A hora da reinvenção

POR GERSON NOGUEIRA

Uma posição nova, jogando mais avançado, como falso meia-atacante ou ala ofensivo. Esta pode ser a porta para a consagração de Pikachu com a camisa do Vasco. Nem bem foi confirmado como jogador do Vasco para a Série B 2016, a imprensa carioca começou a especular onde ele se encaixaria no esquema de Jorginho.

A verdade é que só há um jeito de Pikachu ter um bom aproveitamento. Será necessário que ele se reinvente e assuma de vez sua óbvia aptidão para o ataque. Tem que esquecer a própria resistência e assumir que pode se adaptar a um papel mais avançado, como queriam os técnicos Lecheva e Mazola Junior.

Com posicionamentos diferentes, ambos tentaram fazer com que Pikachu participasse mais das ações ofensivas. Lecheva o utilizou como um falso ponta-direita, que tinha a escolta de Djalma quando ia à frente. Mazola preferia que atuasse pelo lado direito do meio-campo.

Apesar da insistência, o próprio Pikachu preferiu se manter como lateral-direito, com funções defensivas também. Com isso, desperdiçou boa parte de seu potencial como finalizador. Fazia muitos gols, mas poderia ter feito muito mais caso chegasse com mais fôlego e força à zona de chute.

Como lateral, tinha responsabilidades de marcar e não podia se dar ao luxo de subir sempre. E, mesmo indo à frente apenas de vez em quando, muitas vezes já extenuado, conseguiu se manter sempre como um dos artilheiros do Papão.

Essa facilidade para a finalização foi o que despertou a cobiça dos grandes clubes. Além de marcar gols com arremates da entrada da área, Pikachu é um especialista em cobranças de falta e pênalti. Ficou conhecido nacionalmente pelos muitos gols marcados. Caso dependesse exclusivamente do talento como marcador, dificilmente entraria no radar de outras equipes.

No Vasco de Jorginho, Pikachu será mais um no elenco e dificilmente terá a mesma liberdade para escolher o posicionamento que mais lhe agrada. Ao contrário do que ocorreu no Papão, terá que se adaptar à nova função a ser definida pelo técnico vascaíno, também conhecido pelo rigor e pela disciplina.

A reinvenção é plenamente possível porque não lhe faltam talento e inteligência tática. É provável que Jorginho delegue a Pikachu tarefas nos dois lados do campo, o que não será novidade, pois no Papão a inversão de posicionamento era mais ou menos constante.

Cuca transformou Luan em jogador multiuso no Atlético-MG. Sem vocação defensiva e pouco centrado para ocupar missão de meio-campista, Luan era uma espécie de enceradeira sem rumo. Só encontrou espaço em campo quando Cuca encontrou utilidade para a sua principal virtude: a velocidade.

A partir daí, com muito treinamento, Luan virou atacante rápido e driblador, tornando-se indispensável à equipe. É o que Jorginho, se for esperto, fará com Pikachu. Com a vantagem de contar com um jogador mais ágil, habilidoso e exímio chutador. Caso isso realmente ocorra, ganharão todos – o Vasco e, principalmente, Pikachu.

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Candidaturas no Remo

Para um clube financeiramente em ruínas, com perspectivas pouco animadoras do ponto de vista de arrecadação e um estádio semidestruído, o Remo surpreende pela quantidade de pessoas interessadas em assumir um mero mandato-tampão de nove meses.

A importância política e social do clube é a pedra que move o processo sucessório. Quatro chapas estão postas na mesa e devem disputar a presidência na eleição do dia 23 de janeiro.

De todas as candidaturas, a mais inusitada é a do ex-presidente Zeca Pirão, cujas pretensões no clube pareciam definitivamente findas depois de fragorosa derrota para Pedro Minowa no ano passado. Além disso, citado em relatório que mapeou irregularidades nas últimas gestões, parecia naturalmente fora de jogo.

Ocorre que o apoio de um grupo de conselheiros deu ânimo a Pirão para voltar à ribalta e com desenvoltura para encampar a primeira candidatura lançada ao pleito, a de Helder Cabral. Após acordo firmado, Cabral aceitou a vice-presidência na chapa. Pesa contra Pirão a marca do estrago feito no Baenão – que ele agora promete reconstruir.

As outras três chapas são encabeçadas por nomes novos na história do clube. O advogado André Cavalcante, responsável pelo êxito do programa Nação Azul (sócio torcedor), é o mais conhecido. Além do trabalho no ST, André tem boa inserção entre os novos conselheiros.

Miléo Jr. é outro nome bem cotado. Jovem e ainda sem muita visibilidade, terá como parceiro de chapa o deputado Milton Campos, que integrou a diretoria de Futebol e vem participando ativamente da vida do clube.

Já o coronel Alcebíades Maroja surge como o grande azarão da disputa, lembrando até a trajetória vitoriosa de Minowa na última eleição.

