Nunes já fala como presidente e prestigia Dunga

DO LANCE!

Faz tempo que Antônio Carlos Nunes de Lima incorporou a patente ao nome. Ele é o Coronel Nunes. Dirigente de 77 anos e com carreira na Polícia Militar, o presidente da Federação Paraense é a figura mais provável para assumir a cadeira de vice-presidente da CBF deixada pelo detido José Maria Marin. Apesar de ser de uma entidade pouco representativa nacionalmente, estado que sequer conseguiu convencer CBF e COL a receber a Copa do Mundo-2014, Nunes, o Coronel, diz que está preparado para assumir uma função na esfera nacional do futebol.

– Tem pessoas que nascem para comandar. E outras que nascem para serem comandadas. Eu nasci para comandar – disse ele, nesta entrevista ao LANCE!.

Coronel Nunes diz que torce pela volta de Marco Polo Del Nero ao poder na CBF. Só que ao mesmo tempo em que garante estar apenas se candidatando à função de vice da CBF, ele diz que não fugirá da obrigação de comandar a entidade, caso seja necessário no futuro, já que tem tudo para se tornar o primeiro na linha de sucessão por causa da idade, deixando Delfim Peixoto (da Federação Catarinense e 74 anos) para trás. A eleição está marcada para o dia 16 de dezembro.

O senhor vai assumir a CBF assim que for eleito para vice?

Estou sendo lançado à vice-presidência para a lacuna do Marin, conforme estabelece o estatuto (licença maior que 180 dias). Vários clubes já manifestaram apoio. Registro da chapa é um ponto pacífico.

Mas não projeta assumir?

Se estamos preenchendo uma vacância, e a qualquer momento formos chamados, temos que assumir. Mas eu te garanto o seguinte. Começou o processo nesses 15 dias, temos ainda que avaliar o que virá pela frente.

Conversou com o Marco Polo antes dele se despedir?

Conversei muito com ele, na própria sexta-feira (quando houve reunião dos presidentes de federação na CBF, e o nome de Nunes foi definido). Ele confia no meu trabalho. Mas é o seguinte: não vou dizer que vou substituir de imediato. Quero que ele continue, que saia bem na investigação, e continue à frente do futebol brasileiro.

Pediu dica quando o Marco Polo saiu?

Marco Polo não foi embora. Ele está aí, po… Não é momento de chegar, pedir dica. Mas falei para os outros: “Não quero que vocês me abandonem.

Qual a avaliação sobre o relatório do FBI?

Sou bacharel em direito. É preciso ver os autos. E eu não vi.

Como encara as ressalvas feitas pelo fato de o senhor ser de uma Federação do Norte, sem representatividade na Série A?

Todos somos brasileiros, capazes. Não é porque sou do Norte que não tenha condição de administrar o futebol. Mas não posso fazer nada sozinho e tenho que ter a persistência de comandar. Tem pessoas que nascem para comandar. E outras que nascem para serem comandadas. Eu nasci para comandar.

Como foi a negociação com os presidentes do Sudeste, já que, por convenção política, a cadeira era deles?

O prazo do Marin venceu dia 27 de novembro. E já tinha manifestação que eu seria o escolhido. Conversei com o Rubinho (Rubens Lopes, presidente da Ferj), Reinaldo (Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista)… Os colegas estavam com a tendência de me apresentar como candidato. O estatuto da CBF não diz de onde a pessoa tem que ser escolhida. Pode ser uma pessoa de fora. Não há referência.

Pediram algo em troca dessa “permissão”?

Ninguém chegou para mim pedindo nada.

O senhor cogita deixar a Federação Paraense?

Tenho dois vices na minha federação. O estatuto, tanto o nosso quanto o da CBF, não obriga ninguém a renunciar cargo. Cada federação é um braço da CBF. Ela trata tudo, como uma grande família. Mas se houver necessidade, iria (sair) também pela idade. Tenho dois vices, não tem problema. Posso passar a função.

Como vê o comportamento do Delfim, dizendo que essa eleição é um golpe?

O Delfim não foi alijado, ele continua no cargo, foi eleito na última assembleia geral eleitoral. Sou amigo dele de longa data. Ele era candidato e votamos nele. Eu esperava que a recíproca fosse verdadeira. Eu não considero um golpe. É um direito dele reclamar, mas ele não foi destituído de nenhum cargo. Considero ele meu amigo.

Que plano o senhor tem para melhorar a imagem da CBF, que está manchada?

