Juristas unidos em defesa da legalidade democrática

POR LUIS NASSIF

Em entrevista ao repórter Jorge Bastos Moreno, ao menosprezar a qualidade dos juristas que foram ao Palácio hipotecar apoio à legalidade, o vice-presidente Michel Temer minimizou a importância acadêmica de alguns dos maiores juristas brasileiros, das principais faculdades de direito do país. E mais, constituindo um grupo politicamente heterogêneo, que contou desde simpatizantes do PT até adeptos da Opus Dei.

Trata-se de um mundo que Temer frequentou 40 anos atrás. Hoje em dia, sua turma é composta por Moreira Franco, Eliseu Padilha, que lhes asseguram o domínio do fato, e jornalistas amigos que lhe garantem o domínio da versão.

É apenas nesses ambientes leigos que Temer pode criticar o manifesto dos juristas e menosprezar seus currículos e conhecimentos.

O jurista Temer morreu quando cedeu lugar ao político Temer.

Dentre os nomes menosprezados por Temer estão o de Celso Antônio Bandeira de Mello, professor emérito da PUC, talvez a maior referência brasileira de direito administrativo; de Dalmo Dallari, professor emérito da USP, dos maiores teóricos brasileiros de teoria geral do Estado; deMarcelo Neves, professor titular da UNB (Universidade Nacional de Brasília), por dez anos professor na Alemanha, considerado dos maiores especialistas mundiais em Niklas Luhmann, autor consagrado na sociologia do direito. Em uma disputa em que se envolveu na Faculdade de Direito da FGV-Rio, a primeira pessoa a assinar uma lista de apoio a Neves foi Jurgen Habermas.

Estão o de simpatizantes do PT e da Opus Dei, como é o caso de André Ramos Tavares, professor do mestrado e doutorado da PUC-SP, com ampla produção acadêmica. No grupo estão professores titulares das principais faculdades de direito do país, as paulistas USP e PUC, as cariocas UFRJ e UERJ, a pernambucana UFPE, a mineira UFMG.

O que os une é a defesa da legalidade duramente conquistada.

Abaixo, os currículos dos “dois ou três juristas” que compareceram ao encontro com Dilma:

  • Cláudio Pereira de Souza Neto, Doutor em direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Professor na Universidade Federal Fluminense e da Universidade Gama Filho e advogado no Rio de Janeiro;
  • Ademar Borges de Sousa Filho, Procurador do Município de Belo Horizonte e advogado. Doutorando em Direito Público pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ);
  • Dalmo de Abreu Dallari, Doutor em direito, Professor Emérito da Faculdade de Direito da USP;
  • Sueli Gandolfi Dallari, Advogada, doutorado e Livre-Docência em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado em direito médico pela Université de Paris XII (França), professora titular da Universidade de São Paulo;
  • Pedro Bohomoletz de Abreu Dallari, Professor Titular na Universidade de São Paulo (USP), Diretor do Instituto de Relações Internacionais da USP, Doutor e Livre-Docente em Direito Internacional na FD-USP;
  • André Ramos Tavares, Professor Titular da Faculdade de Direito da USP, Professor Permanente dos Programas de Doutorado e Mestrado em Direito da PUC/SP; Diretor da Escola de Direito da Universidade Anhembi-Morumbi Laureate International Universities;
  • Gilberto Bercovici, Professor na Universidade de São Paulo, Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Doutor pela Universidade de São Paulo;
  • Pedro Estevam Alves Pinto Serrano, Advogado, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Mestre e Doutor pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Pós-Doutorado pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa;
  • Heleno Taveira Torres, Diretor Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Financeiro, Professor de Direito na Universidade de São Paulo (USP), Doutor em Direito do Estado (PUC-SP);
  • Marcelo Neves, Professor Titular de Direito Público da Universidade de Brasília, Livre-Docente pela Universidade de Fribourg (Suíça), Doutor em Direito pela Universidade de Bremen (Alemanha) e Mestre pela Faculdade de Direito do Recife da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE);
  • Juarez Estevam Xavier Tavares, Sub-procurador-geral da Repúblcia Aposentado, Pós-Doutor pela Universidade de Frankfurt am Main e Doutor em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Professor Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro;
  • Geraldo Prado, Professor de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro e Pesquisador em no Instituto de Direito Penal e Ciências Criminais da Faculdade de Direito da Universidade de Liboa;
  • Fernanda Lara Tórtima, Advogada, mestre em Direito Penal em Universitat Frankfurt am Main – Johann Wolfgang Goethe, professora na Universidade Cândido Mendes;
  • Rosa Maria Cardoso da Cunha, Advogada, doutora em ciência política pelo Iuperj, professora.
  • Francisco Queiroz Cavalcanti, Doutor em Direito pela Universidade de Lisboa, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco e Juiz Aposentado do TRF – 5ª Região;
  • Walber de Moura Agra, doutor em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco/Università degli Studio di Firenze, Diretor do Instituto Brasileiro de Estudos Constitucionais, professor da Universidade Federal de Pernambuco;
  • Luciana Grassano de Gouveia Mélo, Doutora em Direito, professora e ex-diretora da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco;
  • Gustavo Ferreira Santos, Professor na Universidade Federal de Pernambuco e na UNICAP, Doutor em Direito Constitucional;
  • Marcelo Labanca Corrêa de Araújo, Doutor em Direito, professor na UNICAP e coordenador do programa de mestrado da Unicap;
  • João Paulo Fernandes de Souza Allain Teixeira, Doutor em direito, professor na Universidade Federal de Pernambuco e na Unicap;
  • Flávio Crocce Caetano, Advogado e professor da PUC-São Paulo;
  • Wadih Nemer Damous Filho, Advogado, Deputado Federal pelo Estado do Rio de Janeiro, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro;
  • Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, Advogado, ex-deputado Federal pelo Distrito Federal, ex-conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
  • Renato Ferreira Moura Franco, Advogado, especialista em direito penal;
  • Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Advogado, professor, Doutor e Mestre em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília, Membro Consultor da Comissão Especial da Reforma Política do Conselho Federal da OAB;
  • Luíz Moreira Gomes Júnior, Doutor em Direito, Conselheiro Nacional do Ministério Público, Diretor acadêmico e professor de Direito Constitucional da Faculdade de Direito de Contagem.
  • Magnus Henry da Silva Marques, Advogado, mestrando em Direito pela Universidade de Brasília, Pesquisador no Instituto de Pesquisa em Direito e Movimentos Sociais.
  • Misabel Abreu Machado Derzi, Advogada tributarista, ex-procuradora-geral do Estado de Minas Gerais e do município de Belo Horizonte; e professora titular da UFMG e Faculdades Milton Campos;
  • José Geraldo de Sousa Júnior, Doutor em Direito pela Universidade de Brasília, professor de Direito, ex-diretor da Faculdade de Direito e ex-reitor da Universidade de Brasília;
  • Carlos Valder do Nascimento, Professor na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, e da Escola de Magistratura do Trabalho – EMATRA, Doutor pela Universidade Federal de Pernambuco;
  • Menelick de Carvalho Neto, Professor na Universidade de Brasília, doutor em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenador do curso do Programa de Pós-graduação em Direitos Humanos na Universidade de Brasília;
  • Walfrido Jorge Warde, Advogado mestre em direito pela New york University e doutor em direito pela USP;
  • Juliano Zaiden Benvindo, Professor da UnB, coordenador da pós-graduação;
  • Cristiano Paixão, Professor da UnB.

