Para Nizan, se aposentar é “muito cafona”

“Eu escolhi um dos dias mais importantes da minha vida para dividir com vocês”, explicou Nizan Guanaes em uma segunda-feira do final de novembro, durante encontro com membros da Fundação Estudar, Ismart e PROA, no qual o Na Prática esteve presente. Durante o final de semana, a notícia da venda de seu grupo ABC para os americanos da Omnicom havia sido adiantada pela imprensa brasileira, e seu telefone não parava de tocar. O anúncio oficial foi feito horas antes, na própria segunda-feira.

Nizan Guanaes

Controlador de agências premiadas como África, Loducca e DM9, e com clientes que vão da AB Inbev ao Itaú, o Grupo ABC é o maior grupo brasileiro de serviços de propaganda e marketing, e o 18º maior grupo global de comunicação, segundo ranking do Advertising Age. O grupo é recente – foi fundado em 2002 por Nizan Guanaes, ao lado de seu sócio Guga Valente. Mas seu começo remonta há alguns anos antes, quando Nizan despontava como promessa no cenário da comunicação brasileira.

Em 1989 havia fundado a DM9, com investimento de 1 milhão de dólares obtido no mercado financeiro. No ano seguinte, Collor assumiu a Presidência e seu plano econômico congelou grande parte do dinheiro a ser investido, além de ter jogado um balde de água fria em todos os empreendedores da época. Foi quando Nizan, na contramão do clima de desesperança que tomava o país, cunhou a famosa máxima: “Enquanto eles choram, eu vendo lenços”.

Essa postura de quem corre atrás, sonha grande e vê os obstáculos como oportunidades, talvez explique como o menino pobre do Pelourinho acabou no jornal Financial Times, no ranking dos cinco brasileiros mais influentes do mundo. Nos tópicos a seguir, ele conta a própria história, fala sobre a motivação por trás dos seus sonhos e como fez para alcançá-los, além de deixar seu recado para a juventude brasileira:

Sonhar Grande

Para Nizan, trata-se de uma condição para o sucesso: “A gente não pode pensar pequeno em um país do tamanho do Brasil”. Sonhar grande, no entanto, não diz respeito apenas a criar grandes empresas ou tornar-se um CEO. Os grandes líderes devem te inspirar a sonhar o seu sonho grande. “Seja para ser médico, artista, construtor, paisagista… Você tem que ser o melhor no que você for!”, diz o empresário.

Aproveitar as Oportunidades

“Minha chance de chegar até aqui era quase nenhuma”, admite o empresário. No entanto, não era a probabilidade que o faria desistir de sonhar grande. “Se eu fosse realista, eu estava ferrado”, brinca. Ir longe não é fácil, mas depende de aproveitar cada oportunidade.

Descobrir o propósito

A paixão de Nizan pela propaganda remonta à memória do tempo em que trabalhava na loja de seu tio, e viu que levava jeito para vendas. Mais tarde ele percebeu que sua vocação poderia dar origem a um negócio próprio, e decidiu empreender.

E os próximos passos?

Depois de ter sido personagem central da maior venda já realizada no mercado de propaganda do país (o Grupo ABC foi vendido por 1 bilhão de reais), resta a dúvida: O que Nizan vai fazer em seguida? Durante o encontro, ele afirmou que não planeja se distanciar da empresa e continuará a frente do seu negócio pelos próximos anos. “Não tenho vontade de fazer outra coisa, até porque não sei fazer outra coisa”, ele brinca.

“Esse negócio de se aposentar é uma coisa muito cafona”, diverte-se o empreendedor. “Eu tenho horror a ficar parado”.

Para ele, continuar empreendedor é uma obrigação moral com o país. “No meu planejamento mental, posso chegar a 99 anos e mesmo assim ainda não terei tido tempo de criar, inventar e construir tudo que eu quero”, comenta. No entanto, chama a atenção para a necessidade de dedicar tempo a se atualizar: em 2016, vai fazer viagens curtas para diversos lugares do mundo, como universidades e centros de pesquisa de ponta. A Singularity University, conhecida como universidade de inovação da Nasa, nos Estados Unidos, já está no roteiro.

Além disso, continuará dedicando grande parte do seu tempo a causas sociais, principalmente relacionadas a empreendedorismo, educação e preservação do patrimônio cultural do Brasil.

* Este artigo foi originalmente publicado pelo Na Prática, portal de Carreira da Fundação Estudar

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