Legião de importados

POR GERSON NOGUEIRA

A voracidade com que a dupla Re-Pa se lança nas contratações sempre foi conhecida de todos. Sai ano, entra ano e não há jeito de mudar o rumo da prosa. Mais três jogadores chegaram nos últimos dias. Na Curuzu, Lucas é o 17º contratado. No Baenão, Ítalo e Murilo completam 11 nomes na lista de aquisições. No total, 28 atletas de uma só tacada. Os custos variam, mas a média salarial não é inferior a R$ 15 mil.

Como se sabe, a caixa-preta que envolve a questão de salários no futebol não permite que se tenha acesso aos valores, mas pela procedência dos jogadores é possível estabelecer uma estimativa.

Cabe dizer que o problema maior não está nos recursos que os clubes irão mobilizar para pagar essa legião de importados. O que importa, de fato, é o custo-benefício do negócio. Um zagueiro ou atacante caro pode se tornar barato financeiramente caso mostre em campo qualidades que ajudem o time a vencer e a atrair mais torcedores aos estádios.

A imensa dúvida que paira é justamente quanto aos atributos técnicos desse contingente exagerado de boleiros. A prática mostra que a cada leva de contratações vingam no máximo duas ou três.

É muito raro que a quantidade se traduza em qualidade. O que pode atenuar os prejuízos é o cuidado que os dois grandes da capital demonstram na busca por esses atletas. Ainda assim, o futebol não costuma ser cartesiano e lógico, levando muitas vezes a situações inesperadas por quase todos.

Desta feita, há pelo menos o consolo de que a dupla de rivais não cometeu nenhuma barbeiragem grossa sob o pretexto de contratar nomes conhecidos. Flávio Caça-Rato (Remo) e Souza (PSC) são exemplos de gastanças desnecessárias e com desfechos previsíveis. Que os dois fiascos tenham servido de lição definitiva.

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Nada como uma boa assessoria

As gafes recentes do Antonio Carlos Nunes como presidente interino da CBF têm feito a delícia da mídia esportiva do Sul e Sudeste. Não há nenhuma dúvida quanto ao viés preconceituoso nas abordagens sobre comentários e entrevistas do coronel. É tão evidente quanto previsível.

E, por ser previsível, caberia ao dirigente se cercar de algumas cautelas básicas. A primeira delas: não permitir que documentos importantes sejam publicados sem a sua devida anuência. A portaria em que a CBF praticamente rompeu com a Primeira Liga é o exemplo mais gritante dessa necessidade.

Enquanto a portaria circulava pelo país e ganhava destaque na internet, Nunes ainda falava como se o assunto estivesse em análise. Pegou mal, passando a ideia de que não comanda de fato a entidade. Há fundadas desconfianças quanto a isso, mas não deve ser o próprio coronel a confirmá-las.

O outro escorregão verbal foi quanto ao novo presidente da Conmebol. Aí é uma questão primária de assessoramento. O chefe do futebol no país não pode estar desinformado sobre o novo mandatário da Confederação Sul-Americana.

Há quem não dê a devida importância ao assessor de imprensa. Mas os episódios recentes indicam justamente o contrário. A cada dia, fica claro que falta a Nunes um assessor competente, de sua confiança. Imaginava-se que ele iria nomear alguém, mas ao que tudo indica está de mãos atadas quanto a isso.

Pior para ele. Sem assessoria, corre o sério risco de marcar sua passagem pela CBF mais pelas topadas e contradições do que por atos administrativos de envergadura.

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Um passo ousado e libertário

Houve quem duvidasse do acerto da decisão anunciada pelos dirigentes no final da temporada. O Papão passaria a ter marca própria de uniforme, abandonando o antigo procedimento de se vincular a um grande fabricante internacional. A medida, arrojada e inédita entre clubes brasileiros de porte médio, motivou debates e muita inquietude entre os bicolores.

Com o lançamento festivo da marca própria Lobo, ontem à noite, ficou claro que a diretoria do clube deu o passo certo e necessário para obter faturamento decente com a comercialização de camisas e dezenas de outros itens.

Mais que um coquetel corriqueiro de lançamento, foi um acontecimento a ser saudado como marco zero da libertação financeira do Papão. Apoiado por sua apaixonada torcida, o clube tem tudo para ampliar a venda de camisas e multiplicar os lucros que obtinha até o ano passado.