CBF inclui Papão e Águia na Copa Verde

Águia, Remo e Paissandu serão os representantes do Para na Copa Verde 216. A CBF, em atenção ao pedido do canal Esporte Interativo, que detém os direitos de TV e internet da competição, mudou o regulamento e decidiu priorizar o ranking nacional de clubes. Os três clubes são os melhores colocados do Pará – Papão é o 30°, Águia é o 55° e o Remo é o 69°.

O Águia participará da fase preliminar, enfrentando o Fast Clube (AM) nos dias 6 e 17 de fevereiro. O torneio começa no dia 9 de março com os jogos entre o vencedor do confronto 1 (Águia ou Fast) e Paissandu e Náutico (RR) x Remo. Os jogos de volta serão realizados no dia 16 de março.

Governadores manifestam apoio à legalidade

Nota à imprensa

CARTA PELA LEGALIDADE

Os Governadores estaduais vêm, por meio desta nota, manifestar-se contrariamente ao acolhimento do pedido de abertura de processo de impeachment contra a Presidenta da República.

A história brasileira ressente-se das diversas rupturas autoritárias e golpes de estado que impediram a consolidação da nossa democracia de forma mais duradoura. Tanto é assim que este é o período mais longo de normalidade institucional de nossa história, conquistado após a luta de amplos setores da sociedade. Nesse sentido, é dever de todos zelar pelo respeito à Constituição e ao Estado Democrático de Direito.

Entendemos que o mecanismo de impeachment, previsto no nosso ordenamento jurídico, é um recurso de extrema gravidade que só deve ser empregado quando houver comprovação clara e inquestionável de atos praticados dolosamente pelo chefe de governo que atentem contra a Constituição.

O processo de impeachment, aberto na última quarta-feira, 02/12, carece desta fundamentação. Não está configurado qualquer ato da Presidenta da República que possa ser tipificado como crime de responsabilidade.

Compreendemos as dificuldades pelas quais o país atravessa e lutamos para superá-las. Todavia, acreditamos que as saídas para a crise não podem passar ao largo das nossas instituições e do respeito à legalidade. Por isso, ciosos do nosso papel institucional, conclamamos o país ao diálogo e à construção conjunta de alternativas para que o Brasil possa retomar o crescimento econômico com distribuição de renda.

Brasília, 08 de dezembro de 2015.

