Algoz do Leão é contratado pelo Papão

Rafael Luz, meia do Cuiabá que foi o algoz do Remo nas finais da última Copa Verde, é o novo reforço do Paissandu. O próprio jogador informou sobre o acerto através de emissoras de rádio goianas. Segundo ele, o contrato com o Papão tem vigência de um ano. Depois de sondagens da dupla Re-Pa no final do semestre, ele se transferiu para o Atlético-GO, onde disputou a Série B jogando poucas partidas como titular. A diretoria bicolor ainda não confirmou a contratação.

Pikachu pode ser anunciado como reforço do Vasco

Emissoras de rádio do Rio de Janeiro informam que o lateral Pikachu deve chegar hoje à noite à capital carioca para se submeter a exames amanhã pela manhã em São Januário. Em seguida, deve ser apresentar como novo reforço do Vasco da Gama para a Série B.

O site NetFlu noticiou no começo da noite que o Fluminense também entrou na disputa para ficar com o ex-lateral do Paissandu.

André Cavalcante confirma candidatura no Remo

Como o blog previu ontem, mais duas chapas foram anunciadas para a disputa da eleição presidencial no Remo. A quarta chapa apresentada é a de André Cavalcante e Fábio Bentes (vice), considerada desde já uma das mais fortes. A quinta e mais surpreendente chapa é do ex-presidente Zeca Pirão, que tem como parceiro o advogado e ex-integrante da Comissão de Futebol do clube, Marco Antonio Magnata. Pirão foi denunciado no relatório da comissão que investigou as gestões dele e de Pedro Minowa no clube.

Já estavam inscritos os candidatos Helder Cabral (vice – Simone Tupinambá), Antonio Miléo Jr. (vice – Milton Campos) e capitão Maroja (vice – Cláudio Pontes). A eleição para a presidência do Remo está marcada para 23 de janeiro.

China, o novo eldorado do futebol

POR VINÍCIUS DIAS, do blog Toque di Letra

Concluída na madrugada de 13 de janeiro, a transação que tirou Ricardo Goulart do Cruzeiro representou a maior venda da história do clube. Na mesma semana, Diego Tardelli deixou o Atlético, movimentando números milionários. 11 meses mais tarde, na reabertura da janela, Mano Menezes não resistiu à oferta tentadora e acertou a saída, deixando R$ 7 milhões nos cofres celestes. Os três tiveram um mesmo destino: a China, ‘novo eldorado’ da bola. Um contexto em que investimentos, sonhos, futebol e política caminham quase lado a lado.

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Conforme avalia o advogado desportivo Luciano Brustolini, a ascensão do esporte passa pela aspiração do líder comunista Xi Jinping, que preside a China há dois anos. “Ele é um entusiasta do futebol e tem como projeto pessoal desenvolvimento dos clubes chineses e fortalecimento do futebol local”. Em um cenário dominado pelos clubes-empresa, o governo marca presença também como investidor. “O (Shandong) Luneng, (clube) bem conhecido no Brasil, é financiado pela maior empresa estatal de energia elétrica da China”, exemplifica.

Ao mesmo tempo em que potencializa o aspecto econômico, contudo, a participação dessas empresas torna a estrutura mais frágil. “Apesar dos crescentes investimentos, os clubes chineses ainda não são sólidos. Não são clubes centenários, que possuem história”, diz Brustolini. “A saída de uma dessas empresas pode significar a falência de um clube, como quase ocorreu com o Shangai Shenhua, que contratou Anelka, Drogba, e depois teve sérios problemas financeiros”, completa.

Chineses de olho no Brasil

Tratado como, o Brasil é um dos principais fornecedores de mão de obra especializada. Conforme levantamento feito pelo portal Rede do Futebol, 41 brasileiros atuaram na China na temporada passada. Atletas como Robinho, Ricardo Goulart e Diego Tardelli dividem os gramados com compatriotas menos badalados, como Eleílson Farias, zagueiro do Jiangsu Sainty, e Everton Ramos, atacante do Nanchang Bayi. Ainda há técnicos, fisioterapeutas e preparadores físicos na lista.

