcou o ponto de inflexão a partir do qual a direita se rearticulou em todo o território nacional. Isto já era evidente lá, em junho de 2013. Mas existe um cacoete maldito entre alguns ‘intelectuais’, entre alguns blogueiros e entre alguns setores supostamente de esquerda, que é o cacoete de imaginar que manifestações de rua são sempre algo progressista (que análise mais estúpida!).
O junho de 2013 ressuscitou uma oposição morta que não tinha nenhuma perspectiva de poder em 2014. O junho de 2013, espécie de “revolução colorida” importada diretamente do Leste Europeu, ou, se preferirem, uma espécie de “Primavera Árabe” diretamente importada do Médio Oriente, fez mais pela direita brasileira do que mil Redes Globos um dia poderiam sonhar. Amalgamaram vastos setores da classe média com pautas regressivas, temperadas com o velho e surrado “combate à corrupção”.
O golpe de estado desfechado em 2016 começou em junho de 2013. Jessé de Souza tem apontado isso com clareza meridiana já há algum tempo (e nem precisaria apontar pois qualquer um que não tenha se deixado levar pelas fantasias anarco-horizontalizadas-fantasiadas já sabia do caráter brutalmente conservador do junho de 2013 desde a sua irrupção). Alguns, por medo ou vergonha de remar contra a maré, se deixaram levar pela idiotice completa do junho de 2013. Outros, incapazes de fazer uma avaliação política minimamente consequente e calcada em exemplos históricos, aderiram acriticamente ao cadafalso na vã esperança de escapar da forca que ajudaram a construir.
A teoria do choque tem sido aplicada no Brasil desde o julgamento da AP 470. O que faltava era idiotas nas ruas em número suficiente para servir de bucha de canhão para interesses contrários ao desenvolvimento do país; contrários a um projeto de crescimento com distribuição de renda e redução das desigualdades sociais.
O golpe de estado atual, gestado a partir de junho de 2013, foi construído com etapas muito bem elaboradas, com assessoria internacional de gente que ajudou a fomentar revoltas sociais na Ucrânia, na Líbia, na Síria, etc. Os métodos sempre foram os mesmos, nunca houve dúvida nenhuma.
O que destruiu o segundo governo Dilma foi a ação orquestrada de sabotagem, de choque e de opressão midiática em grau jamais visto em toda a história do Brasil. Foram 03 anos consecutivos de massacre e mesmo assim Dilma, no pleito de 2014, venceu a tudo e a todos. Venceu o golpe que já estava em marcha batida, venceu a Lava Jato, venceu a traição inominável do PSB, venceu a conversão de Marina Silva aos interesses estrangeiros, venceu um pleito que muita gente chegou a imaginar perdido logo depois da morte de Eduardo Campos (que virou a eleição de cabeça para baixo).
Por fim, me obrigo a contestar pela milionésima mais essa FARSA do represamento de preços dos combustíveis da Petrobras. Isto é, repito, uma FARSA completa e absoluta. E me admira que blogs diversos insistam em dar guarida para semelhante FARSA criada pela direita que sempre quis e quer ainda destruir a petrolífera criada em 1954. Mas, vamos aos números dos governos de Dilma a respeito dos reajustes da gasolina e do diesel:
1. Governos de Dilma Rousseff (05 anos – entre 2011 e 2015)
1.1 Gasolina: reajuste de 43,5% em 05 anos – reajuste médio de 7,5% ao ano
1.2 Diesel: reajuste de 46,7% em 05 anos – reajuste médio de 8% ao ano
A quem interessa essa FARSA GROTESCA de seguir INVENTANDO que Dilma represou os preços dos combustíveis da Petrobras?
A quem interessa, repito, sustentar tamanha e tão escabrosa FARSA a respeito dos reajustes de combustíveis praticados nos governos da legítima presidenta Dilma Rousseff, entre 2011 e 2015?