Distrito Federal

Estado do Acre

Estado das Alagoas

Estado do Amapá

Estado da Bahia

Estado do Ceará

Estado do Maranhão

Estado das Minas Gerais

Estado da Paraíba

Estado de Pernambuco

Estado do Piauí

Estado do Rio Grande do Norte

Estado do Rio de Janeiro

Estado de Roraima

Estado de Santa Catarina

Estado do Sergipe

Ranking destaca públicos da dupla Re-Pa

O Corinthians teve a melhor média de público do Campeonato Brasileiro de 2015. Foram 34.150 pagantes, após 19 rodadas. A marca superou as de Flamengo (2º, com 30 mil), Palmeiras (3º, 29 mil), Grêmio (4º, 25 mil), Atlético-MG (5º, 23 mil) e Cruzeiro (6º, 22 mil).

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Considerando-se os 100 times das quatro divisões nacionais, os 20 primeiros contaram com um representante da Série D (Remo, 15º), dois da Série C (Vila Nova, 8º; e Fortaleza, 10º) e cinco da Série B (Bahia, 11º; Ceará, 14º; Paysandu, 18º; Santa Cruz, 19º; e Vitória, 20º).

Dos times da Série A no top 20 de público, os demais foram São Paulo (7º), Internacional (9º), Atlético-PR (12º), Fluminense (13º), Sport (16º) e Coritiba (17º). Ao todo, foram 12. Sinal de que algumas torcidas estão fazendo falta na elite do Campeonato Brasileiro.

Curiosamente, o Botafogo-SP, campeão da Série D, teve melhor marca que o Botafogo, campeão da Série B.

Os dados de público listados abaixo são catalogados pelo site Sr. Goool, de Rodolfo Brito, que faz um trabalho que nem mesmo a CBF realiza.

Ranking de público no Campeonato Brasileiro de 2015:

1º Corinthians-SP – 34.150 (19 jogos) – Série A
2º Flamengo-RJ – 30.963 (19) – Série A
3º Palmeiras-SP – 29.633 (19) – Série A
4º Grêmio-RS – 25.249 (19) – Série A
5º Atlético-MG – 23.353 (19) – Série A
6º Cruzeiro-MG – 22.077 (19) – Série A
7º São Paulo-SP – 20.562 (19) – Série A
8º Vila Nova-GO – 19.335 (12) – Série C
9º Internacional-RS – 18.979 (19) – Série A
10º Fortaleza-CE – 18.073 (10) – Série C
11º Bahia-BA – 16.904 (18) – Série B
12º Atlético-PR – 16.430 (19) – Série A
13º Fluminense-RJ – 16.351 (19) – Série A
14º Ceará-CE – 16.221 (19) – Série B
15º Remo-PA – 15.394 (7) – Série D
16º Sport-PE – 15.081 (18) – Série A
17º Coritiba-PR – 14.001 (18) – Série A
18º Paysandu-PA – 13.737 (19) – Série B
19º Santa Cruz-PE – 13.190 (19) – Série B
20º Vitória-BA – 13.211 (19) – Série B
21º Vasco-RJ – 12.875 (19) – Série A
22º Ríver-PI – 11.789 (8) – Série D
23º Botafogo-SP – 10.574 (8) – Série D
24º Sampaio Corrêa-MA – 10.409 (19) – Série B
25º Joinville-SC – 9.848 (18) – Série A
26º Londrina-PR – 9.764 (8) – Série C
27º Botafogo-RJ – 9.338 (19) – Série B
28º Chapecoense-SC – 9.072 (19) – Série A
29º Figueirense-SC – 8.696 (19) – Série A
30º Santos-SP – 8.961 (19) – Série A
31º Avaí-SC – 8.477 (19) – Série A
32º Goiás-GO – 8.028 (18) – Série A
33º Confiança-SE – 6.808 (10) – Série C
34º Ponte Preta-SP – 6.225 (17) – Série A
35º Náutico-PE – 5.654 (19) – Série B
36º Campinense-PB – 4.756 (5) – Série D
37º Criciúma-SC – 4.616 (19) – Série B
38º Gama-DF – 4.369 (3) – Série D
39º América de Natal-RN – 4.264 (9) – Série C
40º Nacional-AM – 4.033 (4) – Série D
41º América-MG – 3.738 (19) – Série B
42º Bragantino-SP – 3.728 (19) – Série B
43º Paraná-PR – 3.665 (19) – Série B
44º Portuguesa-SP – 3.631 (10) – Série C
45º CRB-AL – 3.558 (19) – Série B
46º Juventude-RS – 3.431 (9) – Série C
47º Operário-PR – 3.238 (6) – Série D
48º Rio Branco-ES – 3.187 (5) – Série D
49º Guarani-SP – 3.179 (9) – Série C
50º Brasil-RS – 3.161 (11) – Série C
51º São Caetano-SP – 3.077 (6) – Série D
52º ABC-RN – 2.979 (17) – Série B
53º Oeste-SP – 2.619 (19) – Série B
54º ASA-AL – 2.466 (10) – Série C
55º Botafogo-PB – 2.324 (9) – Série C
56º Imperatriz-MA – 2.313 (4) – Série D
57º Crac-GO – 2.288 (5) – Série D
58º Ypiranga-RS – 2.069 (7) – Série D
59º Macaé-RJ – 1.852 (19) – Série B
60º Mogi Mirim-SP – 1.800 (19) – Série B
61º Atlético-GO – 1.799 (19) – Série B
62º Salgueiro-PE – 1.615 (9) – Série C
63º Tupi-MG – 1.509 (11) – Série C
64º Rio Branco-AC – 1.379 (5) – Série D
65º Goianésia-GO – 1.305 (4) – Série D
66º Caxias-RS – 1.288 (9) – Série C
67º Palmas-TO – 1.287 (5) – Série D
68º Caldense-MG – 1.256 (6) – Série D
69º Central-PE – 1.176 (4) – Série D
70º Luverdense-MT – 1.122 (19) – Série B
71º Inter de Lages-SC – 1.090 (4) – Série D
72º Treze-PB – 1.071 (4) – Série D
73º Icasa-CE – 950 (9) – Série C
74º Cuiabá-MT – 718 (9) – Série C
75º Colo Colo-BA – 644 (4) – Série D
76º Ceov-MT – 607 (4) – Série D
77º Tombense-MG – 593 (9) – Série C
78º Coruripe-AL – 566 (5) – Série D
79º Águia-PA – 535 (9) – Série C
80º Estanciano-SE – 511 (5) – Série D
81º Red Bull-SP – 511 (4) – Série D
82º Boa Esporte-MG – 495 (19) – Série B
83º Guarani-CE – 478 (4) – Série D
84º Globo-RN – 371 (4) – Série D
85º Lajeadense-RS – 355 (6) – Série D
86º Serra Talhada-PE – 342 (4) – Série D
87º Madureira-RJ – 325 (9) – Série C
88º Guaratinguetá-SP – 255 (9) – Série C
89º Foz do Iguaçu-PR – 246 (4) – Série D
90º Comercial-MS – 221 (4) – Série D
91º Villa Nova-MG – 189 (4) – Série D
92º Vilhena-RO – 186 (4) – Série D
93º Volta Redonda-RJ – 183 (4) – Série D
94º Náutico-RR – 182 (4) – Série D
95º Metropolitano-SC – 177 (2) – Série D
96º Duque de Caxias-RJ – 166 (4) – Série D
97º Aparecidense-GO – 157 (4) – Série D
98º Serrano-BA – 156 (4) – Série D
99º Santos-AP – 99 (4) – Série D
100º Resende-RJ – 68 (4) – Série D