Para o atacante Paulo Henrique, que defendeu o Liaoning Whowin neste semestre, a legião brasileira tem papel decisivo na China. “O futebol arte vem do Brasil… Portanto, para o futebol chinês crescer, era necessária a presença de jogadores e treinadores brasileiros”, afirma. O jogador, que desembarcou no país em junho de 2014, diz que o aspecto financeiro foi vital para a escolha. “Com o investimento que vem sendo feito, o futebol chinês ainda vai crescer mais nos próximos anos e até mesmo refletir na seleção deles”, acrescenta o ex-atleticano.

Dificuldades de adaptação

Com passagens por Holanda, Bélgica e Turquia, o brasileiro pontua que, inicialmente, as diferenças culturais dificultaram a adaptação. “Na China, é tudo diferente: cultura, culinária, idioma”. Paulo conta com o apoio de um tradutor para facilitar a comunicação com os atletas locais, por exemplo. Mas minimiza. “Já passei por situações difíceis desde que saí do Brasil (do Atlético), com 18 anos. Faz parte da nossa profissão e temos que estar preparados”. Em campo, a adaptação foi imediata: em 32 jogos no país, o atacante registra 15 gols.

Craque da Superliga Chinesa, o ex-cruzeirense Ricardo Goulart aponta a velocidade como diferencial das partidas disputadas no país asiático. “Eles correm muito”, compara. O camisa do 11 Guangzhou Evergrande avalia o calendário local como mais bem organizado do que o brasileiro. “Temos menos jogos e um pouco mais de tempo de folga”. Com passagem pelo rival local Guangzhou R&F, o fisiologista Matheus Henrique Fontes também elogia os moldes chineses.

Treinamentos de alto nível

“Na China, os clubes têm próximo de 60 dias de pré-temporada e jogam uma vez por semana, normalmente. Sendo assim, é possível pensar em treinamentos”, afirma, revelando as diferenças de preparação. “No Brasil, temos 30 dias de pré-temporada e em grande parte do ano joga-se duas vezes por semana, restando aos profissionais apenas tempo para pensar em recuperação do atleta e pequenos ajustes. Então, é preciso fazer uma escolha: treinar em alta intensidade ou competir nas melhores condições físicas”, assinala o fisiologista.

Na visão de Luciano Brustolini, o principal objetivo dos chineses é ter uma liga com clubes e marcas fortes. “Pelo número de habitantes, a China é o maior potencial de consumo de futebol, ou qualquer outro produto, no mundo. E por que não consumir o próprio futebol, ao invés das marcas estrangeiras?”, questiona. Ainda assim, em curto prazo, ele não crê em competição com a Europa em termos de visibilidade. “Os grandes clubes europeus são as grandes marcas do futebol, têm história, apelo, e isso somente pode ser combatido com o tempo”, pondera.

Sediar e conquistar a Copa

Matheus Fontes, que trabalhou em Cantão, uma das principais cidades do dragão asiático, acrescenta. “O governo chinês está investindo milhões de dólares, alguns relatos dizem até bilhões, no futebol. Está incentivando a modalidade nas escolas e pretende desenvolver centros de aprendizagem como a Alemanha fez. O intuito do governo chinês é sediar uma Copa do Mundo e ser campeão mundial em casa”.

As cifras bilionárias aparecem também nas cotas de TV. Em outubro, aChina Sports Media assegurou a compra dos direitos de transmissão do campeonato local pelas próximas cinco temporadas, investindo US$ 1,26 bilhão – cerca R$ 1 bilhão por temporada. O montante supera em mais de 3.000% os valores do contrato anterior.

Intercâmbio nos gramados

Para associar o poderio econômico à proposta de capacitação dos atletas chineses, a federação fixa limites à presença de estrangeiros. De acordo com o agente internacional Steve Panopoulos, cada clube pode inscrever cinco estrangeiros – incluindo um atleta de país asiático. Por jogo, podem atuar quatro – desde que um seja asiático. Os goleiros de todos os times têm de ser locais. As regras asseguram o intercâmbio e a presença de, no mínimo, 14 chineses em campo por jogo.

Brasileiros exageram na rejeição ao Brasil, afirma blogueiro britânico

POR ADAM SMITH (*) – na BBC Brasil

Pouco depois de chegar a São Paulo, fui a uma loja na Vila Madalena comprar um violão. O atendente, notando meu sotaque, perguntou de onde eu era. Quando respondi “de Londres”, veio um grande sorriso de aprovação. Devolvi a pergunta e ele respondeu: ‘sou deste país sofrido aqui’.

