Na CPI, Del Nero jura que é inocente

O presidente licenciado da CBF, Marco Polo Del Nero, rechaçou ter cometido irregularidades durante sua gestão na entidade. Em depoimento concedido nesta quarta-feira, à CPI do Futebol, o cartola disse desconhecer o teor das acusações do FBI e negou ter se reunido com o ex-dirigente José Maria Marin e J.Hawilla:
– Nunca estive reunido com Marin e Hawilla. Essas gravações que constam no FBI não podem ser verdadeiras.
Questionado sobre seu contato com Kleber Leite, Del Nero foi sucinto:
– Apenas conheço ele. Temos contratos com a Klefer que foram para o departamento jurídico. Não tenho ciência de que a empresa foi autuada. Temos que cumprir o contrato. (Do Portal Terra)

Com o Zika na cabeça

Com tristeza, vejo ex-apóstolos da democracia, herdeiros de gente séria e esclarecida politicamente, muitos até perseguidos pelas forças da opressão, hoje contaminados pelo vírus Zika do obscurantismo e da miopia política. Embaralham, de propósito, defesa de regime democrático com solidariedade a corruptos. Distorcem os fatos, mesmo sabendo de que lado está a verdade. Muitos deles abrigado$ sob o manto do tucanato, fingem não ver que a reação em marcha neste 16 de dezembro nada mais é que um brado dos esclarecidos contra a maré de intolerância e retrocesso que ameaça o Brasil. Neste momento crítico da vida brasileira a omissão e a covardia não podem ser toleradas. Só sei que a História cobrará seu preço – ela sempre cobra. Nada como o tempo para tornar as coisas mais claras.

(Por oportuno, tomei a liberdade de dividir esse lamento com os companheiros de blog)

O impeachment e “as ruas”

POR MARCOS COIMBRA, na CartaCapital

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Em meio à vasta quantidade de bobagens suscitadas pela abertura do processo deimpeachment contra apresidenta Dilma Rousseff, uma se destaca: o recurso à ideia de que “as ruas” estão na origem de tudo e vão determinar seu desfecho.
Volta e meia, a ideia aparece, ora em termos pretensamente elevados e filosóficos, ora em sentido comezinho. “As ruas” são usadas pelos próceres oposicionistas e seus intelectuais tanto para justificar o impeachment, e dar ao processo fundamento e legitimidade, quanto para auxiliá-los na definição de uma estratégia de tramitação da matéria no Congresso.

Trata-se de uma dupla impostura. Nem o processo de impeachment nasce nas ruas nem delas virá sua solução.Uma boa maneira de percebê-lo é lembrar o que aconteceu em 1992, no impeachment deFernando Collor. Como é recente e tem sido a toda hora invocado, vale a pena discutir os paralelismos e distâncias em relação aos fatos de hoje.
O primeiro elemento que salta à vista é quão diferentes eles são, a começar pelo papel “das ruas” nos dois episódios. O impeachment de Collor nasceu efetivamente nelas, quase por geração espontânea. Ao contrário, o processo contra Dilma é uma fabricação de gabinete, um produto de laboratório.
Collor havia se salvado politicamente na reforma ministerial do início de 1992. Trouxe para seu lado os líderes dos partidos da oposição atual e só não nomeou Fernando Henrique Cardoso seu chanceler por causa do veto de Mario Covas.
As demais legendas se acomodaram alegremente, pouco se importando com as denúncias existentes a respeito das movimentações nada ortodoxas de Paulo César Farias e associados.
Ninguém precisou induzir, convocar, mobilizar ou financiar os cidadãos que foram às ruas contra Collor. Depois da entrevista de seu irmão, Pedro, e, especialmente, das denúncias do motorista Eriberto França, que demonstraram que suas contas privadas eram pagas com dinheiro originado do tesoureiro de sua campanha, os manifestantes ocuparam as ruas de forma espontânea.
Nos protestos não estavam apenas os petistas, os esquerdistas, aqueles que votaram em Lula. À semelhança do ocorrido em 1983, nas mobilizações das Diretas Já, uma genuína e crescente amostra da sociedade brasileira deixou claro que desejava o impeachment de Collor.
O que se passou ao longo de 2015 é completamente diferente. Com seu reacionarismo antediluviano, sua beligerância e intransigência, seus heróis caricatos, os manifestantes de agora nada possuem da força simbólica dos caras-pintadas de 1992. Quem desfilou neste ano foi uma parte não representativa do Brasil, muito distante do que temos de melhor.
Um pedaço que definhou com o tempo, até chegar ao tamanho dos últimos eventos, com inexpressivo número de participantes, que só continuam a merecer a atenção da mídia por ser a brasileira o que é.
A principal razão da diferença entre 1992 e agora é a ausência do sentimento de indignação moral que marcou a opinião pública naquela época. A convicção de que o presidente da República era moralmente indigno de ocupar o cargo unificou a opinião pública, desarticulou seu apoio parlamentar e terminou por derrubá-lo.
O impeachment de Collor nasceu nas ruas e foi imposto à maioria do sistema político e aos principais grupos de mídia. Não foi preciso inventá-lo. Portanto, 2015 não é 1992 e falar “nas ruas” hoje é mera figura retórica. As oposições partidárias, seus aliados no Judiciário, nas corporações de Estado e nos meios de comunicação passaram o ano à cata de alegações para derrubar o governo, por qualquer motivo.
Sem o combustível da indignação moral efetiva, que provoca a falta de movimentos espontâneos respeitáveis, invocar o sentimento das ruas é somente um pretexto.
Tudo o que acontece agora são manobras e movimentações de bastidor, a maioria impublicáveis e inconfessáveis. Votações secretas, conluios e acordos em surdina são a regra. O processo de impeachment contra Dilma Rousseff nada tem do autêntico espírito das ruas.
Outra falácia é afirmar que o sucesso ou o fracasso da tentativa de derrubar a presidenta depende do modo como “as ruas” se comportarão nas próximas semanas e meses. As oposições sabem que o máximo que conseguem promover são as conhecidas e cada vez menos impactantes passeatas de radicais de direita.
Quando buscam prolongar o processo, o que pretendem é apenas torná-lo mais demorado, para aumentar o desgaste do governo e aprofundar os impasses na economia. Como calculam que Dilma, ao cabo do processo, muito provavelmente terá o terço da Câmara necessários para se manter no poder, querem apenas manter sua aposta no quanto pior melhor.