Média de público dos campeonatos:
Série A – 17.050 pagantes
Série B – 6.523
Série C – 4.456
Série D – 2.662

Há 35 anos, o último dia de John Lennon

POR JAMARI FRANÇA

Neste oito de dezembro, há 35 anos, John Lennon era assassinado pelo fã Mark David Chapman. Um choque imenso para milhões de pessoas no mundo todo que tinham os Beatles como referência em suas vidas. Neste post recrio em detalhes o último dia de vida de John Lennon. Confesso que me emocionei e até fui às lágrimas na parte do hospital. John era meu Beatle favorito.

Primeiro Ato

John Lennon e Yoko Ono se mudaram em 1973 para o edifício Dakota, um prédio imponente no número um da Rua 72 Oeste, de frente para o Central Park. Inicialmente de aluguel do ator Robert Wagner, mas aos poucos compraram cinco unidades no prédio, moravam no sétimo andar, apartamento número 72 e usavam o vizinho 71 como estúdio e escritório.  A segunda-feira oito de dezembro ia ser agitada, John estava na fase de divulgação de seu primeiro álbum de inéditas desde Walls and Bridges (1974), o Double Fantasy, lançado em 17 de novembro e assinado por ele e Yoko.  Ele costumava tomar o desjejum no Café La Fortuna, a algumas quadras do Dakota na Rua71 Oeste, mas o local não abre às segundas.  Por volta de 10 da manhã saiu para cortar o cabelo numa barbearia próxima, optou por um corte estilo anos 50, com topete, como o da tribo inglesa de Teddy Boys a que os Beatles pertenciam no começo.
De volta ao Dakota, às 11 da manhã recebeu a fotógrafa Annie Leibovitz. Ele conversara longamente com o jornalista da Rolling Stone Jonathan Cott na sexta-feira anterior, dia cinco, e Annie foi fazer as fotos numa sessão que durou 90 minutos. Uma delas ficou mais famosa, ele encolhido nu sobre Yoko totalmente vestida, a capa da edição 335 de 22 de janeiro de 1981. A revista queria fotos só dele, mas John exigiu incluir Yoko porque Double Fantasy era do casal.
O próximo compromisso foi por volta de meio dia e 30, uma entrevista sobre o álbum para os jornalistas Dave Sholin, e Laurie Kaye, da rede RKO Radio Network, a primeira a transmitir via satélite. Entrevistado pela rede britânica ITV em 2010, nos 30 anos de morte de John, Dave Sholin recordou: “O Dakota é um prédio impressionante. (No sétimo andar, apartamento 72) entramos num espaço incrível, uma sala maravilhosa onde tivemos que tirar os sapatos, sentamos em almofadas e Yoko nos saudou. Olhei para cima e vi nuvens brancas lindas pintadas no teto. Yoko conversou conosco por quase meia-hora, aí uma porta abriu, John entrou, deu uma pirueta no ar e disse: ‘Aqui estou pessoal, pronto para começar o show.’ Ele abriu os braços e veio em nossa direção, como se quisesse nos deixar confortáveis e funcionou, em dois ou três minutos conversávamos como se nos conhecêssemos há anos. Nas três horas e meia em que estivemos juntos, ele se mostrou feliz e cheio de entusiasmo com as novas perspectivas familiares e musicais. Ele pretendia fazer uma turnê do novo disco.”  John concluiu a entrevista com uma frase otimista: “Meu trabalho só terminará no dia em que estiver morto e enterrado, o que espero demore muito, muito tempo.”
Às cinco da tarde, mais ou menos, ele e Yoko saíram do Dakota, logo depois da equipe da RKO, iam para o estúdio trabalhar. Por algum motivo, o carro deles não apareceu, então John pediu uma carona ao pessoal da RKO. Antes de entrar no carro atendeu vários fãs que pediram autógrafos.Um deles foi seu assassino, Mark Chapman, que rondava o Dakota há alguns dias. Um  fotógrafo amador, Paul Goresh, que estava sempre no Dakota e já conhecia John, registrou o momento. Goresh foi ao Dakota ver se John tinha autografado o livro A Spaniards In The Works que deixara na portaria. Estava autografado e Goresh o resgatou.