Fiquei surpreso. Eu – como vários gringos que conheço que ficaram um tempo no Brasil – adoro o país pela cultura e pelo povo, apesar dos problemas. E que país não tem problemas? O Brasil tem uma reputação invejável no exterior, mas os brasileiros, às vezes, parecem ser cegos para tudo exceto o lado negativo. Frustração e ódio da própria cultura foram coisas que senti bastante e me surpreenderam durante meus 6 meses no Brasil. Sei que há problemas, mas será que não há também exagero (no sentido apartidário da discussão)?

Tem uma expressão brasileira, frequentemente mencionada, que parece resumir essa questão: complexo de vira-lata. A frase tem origem na derrota desastrosa do Brasil nas mãos da seleção uruguaia no Maracanã, na final da Copa de 1950. Foi usada por Nelson Rodrigues para descrever “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”.

E, por todo lado, percebi o que gradualmente comecei a enxergar como o aspecto mais ‘sofrido’ deste país: a combinação do abandono de tudo brasileiro, e veneração, principalmente, de tudo americano. É um processo que parece estrangular a identidade brasileira.

Sei que é complicado generalizar e que minha estada no Brasil não me torna um especialista, mas isso pode ser visto nos shoppings, clones dos ‘malls’ dos Estados Unidos, com aquele microclima de consumismo frígido e lojas com nomes em inglês e onde mesmo liquidação vira ‘sale’. Pode ser sentido na comida. Neste “país tropical” tão fértil e com tantos produtos maravilhosos, é mais fácil achar hot dog e hambúrguer do que tapioca nas ruas. Pode ser ouvido na música americana que toca nos carros, lojas e bares no berço do Samba e da Bossa Nova.

Tapioca
Cadê a tapioca?

Pode ser visto também no estilo das pessoas na rua. Para mim, uma das coisas mais lindas do Brasil é a mistura das raças. Mas, em Sampa, vi brasileiras com cabelo loiro descolorido por toda a parte. Para mim (aliás, tenho orgulho de ser mulato e afro-britânico), dá pena ver o esforço das brasileiras em criar uma aparência caucasiana.

Acabei concluindo que, na metrópole financeira que é São Paulo, onde o status depende do tamanho da carteira e da versão de iPhone que se exibe, a importância do dinheiro é simplesmente mais uma, embora a mais perniciosa, importação americana. As duas irmãs chamadas Exclusividade e Desigualdade caminham de mãos dadas pelas ruas paulistanas. E o Brasil tem tantas outras formas de riqueza que parece não exaltar…

Um dos meus alunos de inglês, que trabalha em uma grande empresa brasileira, não parava de falar sobre a América do Norte. Idealizou os Estados Unidos e Canadá de tal forma que os olhos dele brilhavam cada vez que mencionava algo desses países. Sempre que eu falava de algo que curti no Brasil, ele retrucava depreciando o país e dando algum exemplo (subjetivo) de como a América do Norte era muito melhor.

O Brasil está passando por um período difícil e, para muitos brasileiros com quem falei sobre os problemas, a solução ideal seria ir embora, abandonar este país para viver um idealizado sonho americano. Acho esta solução deprimente. Não tenho remédio para os problemas do Brasil, obviamente, mas não consigo me desfazer da impressão de que, talvez, se os brasileiros tivessem um pouco mais orgulho da própria identidade, este país ficaria ainda mais incrível. Se há insatisfação, não faz mais sentido tentar melhorar o sistema?

Destaco aqui o que vejo como um uma segunda colonização do Brasil, a colonização cultural pelos Estados Unidos, ao lado do complexo de vira-latas porque, na minha opinião, além de andarem juntos, ao mesmo tempo em que existe um exagero na idealização dos americanos, existe um exagero na rejeição ao Brasil pelos próprios brasileiros. É preciso lutar contra o complexo de vira-latas. Uma divertida, porém inspiradora, lição veio de um vendedor em Ipanema. Quando pedi para ele botar um pouco mais de ‘pinga’ na caipirinha, ele respondeu: “Claro, (mermão) meu irmão. A miséria tá aqui não!” Viva a alma brasileira!

(*) Adam Smith é estudante de Oxford e blogueiro