Enciclopédias

POR LUIZ GUILHERME PIVA, no Blog do Juca

O Armando Nogueira é quem contou, já faz tempo.

Um senhor, passado bem dos sessenta, caminhava no Aterro do Flamengo e parou pra assistir a uma pelada. Sentou-se num degrau e ficou vendo a molecada jogar.

Com alguns minutos, um dos garotos se machucou e saiu. Pra não acabar a partida, alguns deles começaram a pedir ao senhor que entrasse. Ele negou, falou da idade, que só queria assistir. Mas insistiram, disseram que era só pra completar, ficar parado na defesa e o jogo prosseguir.

Ele foi. Mas houve uma discussão constrangedora em qual time o “velho” entraria – que ficaria mais fraco do que o outro, diziam. Tiraram no par ou ímpar. Ele aguardou e foi pro time que perdeu a aposta.

Aí o Armando Nogueira descreve deliciosamente a sequência de lances que o senhor exibiu. Domínio, passes, toques, enfiadas, matadas de peito, tudo com refinada elegância, para pasmo da molecada e para alegria do seu time, que deu um passeio e ganhou de goleada.

Acabado o jogo, a molecada o cercou, elogiou, perguntou quem ele era, pediu que ele voltasse sempre. Ele sorriu, passou a mão na cabeça de alguns e foi embora.

Nesta semana um bando de moleques cercou outro senhor e, ao contrário do caso acima, pediu que ele saísse do jogo. Ofendeu-o, disse que ele prejudicava o time (de quem? de quem?). Mais um pouco o agrediria.

O senhor sorriu, exalou tranquilidade, sabedoria, elegância, domínio, matadas de peito, dribles sutis, chutes suaves e certeiros como folhas secas – e, sem que os moleques percebessem, venceu-os de goleada, deu-lhes um passeio humilhante.

O senhor do primeiro caso era o Nilton Santos.

O do segundo, o Chico Buarque.

Ambos de igual estatura, de igual dignidade, de igual orgulho para os brasileiros.

E que saíram de situações parecidas ainda maiores do que sempre foram.

O que mudou diametralmente de uma situação para outra, com vertiginosa e lamentável piora em compostura e discernimento, foi a qualidade da molecada com que eles jogaram.

O que é muito, muito triste.
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Luiz Guilherme Piva publicou Eram todos camisa dez (Editora Iluminuras)

Legendas do mundo da bola

Gigi Riva, lendário atacante italiano dos anos 60 e 70. Brilhou pelo modesto Cagliari, onde chegou a presidente, depois de pendurar as chuteiras. Riva foi campeão da Europa pela Itália em 1968 e disputou as Copas de 70 e 74 como titular da Azzurra. É o maior artilheiro da seleção de seu país, com 35 gols em 42 gos. Seu potente arremate de esquerda ganhou o apelido de “Ronco do trovão”. No campeonato italiano, marcou 168 vezes.

Sobre ignorância, autoritarismo e ressentimento

POR MÁRIO MAGALHÃES, em seu blog em 23/12/2015

Pingos nos is: na essência, o que houve no Leblon na noite da segunda-feira não foi bate-boca. E sim intimidação e provocação de um grupo de jovens adultos contra Chico Buarque, 71, e amigos com quem o artista passeava, depois de jantar.

Chico estava na dele.

O ato hostil decorre do que na cachola de intolerantes constitui delito de opinião. A, B ou C? É o de menos. Poderia ser qualquer uma. O crime é ter e expressar opinião diversa.

“Você gravou um vídeo apoiando a Dilma”, disse em tom acusatório um dos participantes do cerco.

Diante da agressividade, Chico tentou esgrimir ideias. Pode-se concordar ou divergir dele. O inaceitável é levar uma dura por acreditar nisso ou naquilo.

O compositor que criou uma canção falando “no tempo da delicadeza” escreveu sobre um porvir que parece cada vez mais alucinação utópica.

“Você é um merda”, berrou um sujeito para ele.

A desqualificação do interlocutor é característica autoritária. O mal não é apenas o que o outro pensa, mas o outro. No fundo, trai a indigência de argumentos.

“Vai correr daqui já?”, urrou um valentão de ópera-bufa.

Como Chico é Chico, enquanto rostos vincados pelo ódio o miravam, ele reagia com sorrisos. Para quem odeia, o que dói mais é o sorriso.

Retrato do Brasil, os insultos no Leblon são herança de nossas raízes. Não somos a terra de gente cordial, mas onde a escravidão foi mais longeva, onde a desigualdade obscena campeia, onde depois de vencidos adversários são decapitados (de Canudos ao Araguaia, passando pelo cangaço).