Ele falou mais cedo com Mark Chapman, que lhe disse ter vindo do Havaí só para pegar um autógrafo na sua cópia de Double Fantasy. Quando Goresh perguntou onde ele estava hospedado, Chapman lhe deu um fora e se afastou. Goresh contou ainda que cumprimentou John na calçada e este perguntou se ele tinha pego o livro. Foi quando Chapman se aproximou com o LP nas mãos e o estendeu para John sem dizer nada. “Você quer que eu autografe?” Chapman fez que sim com a cabeça, John autografou, perguntou se era só isso que ele queria, Chapman o pegou de volta e se afastou sem dizer uma única palavra. John virou para Goresh com um olhar tipo “que esquisito” e entrou na limusine.
Dave Sholin contou na entrevista citada acima que no caminho para o estúdio John falou de seu relacionamento com Paul McCartney, com quem brigou nos momentos finais dos Beatles e os dois trocaram farpas em entrevistas e em músicas de seus álbuns solo. “Ele é como um irmão, eu o amo, coisas de família, a gente tem altos e baixos, mas no fim das contas eu faria qualquer coisa por ele e acho que ele faria o mesmo por mim,” disse John, segundo Sholin.
No estúdio Record Plant, no 321 da Rua 44 Oeste, ele finalizou a canção de Yoko Walking On A Thin Ice, lançada como single em seis de janeiro de 1981. Gravou várias partes de guitarra com sua Rickenbacker 325, de 1958, usada nos primeiros tempos dos Beatles. Em seguida mixou a canção com o produtor do disco, Jack Douglas, que lembrou em entrevistas: “John estava nas nuvens. Acabamos a mixagem naquela noite e os acompanhei até o elevador: ‘A gente se vê no Sterling,’ o estúdio de masterização, na manhã seguinte às nove. Ele era só sorrisos, levava fitas cassete com gravações e Yoko era só sorrisos. E a porta do elevador se fechou.”  Isso foi por volta de 22h30, cogitaram de jantar no restaurante Stage Deli, frequentado por celebridades porque ficava perto do famoso Carnegie Hall, mas decidiram ir para casa dar um beijo de boa noite no filho, Sean Ono Lennon, então com cinco anos.
O porteiro do Dakota, John Hastings, um fã dos Beatles, estava lendo uma revista, pouco antes de 11 da noite, quando ouviu tiros do lado de fora e barulho de vidro estilhaçado. John cambaleou para dentro, andou vários passos e caiu, espalhando fitas cassete que tinha nas mãos. Yoko veio logo em seguida gritando, “John foi baleado”. Hastings apertou o alarme que chamava a polícia, correu e se ajoelhou junto a Lennon. Yoko gritava pedindo uma ambulância, depois foi para junto do marido e gritou “Tudo bem John. Você vai ficar bom.” Hastings tirou a gravata para usar como torniquete, mas não havia lugar para aplicá-lo. O sangue jorrava do peito e da boca de Lennon, seus olhos abertos e desfocados, ele tossiu vomitando sangue e pedaços de tecido. Dois carros de polícia chegaram, os policiais Bill Gamble e James Moran entraram no prédio, viram Lennon, viraram-no para avaliar os ferimentos, disseram que não dava para esperar uma ambulância e levaram-no para um dos carros, que saiu em disparada com ele e Yoko dentro.
Outros dois policiais, Steve Spiro e Peter Collin, prenderam Mark Chapman, que não tentou fugir. Ele sentou na calçada e ficou lendo o livro O Apanhador do Campo de Centeio, de J.D. Salinger, que trata das angústias existenciais e da revolta do adolescente Holden Caulfield diante dos desafios do mundo.

