Renan insiste com o ritual do golpe, apesar da nulidade da sessão do impeachment

CiDR690UgAAlIsl

O presidente do Senado, Renan Calheiros, nunca experimentou uma pressão tão grande da mídia. A Globo botou um helicóptero para acompanhar o seu deslocamento de carro em Brasília. Amigos meus no exterior, que acompanharam o noticiário pela internet ficaram chocados: “bizarro” é o que eles me dizem.

Ao cabo, a pressão, como era de se esperar, fez efeito, e Renan decidiu dar continuidade ao processo de impeachment, ignorando a anulação da votação do dia 17 assinada pelo novo presidente da Câmara, Waldir Maranhão.

De qualquer forma, a confusão serviu para desmoralizar ainda mais o golpe.

Era previsível que, diante do investimento gigantesco feito pelos golpistas em todo o tipo de ilegalidades, rasgando tantos capítulos da Constituição, desprezando o resultado de uma das maiores eleições do planeta, a pressão sobre Renan não medisse limites.

O golpe segue o seu curso ainda mais desfalcado. Além de baseado numa votação ilegal na Câmara, porque feita em cima de um relatório que, inconstitucionalmente, não aponta crime de responsabilidade, o impeachment segue adiante assentado sobre uma votação anulada.

Para completar o cenário de república de bananas, ou melhor, de ditadura bananeira, um outro juiz, seguindo o modelo Sergio Moro, mandou realizar uma condução coercitiva do ex-ministro Guido Mantega, no curso da Operação Zelotes.

Condução coercitiva é uma babaquice autoritária, simples assim, porque só poderia ser feita se o cidadão se recusasse a comparecer voluntariamente perante as autoridades. Não é o caso de Guido Mantega.

O blogueiro Luis Nassif fala da aproximação de uma “noite de São Bartolomeu”, referindo-se a um dos episódios mais traumáticos da história mundial, em que a monarquia francesa dispara uma repressão horrível sobre não-católicos.

Setores importantes do judiciário estão incorporando alegremente o espírito do golpe, assim como fizeram seus congêneres durante a ditadura no Brasil, e como aconteceu em outros países, em períodos de exceção. Um golpe de Estado pressupõe, necessariamente, uma grande cumplicidade entre magistrados, golpistas e forças repressivas, mancomunados todos contra os interesses populares.

Hoje foi divertido testemunhar o desespero dos sem voto, em especial dos jornalistas globais, ao constatarem a fragilidade ridícula de seu golpe.

Porque é isso o que caracteriza um golpe: a sua instabilidade. Como não é baseado no único processo que dá legitimidade a um governo, o sufrágio universal, ele será sempre instável, e terá necessidade de apelar à repressão, à mentira, à manipulação, para se sustentar.

A história, moça irônica, abre muitas portas para os golpistas, sinaliza caminhos, pelos quais eles se enveredam tolamente, sem saber que ao fim dele encontrão um espelho a refletir o seu próprio semblante monstruoso e desprezível. (No blog O Cafezinho)

Um comentário em “Renan insiste com o ritual do golpe, apesar da nulidade da sessão do impeachment

  1. Um roteiro de dar inveja ao seriado House of Cards. É o golpe do golpe, do golpe, do golpe, do golpe, etc. Ninguém sai ileso dessas trapalhadas.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s