Se fala muito disso ai. Temos que trabalhar, nos unir. Se a imagem não está boa, todos nós somos os responsáveis, somos um grupo. Vamos ver qual a alternativa, no mundo tudo se transforma. Não vamos tapar o sol com a peneira. Vamos colocar no papel as coisas. Muita gente fala do lado de fora, mas não coloca em ação.

Como sua visão sobre a Seleção Brasileira? Se tivesse que assumir, demitiria o Dunga?

A Seleção está com um projeto em andamento. Marco Polo montou essa comissão, eles têm liberdade para trabalhar, isso eu acompanho. Digo como torcedor: tem vezes que não dá para levar à frente. Dunga é meu conhecido, fui chefe da delegação na Copa das Confederações da África do Sul (2009). Sempre achei ele um rapaz trabalhador, correto, aplicado. Vi o Dunga ser capitão, que é uma prova que sabe liderar. Muita gente me pergunta isso ai. Estamos numa classificação, não viramos o turno das Eliminatórias. O trabalho não é para ser primeiro. Tem quatro vagas para a Copa e o Brasil está ali. Acredito que o trabalho tem que ser continuado, com seriedade.

E sua opinião sobre o presidente em exercício?

O Marcus Vicente é o presidente. Nosso entendimento é o melhor possível. Ele é sério, atencioso, um cara simples, amigo. Acredito que são pessoas assim que devem atuar no futebol.

Como vê a atuação do Bom Senso, que inclusive planeja lançar candidato à presidência da CBF em 2018?

Eu tenho acompanhado só através da imprensa. Talvez eu veja mais de perto isso aí. Todos os que querem, quem quer trabalhar pelo bem do futebol, tem que chegar e não falar. Às vezes vai falar e não tem como agir. Às vezes, joga muito para mídia, mas não joga para o lado prático. Se todos querem trabalhar pelo bem do futebol, qualquer voz é bem-vinda.

Como o senhor enxerga a questão das ligas?

Já teve a Liga do Norte, tem a Liga do Nordeste e todas elas trabalham em conjunto com a CBF e federações de cada estado. Tem que ser assim. Pela legislação brasileira, quem é responsável por administrar o futebol, a CBF. Quem é o cartório da Fifa para registro de jogadores? CBF. E assim vai.

12 comentários em “Nunes já fala como presidente e prestigia Dunga

  1. Coronel de força auxiliar, mas coronel. Sim…

    Jamais vou sair por aí me exigindo que me tratem pelo posto, mesmo sendo integrante das Forças Armadas. Militares têm sua missão precípua estabelecida pela CF e merecem todo o respeito, mas fora do quartel são cidadãos comuns. Porém as múmias não aceitam isso.

    Arrogâncias a parte, o que dá pra ver da entrevista é que continuará tudo como dantes no quartel de abrantes, para aludir à caserna.

    Pobre futebol brasileiro.

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  2. Olha, o coronel me surpreendeu, muito boa a entrevista.

    Quanto ao Bororó assumir, se ele está lá como vice, deve reunir condições pra assumir o cargo.

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  3. Quando colocaram o Coroné pra comandar a delegação brasileira antes da copa da Africa do Sul…Ele achou que era o cara…Foi dar a opinião dele sobre esta copa, falou besteira e colocaram ele de castigo num canto, mudinho mudinho…kkkkk…Foi humilhante…Será que já avisaram pra ele que ele não vai mandar nada?…kkkk

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  4. Se me escolhessem pra esse “cargo”…A primeira pergunta que eu me faria é…O que foi que eu fiz de errado pra merecer isso?…kkk

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  5. Edson, o que você viu de boa na entrevista concedida pelo coronel? Lamentável, esse cara não passará de um fantocha durante o curto período em que estará no comando da CBF.

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  6. Se o cara é coronel, tem que ser lembrado como coronel, embora no meio civil seja uma exigência, mas no meio militar indispensável. Quem pensa diferente não dar valor ao passado.

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  7. Por ser enviada incompleta.

    Se o cara é coronel, tem que ser lembrado como coronel, embora no meio civil NÃO seja uma exigência, mas no meio militar indispensável. Quem pensa diferente não dar valor ao passado.

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  8. Thiago,gostei da segurança dele nas respostas

    Pois é Lay, o que tem a ver isso

    É Coronel Nunes, e ele ainda é bacharel em Direito.

    O homem do botão

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