Em enquete realizada no blog campeão, Maroja é a grande surpresa, disparando no primeiro lugar, com desempenho de 48,54% (615 votos). Miléo Jr. aparece em segundo, com 30,86% (391 votos). Pirão é o terceiro, com 11,44% (145). André é o último, com 9,16% (116).

São os números da última atualização, feita no começo da madrugada de sábado. O levantamento não tem metodologia científica, mas serve como sinalização sobre os humores de torcedores e sócios em relação ao pleito. A votação se encerrou na tarde deste sábado.

Da parte dos eleitores e torcedores, uma certa impaciência com a ausência de planos de governo por parte dos candidatos.

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Bola na Torre

Sob o comando de Guilherme Guerreiro, o programa terá a participação de Valmir Rodrigues, João Cunha e Saulo Zaire. Começa logo depois do Pânico, por volta de 00h20.

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Até 2016!

Esta é a última coluna do ano. Aos baluartes, desportistas, amigos e leitores em geral, o meu sincero agradecimento pela infinita paciência com meus rabiscos. Desejo de todo coração um 2016 mais generoso que 2015, com crítica séria e contribuição verdadeira, com menos golpismo (em todas as esferas) e mais lealdade. E que, acima de tudo, reserve boas notícias para todos.

Se o bom Deus permitir, volto na primeira semana de janeiro. Até lá, sigo presente no blog campeão de acessos, cada vez mais forte e questionador.

Feliz Natal e próspero ano novo!

(Coluna publicada na edição do Bola de domingo, 20) 

14 comentários em “A hora da reinvenção

  1. Não é preciso boa vontade ou paciência com Pikachu, a qualidade técnica se impõe sobre qualquer clubismo. Concordo com o ponto de vista do Gerson, Pikachu tende a evoluir se assumir uma postura ofensiva. Sucesso ao Pikachu, menos contra o mais querido, claro.

    Sobre as eleições no Remo, parece que a torcida quer sangue novo, novos paradigmas que dirijam o futebol e mais atitudes positivas. Ao meu ver, a saída de Cacaio alterou definitivamente o ânimo da torcida com os velhos dirigentes. Em caso de revés no Parazão ou na Copa Verde, será a primeira coisa a ser lembrada.

    E quanto ao merecido descanso de fim de ano, aproveite Gerson, porque os golpismos nas diversas esferas (política, futebol, olimpíadas, etc…) voltarão à toda em 2016. Boas festas.

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  2. No Remo não é preponderante a situação financeira ou administrativa. Não é isso que pesa ao fato de surgirem tantos candidatos. O que realmente se leva em conta é lastro popular do Grêmio de Periçá. É bom lembrar que o Clube já esteve em situação pior, mas agora terá um calendário cheio e o
    Fenômeno Azul está aí a apoiá-lo incondicionalmente.

    Quanto ao azarão Alcebíades Maroja, creio que a entrevista dele influenciou na enquete. Falou exatamente aquilo que todos nós,azulinos, queremos ouvir.

    E, para não perder o costume, destaco o parágrafo seguinte:

    “porque os golpismos nas diversas esferas (política, futebol, olimpíadas, etc…) voltarão à toda em 2016.”

    Só os bons entenderão.

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  3. Infelizmente é a cultura brasileira que impera. Esperar um 2016 menos difícil é sonhar. Continuaremos a pagar o Pato sejamos prós ou contra.

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  4. Ao Ex-Pikaleão basta jogar o que sabe sem dá ouvidos a urubuzada como aqui fazia com os sobreviventes azulinos. Já a correria para assumir as dívidas do Leão, até hoje é um mistério. Só o japonês da Federal para esclarecer essa situação.

    Termina 2015 e nada sobre a operação rouba-jato. Há suspeitos presos, mas os mentores continuam transitando pela cidade. É o sabido por todos que acompanham o noticiário esportivo.

    A todos um feliz natal e 2016 de muitas realizações.

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  5. Como o Pikachú não pertence mais ao bicolor, só lhe desejo boa sorte e sucesso.

    No Remo, um destrói o escudo do time, o outro destrói as arquibancadas e continuam firmes, podendo até comandar o clube de novo.

    No Paysandu, o TOURINHO bota o time na série A, na Libertadores, e é banido praticamente da vida social do clube.

    Coluna boa, sem puxa saquismo, deixa uma lacuna considerável.

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  6. Passando aqui, so para desejar um Feliz Natal! e um Ano Novo! Cheio de PAZ! Paz! no mundo sem guerra, Paz! No nosso amado e maltratado Brasil, Paz! Na nosso querida e amada Santa Maria de Belém do Grão Para e principalmente, PAZ! em nossos lares, nossas familias, amigos, vizinhos e em nossos corações, pois isso que a mais de dois mil a nós. Jesus disse: Eu vos deixo a Paz, eu vos dou a minha Paz. Feliz Natal! e Feliz 2016!

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