China será sempre uma Lady Kate, rica e sem paixão

DO BLOG DO MENON

A China, com sua montanha de yuans, capaz de cobrir a mítica Muralha, será sempre como uma burguesa inculta que compra livros por metro para encher estantes. Desde que a cor combine com o azulejo. Pode trazer muitos jogadores para Pequim, Shangai, mas não ameaçará a Europa como centro irradiador do futebol mundial. Pode reclamar como Lady Kate – “to pagando” mas não será aceita pela elite.

Jogadores brasileiros com mercado na Ucrânia ou Rússia tornaram comuns por aqui nomes como Rubin Kazan e Shakhtar Donetsk. É o que irá acontecer com os times chineses – ainda não decorei nenhum nome – mas disso não passará.

A Luiza Oliveira e o Vanderlei Lima, monstros aqui do UOL, nos contaram que, por trás do avanço chinês sobre o futebol brasileiro há uma esperança do presidente em apresentar a China para o mundo. O que já foi feito, em tese, na Olimpíada de 2008.

Há diferenças cruciais. A Olimpíada teve uma abertura estupenda, com alta tecnologia. Provou que a China podia ir muito além dos estereótipos preconceituosos que a limitavam ao país do ruim e quase de graça. Uma enorme 25 de Março. O mundo viu a força do Dragão. E agora? Quem vai ver o campeonato chinês? E quem vir, estará vendo jogadores de outros países.

Não acredito que isto mude nem com uma improvável diáspora de gênios como Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar rumo a nova Meca. Alguém sabe o que está passando com Xavi?

O futebol globalizado criou times mundiais (infelizmente). Crianças têm camisas do Barcelona, Bayern, Real Madrid em todos os vilarejos do mundo. De Katmandu a Viena. De Aguaí a Bangladesh. Não consigo imaginar uma situação assim com times chineses. Sou um homem de fé e acredito que, em termos de Brasil, nossa cota de macaqueamento tenha se esgotado com o Chelsea Brasil ou com discussões sobre se a nova geração belga é melhor do que aquela que passou.

Se o clube não é mundial, como o futebol chinês o será. Um time popular da China terá mais torcedores que Barcelona ou Real, mas e daí? Estarão todos na China. Torcendo, vibrando, mas na China e apenas na China. Como a Bjork deveria ser só da Islândia.

E como o dinheiro chinês poderá enfrentar a Europa e sua Liga dos Campeões. Imaginemos que o Shandong contrate todos do Bayern, o Shangai tenha todos do Real e o Liglig tenha muitos do Barcelona. Quando começar a Liga dos Campeões, com novos jogadores, é para lá que os olhos do mundo estarão.

Dinheiro não compra felicidade, dizem os de alma pura. Quero ser infeliz em Paris, respondem os cínicos. E a paixão, onde fica? O torcedor não trocará nunca seu amor por clubes que existem há mais de um século, clubes com raízes populares, clubes com história. Mesmo que sejam camisas vazias ou vestidas por perebas. Elas são e serão maiores que os maiores do mundo vestindo fardamentos chineses

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