Os intolerantes de anteontem aparentemente não querem cortar a cabeça de ninguém. Talvez somente arrancar as cordas vocais. Pensar até pode. Falar seria prerrogativa de quem pensa igual.

O surto na noite do Rio tem outras ascendências. Na Alemanha da década de 1930, os nazistas perseguiam também quem ousava dizer não.

Os intolerantes da segunda-feira formam no que um protagonista do Brasil republicano ironizava como “a turma do Jockey”. Núcleos de grã-finos que pretendem impor a qualquer preço ideias e interesses.

Outro traço distintivo é a vulgaridade de certa elite, como contemplado no vídeo que nasceu como documento histórico e antropológico (clicar aqui).

Já de início a abordagem a Chico Buarque foi vulgar, tomando árvores pela floresta: “Todo mundo era seu fã, Chico”.

Um dos intolerantes, Álvaro Garnero Filho, é rebento do empresário Álvaro Garnero. O pai “confirmou a presença do filho no episódio” e “disse que teve de explicar a Alvarinho quem era Chico Buarque“.

Quer vulgaridade e ignorância maiores que um marmanjo com acesso à educação e à cultura precisar de explicação, no século 21, sobre quem é Chico Buarque?

O milionário Álvaro Garnero é um dos herdeiros do grupo Monteiro Aranha.

A nau da intolerância guarda lugar para os ressentidos. O mesmo indivíduo que chamou Chico Buarque de “merda” falou: “Para quem mora em Paris, é fácil”.

Vacilou: “Você mora em Paris, não mora?”

Chico mora ali pertinho, no Leblon.

Logo outro provocador emendou “Tem um apartamento lá em Paris. É gostoso Paris, né?”

A bronca com o apê de Chico em Paris é o vômito dos ressentidos.

No Marais ou na Île Saint-Louis, o autor de “Vai trabalhar, vagabundo” o comprou com dinheiro ganho honestamente. Ao contrário de alguns brasileiros donos de imóveis na Europa, não recebeu de herança seu apartamento. E se tivesse?

Adquiriu-o com a grana suada de seu trabalho.

Qual o problema? Os fascistoides agora viraram partidários da propriedade coletiva?

De uma parte deles, Chico é alvo do ressentimento comum a determinada classe média que abomina pobre e inveja rico.

Nesse caso, merda é a inveja.

Para os ricos-ricos, Chico é um traidor. Traidor de classe.

Como pode um cidadão que vive no Leblon e tem apê na França não votar como a esmagadora maioria dos endinheirados?

Soa como exigência de fidelidade de classe. A diferença equivale a traição.

O silêncio sobre o comportamento primitivo e intolerante é conivente.

Vale o clichê: quem cala consente.

Não está em jogo, enfatizo, o mérito das opiniões de Chico Buarque, mas o direito democrático de manifestação dele e de todos os brasileiros.

Muita gente ralou para que opinar não resultasse mais em cana e castigo.

Só o que faltava era um bando furioso de intolerantes e ressentidos levar a melhor em sua cruzada obscurantista, rancorosa e vulgar.

(*) Mário Magalhães é jornalista e escritor

Brasil lidera mapa mundial da corrupção do futebol

Teixeira, Marin, Del Nero

No infográfico, o diário mostra a nacionalidade e os crimes a quais todos os acusados do Fifagate respondem após as investigações do FBI, que prenderam dirigentes de alto escalão. O Brasil é quem mais tem cartolas ou executivos investigados atualmente, com seis, seguido pela Argentina, que tem cinco. Trinidad & Tobago e Guatemala aparecem em seguida, com três.

Os brasileiros na mira da Justiça dos EUA são Marco Polo Del Nero (presidente licenciado da CBF), José Hawilla (dono da Traffic), José Margulies – conhecido como José Lázaro – e Fábio Tordin (empresários de marketing esportivo), além de José Maria Marin e Ricardo Teixeira, ambos ex-presidentes da CBF.

Desses, Hawilla, Margulies e Todin se declararam culpados, Marin alegou inocência e Del Nero e Teixeira seguem sendo investigados. Curiosamente, o infográfico foi ao ar no mesmo dia em que Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa, e Michel Platini, ex-mandatário da Uefa, foram suspensos do futebol por oito anos pelo Comitê de Ética da Fifa.

O mapa da corrupção ainda traz outros dados curiosos, como a idade média dos acusados (62 anos) e os valores de indenização que cada um concordou em pagar à Justiça. O maior acordo foi a de J. Hawilla: US$ 151 milhões (quase R$ 600 milhões).

