Quem sabe, sabe…

“Os amigos de verdade são difíceis de encontrar; mas você não procura, eles te acham. Um cresce dentro do outro. (…) A maior parte dos caras que conheço são uns babacas. Tenho vários bons amigos que também são, mas esse não é o caso. A amizade não tem nada a ver com isso. Dá pra ficar e conversar sem a sensação de distância? A amizade diminui a distância entre as pessoas. Para mim, é uma das coisa mais importantes do mundo”.

Keith Richards 

Por que a CBF tem que acabar

POR GERSON NOGUEIRA

Os clubes teimam em deixar o cavalo passar selado. Já era tempo de assumirem uma posição mais resoluta e corajosa, assumindo os destinos do futebol no Brasil. Não é inédito, já ocorreu na Inglaterra, com os resultados que todos conhecemos – e admiramos. Antes da Liga, o futebol da terra da Rainha também era dominado pela cartolagem sem compromisso. Com os clubes à frente, a coisa mudou drasticamente de figura.

No Brasil, o que dificulta a libertação é a falta de coragem para romper com as velhas estruturas. Os dirigentes, alguns tão anacrônicos quanto a ultrapassada turma que manda na CBF, receiam assumir a responsabilidade pelo próprio destino. Alguns são sinceros quanto a esse temor, outros se pautam pelas conveniências.

Quando se vê a fuga desesperada dos chefões da confederação fica claro que a entidade só se mantém poderosa e imune às mudanças pela omissão dos clubes, que formam a real plataforma de poder no futebol. A equação é simples: não há campeonato ou Seleção Brasileira sem passar pelos clubes. Estranhamente, só os dirigentes das agremiações parecem não ver isso.

É claro que, do ponto de vista de Corinthians e Flamengo, não há pressa em mexer no sistema atual, afinal ambos – pelo tamanho de suas torcidas – embolsam verbas anuais bastante superiores ao montante que é repassado aos demais. Situação cômoda e altamente rentável. Acontece que o futebol brasileiro não se resume a esses dois grandes clubes.

Caso se adotasse aqui o modelo inglês ou o espanhol, a folgada vantagem de Corinthians e Flamengo em faturamento iria ser reduzida. Por lá, apenas 50% do bolo de recursos leva em conta a popularidade dos clubes. Os demais 50% são divididos de maneira equânime, ou quase. De todo modo, não prevalece o nefasto esquema praticado no Brasil, que aprofunda vantagens e eterniza injustiças.

Interesses pontuais deveriam ceder espaço neste momento a um objetivo maior: a tomada de poder pelos clubes. O noticiário esportivo tem mostrado a CBF se esfacelando como instituição. O presidente pede licença para se esconder dos longos braços da Justiça americana, que já alcançou José Maria Marin, J. Hawilla e Ricardo Teixeira.

Na vacância de poder, um deputado federal assumiu interinamente e os grupos rivais se movimentam para lançar candidatos à eleição do vice-presidente no próximo dia 16. O paraense Antonio Carlos Nunes, eterno presidente da FPF, é o mais cotado para se tornar vice e primeiro na linha sucessória. Sua idade, 79 anos, é seu maior trunfo.

Noutros tempos, talvez alguém se animasse a festejar essa chegada (ou aproximação) com o poder. Hoje, com a CBF irremediavelmente manchada pelas gatunagens de ex-presidentes e sócios, não se sabe ao certo se a possível eleição do coronel Nunes é um prêmio ou uma prenda.

Aos clubes paraenses seguramente a vitória de Nunes será inócua, pois ele não terá margem de manobra para beneficiar efetivamente o futebol local. É possível até que nem venha a assumir a presidência. E, caso se habilite a assumir, é possível até que nem haja mais CBF, como conhecemos hoje.

Para que isso aconteça, basta um mínimo de vontade e mobilização política. A batalha da opinião pública já foi vencida. É de conhecimento geral que a CBF não serve ao futebol. Pelo contrário, serve-se dele. Por isso, ela não tem qualquer razão de existir. Os clubes terão que, agora ou mais tarde, dar seu grito de independência e assumir os próprios destinos. Pelo bem de todos e felicidade geral da nação boleira.

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Emergentes se reforçam para o Parazão

Quando se pensava que dezembro traria – além de fumaça em Belém e ameaça institucional em Brasília – novidades nos dois grandes da capital, eis que os interioranos estão dominando o noticiário. O Cametá anuncia o retorno de Cacaio ao clube. O São Raimundo negocia com Samuel Cândido. O Parauapebas confirma Léo Goiano no comando.

Na sexta-feira, surgiu a especulação sobre possível desistência do Paragominas. Atolado em dívidas (em torno de R$ 2 milhões), o clube estaria propenso a abrir mão da vaga. De imediato, o Castanhal se manifestou disposto a substituir o Jacaré.

Há ainda uma tentativa de garantir o Paragominas na disputa, mas a situação pré-falimentar do clube não inspira muito otimismo a essa altura.

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Atorres lança “Leão, Papão e Outros Bichos”

O segundo livro de Atorres reunindo as charges publicadas no DIÁRIO está saindo do forno. O lançamento será nesta quarta-feira, 9 de dezembro, às 19h, nos salões da sede da Tuna, na avenida Almirante Barroso. Trata-se de uma compilação dos melhores trabalhos sobre futebol em geral e a dupla Re-Pa em particular, produzidos pelo principal cartunista de sua geração. Vale a pena prestigiar.

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Festa chata com gente esquisita

Depois de seis meses de maratona, finalmente fecham-se as portas do espetáculo na Série A, com a realização da última rodada. A dúvida que assola a torcida é se o Vasco cai ou não cai. Quase ninguém lembra mais que o Corinthians é o campeão – aliás, hexa. Talvez nem o torcedor corintiano comemore mais o feito de seu time, como seria natural.

Não, no dia que deveria ser da celebração em torno de um vitorioso, teremos apenas – como nos últimos anos – a curiosidade mórbida pelos quatro rebaixados à Segunda Divisão.

O modelo de pontos corridos, vigente nos últimos 13 anos, se sustenta na vã filosofia do mérito e da justiça. Como se isso fosse possível em futebol. Um torneio que tem clubes com investimentos desiguais já começa sob o signo da injustiça, que a forma de disputa não tem a capacidade de corrigir.

Quando já se souber o destino do Vasco, ali por volta das 18h deste domingo, será o momento ideal para que as cabeças pensantes do nosso futebol avaliem friamente a monotonia que se apoderou do principal campeonato do país. Como citei há dois dias, a comparação com as finais da Copa do Brasil está aí mesmo a indicar o caminho.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir de 00h20 na RBATV, logo depois do Pânico. Na bancada, Valmir Rodrigues, o convidado Bernardo Tomaso e este escriba de Baião.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 06)