Segundo Ato

Pouco depois de meia-noite, o doutor Stephan Lynn, chefe da emergência do Hospital Roosevelt, no número 1000 da Décima Avenida com a Rua 59 Oeste, saiu para falar com o batalhão de jornalistas aglomerado do lado de fora:
– John Lennon foi trazido num carro de polícia para o pronto socorro do Hospital Roosevelt esta noite, pouco depois das 11 horas. Ele estava morto ao dar entrada. Mesmo assim, extensos esforços para ressuscitá-lo foram feitos mas, a despeito de transfusões e de outras medidas, não foi possível salvá-lo. Ele tinha sete ferimentos a bala no braço esquerdo, no peito e nas costas. Houve danos significativos nos principais vasos do peito que provocaram maciça perda de sangue, o que provavelmente resultou na sua morte. O óbito foi declarado às 23h 07m.
Em entrevistas, o doutor Lynn rememorou aquela noite em que dava plantão na emergência do Hospital Roosevelt: “Dois policiais entraram com o paciente numa maca e mandei que o colocassem na sala de ressuscitação. Havia três perfurações de bala na parte superior do lado esquerdo do peito e uma no braço esquerdo. Não sabíamos quem era ainda, a rotina é colocar o nome numa etiqueta presa na roupa, olhei e dizia ‘John Lennon’. Uma enfermeira não acreditou, disse ‘não parece John Lennon, não pode ser.’  De repente ouvi alguém chorando e entrou Yoko Ono, aí tivemos certeza de quem era e algumas pessoas da equipe começaram a chorar.” Lynn logo constatou que as  balas tinham destruído todos os vasos sanguíneos que saíam do coração, a aorta e suas ramificações: “Ficou claro que nada mais havia a fazer, mesmo assim eu massageei o coração com  as mãos numa tentativa de fazê-lo bater e fizemos uma transfusão de sangue, mas, com todos os vasos sanguíneos destruídos, de nada adiantou. Restou-nos declarar  o óbito. Ficamos todos em estado de choque e muitos choravam compulsivamente.”
O doutor Lynn saiu da sala para dar a notícia a Yoko. Sua primeira reação foi de negação. ‘Não é verdade. Você está mentindo. Não pode ser. Não acredito,’ disse ela, segundo o médico, que prosseguiu: “Ela caiu, coloquei minha mão atrás de sua cabeça para evitar que batesse no chão. Chorava desesperadamente e repetia ‘não, não, não’. Uma enfermeira se aproximou e lhe entregou a aliança de John. Ela se conteve e pediu que não divulgassem nada até ela chegar em casa e contar a Sean, cinco anos, que devia estar assistindo televisão àquela hora.
Não foi possível atender ao pedido porque um jovem jornalista da rede de TV ABC, Alan Weiss, sofrera um acidente de motocicleta e estava sendo atendido na emergência. Quando soube do que se tratava, imediatamente ligou para a redação e a ABC foi a primeira a dar a notícia. Sean não estava vendo TV, já tinha ido dormir. Numa entrevista a Philip Norman, autor da biografia John Lennon, A Vida, lançada aqui pela Companhia das Letras, Sean disse que acordou no dia seguinte sem saber de nada: “Senti uma atmosfera muito estranha na casa, todas aquelas multidões do lado de fora. Minha mãe sentada na cama debaixo do cobertor e eu juro que me lembro de ter visto um jornal, quase entendendo algo da manchete. Lembro de ficar de pé ao lado dela, enquanto me dizia ‘seu pai levou tiros e morreu’. E lembro que a coisa mais importante para mim era que não queria que ela me visse chorar. Lembro-me de dizer: ‘Não se preocupe mamãe. Você ainda é jovem, vai encontrar outra pessoa’. Aos cinco anos de idade achava que aquilo era a coisa mais madura pra dizer.”