Para ver o mapa da corrupção do NY Times, é só clicar aqui.

(Da ESPN)

Zulu segue nos planos do Leão para 2016

A diretoria do Remo só irá anunciar os novos reforços – 10 no total – na apresentação do elenco no próximo dia 4 de janeiro. Até lá, segundo o diretor Dirson Medeiros, o clube ainda busca fechar algumas contratações, evitando divulgar para não atrapalhar as negociações. Confirmados até agora apenas os volantes Alisson e Yuri e o meia Marco Goiano.

O volante Michel, ex-Ceará e Vitória, e o lateral João Vítor, ex-PSC, estão praticamente confirmados. O zagueiro Sidmar também está próximo de um acordo com o clube. Os dirigentes ainda tentam contratar um goleiro e um centroavante, que pode ser Zulu (foto), que disputou a Série C pelo Juventude.

Aos 31 anos, Zulu marcou apenas 2 gols na temporada e não vive boa fase, mas é um velho sonho acalentado pela diretoria remista. O dirigente também não descarta uma contratação de impacto, para levantar a torcida, mas não revela nomes por enquanto.

Delação de ex-presidente da Conmebol deixa muita gente preocupada no futebol sul-americano

Ex-presidente da Conmebol, Eugenio Figueredo está preso no Uruguai

O ex-presidente da associação uruguaia (AUF) e da Conmebol, Eugenio Figueredo, chegou a seu país nesta semana em prisão domiciliar após passar sete meses detido na Suíça acusado de corrupção. E em depoimento na última quinta-feira, o dirigente de 83 anos confirmou ter recebido propina quando membro da confederação sul-americana por causa da venda dos direitos de transmissão da Copa América.

E isso deve estar tirando o sono de outros membros da Conmebol.

Segundo o promotor no combate ao crime organizado do Uruguai, Juan Gómez, “são varios o que estão sendo investigados. Tem muita gente muito nervosa. Eu não posso fazer comentários porque temos uma estratégia já empregada”.

Figueredo, que já retornou à prisão após sentir dores no peito no Natal, admitiu na Justiça que tirava mensalmente US$ 40 mil da Conmebol sem que esse dinheiro fosse registrado nos balanços da entidade. Além disso, recebia US$ 50 mil mensais por parte das empresas que possuíam os direitos de transmissão de torneios continentais – no caso, a Torneos y Competencias, a TyC Sports.

O uruguaio afirmou que tal propina era paga havia muitas décadas. As investigações da Justiça dos Estados Unidos, que deflagrou o Fifagate, apontam que além dos membros da Conmebol e da Fifa os presidentes das federações nacionais da América do Sul receberam propina sistematicamente. Eugenio Figueredo também explicou detalhadamente como lavava o dinheiro para chegar a suas contas no Uruguai e disse que a empresa Weiss Sztryk Weiss o ajudava. (Da ESPN)

A frase do dia

“Há quase dez anos, nosso time disputa três jogos e retorna. É muito difícil. Eu sou realmente crítico com respeito ao que temos aqui. De um a dez, eu dou a nota um para nossas divisões de base atualmente”.

Alberto Maia, presidente do Paissandu, sobre participação na Copa SP de juniores.

Costa diz que aprendeu a jogar com Guardiola

Link permanente da imagem incorporada

O meia-atacante Douglas Costa exaltou Guardiola, seu treinador no Bayern de Munique, em entrevista ao Esporte Espetacular, da Globo. Para o jogador, o espanhol é um gênio. “Em um jogo trucando, ele mexe em algum espaço e abre para outro jogador entrar. É uma experiência que todo mundo deveria passar, cara que para mim é um gênio”, disse.
Durante a entrevista, Douglas chegou a revelar o diálogo que teve com Guardiola em sua chegada no Bayern.
“Primeira vez que pisei no Bayern, ele chegou e falou: ‘preparado para abrir a mente e aprender a jogar futebol?’. Falei: ‘claro'”, citou Douglas.
Segundo o jogador, antes de trocar o Shakhtar pelo Bayern de Munique, Guardiola ligou para ele e garantiu que ele teria espaço para jogar na Alemanha. Para o brasileiro, seu futebol mudou principalmente por não precisar marcar tanto.

