A vez da coragem

POR MINO CARTA, na CartaCapital

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Desde a vitória eleitoral de Dilma Rousseff em 2014, CartaCapital, nesta e em muitas outras das suas páginas, aponta a única saída possível para a crise econômica que humilha o Brasil: crescer e crescer. O grande exemplo é o New Dealrooseveltiano, inspirado por lord Keynes, mas vale reconhecer que o presidente dos EUA contava com instituições sólidas e com uma base popular politizada. Mais ou menos o contrário da situação atual no Brasil.

Temos Executivo, Legislativo, Judiciário? Cabem ponderáveis, desoladoras dúvidas. Um juiz da província, um punhado de delegados de polícia e de promotores assumem tranquilamente o poder diante da indiferença governista e do comando da PF, enquanto um presidente da Câmara inequivocamente corrupto até hoje comanda a manobra golpista do impeachment de Dilma Rousseff, legítima presidenta. Está claro, porém, que ela somente, na qualidade de primeira mandatária, tem autoridade para reverter a rota, já a trafegar em pleno desastre.

O tempo que lhe sobra para agir é escasso, é bom sublinhar. O começo da ação tem de se dar antes do início do ano brasileiro, ou seja, depois do Carnaval, conforme nossa grotesca tradição. Caberia a Dilma partir de imediato para o mesmo gênero de investimento público que em 1933 colocou Roosevelt no caminho certo para estancar os efeitos do craque de 1929.

Ao se mover com esse norte, a presidenta teria de enfrentar as iras do chamado mercado, o onipresente Moloch, espantalho do tempo e do mundo, onde, debaixo da sua hegemonia, pouco mais de 270 famílias detêm o equivalente a 50% da riqueza do resto da humanidade. Para decisões de tal porte, de tamanha ousadia, exigem-se coragem, bravura, desassombro além dos limites. A questão é saber se o governo tem estatura para chegar a tanto.

Por ora, é doloroso constatar que o Executivo se deixa acuar, em primeiro lugar pela mídia e por quem esta apoia e protege. Está provado que toda tentativa de mediar, compor, conciliar, fracassou. Há tempo o governo exibe uma assustadora incapacidade de reação, a beirar a resignação. A quem mais, senão a Dilma, compete salvar o país? Creio não exagerar no emprego do verbo.

Pouco importa quanto o FMI propala a nosso respeito. O próprio Banco Central mostra-se agora mais atento às pressões do Planalto do que às do Fundo. O Brasil dispõe de recursos, a despeito do abandono a que foi relegada a indústria, maiores de quanto supõe a feroz filosofia oposicionista. Por exemplo, a chance de produzir petróleo a 8 dólares por barril, como se lê na reportagem de capa desta edição.

A tarefa que o destino atribui à presidenta é grandiosa e empolgante e lhe garantiria um lugar decisivo na nossa história. Os cidadãos de boa vontade, abertos a um diálogo centrado nos interesses nacionais, hão de esperar que Dilma encontre a força interior para agir

4 comentários em “A vez da coragem

  1. Interessante neste Editorial são as várias situações que ele admite e reconhece quando exorta a presidente a “acordar pra vida”.

    Por exemplo:

    1. reconhece que o Brasil está economicamente humilhado;

    2. Admite que a presidente não conta com uma base popular politizada;

    3. Reconhece que quer que o governo retome as redeas do poder da polícia federal e do Ministério público;

    4. Admite que a presidente não vem fazendo investimento público compatível com a situação crítica pela qual passa o país;

    5. Reconhece que tem dúvida sobre a estatura do governo para enfrentar com coragem, vravura e desassombro a dívida;

    6. Admite que o Brasil precisa ser salvo, mas que o governo está sem capacidade de reação, quase resignado;

    7. Reconhece que a indústria brasileira foi abandonada;

    8. Admite que aos cidadãos brasileiros de boa vontade só resta a esperança que a presidente consiga reagir.

    Hum, hum, o MC deve tomar cuidado, senão, logo, logo, vão dizer que ele ingressou no PIG.

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  2. Sarney, o primeiro, veio com plano de congelar na marra todos os preços de produtos e serviços, salários etc sem analisar o impacto negativo da medida e sem criar mecanismo de fiscalização e controle do próprio plano. Aí foi baderna geral, coisa de louco nunca vista, onde sumiam propositalmente todos alimentos de primeira qualidade de feiras e super, e tinha gente passando fome porque não tinha onde comprar. Até lata de leite, carne, gás era venda controlada de um pouquinho por pessoa, era a chamda venda controlada. nem gosto de lembrar disso. Ja Collor de merda iniciou logo usando medida drástica se apossando na marra do dinheiro das pessoas depositadas em bancos, inclusive poupança, não deixando essas pessoas movimentarem mais seu dinheiro, a não ser em caso especial e controlado o saque, um roubo qualificado onde dava a desculpa que com menos circulação de dinheiro, baixaria o consumo e controlaria a inflação. coisa de louco.
    Agora bem esse plano da Dilma de aumentar infernal taxas de juros para conter consumo e inflação. doidice da braba.leseira.

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  3. A única saída de Dilma para o Brasil crescer é a sua renúncia. Não vejo outra alternativa para que o Brasil volte a normalidade.

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