Terceiro Ato

Às duas da madrugada, o porta-voz da polícia, James Sullivan, falou com centenas de jornalistas apinhados na sala de imprensa do 20º distrito no nº 120 da Rua 82 Oeste.
– Pedimos que viessem para dar um breve relato do que sabemos até agora sobre o homicídio de John Lennon. Prendemos Mark David Chapman, residente na Rua South Kukui 55, no Havaí, pela morte de John Lennon. É caucasiano, pele bronzeada, um metro e setenta, 80 quilos, cabelos castanhos, olhos azuis, 25 anos de idade. Nascido no dia 10 de maio de 1955, aparentemente está em Nova York há mais ou menos uma semana, tendo se hospedado na Associação Cristã de Moços e no Sheraton Centre. Ele esteve rodeando o prédio Dakota nos últimos dias e conseguiu obter um autógrafo num disco de Mr. Lennon quando este saía para o estúdio. Permaneceu no Dakota de noite esperando que Mr. Lennon voltasse. Pouco antes das 11 horas, John Lennon e sua esposa chegaram de volta ao Dakota numa limusine que parou na frente do edifício. Existe uma entrada de automóvel que podia ter sido usada. Os dois saíram e andaram até a arcada do Dakota. Este indivíduo, Mr. Chapman, veio por trás e chamou “Mr. Lennon”. Em seguida, em posição de combate, esvaziou o revólver Charter Arms calibre 38. O sr. Lennon gritou “Fui baleado”, subiu os degraus, empurrou a porta e caiu.”
Centenas de pessoas se aglomeraram em frente ao Dakota assim que a notícia se espalhou cantando Give Peace A Chance. Muitos choravam, portavam velas e bastões de incenso. Lá dentro Yoko ligou para Paul McCartney e para Mimi, a tia que criou John. Ela foi acordada e, quando disseram que era Yoko, sua primeira reação, ainda sonolenta, foi dizer: “O que ele aprontou desta vez?” Ringo, que estivera com John dois meses antes, pegou um avião para Nova York nas Bahamas com a noiva Barbara Bach, desembarcou e foi direto para o Dakota. Julian Lennon, filho do primeiro casamento, veio do País de Gales. Paul McCartney, pálido e abatido, falou com a imprensa na saída do Air Studio e pediu todo apoio a Yoko. Um comunicado dele emitido mais tarde disse que as diferenças entre os dois, na reta final dos Beatles, de 1968 a 1970, eram coisa do passado e que se tornavam grandes amigos outra vez. George Harrison estava gravando quando recebeu a notícia. Interrompeu e foi para casa. Mais tarde, num comunicado, disse: “Depois de tudo que passamos juntos eu tinha e ainda tenho um grande amor e respeito por John. Estou atordoado. Roubar uma vida é o roubo mais definitivo.”
O corpo de Lennon foi cremado dia 10 de dezembro no Ferncliff Cemetery em Hartsdale, Nova York. Não houve velório. Yoko Ono espalhou as cinzas no Central Park, onde cinco anos depois construíram o Strawberry Fields Memorial.

O Assassino

Mark David Chapman, hoje com 60 anos, está confinado desde 15 de maio de 2012 na Wende Correctional Facility em Alden, estado de Nova York. Foi condenado a de 20 anos à prisão perpétua em 24 de agosto de 1981 e levado para a penitenciária de Attica, na cidade homônima do estado de Nova York, onde permaneceu até ser transferido. Pela sentença ele podia requerer liberdade condicional a cada 24 meses após 20 anos de prisão e o fez no ano 2000. Desde então teve o pedido negado oito vezes. A próxima audiência de condicional é em agosto de 2016.
Na época do processo, Chapman citou argumentos religiosos e acusou John de hipocrisia para justificar seu crime. Ele se mostrou irritado com o primeiro álbum solo John Lennon/Plastic Ono Band (1970) pela música God, em que Lennon proclama descrença em tudo, incluindo Jesus, e diz que Deus é um conceito que criamos para medir nossa dor.  E ainda pela declaração dele em 1966 de que os Beatles eram mais populares do que Jesus. “Eu fiquei com raiva porque ele disse que não acreditava em Deus e não acreditava nos Beatles. Quem ele pensa que é, falando essas coisas contra Deus, o céu e os Beatles. Uma nuvem negra tomou minha alma de tanto ódio e revolta.”
A mulher dele, Gloria, afirmou: “Ele ficou com raiva que Lennon pregasse o amor e a paz e tivesse milhões de dólares.” Chapman ampliou: “Ele nos dizia para imaginar que não tínhamos bens e lá estava ele, com milhões de dólares, iates e mansões no campo, rindo de gente como eu que acreditava nas mentiras dele, comprava os discos e que tinha sua vida influenciada pelas músicas dele.”
Chapman tem bom comportamento, se diz religioso e tem direito a uma visita íntima de 42 horas por ano da mulher Gloria.
Observações
Este é o relato mais fiel que consegui levantar através de pesquisas em livros e na internet. Há várias discrepâncias nas pesquisas, os horários certamente são aproximados, algumas informações contraditórias são absurdas, como os nomes dos quatro policiais que chegaram primeiro ao Dakota. Bastava olhar a ocorrência na delegacia para ver os nomes, mas há vários deles citados na mesma hora e no mesmo lugar. Optei pelos citados mais vezes.
Um erro comum repetido em vários livros, incluindo em John  Lennon A Vida, de Philip Norman, que citei, é que John  tomou o desjejum no Café La Fortuna, que ficava a um quarteirão do Dakota. Frequentadores do La Fortuna na mesma época disseram a um documentário da BBC que o La Fortuna não abria às segundas, dia de folga do pessoal. Acreditei no depoimento do doutor Stephan Lynn  porque em momentos muito traumáticos a gente costuma lembrar de tudo, daí lhe dei este crédito.
Boa parte do material acima é do livro A Balada de John e Yoko, autoria da equipe da revista Rolling Stone, que cobriu extensivamente os Beatles e a carreira solo de John Lennon e fez a última entrevista com ele. Foi editado em 1983 aqui pelo Clube do Livro, da Editora Abril.

E Ciro Gomes tinha razão…

POR RENATO ROVAI

A carta que segue, divulgada pela Globonews, teria sido enviada pelo vice-presidente Michel Temer para a presidenta Dilma. É uma peça para a história e revela o nível de mesquinharia a que estamos submetidos.