Com a evolução, a meta de Douglas Costa é aparecer entre os primeiros colocados da Bola de Ouro. “Se continuar assim, daqui dois, três anos, não preciso ser melhor do mundo, mas quero estar entre os cinco, os três. Acho que pode acontecer”, finalizou. (Do UOL)

Advogados voluntários aderem à Frente Antifascista

DO BLOG DA CIDADANIA

Conforme informado anteriormente nesta página, a Frente Antifascista que está sendo construída foi pensada no âmbito de um grupo do What’s App formado, essencialmente, por juristas, advogados, jornalistas e parlamentares de todo país autodenominado “Os Carbonários”, um grupo do qual este blogueiro tem a honra de participar.

ideia inicial daquele grupo sobre essa Frente foi a de desenvolver várias ações, não apenas a responsabilização jurídica (cível e/ou penal) dos praticantes de ataques fascistas. Porém, os últimos acontecimentos no país começam a revelar que não adianta mais acreditar que a denúncia do comportamento fascista irá inibir seus praticantes.

Antes de tratar da tocante adesão de advogados que estão se voluntariando para atuar contra o fascismo, valem algumas reflexões sobre o fenômeno.

Assim como não pararam – e até aumentaram – os ataques racistas que atingiram celebridades globais como a “garota do tempo” do Jornal Nacional, Maria Júlia Coutinho, ou as atrizes Thaís Araújo e Cris Vianna, entre outras vítimas do rascismo “cordial” tupiniquim, os ataques fascistas continuam aumentando em frequência.

A recente agressão a Chico Buarque de Hollanda ganhou notoriedade, mas, assim como os casos crescentes de racismo, está longe de ser um caso isolado. Todos os dias, cidadãos comuns são agredidos e/ou ameaçados na internet e/ou no mundo físico por conta de suas opções políticas.

Este Blog recebe denúncias todos os dias, como a colocada em post recente sobre a Frente Antifascista:

Ronaldo

Enviado em 23/12/2015 as 23:11

Recebi uma mensagem no facebook com o seguinte teor : ” Vou te achar filho da puta, você e a piranhazinha de sua filha, petralha vagabundo”. Ele é Robson Lopes, e faz manutenção de aeronaves. Eu respondi que ia procurar um advogado e ele não falou mais nada. É caso para processo ?

Conforme informei ao leitor, não é só caso para processo; é caso para denúncia à Polícia, para um Boletim de Ocorrência, pois há, aí, uma clara ameaça, além de injúria.

Em relação ao racismo, irmão do fascismo, vê-se que os ataques que ocorreram contra as celebridades, apesar de repudiados em rede nacional, estimularam comportamentos análogos como o ocorrido recentemente no voo da TAM JJ3705 (Brasília – São Paulo/Congonhas) no dia 19 deste mês.

Conforme relato do jornal Correio Brasiliense, Integrantes de um coletivo artístico sofreram discriminação por parte de funcionários da TAM. Os jovens foram ofendidos com a atitude de dois passageiros, identificados posteriormente como funcionários da empresa aérea.

Em um vídeo divulgado na página do grupo artístico RUA no Facebook, os jovens contam que estavam sentados em duas fileiras no fundo da aeronave. Segundo eles, os funcionários estavam nas janelas opostas de uma das fileiras e começaram a trocar mensagens. Um integrante do grupo, sentado atrás de um deles, conseguiu ler o que estava escrito no celular do funcionário.

Segundo a denúncia, os funcionários da TAM que viajavam fora de serviço se mostraram incomodados com a presença do grupo e uma das mensagens que trocaram associava o maior poder aquisitivo da classe C ao acesso às viagens de avião. Em outra mensagem, uma das integrantes do grupo artístico ainda teria sido ofendida por ser negra. “Troca de lugar com a feinha aí”, escreveu um dos racistas em seu celular.

Quando o avião pousou, o grupo se levantou e promoveu uma intervenção artística, recitando uma poesia sobre violência contra negros e mulheres. Um outro passageiro, que estava na parte da frente da aeronave, chamou os envolvidos de “vitimistas” ao fim da manifestação. Os integrantes do coletivo reagiram e recitaram outra poesia em sinal de protesto. No tumulto, um dos jovens alega ter sido empurrado por um funcionário da TAM.

A Secretaria Nacional de Juventude, do governo federal, emitiu uma nota de solidariedade, a TAM emitiu uma nota de repúdio ao comportamento de seus funcionários, mas o fato é que o racismo vai se exacerbando dia após dia, assim como os ataques fascistas.

Há que ressaltar que o comportamento de uma certa “esquerda” que nega a onda fascista que eclodiu no país acaba colaborando com o problema, pois, assim como a negação do racismo ajuda a dissimulá-lo, a negação do fascismo tem o mesmo efeito.