Movimentos sociais contra Cunha e o impeachment

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Nesta quarta-feira, etos anti-impeachment serão realizados em ao menos 23 cidades, incluindo 18 capitais, encabeçados pela Frente Brasil Popular, que reúne dezenas de entidades de movimentos sociais, e conta com o apoio do PT e PC do B.

Entre os organizadores, CUT (Central Única dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e UNE (União Nacional dos Estudantes) protestam contra “motivações criminosas” de Eduardo Cunha (PMDB) na Câmara contra Dilma Rousseff e sustentam que não há base jurídica para o impeachment.

“Não podemos nos pautar pelo pequeno número de pessoas que compareceram ao ato de domingo. Temos que trabalhar para virar rapidamente a página do golpe. O Congresso não pode ser irresponsável a ponto de empurrar de forma definitiva o impeachment”, afirmou Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo. (Do Brasil247)

Movimento #ocupacbf é lançado no Rio

O movimento #ocupacbf foi lançado nesta terça-feira com uma manifestação em frente à sede da CBF no Rio de Janeiro. Um manifesto, que pede a renúncia de Del Nero e de toda a diretoria da CBF, foi lido pelo ex-jogador Raí, um dos líderes do Atletas pelo Brasil. O texto pede alterações no estatuto da entidade para permitir a convocação de novas eleições sem a barreira de exigência de apoio de ao menos oito federações e cinco clubes, o que impede hoje o lançamento de candidaturas independentes.

É imperativo que esta cláusula seja derrubada para tornar possível a construção de uma nova CBF, sentimento expresso no título do documento. Na ocupação simbólica da CBF também foi lida, pelo ex-jogador Alex, integrante do Bom Senso, a lista com os mais de 100 signatários do manifesto. São destacados nomes da sociedade civil que exigem mudanças na entidade que comanda o futebol do Brasil com braço de ferro, sem oposição.

São personalidades que resolveram se engajar num processo de mudança que deu seu primeiro passo hoje e que só estará finalizado quando a CBF for, de fato, ocupada pelos que vão trabalhar para recuperar a nossa maior paixão e ficar então livre dos que a usam para tirar vantagens e não para servir ao futebol brasileiro. (Por Juca Kfouri) 

Justiça cassa liminar e garante eleição na CBF

A Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro cassou a liminar que cancelava a eleição para a vice-presidente da CBF.  A desembargadora Claudia Pires do Santos Ferreira aceitou um efeito suspensivo pedido pelos advogados da confederações. Assim, a CBF derrubou a decisão que era favorável ao vice da entidade Delfim Peixoto, obtida na primeira instância, que derrubava a validade do pleito para substituir José Maria Marin. O candidato único é o Coronel Nunes.

“Na hipótese, vislumbro a presença dos requisitos quitadores para a concessão do efeito suspensivo, eis que, consta o documento de renúncia do vice-presidente, José Maria Marin”, afirmou a decisão da desembargadora. “Ademais, em juízo de cognição sumária, não se verifica qualquer indício de irregularidade na mencionada convocação”.

Segundo a desembargadora, há dano irreparável para a CBF porque, dos cinco cargos de vices, dois estão vagos no momento. “Isto posto, defiro o efeito suspensivo ativo, para determinar a perda da eficácia da decisão agravada, permitindo a realização da assembleia geral eleitoral designada para o dia 16 de dezembro de 2015, às 14 horas, na sede da entidade agravante”.

A CBF tinha tentado cassar a liminar na primeira instância, mas não obtivera sucesso. Entrou com novo pedido à tarde na segunda instância. Agora, os avogados de Delfim devem tentar uma nova liminar com novos argumentos para tentar impedir o pleito, marcado para esta quarta-feira, às 14 horas.

O coronel Nunes, a ser confirmado o pleito, será o substituto de Marco Polo Del Nero caso ele renuncie por ser mais o mais velho. A CBF alega ter o apoio de cerca de 20 federações, 12 clubes da Série A e 10 da Série B à candidatura do presidente da federação paraense. No momento, o presidente em exercício é Marcus Vicente. (Do UOL)