Temer reclama que não foi convidado para uma reunião com o vice-presidente dos EUA, reclama que Dilma não renomeou seu amigo Moreira Franco e diz que ficou chateado porque ela falou diretamente com o líder do seu partido na Câmara ao invés de negociar com ele.

Dilma não é fácil e há inúmeros relatos de descortesias da presidenta, mas num momento em que o Brasil está correndo o risco de entrar numa crise institucional sem precedentes,  o vice-presidente da República enviar uma carta dessas à sua parceira de chapa é um escândalo.

Esta carta destrói Temer politicamente. Sua biografia está marcada daqui para diante como a de um político vaidoso, egoísta e de certa forma sem limites.

Dilma pode cair, mas Temer não sairá maior deste processo. Ele caiu hoje.

Leia  a carta:

São Paulo, 07 de Dezembro de 2.015.

Senhora Presidente,

“Verba volant, scripta manent”.

Por isso lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes últimos dias e de tudo que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio.

Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo.

Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos.

Lealdade institucional pautada pelo art. 79 da Constituição Federal. Sei quais são as funções do Vice. À minha natural discrição conectei aquela derivada daquele dispositivo constitucional.

Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo.

Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança. E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice.

Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo usando o prestígio político que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no partido. Isso tudo não gerou confiança em mim, Gera desconfiança e menosprezo do governo.

Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.

1. Passei os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo. A Senhora sabe disso. Perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas.

2. Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir formulações econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios, secundários, subsidiários.

3. A senhora, no segundo mandato, à última hora, não renovou o Ministério da Aviação Civil onde o Moreira Franco fez belíssimo trabalho elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a registrar este fato no dia seguinte, ao telefone.

4. No episódio Eliseu Padilha, mais recente, ele deixou o Ministério em razão de muitas “desfeitas”, culminando com o que o governo fez a ele, Ministro, retirando sem nenhum aviso prévio, nome com perfil técnico que ele, Ministro da área, indicara para a ANAC. Alardeou-se a) que fora retaliação a mim; b) que ele saiu porque faz parte de uma suposta “conspiração”.

5. Quando a senhora fez um apelo para que eu assumisse a coordenação política, no momento em que o governo estava muito desprestigiado, atendi e fizemos, eu e o Padilha, aprovar o ajuste fiscal. Tema difícil porque dizia respeito aos trabalhadores e aos empresários. Não titubeamos. Estava em jogo o país. Quando se aprovou o ajuste, nada mais do que fazíamos tinha sequência no governo. Os acordos assumidos no Parlamento não foram cumpridos. Realizamos mais de 60 reuniões de lideres e bancadas ao longo do tempo solicitando apoio com a nossa credibilidade. Fomos obrigados a deixar aquela coordenação.

6. De qualquer forma, sou Presidente do PMDB e a senhora resolveu ignorar-me chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um acordo sem nenhuma comunicação ao seu Vice e Presidente do Partido. Os dois ministros, sabe a senhora, foram nomeados por ele. E a senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado.

7. Democrata que sou, converso, sim, senhora Presidente, com a oposição. Sempre o fiz, pelos 24 anos que passei no Parlamento. Aliás, a primeira medida provisória do ajuste foi aprovada graças aos 8 (oito) votos do DEM, 6 (seis) do PSB e 3 do PV, recordando que foi aprovado por apenas 22 votos. Sou criticado por isso, numa visão equivocada do nosso sistema. E não foi sem razão que em duas oportunidades ressaltei que deveríamos reunificar o país. O Palácio resolveu difundir e criticar.

8. Recordo, ainda, que a senhora, na posse, manteve reunião de duas horas com o Vice Presidente Joe Biden – com quem construí boa amizade – sem convidar-me o que gerou em seus assessores a pergunta: o que é que houve que numa reunião com o Vice Presidente dos Estados Unidos, o do Brasil não se faz presente? Antes, no episódio da “espionagem” americana, quando as conversar começaram a ser retomadas, a senhora mandava o Ministro da Justiça, para conversar com o Vice Presidente dos Estados Unidos. Tudo isso tem significado absoluta falta de confiança;

9. Mais recentemente, conversa nossa (das duas maiores autoridades do país) foi divulgada e de maneira inverídica sem nenhuma conexão com o teor da conversa.

10. Até o programa “Uma Ponte para o Futuro”, aplaudido pela sociedade, cujas propostas poderiam ser utilizadas para recuperar a economia e resgatar a confiança foi tido como manobra desleal.

11. PMDB tem ciência de que o governo busca promover a sua divisão, o que já tentou no passado, sem sucesso. A senhora sabe que, como Presidente do PMDB, devo manter cauteloso silencio com o objetivo de procurar o que sempre fiz: a unidade partidária.

Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País terá tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais.

Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção.

Respeitosamente,

\ L TEMER

A Sua Excelência a Senhora

Doutora DILMA ROUSSEFF

DO. Presidente da República do Brasil

Palácio do Planalto