Na última sexta-feira, por exemplo, os expoentes do PSOL Wladimir Safatle e Luciana Genro divulgaram artigo do filósofo psolista publicado na Folha de São Paulo que nega que esteja em curso uma onda conservadora no país e assim, por tabela, acaba negando os surtos racista e fascista, chagas que, se não são novas em nossa sociedade, agora ganharam coragem de sair à luz do dia e, assim, vão contaminando mentes pequenas.

Menos mal, porém, que vários integrantes dessa esquerda que nega a onda conservadora estejam começando a se dar conta de sua gravidade.

Um dos exemplos da crescente conscientização desses setores da esquerda que relutam em aceitar os fatos é o petista histórico Valter Pomar. Há vários meses, em uma reunião de grupos de esquerda para discutir uma frente antigolpista, reunião da qual este blogueiro participou, Pomar desdenhou da existência de um surto fascista no país.

Semanas depois de Pomar negar o surto fascista no país, um companheiro de lutas dele foi alvo de ataque fascista. João Pedro Stédile, do MST, quase foi linchado por um grupo fascista no aeroporto de Fortaleza. Eis que, emartigo em seu blog, o petista histórico comenta a agressão ao companheiro e conclui o texto da seguinte forma:

“(…) Para alguns setores da direita, não se trata apenas de afastar Dilma, inviabilizar o PT e criminalizar Lula. Os cavernícolas querem sangue. Seu alimento é a inação e pusilanimidade que prevalecem em parte do lado de cá. A estes e a todos nós, vale lembrar: bons modos nunca derrotaram fascistas (…)”

Na manhã deste sábado (26/12), um professor da PUC-RJ que, como Safatle, Genro, Pomar e outros vinha negando o surto fascista, surpreendeu-se com um episódio insólito. Morador do Leblon, estava com os filhos em uma sorveteria quando aparece um garoto pobre, negro e vendedor de balas que pede ao professor para lhe comprar um sorvete. O acadêmico, obviamente consternado com aquela imagem da desigualdade neste país, acedeu de pronto e comprou o sorvete. Nesse momento, foi interpelado por uma madame residente no bairro, que o admoestou por ter atendido ao pedido do menino negro e pobre:

Por que o senhor está fazendo isso? Aí é que esta gente não vai embora daqui mesmo. É este tipo de gente que estraga o nosso bairro

Eis que o acadêmico, assim como Pomar, começa a enxergar que a onda conservadora e o surto fascista-rascista que essa esquerda nega é muito mais real do que poderia imaginar. E conclui seu relato com a seguinte reflexão:

“(…) Vivo criticando a esquerda por uma aparente vulgarização do termo ‘fascista’, por inúmeros motivos que aqui não cabem. Mas é fato que nossa elite nestes últimos tempos de excesso de opiniões raivosas e superficiais em detrimento de um mínimo de conhecimento e reflexão, se aproxima cada vez mais de um caminho irracional e suicida (…)”.

Sim, o surto fascista é bem real. Não se trata de dizer que o fascismo e o racismo não existiam no país, pois ditadura militar que se abateu sobre ele foi produto justamente do mais fidedigno fascismo e do nosso insólito racismo “cordial”, conhecido por todos, ainda que negado por tantos. Porém, o fascismo perdeu a vergonha, saiu do armário e está seduzindo corações e mentes, sobretudo dos jovens.

Toda essa longa explanação foi escrita para explicar por que, de uma forma estimulante e até tocante, advogados de todo país estão aderindo à formação de uma militância jurídico-advocatícia no âmbito da Frente Antifascista.

O Blog não para de receber comentários, e-mails, mensagens privadas pelo Facebook e até via What’s App de advogados querendo aderir à militância advocatícia da Frente Antifascista.

O Blog está relacionando os profissionais que concordam em trabalhar de forma voluntária para processar civil e criminalmente os autores de ataques fascistas e racistas não contra celebridades, que têm todos os meios de se defender, mas contra cidadãos comuns, que ficam impotentes pela dificuldade que há neste país em acessar a Justiça.

Como já foi explicado anteriormente, a luta jurídica contra o fascismo irá se financiar pelas indenizações que forem arrancadas dos criminosos fascistas e racistas, que formarão um fundo para financiar uma vigilância permanente contra essas ameaças à democracia e ao Estado de Direito.

Nesse aspecto, relaciono, abaixo, os novos membros da lista de advogados voluntários que atuarão na Frente Antifascista, que em 2016 estará ao seu lado, ao lado daqueles que forem vítimas dos abusos dessa direita insana que, em sua ânsia desmedida em retomar o poder, não mede consequências de seus atos.