Há 40 anos, a ditadura matava Zuzu Angel

Zuzu-Angel

POR MÁRIO MAGALHÃES

Hoje faz 40 anos que agentes da ditadura assassinaram no Rio a estilista Zuzu Angel.

Zuzu denunciava mundo afora o desaparecimento do filho, o guerrilheiro Stuart Angel Jones.

Em 1971, Stuart havia sido morto na Base Aérea do Galeão num martírio em que foi arrastado por um jipe, com o escapamento soltando gás em seu rosto.

Sua mãe passou a dedicar a vida a procurar Stuart e buscar seus algozes.

Não teve muito tempo. Foi morta quando o Karmann-Ghia que dirigia foi abalroado na altura da Rocinha, logo após passar pelo túnel Dois Irmãos no sentido da Barra da Tijuca.

A versão das autoridades foi que na madrugada de 14 de abril de 1976 Zuzu sofreu um acidente.

Em 1998, em segunda votação, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que a mãe de Stuart fora vítima da ditadura.

Uma foto encontrada em velhos arquivos periciais mostrava que, ao contrário do que tinham alegado 22 anos antes, havia, sim, marca de pneu indicando que o carro de Zuzu havia sido atingido por outro e atirado contra a mureta de um viaduto.

Uma testemunha conversou com a comissão. Disse ter visto o choque proposital e corrido para o local onde o automóvel caíra.

Quem encontrou a fotografia sumida fui eu _um dia conto como. Bem como visitei o apartamento onde morava a antiga testemunha _confirmei que a visão do atentado era possível dali (mais tarde construíram um edifício tapando a vista). Bem como cronometrei a descida do prédio até o sopé da Rocinha. O tempo foi compatível com o relato de quem testemunhou o episódio.

Zuleika Angel Jones tinha 54 anos ao ser morta.

Stuart, 25.

Os assassinos de mãe e filho jamais foram julgados e punidos.

Chico Buarque e Miltinho, em homenagem a Zuzu, compuseram a canção “Angélica” (para ouvi-la, basta clicar na imagem no alto).

Hoje o túnel Dois Irmãos se chama, justa reverência a uma grande mulher, túnel Zuzu Angel.

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