E faz pensar em conquistas bem maiores. Como bem acentuou o publicitário alviceleste Glauco Lima, nas redes sociais, “num cálculo modesto, o Paysandu tem algo em torno de 2 milhões de fãs apaixonados. Se cada um desses, ao final das contas, dividindo 12 meses do ano, deixar R$ 2,00 por mês nos cofres do clube, através das mais diversas fontes próprias, teremos receitas para financiar nosso futebol, da base ao profissional, sem ficar nas mãos da indústria do conteúdo para TV”.

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Direto do Facebook

“Gerson, aqui em Porto Alegre um conterrâneo vem se destacando nos treinos do Sport Club Internacional como lateral-esquerdo. Chama-se Arthur e está enchendo os olhos de dirigentes e do treinador Argel. É um jovem de 21 anos nascido em Abel Figueiredo, no Pará, de onde veio para a base do Inter treinado pelo ex-goleiro Clemer. Hoje (ontem) deveria estrear no Beira-Rio contra o Coritiba pela Copa Sul-Minas-Rio. Portanto, é mais um dos nossos que nunca jogou nos chamados grandes galgando seu espaço do outro lado do Brasil. O jornal Diário Gaúcho de ontem enfatizou a garra do garoto. Dá orgulho ver um conterrâneo iniciando voos maiores”.

Jailson Barroso, torcedor remista residente em Porto Alegre.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 28)

6 comentários em “Legião de importados

  1. A expectativa dilata a ansiedade antes da bola rolar. As contratações despertam a curiosidade dos torcedores do Lobo, sabendo que agora é pra valer e sem direitos a erros em série. A Curuzu abrigará uma imensa torcida na estreia do maior do norte e sempre é bom lembrar que a paciência nos momentos inicial é por demais necessária. Aquele jogo recreativo contra a bem montada equipe de Castanhal é passado e o objetivo maior era o conhecimento de cada um que integram hoje o time do Lobo. Vamos confiante que a caminhada será de sucesso já por começar neste primeiro de fevereiro. Boa sorte Lobo.

  2. Também sou totalmente contra a importação de um time inteiro e o quadro de suplentes,mas na atual situação em que o Paysandú se encontra com uma base sofrível, é a única alternativa.
    Esta dependência em apostar nos indicados pelo treinador e uma comissão é muito arriscado.
    Mas enquanto a base não existir estará o clube refém de treinadores, empresários e todos os oportunistas de plantão. Um mal para o time que só perde com isso principalmente se não tiver o retorno esperado.

  3. Verdade enquanto não houver a conscientização por parte da diretorias que o futuro dos clubes é a base vai continuar essa festa de contratação todos os anos. Quanto ao uso da torcida o Paysandu está corretíssimo, pois o maior patrimônio do clube é o torcedor e como já falei outras vezes aqui, se a diretoria trabalhar direito o torcedor vai comparecer junto e ajudar o clube.

  4. Que passo enorme e certeiro da diretoria bicolor em Gerson? e sem ser maior que a perna rsrsrsrsrs. Iniciativa louvável da diretoria do Maia que nos deixa satisfeito mais uma vez fora das 4 linhas. Vejam só: Eu tive a felicidade de me formar na área contábil pela UFPA e entendo um pouco do assunto. Aí fazendo uma rápida contabilidade da iniciativa bicolor, digo que na pior de todas as hipóteses se vender somente 30 mil camisas em 2016 ao preço de 160 reais cada já estipulado pela diretoria, o total bruto dará 4,8 milhões de reais. Aí tirando os custos de produção e despesas de venda, onde geralmente a margem de lucro de um empreendimento é geralmente 30%, no mínimo, então o clube terá arrecadado por baixo 1,4 milhões limpinho receita quase igual a cota da série B e cerca de 500% a mais que os miseráveis 11 reais que o clube ganhava nas vendas de cada camisa ou manto bicolor feitas e vendidas pelas ditas “marcas famosas” Agora imagina se vender as 50 mil camisas que o clube vendeu em 2015?? parabéns mais uma vez pela iniciativa estupenda e inteligente da diretoria bicolor. fora das 4 linhas so aplausos. vamos melhorar dentro de campo Maia, para a festa ser completa.

  5. Acabei de escutar o setorista do rival falando do lançamento da camisa deles, que a marca UMBRO é usada pela seleção da Inglaterra, pela rainha, …, quanto delírio. O cara deveria era aplaudir a iniciativa do Paysandú em vez de puxar para o lado da exploradora do rival pois só quem lucra é ela o rival fica com migalhas e ainda tendo que se sujeitar a tudo que a UMBRO quiser.
    São coisas assim que deixam o rival cada vez mais distante do Papão, Minowa na sua simplicidade está certíssimo, o rival está 10 anos atrás do Paysandú que administrativamente vem dando show ano após ano,e os frutos vão aparecer brevemente.

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